Paula Forti cresceu em Paudália, no interior paulista, estudou e trabalhou em Dracena, e se formou em turismologia com o coração voltado para descobertas. Curiosa por natureza, ela conta que nunca esperou que o maior salto da sua vida fosse para o norte do Brasil. Com o marido trabalhando no Pará, Paula tomou uma decisão: ou ele voltava, ou ela ia. Ele foi buscá-la, e assim começou uma aventura de dois anos no que os paraenses chamam, com todo orgulho, de “meu país”.
O episódio 421 do AdamiCast é uma viagem de quase noventa minutos pelo Pará sem sair de Dracena. Paula compartilha tudo: o choque da chegada, a descoberta do açaí de verdade, o poder do Círio de Nazaré, as praias de carro na areia e a simplicidade tocante de um povo que sabe ser feliz com muito pouco.
Uma paulistinha no meio da Amazônia
Paula saiu do interior de São Paulo direto para Tailândia, uma cidade com apenas 38 anos de emancipação política no interior do Pará, situada entre Marabá e Belém. Ela brinca que era mais velha do que a cidade onde foi morar. E esse detalhe diz muito: lá, as pessoas chegavam de todos os cantos para construir vida numa terra nova, cheia de oportunidade mas ainda se descobrindo.
A adaptação foi intensa. Paula compara a experiência a viver no exterior, com a vantagem de falar português, mas ressalva: quando um paraense resolve usar o linguajar local, nem o português ajuda. O sotaque, as expressões, os costumes e até o ritmo do dia a dia eram completamente diferentes de tudo que ela conhecia. Mesmo assim, ela disse que se permitiu absorver tudo que pôde.
O açaí que não é o que você pensa
O primeiro encontro de Paula com o açaí paraense foi uma decepção. Ela esperava algo cítrico, e o que chegou na colher tinha um sabor próximo do amargo. Pediu açúcar no restaurante e levou uma bronca dos garçons. Com o tempo, foi ao Point do Açaí, restaurante famoso citado na música de Joelma, onde provou a tábua paraense completa: carnes, camarão, farinha e um litro do açaí batido na hora.
Daí em diante foi ladeira abaixo. Todo final de semana, um litro de açaí grosso, tirado fresquinho na hora. Paula explica a diferença: o açaí que chega ao sudeste já passou por processo industrial e, quando batido com a casca, ganha um granulado que lembra terra. No Pará, é batido na hora e tem uma textura completamente diferente. Hoje ela come puro, sem açúcar, declarando que virou paraense de raíz.
Uma mesa cheia de sabores desconhecidos
A gastronomia paraense foi um capítulo à parte. Paula aprendeu que o tacaká é servido numa cuia com camarão, jambu e tucupi, e que o jambu é uma planta que adormece a língua. Provou a manissoba, prato feito da folha da mandioca cozida por sete dias para tirar a toxicidade, servida com embutidos numa preparação que ela compara à feijoada, e que se tornou uma das suas favoritas.
O Pará também foi onde ela descobriu que o estado é o maior produtor de dendê do país, não a Bahia como todo mundo imagina. Ela conheceu de perto as fazendas de palma, o processo de colheita e a cultura em torno do produto. Outra revelação foi a pupunha com café, o bacuri com sua polpa branca e sabor único entre doce e azedo, e a famosa farinha de Bragãnça, com certificação de origem que lembra o queijo Canastra de Minas.
Belém, Alter do Chão e a praia de carro
Nos dois anos morando no interior, Paula viajou por todo o estado. Em Alter do Chão, fez trilha na mata primária amazônica e mergulhou em igarapés de água cristalina e gelada. Em Santarém, ficou emocionada com o pouso de avião sobre o encontro dos rios Amazonas e Tapajós. Em Salinópolis, descobriu um jeito de ir à praia que nunca tinha visto: entra com o carro direto na areia, para do lado da barraca e fica no ar-condicionado enquanto a maré sobe.
