#446

Do técnico ao doutorado: Natália Angeloni e Ismael Batista, enfermagem no CEP/UME Dracena | #446

10 de fevereiro de 2026 • 7 min de leitura

Este texto vem do episódio #446 do AdamiCast

No episódio #446 do AdamiCast, Pedro e Mariana receberam Natália Angeloni, enfermeira, doutoranda e coordenadora do curso técnico de enfermagem do CEP/UME Dracena, e Ismael Fabiano Batista, enfermeiro, docente e gerente de enfermagem. Duas trajetórias que começaram no curso técnico, passaram pela Santa Casa e chegaram à sala de aula. E uma relação de trabalho que girou de cabeça para baixo ao longo dos anos.

Natalia: a vocacao desde cedo e o tecnico como base

Natália sempre soube que queria a enfermagem. Quando terminou o ensino médio, a faculdade não era possível financeiramente. Os pais matricularam no curso técnico em Andradina. Ela conta que hoje orienta todos os alunos a fazerem o mesmo. Terminou o técnico, veio para Dracena fazer a graduação na Unifadra e trabalhou na Santa Casa como auxiliar enquanto estudava. No segundo ano de faculdade passou numa seleção de nível superior do município de Dracena e ficou rezando para não ser convocada cedo demais. Foi convocada em 2017 e começou na atenção básica, que define como a maior paixão profissional que tem.

Ismael: nao queria, se apaixonou pelo cheiro do hospital

Ismael nunca quis ser enfermeiro. Terminou o ensino médio sem direção. A mãe, auxiliar de enfermagem aposentada, insistiu no curso técnico. Ele foi. Pensou em desistir todos os dias durante os seis meses de aula teórica. Quando chegou o estágio na Santa Casa de Tupi Paulista, sentiu o cheiro do hospital e decidiu ali que era o seu lugar. Primeira grande inspiração fora de casa: a professora Neid Pinheiro, que acompanhou desde o início. Quando a Unifadra abriu o curso de enfermagem em Dracena, entrou na segunda turma. Não conseguia pagar faculdade antes, a única opção era Adamantina e a distância inviabilizava.

Da Santa Casa a gerencia, e da gerencia para a sala de aula

Ismael entrou na Santa Casa de Dracena em 10 de maio de 2007 como auxiliar de enfermagem. Foi promovido a enfermeiro. Trabalhou no pronto socorro de Tupi Paulista. Depois a Santa Casa o chamou para a gerência de enfermagem. Ele que havia dito na faculdade que jamais sentaria atrás de uma mesa. Ficou. Aprendeu gestão. Em 2024 fez o processo seletivo da FUNDEC, passou e entrou na docência. Define que ainda está aprendendo a ser professor, do mesmo jeito que passou anos aprendendo a ser enfermeiro.

O mestrado com filho de meses e o doutorado sem fe

Natália entrou no mestrado da Universidade Federal do Mato Grosso do Sul, no programa de enfermagem, quando o filho tinha meses de vida. A demanda foi crescendo até não conseguir conciliar com o trabalho na atenção básica. Precisou se afastar da assistência para concluir. Quando o orientador, Dr. Aires, falou que o projeto não podia ficar engavetado, ela foi prestar a prova do doutorado sem acreditar muito. Passou em primeiro lugar. Está no quarto ano. O filho vai fazer seis anos e ela diz que não parou de estudar desde que ele nasceu.

A inversao de papeis: ela pedia folga para ele, ele foi entrevistado por ela

Ismael foi gerente de enfermagem na Santa Casa quando Natália era auxiliar. Ela ficava vermelha de vergonha toda vez que precisava pedir folga. Ele encostava na cadeira e dizia “fala, Nati”. Nada saía. Anos depois, quando Ismael foi fazer o processo seletivo da FUNDEC, quem estava sentada do outro lado avaliando era ela. Ele virou coordenado por quem antes coordenava ele. Hoje trabalham juntos e a relação é de parceria e respeito mútuo, com Ismael chamando-a de chefe o que a deixa desconfortável.

Atencao primaria x alta complexidade: opostos que se completam

Natália e Ismael são profissionalmente opostos. Ela ama a atenção primária e acredita que uma UBS bem estruturada reduz a demanda hospitalar. Ismael prefere o paciente grave, a UTI, o pronto socorro. Ela fala de atenção básica com tanto entusiasmo que ele confessa na câmera que não entende como alguém pode gostar tanto do SUS. Mas os dois concordam que a enfermagem funciona em rede: o paciente mal conduzido na atenção primária vai parar na hemodiálise. A alta complexidade é onde Ismael gosta, mas quem recebe o paciente de volta depois da alta é a atenção primária onde Natália trabalhou.

Como funciona o curso tecnico do CEP/UME

O curso técnico tem dois anos. No primeiro, o aluno recebe o certificado de auxiliar de enfermagem e já pode trabalhar em clínicas particulares, laboratórios, homecare, postos de saúde e Santa Casa. No segundo, torna-se técnico. Os alunos do técnico fazem rodízio por todos os setores da alta complexidade, cada um com um professor especialista naquela área. UTI, pronto socorro, hemodiálise, centro cirúrgico. O objetivo é que o aluno descubra onde se identifica antes de se formar. Os estágios usam os laboratórios da Unifadra, incluindo os da faculdade de medicina. O CEP/UME também adotou o método OSCE de avaliação prática e inaugurou sala de TBL e sala de estudos avançados.

