Alessandra Do Valle nasceu em São Paulo capital, mas cresceu nos bastidores de uma das maiores referências do jornalismo esportivo brasileiro. Filha do saudoso Luciano do Valle, ela foi emancipada pelo pai ainda na adolescência para poder assinar contratos e morar fora, e começou sua carreira como telefonista e produtora no Show do Esporte da Rádio e TV Bandeirantes, quando o programa ocupava 12 horas ininterruptas de programação aos domingos.
Após passar por Rio de Janeiro, Campinas, Bauru e Sorocaba, Alessandra chegou a Presidente Prudente em 2005 por conta do marido, o ex-zagueiro do São Paulo José Ciqueri. Hoje é apresentadora do Vitrine na CBN Prudente, todo sábado das 10h ao meio-dia, e preside o Instituto Luciano do Valle, que carrega e expande o legado esportivo e social do pai.
Uma infância nos bastidores
Ser filha do Luciano do Valle significava crescer dentro da Bandeirantes, ir ao Maracanã nos dias de jogo da Rede Globo, acompanhar Copas do Mundo e Olimpíadas e respirar a adrenalina dos bastidores de uma equipe de 250 funcionários. Desde cedo, Alessandra foi emancipada pelo pai para poder trabalhar e assinar contratos enquanto ainda era menor de idade.
Ela começou como telefonista do Show do Esporte, o programa dominical pioneiro criado por Luciano do Valle, que distribuía prêmios, inclusive carros, para telespectadores de todo o Brasil. Depois passou à produção de eventos da empresa Luck, do pai, que organizava lutas de boxe, entre elas as do Maguilão, e entregava pessoalmente os prêmios sorteados na residência dos ganhadores.
Ser mulher no jornalismo esportivo dos anos 1990
Quando Alessandra avançou para a reportagem de campo, a realidade era dura. Os jogadores simplesmente não respeitavam as mulheres nas coberturas. Ela conta que chorava frequentemente durante as matérias no Pacaembu, na Barra Funda e no Canindé, onde cobria o dia a dia do futebol.
Uma das histórias mais marcantes aconteceu durante uma coletiva no Canindé: Dener, o atacante do Corinthians, começou a provocar Alessandra na frente dos outros jogadores enquanto ela tentava fazer uma matéria. Foi o cinegrafista Marcelão quem parou tudo, deu um esporro nos jogadores e garantiu que ela concluísse a reportagem a tempo de entrar no Esporte Total. Alessandra brinca que ficou tão nervosa que por pouco não caiu numa poça de água com sua calça branca.
Momentos inesquecíveis: Senna, Pelé e Fittipaldi
A trajetória de Alessandra também é feita de memórias raras. Ela entrevistou Ayrton Senna numa coletiva para o lançamento de um relógio Tag Heuer, já que a residência de Senna ficava próxima à casa do seu ex-marido na Serra da Cantareira. Conheceu Pelé quando Luciano do Valle era técnico da Seleção de Masters do Brasil, que incluía também Rivellino, Zico e Tostão numa Copa Pelé em Miami.
O momento mais emocionante foi estar ao lado do pai nas 500 Milhas de Indiapólis, quando Emerson Fittipaldi venceu com toda a família gritando no cockpit. “Foi algo indescritiével”, conta ela. Depois de 37 anos de profissão, Alessandra ainda sente o “friozinho na barriga” antes de entrar ao vivo, e cita o conselho do pai: “o dia que esse friozinho acabar, troca de profissão”.
O Instituto Luciano do Valle e a Vila Olímpica
O Instituto nasceu logo após a morte de Luciano do Valle, há 11 anos, com o objetivo de manter vivo o legado de quem “serviu à pátria através do esporte”. Além do trabalho social, o Instituto gerencia o esporte de alta performance e já revelou atletas como Mateus de Sá, o saltador dracenense que foi às Olimpíadas de Tóquio.