Em Bragãnça, a praia de Ajuruteua mostrou o lado mais simples e bucólico do litoral paraense: sem carro na areia, sem som alto, barraca com rede armada, mesa e a vista para o mar. Para Paula, o paraense é um povo que entende de rolê de praia como ninguém.
O Círio de Nazaré: quando a fé toma conta de uma cidade
O maior evento que Paula viveu no Pará foi o Círio de Nazaré, a maior procissão religiosa do Brasil, realizada no segundo domingo de outubro em Belém. Ela descreve como uma experiência que não sabe narrar com palavras, lembrando uma música da Fafá de Belém chamada “Eu Sou de Lá”, que resume tudo numa ideia simples: é preciso ter simplicidade para chorar sem entender.
Paula ficou tocada com a diversidade de fé da festa. Comunidades evangélicas, espíritas e de outras religiões trabalham voluntariamente durante o Círio ao lado dos católicos. As famílias se reúnem para o almoço do Círio, onde a manissoba e o pato no tucupi são os pratos da ocasião. Ela trouxe ao estúdio um terço do Círio de Nazaré como presente para a equipe do AdamiCast.
O que o Pará ensina sobre o Brasil
Uma das histórias mais marcantes que Paula conta é a da moça que a ajudava com a limpeza em Tailândia. Um dia, a mulher perguntou o que era aquela “água com bolhinhas” que eles tomavam. Ela nunca havia provado água com gás. Essa conversa ficou gravada na memória de Paula como símbolo de quantas realidades existem num país tão grande.
Paula também se envolveu com o projeto Chá Rosa, iniciativa local de mulheres que arrecadavam fundos para apoiar pacientes com câncer. Ela ficou chocada ao descobrir que, numa campanha de exames preventivos feita por caminhão em vilarejos, dez das trinta mulheres nunca tinham feito um papanicolau, e três foram diagnosticadas com câncer do colo do útero em estágio avançado. Foram dois anos de imersão que transformaram a forma como ela enxerga o Brasil.
Onde encontrar
Paula Forti gravou este episódio em Dracena, SP. Acompanhe ela pelo Instagram: @fortippaula.
Resumo do episódio
Paula Forti, formada em turismologia em Dracena, mudou-se para o Pará durante dois anos quando seu marido trabalhou em Tailândia. O episódio é uma jornada pela Amazônia que cobre o choque da adaptação a uma cidade jovem, a descoberta do açaí de verdade, as praias de carro na areia, o Círio de Nazaré e as desigualdades sociais que revelam a diversidade do Brasil.
Principais aprendizados
- O açaí consumido no sudeste passa por processo industrial que adiciona granulado diferente do açaí fresco batido no Pará na hora
- O Pará é o maior produtor de dendê do país, não a Bahia como a maioria imagina
- O Círio de Nazaré é a maior procissão religiosa do Brasil e reúne comunidades de diferentes religiões em trabalho voluntário conjunto
- Alter do Chão oferece trilhas em mata primária amazônica com igarapés de água cristalina e gelada
- Salinópolis tem um jeito único de ir à praia onde se entra com o carro direto na areia e se fica protegido no ar-condicionado da barraca
Perguntas respondidas neste episódio
Qual é a diferença entre o açaí do Pará e o consumido no sudeste?
O açaí que chega ao sudeste passa por processo industrial e quando batido com a casca ganha um granulado que lembra terra. No Pará, é batido na hora e tem uma textura completamente diferente, sendo consumido puro sem necessidade de açúcar.
Como é a praia de Salinópolis no Pará?
Em Salinópolis, é possível entrar com o carro direto na areia, parar do lado da barraca e ficar no ar-condicionado enquanto a maré sobe, oferecendo uma experiência única de praia não vista no sudeste.
O que é o Círio de Nazaré?
O Círio de Nazaré é a maior procissão religiosa do Brasil, realizada no segundo domingo de outubro em Belém. É uma celebração que reúne comunidades evangélicas, espíritas e de outras religiões trabalhando voluntariamente ao lado dos católicos.
Este texto foi gerado por Inteligência Artificial com base na transcrição do episódio do AdamiCast.