#119

Wal Martins e Felipe Costa sobre Muay Thai e Kickboxing em Dracena | AdamiCast #119

24 de maio de 2022 • 7 min de leitura

Este texto vem do episódio #119 do AdamiCast

Wal Martins é professor de Muay Thai e Kickboxing em Dracena; Felipe Costa é lutador profissional, soldador na Criart em Junqueirópolis e aluno do Wal. No bate-papo, eles passam pelas diferenças entre as duas modalidades, pela rotina puxada de quem treina à noite depois de um dia inteiro de serviço pesado, pelos benefícios do treino que vão muito além do corpo, pelo fechamento da academia Arena Combate na pandemia e pelo sonho do Felipe de um dia lutar o WGP ou o SFC.

Por que eles competem no kickboxing, e não no muay thai

A primeira diferença que o Wal explica é a regra: o Muay Thai tem cotovelo, joelho e clinch, o kickboxing não. O Muay Thai é considerado o esporte nacional da Tailândia — a criança começa aos 6, 7 anos — e tem toda uma tradição cultural por trás, com a dança pré-luta (wai khru) e o mongkon na cabeça. No Brasil a realidade é outra: os campeonatos mais perto da região são de kickboxing e o regulamento é mais simples de arbitrar. Por isso o Wal dá aula das duas modalidades, mas o Felipe compete no kickboxing. “Eu chegava no campeonato de Muay Thai e era regra de boxe. A gente deixou meio que o Muay Thai de lado e foi pro kickboxing. Senão o cara cria um vício de cotovelada”.

Na prática, Wal é faixa preta de Muay Thai há 16 anos, mas tirou os cotovelos e os joelhos da rotina de quem vai competir pra não pegar vício. “A base de treino é Muay Thai mesmo, doutrina do mestre. Mas a hora da competição eu nem coloco cotovelo, porque senão o cara dá uma cotovelada sem querer e toma amarelo”. O Felipe confirma: “A vantagem do kickboxing é a agressividade. O cara quer brigar, quer trocar. No Muay Thai você chega, faz a dança, espera… no kickboxing é pancada desde o início”.

Soldador de dia, lutador à noite

O Felipe tem 26 anos, trabalha como soldador na Criart, em Junqueirópolis, e faz caldeiraria pesada o dia inteiro. Sai do serviço às cinco, seis da tarde, passa em casa, toma banho, come alguma coisa e vai direto pro treino. “Eu saio do trabalho, vou em casa, tomo um banho, como e vou treinar. Fico duas, três horas”. Nos dias de semana é essa a rotina que se repete; no fim de semana, ele faz capoeira. E quando tem luta marcada, ele tenta encaixar um cardio de manhã cedo também, antes da jornada. “Quando eu sei que tem luta, vou correr umas 5 km de manhã antes de ir pro serviço. É sacrifício, mas ninguém vive disso aqui na região, é todo mundo no batente”.

O paradoxo que ele mesmo aponta: o cara que luta com ele vive disso, ele não. “O cara que luta comigo vive da luta. Eu tenho o dia todo pra treinar… o meu serviço é pesado, tem dia que é no sol. Mas nunca me atrapalhou. Mesmo assim eu vou, coloco meu jogo, e tô voltando com resultado”. A disciplina é o que diferencia, segundo ele: “Os cara chegam no treino só pra tirar foto. Eu chego, coloco o bocal, treino, saio. Esse é o caminho”.

Os benefícios que vão além do corpo

O Wal começou no esporte por indicação psicológica: brigava na escola e precisava de um jeito de gastar a energia. “Eu era briguento, não parava. O esporte me ajudou a controlar. Hoje em dia sou outra pessoa”. Hoje ele é faixa preta de Muay Thai, 16 anos na modalidade, e diz que os benefícios do treino aparecem em vários lugares: coordenação motora, postura, condicionamento físico, emagrecimento, e principalmente a parte de autoconfiiança e de disciplina. “Arte marcial muda o caráter. Você aprende a tomar um soco na cara e continuar. Isso é o que separa quem luta de quem não luta: a capacidade de absorver o problema e continuar”.

Ele atende alunas que nunca imaginaram emagrecer daquele jeito, e alunos que chegaram querendo brigar com todo mundo e acabaram virando competidores. “O treino começa com 6 anos, não tem limite. Muay Thai não é coisa de maluco, é pra qualquer um. A mulherada adora porque trabalha o corpo todo e define de verdade. O cara briguento aprende a esperar a hora certa de usar a energia”.

A pandemia fechou a Arena, mas abriu outras portas

O Wal tinha a academia Arena Combate, em Dracena, que fechou na pandemia. Sem renda, ele chegou a ficar desanimado, principalmente depois de um apagão no tatame que o levou pra UTI e deixou 40 dias parado. “Fiquei uns 10 meses fechado, perdi uns 600 alunos. A conta fixa continuava. Foi o divisor de águas, sabe quem tá com você”. Quando reabriu, voltou pequeno, no formato personal training, indo na casa do aluno. “Foi a salvação. O pessoal continuou comigo, porque eu ia na casa deles. O cara do Araújo veio aqui e falou: cara, você tem que explorar isso”.

