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Sheila Franceschini e Prof. Paulo Figueiredo: UNATI, a universidade gratuita que transforma a vida de quem tem 60 anos ou mais em Dracena | #471

09 de junho de 2026 • 9 min de leitura

Este texto vem do episódio #471 do AdamiCast

A UNATI, Universidade Aberta à Terceira Idade, chegou a Dracena em 2002 como um convite da UNESP para uma unidade ainda muito pequena. O professor Paulo Figueiredo era vice-diretor na época e confessa que ficou preocupado ao receber a proposta. Aceitou o desafio assim mesmo. Hoje, 25 anos e 18 turmas depois, há lista de espera para entrar e alunos que fizeram o programa quatro, cinco vezes seguidas. No episódio 471 do AdamiCast, Sheila Franceschini, coordenadora pela Unifadra/Fundec, e o professor Paulo Figueiredo, da UNESP, contaram o que é a UNATI, o que acontece com quem entra, e por que é quase impossível parar de querer voltar.

O que é a UNATI e para quem é

UNATI significa Universidade Aberta à Terceira Idade. É um programa criado pela UNESP que funciona em parceria com a Unifadra/Fundec e a Prefeitura Municipal de Dracena. O público é a população com 60 anos ou mais. Não é um curso superior com grade curricular rígida, mas um programa estruturado de atividades que inclui aulas em diversas áreas do conhecimento, atividade física e atividades artísticas. As aulas acontecem nas terças-feiras, alternando entre o campus da UNESP e a Fundec, e nas quintas-feiras há uma programação fixa de atividade física e atividade artística. São 25 vagas por turma, aulas de março a novembro, com formatura no final do ano. O programa não tem custo nenhum para o aluno.

25 anos de parceria que nasceu dentro da Fundec

O processo de criação da UNESP Dracena começou em 2002. O professor Paulo era vice-diretor quando recebeu o convite da professora Cândida Delmaço, de Marília, responsável pela UNATI na reitoria. A estrutura do campus era muito menor do que é hoje. A primeira decisão foi buscar um parceiro, e a escolha foi a Fundec, que aliás já tinha uma relação histórica com a UNESP: a universidade nasceu dentro das instalações da Fundec, no espaço que hoje é a Unifadra. A parceria foi aceita, e a Prefeitura entrou logo em seguida, com o prefeito Elso Estelato Júnior e a secretária de educação professora Magda Lemo. Essa tríplice aliança dura até hoje. O professor Paulo é direto: “Seria impossível termos feito um programa de qualidade como é hoje sem o apoio fundamental da Fundec.” A UNESP tem 35 unidades no estado. Apenas cerca de 20 têm a UNATI. Para Dracena, receber o convite naquele momento foi honroso e desafiador ao mesmo tempo.

O que o aluno encontra quando entra

Muitos chegam imaginando que vão cursar algo parecido com um curso superior tradicional. Não é bem assim. O programa tem um eixo central de atividade física, que é obrigatório e muito amado pela turma, mas as demais aulas variam a cada ano. O corpo docente da UNESP tem cerca de 40 professores e mais técnicos, somando aproximadamente 100 pessoas disponíveis. A cada ano, faz-se um levantamento de quem quer ministrar aula e quais assuntos. Isso garante diversidade até para quem faz o programa mais de uma vez: a grade muda, os professores mudam, os temas são renovados. Numa semana pode ser uma aula sobre carne suína e os mitos da alimentação. Na outra, sobre como as plantas produzem frutos. Em breve, uma aula sobre a cultura mineira com um professor da área de máquinas que é mineiro e já avisou que vai falar de pão de queijo. Tem também aulas de informática, cuidados nas redes sociais, psicologia e atividades com os cursos do Anglu, do CEPUM e da Unifadra.

Histórias que a gente leva para casa

Sheila foi professora de canto coral da UNATI durante os primeiros dez anos do programa. Em uma das turmas, chegou uma senhora com indicação médica por paralisia facial. O médico havia sugerido que ela participasse da UNATI e fizesse atividades. Com os exercícios vocais do canto coral, ela foi recuperando a mobilidade do rosto e a vibração dos lábios. No final do ano ela contou a história: entrou no programa para seguir orientação médica e saiu com a saúde recuperada. Essa é uma entre inúmeras histórias que passaram por ali em 18 turmas. Tem gente que chega com indicação médica por depressão. Tem gente que nunca pisou numa universidade. Tem gente que mal sabe ler e escrever. E tem turmas que perderam um colega ao longo do ano e o homenagearam dando o nome dele à turma na formatura. “A gente aprende mais com eles do que eles com a gente. Não é clichê, é real”, diz Sheila.

