Thomas Takahashi cresceu ouvindo histórias de um pai que chegou ao Brasil quase sem nada, aprendeu a profissão de borracheiro com o irmão mais velho e dormia num tablado de madeira dentro da própria borracharia. Essa herança de trabalho, honestidade e tino comercial moldou o empresário que hoje comanda a Takahashi Pneus, em Dracena, uma das lojas de pneus mais antigas e respeitadas da região, com mais de 70 anos de história. No episódio 58 do AdamiCast, Thomas abriu o baú das memórias e contou com riqueza de detalhes a trajetória da família, a filosofia de gestão que herdou do pai e os novos horizontes que ele vem construindo no ramo imobiliário e no sonho de um espaço verde em Dracena.
Uma história que começa no Japão do pós-guerra
O pai de Thomas, imigrante japonês, veio para o Brasil ainda criança, numa das ondas de imigração do pós-guerra, quando o Japão vivia um período de profunda escassez. Os avós de Thomas faleceram logo após a chegada ao país, e o pai precisou ser criado pelo irmão mais velho, em Andradina. Foi com esse irmão que aprendeu o ofício de borracheiro, e foi com pouquíssimo dinheiro que ele se mudou para Junqueirópolis e montou sua própria borracharia, dormindo no tablado de madeira do próprio estabelecimento. “Ele construiu a empresa com nada”, conta Thomas, com orgulho visível na voz.
A comunidade japonesa da época era marcada pela solidariedade. Thomas descreveu com detalhes o cotidiano daquela geração, as casas de madeira, o banho no tambor de 200 litros aquecido por tijolos e fogo, a família numerosa de 11 filhos. Mas foi justamente nesse ambiente de dificuldade que o pai construiu a base do que Thomas define como o principal ativo da empresa até hoje: a confiança. “Meu pai lançou a base do que a gente chama de confiança. Ele sabia tratar as pessoas e tinha uma idoneidade enorme”, disse Thomas.
Vender confiança, nao pneu
Thomas assumiu a empresa ainda jovem e desde o início entendeu que o negócio de pneus é, antes de tudo, uma prestação de serviço. “Você não vende mercadoria, você vende confiança”, afirmou com convicção. Essa filosofia se traduz numa postura clara com os funcionários: jamais enganar o cliente, fazer apenas o que é necessário e nunca explorar quem chegou precisando de ajuda. A cada novo funcionário contratado, Thomas reforça esse princípio como regra inegociável da casa.
Esse posicionamento explica por que a Takahashi Pneus sobreviveu onde tantas outras redes grandes não resistiram. Thomas observou que praticamente todas as grandes redes de pneus do Brasil faliram ou regrediram ao longo das décadas, justamente porque escala e qualidade de serviço são difíceis de conciliar. “Como é que eu vou dar um serviço de qualidade se o meu gerente não vai ter a mesma dedicação que tenho aqui?”, questionou. A decisão foi deliberada: ficar menor, mais sólido e mais próximo do cliente.
Os desafios do varejo diante da internet e da inflacao
Thomas demonstrou uma visão clara e até inquieta sobre o futuro do varejo. Para ele, o pneu já é um produto de margem muito baixa, e a pressão da internet só tende a aumentar. “Eu não posso mais viver só do pneu”, admitiu, sinalizando que o modelo de negócio precisa evoluir para agregar mais serviços. A estratégia passa por ampliar prazos de pagamento, elevar o nível do atendimento e diversificar as fontes de receita, sem abrir mão da qualidade que sempre foi a marca da empresa.
A pandemia acelerou essa percepção. Thomas observou que os comerciantes que não aderiram ao WhatsApp e às redes sociais ficaram para trás, e que o varejo como um todo vai se tornar irreconhecível nos próximos dez anos. “O mundo vai mudar de uma tal forma que vai ser difícil reconhecer”, disse, citando desde o e-commerce de roupas até o banking digital. A transformação, para ele, é inevitável, e quem não se adaptar vai ficar de fora.
A recicladora de Junqueropolis e a expansao para o ramo imobiliario
Além da loja em Dracena, Thomas e o irmão Roberto construíram juntos uma empresa de recapagem e reciclagem de pneus de caminhão em Junqueirópolis, instalada em um galpão de 11 mil metros quadrados com uma estrutura de 3 mil metros cobertos. É um negócio mais complexo, mais competitivo, voltado ao mercado industrial, mas que conta com décadas de experiência acumulada da família. Thomas destacou com satisfação que a parceria com o irmão sempre foi marcada por confiança absoluta, sem brigas por dinheiro ou por poder.
Nos últimos 11 anos, Thomas também mergulhou no ramo imobiliário comercial, comprando imóveis em locais estratégicos em Dracena, Adamantina e São José do Rio Preto, construindo e locando. “Hoje minha maior empresa é o ramo de locação comercial”, revelou. A paixão por arquitetura e por espaços bem construídos guia esse trabalho, e Thomas faz questão de incluir vegetação nos projetos, convicto de que um prédio sem verde é um prédio sem vida. Um dos exemplos que citou com orgulho é a galeria em frente à prefeitura de Dracena.