2030 e a escassez que esta chegando

Em 2022, Natália ouviu de uma palestrante internacional num congresso em São Paulo que em 2030 faltarão profissionais de enfermagem no Brasil e no mundo. Há países recrutando ativamente enfermeiros brasileiros. A empregabilidade no técnico já é muito alta. Com o envelhecimento da população e o crescimento do homecare, a demanda só aumenta. Ismael reforça que o Brasil tem mais de 1 milhão de profissionais de enfermagem e ainda é pouco. Quem entrar no curso técnico agora forma em dois anos, pode trabalhar no primeiro ano com o certificado de auxiliar e pagar o próprio curso enquanto estuda o segundo ano.

Topicos abordados no episodio

  • Natália desde criança querendo enfermagem e o curso técnico em Andradina como ponto de partida
  • Ismael sem planos após o ensino médio, a insistência da mãe auxiliar e os seis meses pensando em desistir
  • O cheiro do hospital no estágio em Tupi Paulista e a decisão de ficar
  • A professora Neid Pinheiro como primeira inspiração de Ismael fora de casa
  • Natália estudando na Unifadra e trabalhando na Santa Casa ao mesmo tempo
  • A seleção do município no segundo ano de faculdade e a convocação para atenção básica em 2017
  • Ismael entrando na Santa Casa em maio de 2007, promovido a enfermeiro, passando pelo PS de Tupi
  • A gerência de enfermagem que ele jurou que nunca faria
  • O mestrado de Natália na UFMS com filho de meses e a defesa da dissertação
  • O doutorado prestado sem fé, aprovação em primeiro lugar, quarto ano cursando
  • Ismael no processo seletivo da FUNDEC em 2024 sendo entrevistado por quem antes chefiava
  • A inversão de papéis: ela pedindo folga para ele na Santa Casa, ele sendo avaliado por ela na FUNDEC
  • Natália apaixonada por atenção primária, Ismael só querendo paciente grave
  • A lógica da rede: atenção primária bem feita reduz internações e hemodiálise
  • Auxiliar no primeiro ano, técnico no segundo, uso dos laboratórios da Unifadra e medicina
  • Método OSCE, sala de TBL e sala de estudos avançados como novidades do CEP/UME
  • A previsão internacional de escassez de profissionais de enfermagem até 2030
  • Ismael internado 4 dias em UTI na COVID e depois com angina, conhecido do outro lado do leito
  • Inscrições abertas, aulas para novos alunos a partir do dia 23 de fevereiro

O AdamiCast #446 é um episódio sobre duas pessoas que chegaram à enfermagem por caminhos completamente opostos, construíram carreiras dentro da mesma instituição e voltaram para formar quem vai cuidar da próxima geração. Siga no Instagram: @natalia_angeloni, @ismaelfabianobatista, @cep.ume e @unifadra.

Resumo do episódio

Natália Angeloni e Ismael Batista são enfermeiros que começaram suas carreiras no curso técnico de enfermagem e hoje coordenam e docentes no CEP/UME Dracena. Natália descobriu a vocação cedo e usou o técnico como base para a graduação na Unifadra enquanto trabalhava na Santa Casa, chegando ao doutorado na UFMS. Ismael entrou por insistência da mãe, se apaixonou pelo ambiente hospitalar e transitou de auxiliar a gerente de enfermagem, agora docente. O episódio explora como o curso técnico funciona com dois anos de duração, a estrutura prática com rodízio por setores de alta complexidade e a previsão de falta de profissionais até 2030.

Principais aprendizados

  • O curso técnico de enfermagem tem dois anos, sendo que no primeiro ano o aluno já recebe o certificado de auxiliar e pode trabalhar em clínicas particulares, laboratórios, homecare e postos de saúde.
  • Os alunos do técnico realizam rodízio por todos os setores de alta complexidade com professores especialistas em UTI, pronto socorro, hemodiálise e centro cirúrgico para descobrir sua área de identificação.
  • A atenção primária bem estruturada reduz a demanda hospitalar, enquanto o paciente mal conduzido na atenção básica pode parar em hemodiálise e retornar para acompanhamento da atenção primária.
  • O CEP/UME adotou o método OSCE de avaliação prática e inaugurou sala de TBL e sala de estudos avançados como estratégias de ensino.
  • Há previsão internacional de que em 2030 faltarão profissionais de enfermagem no Brasil e no mundo, com crescimento da demanda por homecare e envelhecimento da população.

Perguntas respondidas neste episódio

Quanto tempo dura o curso técnico de enfermagem?

O curso técnico tem dois anos de duração. No primeiro ano, o aluno recebe o certificado de auxiliar de enfermagem e já pode trabalhar em clínicas particulares, laboratórios, homecare, postos de saúde e Santa Casa. No segundo ano, torna-se técnico em enfermagem.

Qual é a estrutura prática do curso técnico de enfermagem do CEP/UME?

Os alunos fazem rodízio por todos os setores de alta complexidade, cada um com um professor especialista na área, incluindo UTI, pronto socorro, hemodiálise e centro cirúrgico. Os estágios usam laboratórios da Unifadra, incluindo os da faculdade de medicina. O CEP/UME adotou o método OSCE de avaliação prática e inaugurou sala de TBL e sala de estudos avançados.

Por que o curso técnico em enfermagem é uma boa escolha agora?

A empregabilidade no técnico é muito alta e quem entrar agora forma em dois anos, podendo trabalhar já no primeiro ano como auxiliar. Com o envelhecimento da população e crescimento do homecare, há previsão de falta de profissionais de enfermagem no Brasil e no mundo até 2030, gerando grande demanda de trabalho.

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Este texto foi gerado por Inteligência Artificial com base na transcrição do episódio do AdamiCast.