A troca intergeracional que ninguém esperava

Uma das atividades mais marcantes da UNATI é a troca de cartas com alunos do sexto ano do Colégio Anglu. Os dois grupos não sabem com quem estão trocando cartas. A surpresa do encontro depois é sempre emocionante. Os adolescentes não veem a hora de conhecer o amigo que estava do outro lado. Os alunos da UNATI ficam igualmente ansiosos. Depois da atividade, alguns chegam a visitar as casas uns dos outros. A troca não é só curiosidade, é aprendizado real para os dois lados. Quem recebe os alunos da UNATI na UNESP também passa por isso: os estudantes do campus acolhem, orientam e saem diferentes desse encontro. O ambiente universitário em si já é um benefício. Andar nos corredores, receber carteirinha, poder ir à biblioteca, chegar de ônibus da instituição. Para muitos que nunca tiveram acesso a esse tipo de espaço, é uma experiência que mexe fundo.

Atividade fisica como prioridade e como medicina

As quintas-feiras têm atividade física fixa. É a aula que ninguém falta. Professoras especializadas em atividade física para a terceira idade montam programas adaptados, inclusive para quem chega com dificuldades de mobilidade. Pedro contou que os pais de amigos foram ao médico e voltaram desconcertados: “O que tá acontecendo com esses médicos? Fui lá e só ficam mandando eu fazer atividade física.” A resposta é simples e o programa da UNATI entende isso há 25 anos. Mesmo nos períodos em que os alunos estão fora da turma da UNATI, eles não param: vão para o programa Viva Vida, se inscrevem em outras atividades da prefeitura. A turma atual, como as anteriores, é ativa, dinâmica, e vai a todas as festas. Nesta semana de festa junina, a turma de 2026 já participou da festa da Fundec no dia 2 de junho e ainda vai na festa da UNESP.

O que é envelhecimento ativo na pratica

Fala-se muito em envelhecimento ativo, mas o que significa na prática? Para Sheila, é saúde física, mental e espiritual, sentir-se inserido na sociedade, interagindo com todos. O programa da UNATI entrega exatamente isso. Os alunos chegam com pouca conversa, um pouco retraídos, e saem da formatura emocionados, apresentando os novos amigos para a família, com uma bagagem de assuntos para levar para casa. Uma das senhoras da turma atual respondeu à pergunta “o que é a felicidade?” com uma frase que ficou na memória de quem estava na sala: “Eu sou livre. Já fiz tudo que eu tinha para fazer. Agora vou fazer o que eu quiser.” O professor Paulo comenta que 60 anos hoje é muito diferente de 60 anos há 20 anos, e que provavelmente em breve a régua de entrada vai ter que subir porque a população está chegando nessa faixa com muito mais disposição do que antes.

Isolamento social, novos relacionamentos e recomecos

O isolamento social na terceira idade é um desafio real. A UNATI combate isso de forma direta. Quem chega sem conhecer ninguém faz amizades. Quem vai em grupo faz amizades novas. Os vínculos construídos ao longo do ano costumam continuar depois: visitam as casas uns dos outros, combinam saídas, continuam se encontrando fora do programa. E acontece mais do que amizade. “Um viúvo, uma pessoa que há muito tempo tá sozinha, às vezes forma um casal ali, começa a namorar. Acontece, acontece muito”, conta Sheila. Pedro brincou que talvez devesse entrar na UNATI para a esposa parar de brigar com ele em aula. A resposta foi que “a mulher sempre tem razão lá no curso também”. A evasão ao longo do ano é mínima: só sai quem enfrenta dificuldades de saúde muito severas. A turma se mantém unida até a formatura.