O projeto mais ambicioso agora é a primeira Vila Olímpica e Paralímpica Luciano do Valle, construída em parceria com a prefeitura de Itu, com medidas padrão internacional, piscina olímpica e uma piscina comunitária para crianças. A previsão é de quatro anos para conclusão, e o modelo deve ser replicado pelo Brasil inteiro.
Jornalismo em transformação: tecnologia, responsabilidade e saudade do papel
Com 37 anos de carreira, Alessandra tem uma visão equilibrada sobre as mudanças no jornalismo. Ela valoriza a democratização trazida pela internet, mas critica o sensacionalismo, a falta de apuração e o etarismo que afasta profissionais experientes em favor de influenciadores com muitos seguidores.
Ela relembra com carinho a época das fitas, do fax e das equipes de cinco pessoas para fazer uma única matéria, e sente falta do ritual de abrir o jornal impresso de manhã. O pai era seu maior modelo de liderança: jamais gritava, falava baixo e fazia todos pararem para ouvi-lo. “Quanto mais baixo você fala, a pessoa é obrigada a parar de gritar para te ouvir”, ensinava Luciano do Valle.
Onde encontrar
Alessandra Do Valle é apresentadora do Vitrine na CBN Prudente (88,3 FM e YouTube @CBNprudente, todo sábado das 10h ao meio-dia) e preside o Instituto Luciano do Valle, sediado em Presidente Prudente, SP. Ela veio até Dracena, SP, para gravar este episódio do AdamiCast. Siga no Instagram: @alessandra_dovalle e @institutolucianodovalle.
Resumo do episódio
Alessandra Do Valle cresceu nos bastidores do jornalismo esportivo brasileiro como filha de Luciano do Valle, começou como telefonista e produtora na Bandeirantes, enfrentou desafios como mulher repórter nos anos 1990, conviveu com grandes nomes do esporte e hoje preside o Instituto Luciano do Valle enquanto trabalha como apresentadora de rádio em Presidente Prudente.
Principais aprendizados
- A emancipação precoce permitiu trabalhar e assinar contratos ainda menor de idade nos bastidores da Bandeirantes.
- Mulheres jornalistas enfrentavam desrespeito de jogadores nas coberturas de campo durante os anos 1990.
- O Show do Esporte foi um programa dominical pioneiro que distribuía prêmios, inclusive carros, para telespectadores de todo o Brasil.
- O Instituto Luciano do Valle, criado 11 anos após a morte do pai, trabalha com legado social e revelou atletas que participaram de Olimpíadas.
- A Vila Olímpica e Paralímpica Luciano do Valle em Itu segue medidas padrão internacional com piscina olímpica e deve levar quatro anos para conclusão.
Perguntas respondidas neste episódio
Como Alessandra Do Valle começou sua carreira no jornalismo esportivo?
Começou como telefonista do Show do Esporte, o programa dominical criado por seu pai na Bandeirantes, que distribuía prêmios para telespectadores de todo o Brasil. Depois passou à produção de eventos de boxe e, posteriormente, avançou para a reportagem de campo.
Qual era a realidade de ser mulher repórter no jornalismo esportivo dos anos 1990?
Os jogadores não respeitavam mulheres nas coberturas de campo. Alessandra chorava frequentemente durante as matérias em estádios como Pacaembu, Barra Funda e Canindé enquanto cobria o dia a dia do futebol.
O que o Instituto Luciano do Valle realiza?
O Instituto mantém vivo o legado do jornalista através de trabalho social e gerencia esporte de alta performance, revelando atletas para competições olímpicas. Está construindo a primeira Vila Olímpica e Paralímpica Luciano do Valle em parceria com a prefeitura de Itu.
Como Alessandra Do Valle foi emancipada pelo pai?
Luciano do Valle a emancipou ainda na adolescência para poder assinar contratos e morar fora, permitindo que trabalhasse legalmente nos bastidores da Bandeirantes enquanto era menor de idade.
Este texto foi gerado por Inteligência Artificial com base na transcrição do episódio do AdamiCast.