Gestao horizontal, leitura e disciplina japonesa
Thomas tem uma filosofia de gestão que vai na contramão de muitos modelos tradicionais. Ele não acredita em hierarquia vertical nem em autoridade como instrumento de liderança. “Minha relação com os funcionários não é baseada em autoridade, mas em confiança”, explicou. Ele trata a equipe como família, busca igualdade no dia a dia e defende que o funcionário precisa ter perspectiva e bem-estar para se manter motivado. O depoimento espontâneo do funcionário Silas, que aparece no episódio elogiando a empresa, ilustra bem o ambiente que Thomas cultiva.
A rotina de Thomas é marcada por uma disciplina que ele mesmo atribui à herança japonesa. Ele acorda às 5 da manhã, vai para a academia três vezes por semana, corre 15 quilômetros semanais distribuídos entre terças, quintas e domingos, trabalha de 12 a 14 horas por dia e ainda reserva tempo para leitura e para aprender japonês. “Meu tempo é todo dividido em pedacinhos”, descreveu. A leitura é o hobby declarado: história, biografias, política, filosofia. No episódio, Thomas falou com entusiasmo sobre Abraão Lincoln, Lawrence da Arábia e a importância de líderes que constroem confiança em vez de divisão.
O que o episodio ensina
A história de Thomas Takahashi é um exemplo de como valores passados de geração em geração constroem empresas que resistem ao tempo. Mais de 70 anos depois do tablado de madeira onde o pai dormia, a Takahashi Pneus segue de pé na Washington Luís, em Dracena, sustentada pelo mesmo princípio que o fundador plantou: honestidade acima de tudo. Thomas herdou esse legado, ampliou para outros negócios e continua construindo, literalmente e em sentido figurado, com a mesma seriedade de quem sabe o que é começar do zero.
Topicos do episodio
- A imigração japonesa e a origem da Takahashi Pneus, fundada em 1950 pelo pai de Thomas
- Por que vender pneu é, antes de tudo, vender confiança e nao mercadoria
- A decisao de nao expandir em redes e manter a qualidade do servico
- A recicladora de caminhao em Junqueropolis e a parceria com o irmao Roberto
- O mergulho no ramo imobiliario comercial nos ultimos 11 anos em Dracena e regiao
- Gestao horizontal, equipe como familia e lideranca baseada em confianca
- Rotina de disciplina: academia, corrida, leitura e aulas de japones
Resumo do episódio
Thomas Takahashi comanda a Takahashi Pneus, uma das lojas mais antigas de Dracena com mais de 70 anos de história, herdando do pai imigrante japonês a filosofia de vender confiança em vez de mercadoria. Além da loja de pneus, expandiu para reciclagem de pneus de caminhão em Junqueirópolis e para o ramo imobiliário comercial, mantendo uma gestão horizontal baseada em confiança e disciplina japonesa na rotina pessoal.
Principais aprendizados
- A confiança é o principal ativo de uma empresa de serviços, construída através de honestidade e bom trato com as pessoas.
- Manter qualidade de serviço exige deliberadamente ficar menor e mais próximo do cliente, não acompanhando o crescimento de grandes redes.
- O varejo de produtos com baixa margem precisa diversificar fontes de receita e se adaptar ao e-commerce para sobreviver.
- Gestão horizontal baseada em confiança gera motivação dos funcionários melhor que hierarquia vertical ou autoridade.
- Incluir vegetação nos projetos imobiliários reflete a convicção de que um prédio sem verde é um prédio sem vida.
Perguntas respondidas neste episódio
Por que a Takahashi Pneus não virou rede como outras empresas do segmento?
Porque escala e qualidade de serviço são difíceis de conciliar. Se o gerente não tiver a mesma dedicação do proprietário, o serviço fica comprometido. A decisão foi ficar menor, mais sólido e mais próximo do cliente, uma estratégia que permitiu a sobrevivência enquanto praticamente todas as grandes redes de pneus do Brasil faliram ou regrediram.
Como funciona o modelo de gestão da Takahashi Pneus?
A gestão é horizontal e baseada em confiança, não em hierarquia vertical ou autoridade. Thomas trata a equipe como família, busca igualdade no dia a dia e se preocupa com perspectiva e bem-estar dos funcionários para mantê-los motivados. A relação é fundamentada em confiança em vez de comando.
Qual é o principal ativo da Takahashi Pneus segundo Thomas?
A confiança. O pai de Thomas lançou a base dessa filosofia ao saber tratar as pessoas e ter enorme idoneidade. Thomas herdou esse princípio e o reforça com cada novo funcionário contratado, entendendo que no negócio de pneus você não vende mercadoria, mas confiança e prestação de serviço de qualidade.
Como Thomas Takahashi diversificou os negócios além da loja de pneus?
Nos últimos 11 anos, mergulhou no ramo imobiliário comercial, comprando imóveis em locais estratégicos em Dracena, Adamantina e São José do Rio Preto, construindo e locando. Também participa de uma recicladora de pneus de caminhão em Junqueirópolis em parceria com o irmão Roberto, numa estrutura de 11 mil metros quadrados.
Este texto foi gerado por Inteligência Artificial com base na transcrição do episódio do AdamiCast.