Como se inscrever

As inscrições abrem todo ano em fevereiro, com início das aulas em março e encerramento em novembro. O interessado deve comparecer à Secretaria Geral da Fundec com documentos pessoais e comprovante de residência para realizar a matrícula. Não há custo. São 25 vagas por turma. Quem mora em bairros mais distantes conta com transporte oferecido pela Prefeitura de Dracena dentro da cidade. Para as aulas na UNESP, o próprio campus busca os alunos no CPOM e os leva até o campus. Já houve alunos de Panorama, Ouro Verde e Junqueirópolis. Hoje a lista de espera já existe, então ficar atento à divulgação em fevereiro é fundamental. O programa já está na 18ª turma: a pandemia afastou uma turma das atividades presenciais e fez uma turma funcionar a distância, o que atrasou um pouco a contagem. Mas a retomada aconteceu e o programa segue firme.

Cachorro velho aprende truque novo sim

A pergunta foi direta: o que dizer para quem acha que já está velho demais para aprender coisas novas? Sheila não hesitou: “Vem correndo para a UNATI, porque a gente nunca tá velho para aprender.” O professor Paulo completou: “É uma janela que se abre. Ele vai ser surpreendido, com certeza.” A história da tecnologia é emblemática. A pandemia forçou muita gente a aprender a usar o celular para fazer coisas que antes faziam presencialmente: banco, consulta, comunicação. Quem entrou na UNATI aprendeu a acessar redes sociais, fazer pesquisa no Google, entrar no YouTube. Para quem nunca teve contato com computador, apertar um botão sem medo já é uma conquista. Para quem aprendeu a usar grupos de WhatsApp, conseguir mandar áudio para a família toda é uma vitória gigantesca. A sobrinha de três anos não tem medo de apertar nada no celular. A questão não é ser mais jovem, é ter tido a oportunidade antes. A UNATI dá essa oportunidade para quem não teve.

Resumo do episódio

A UNATI, Universidade Aberta à Terceira Idade, funciona há 25 anos em Dracena como programa gratuito para maiores de 60 anos, oferecendo aulas em diversas áreas, atividade física e atividades artísticas em parceria entre UNESP, Unifadra e Prefeitura. Alunos vivenciam transformações de saúde, estabelecem amizades duradouras, participam de trocas intergeracionais com estudantes do ensino fundamental e aprendem que nunca é tarde para se reinventar e se sentir inserido na sociedade.

Principais aprendizados

  • A UNATI oferece 25 vagas por turma com aulas de março a novembro, atividade física às quintas-feiras e é totalmente gratuita para maiores de 60 anos.
  • O programa renova sua grade de disciplinas e professores a cada ano, permitindo que alunos repitam sem ter as mesmas aulas, promovendo diversidade constante.
  • A troca de cartas entre alunos da UNATI e estudantes do sexto ano do Colégio Anglu cria aprendizado intergeracional real e amizades que frequentemente continuam fora do programa.
  • Atividade física estruturada é central no programa, com professoras especializadas em terceira idade que adaptam exercícios inclusive para quem chega com dificuldades de mobilidade.
  • Envelhecimento ativo significa na prática saúde física, mental e espiritual, com a pessoa sentindo-se inserida na sociedade e interagindo com todos.

Perguntas respondidas neste episódio

O que exatamente é a UNATI e quem pode entrar?

A UNATI é Universidade Aberta à Terceira Idade, um programa gratuito criado pela UNESP para população com 60 anos ou mais. Não é um curso superior tradicional, mas oferece aulas em diversas áreas do conhecimento, atividade física obrigatória e atividades artísticas, funcionando de março a novembro com 25 vagas por turma.

Como se inscrever na UNATI em Dracena?

As inscrições abrem em fevereiro. O interessado deve comparecer à Secretaria Geral da Fundec com documentos pessoais e comprovante de residência para realizar a matrícula. Não há custo. O programa oferece transporte pela Prefeitura para quem mora em bairros distantes e busca na UNESP.

Como funciona a troca intergeracional da UNATI com as escolas?

Alunos da UNATI trocam cartas com estudantes do sexto ano do Colégio Anglu sem saber com quem estão trocando. Depois, há encontro presencial que gera emoção e aprendizado real para os dois lados. Frequentemente surgem amizades duradouras e até visitas entre as famílias.

Por que é difícil parar de voltar à UNATI?

Alunos fazem o programa quatro, cinco vezes seguidas devido aos vínculos criados, amizades que continuam fora do programa, e renovação contínua de conteúdo. Há lista de espera para entrar. A evasão ao longo do ano é mínima, ocorrendo apenas para quem enfrenta dificuldades de saúde severas.

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Este texto foi gerado por Inteligência Artificial com base na transcrição do episódio do AdamiCast.