Hoje a Arena Combate voltou com turmas reduzidas: segunda, quarta e sexta de manhã e à noite pra quem quer treinamento funcional; terça e quinta exclusivos pra quem quer competir. O Wal também dá aula no projeto da prefeitura no bairro Santa Clara, atendendo crianças que brigavam na escola e encontraram no Muay Thai um lugar pra colocar a energia. “O projeto da prefeitura já está em andamento. É pra criança que é briguenta, que ia brigar na rua. Coloca uma direção certa”.

WGP, SFC, GLÓRIA — o próximo round

O Felipe tem seis lutas profissionais no cartel e hoje disputa a categoria até 67 kg. O objetivo dele é aparecer nos grandes eventos de kickboxing nacional. “Sempre quis lutar o WGP, o SFC. E se um dia aparecer uma oportunidade no GLÓRIA, eu quero”. O caminho, segundo ele, é continuar vencendo, manter o currículo limpo (pouca derrota) e ir subindo. “No profissional você só é chamado quando tem bagagem e tem pouca derrota. Você tem que se destacar, mandar os vídeos, fazer o trabalho. E eu tô no batente, sem perder tempo”.

O próximo compromisso é o Universo Fight, em Guarulhos, no dia 11 de junho, com luta marcada. O Wal acompanha como treinador, e a expectativa é que o Felipe saia de lá com mais uma vitória pra somar no cartel. “A luta mais marcante que eu tive foi com o Fabricio Zacarias, porque a minha mãe tava assistindo. Ela faleceu. Hoje a luta é por mim, pela minha família e pelo meu professor”.

Onde encontrar

Wal Martins atende como professor de Muay Thai e Kickboxing em Dracena, SP, com turmas na Arena Combate (segunda, quarta e sexta de manhã e à noite; terça e quinta pra quem quer competir) e aulas particulares (personal training). Felipe Costa é lutador profissional, trabalha como soldador na Criart em Junqueirópolis e treina em Dracena. Para acompanhar a rotina, treinos e eventos, os Instagrams são: @walmartins_personal_oficial e @felipe_costa365.

Resumo do episódio

Wal Martins, professor de Muay Thai e Kickboxing em Dracena, e Felipe Costa, seu aluno e lutador profissional, conversam sobre as diferenças entre as duas modalidades, a rotina de treino noturno combinada com trabalho pesado durante o dia, os benefícios psicológicos e físicos do esporte, o fechamento da academia Arena Combate na pandemia e o objetivo de Felipe competir em grandes eventos nacionais como WGP e SFC.

Principais aprendizados

  • Muay Thai permite cotovelo, joelho e clinch, enquanto kickboxing não tem esses golpes, tornando este último mais acessível para competições no Brasil.
  • Arte marcial muda o caráter ao ensinar a absorver adversidades e continuar, diferenciando quem luta de quem não luta.
  • Disciplina supera vantagem de tempo disponível: quem trabalha o dia inteiro mas treina com foco consegue resultados contra competidores que vivem do esporte.
  • Muay Thai beneficia coordenação motora, postura, condicionamento físico, emagrecimento e principalmente autoconfiança e disciplina.
  • Personal training em casa foi a forma que permitiu a Arena Combate se recuperar da pandemia mantendo alunos e gerando renda.

Perguntas respondidas neste episódio

Qual é a diferença entre Muay Thai e Kickboxing?

Muay Thai permite golpes com cotovelo, joelho e clinch, além de contar com tradição cultural tailandesa. Kickboxing não permite cotovelo e joelho, é mais simples de arbitrar e oferece maior agressividade desde o início da luta.

Por que lutadores competem em kickboxing em vez de Muay Thai na região?

Os campeonatos mais próximos da região são de kickboxing e o regulamento é mais simples de arbitrar. Além disso, treinar Muay Thai com cotovelos e joelhos cria vício de movimento que prejudica na competição de kickboxing.

Como alguém consegue treinar de noite depois de um dia inteiro de trabalho pesado?

O lutador sai do trabalho às cinco ou seis da tarde, passa em casa, toma banho, come algo e vai treinar por duas a três horas. Quando tem luta marcada, acorda cedo para fazer cardio antes de ir para o serviço.

Quais são os principais benefícios do treino de Muay Thai além do corpo?

O treino desenvolve autoconfiança e disciplina, ensina a absorver adversidades e continuar. A arte marcial muda o caráter de pessoas agressivas, canalizando energia para competição, e beneficia também coordenação motora, postura e condicionamento físico.

Como a Arena Combate se recuperou após fechar na pandemia?

Após perder 600 alunos, Wal adotou o modelo de personal training na casa dos alunos, mantendo o relacionamento e a renda. Posteriormente reabre com turmas reduzidas em horários específicos, oferecendo funcional e treinamento para competidores.

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Este texto foi gerado por Inteligência Artificial com base na transcrição do episódio do AdamiCast.