Ser professora vai muito além de conjugar verbos e corrigir redações. Para Izabel Cristina Santilli, professora de língua portuguesa que passou décadas entre escolas do interior paulista e a periferia de São Paulo, a sala de aula foi refúgio, sustento e propósito — especialmente nos momentos em que a vida tentou roubar a força dela. No episódio 468 do AdamiCast, Izabel abriu o coração para Pedro e Mariana Adame e contou uma história marcada por perdas profundas, filhos que a ressuscitaram e uma paixão pelo ensino que nunca arrefeceu.
A trajetória de Izabel: do interior paulista à periferia de São Paulo
Tudo começou ainda na infância, quando as professoras pediam para a pequena Izabel ajudar os colegas com dificuldade — ela terminava as atividades rápido e já ensinava. Décadas depois, ela reconhece que a vocação estava ali, disfarçada de brincadeira de criança. Depois de casar e se mudar para Dracena, trocou o curso de contabilidade que havia iniciado em Marília pelo curso de Letras na Unifadra — escolheu português e inglês porque amava os dois. Formou-se com três filhos pequenos no colo e logo passou no concurso do estado.
Deu aulas em cidades distantes, capotou o carro numa dessas viagens e ainda assim seguiu em frente. Chegou a Junqueirópolis, depois a Dracena — e foi exatamente no ano em que conseguiu a tão aguardada transferência para perto de casa que seu marido, o Chico, faleceu. Izabel tinha 34 anos e três filhos com idades de 5, 8 e 11 anos. Seu pai e sua irmã viajavam 650 km toda sexta-feira, depois do expediente, para estar com ela no fim de semana — por mais de um ano. Trabalhou na Escola 9 de Julho, montou o Instituto Integre — sua própria escola de língua portuguesa —, deu aulas no Colégio Objetivo e na faculdade, acumulando três empregos simultâneos durante 15 anos. Em 2011, fechou o Integre e foi para São Paulo acompanhar os filhos. Deu aulas em Barueri (que adorou) e nas escolas municipais da capital (bem mais desafiadoras). Aposentou-se após oito anos e voltou para Dracena, onde agora atende alunos particulares em casa.
O que o episódio ensina
A história de Izabel Santilli carrega uma lição que vai além da sala de aula: a dor não precisa ser o fim da história. Enviuvada aos 34 anos, com três filhos pequenos e uma carreira que ainda engatinhava, ela escolheu trabalhar quando todo mundo dizia para esperar. Escolheu seguir quando poderia ter parado. Os filhos, como ela mesma definiu, “a ressuscitaram” — cada vez que ouvia “mãe”, saía do quarto escondendo as lágrimas e ia em frente. O episódio lembra também que vocação não é um talento que cai do céu: é algo que se cultiva na prática, no esforço diário, no amor genuíno pelo que se faz. Quando o trabalho deixa de ser trabalho, é porque você encontrou o seu lugar no mundo. Para Izabel, esse lugar sempre foi a sala de aula.
Tópicos do episódio
- Como Izabel descobriu a vocação para o magistério ainda na infância, ajudando colegas a pedido das professoras
- A decisão de largar a contabilidade em Marília para fazer Letras em Dracena, já com filhos pequenos
- A perda do marido Chico aos 34 anos e como os três filhos e a família foram sua âncora na reconstrução da vida
- Os 15 anos à frente do Instituto Integre, escola própria de língua portuguesa em Dracena, acumulada com o Objetivo e a faculdade
- A experiência de dar aulas em São Paulo e Barueri: diferenças geracionais, desafios da periferia e o amor pela sala de aula que nunca diminuiu
- O retorno a Dracena após 14 anos em São Paulo e a nova fase com aulas particulares, caminhadas matinais e tempo para cuidar de si mesma
Resumo do episódio
O episódio conta a trajetória de Izabel Cristina Santilli, professora de língua portuguesa que descobriu a vocação para o magistério ainda na infância e construiu uma carreira marcada por três empregos simultâneos, escola própria e mudanças de cidade. A história mostra como ela enfrentou a viuvez aos 34 anos, com três filhos pequenos, e encontrou nos filhos e no trabalho a força para se reconstruir. O leitor acompanha também sua experiência ensinando em diferentes realidades, do interior paulista à periferia de São Paulo, até o retorno a Dracena para uma nova fase de vida.
Principais aprendizados
- A vocação para ensinar pode se manifestar ainda na infância, em situações informais como ajudar colegas com dificuldade.
- É possível reconstruir a vida profissional e emocional mesmo após uma perda profunda, como a viuvez precoce.
- Acumular múltiplos empregos na área de ensino, como escola própria, colégio e faculdade, foi uma estratégia de sustento por 15 anos.
- As experiências de ensino em diferentes regiões, como Barueri e escolas municipais da capital, revelam desafios e realidades distintas entre alunos.
- Encontrar propósito no trabalho pode ser o que sustenta uma pessoa emocionalmente durante períodos de dor e dificuldade.
Perguntas respondidas neste episódio
Como uma pessoa pode descobrir vocação para ser professor?
A vocação pode se revelar desde a infância, em situações simples como ajudar colegas com dificuldade nos estudos, mesmo sem perceber que isso é uma vocação. Com o tempo e a prática, esse interesse se transforma em profissão. Não é algo que aparece pronto, mas que se cultiva no esforço diário e no amor genuíno pelo que se faz, até o ponto em que o trabalho deixa de parecer trabalho.
Como lidar com a perda de um cônjuge sendo mãe de filhos pequenos?
Uma forma de enfrentar essa perda é continuar trabalhando e cuidando dos filhos, mesmo diante da dor, deixando que a necessidade de cuidar deles se torne motivo para seguir em frente. O apoio da família próxima, com visitas regulares, também ajuda a sustentar esse processo de reconstrução ao longo do tempo.
Como é a experiência de dar aulas em diferentes regiões, como interior e periferia de São Paulo?
As experiências variam bastante conforme o local. Dar aulas em Barueri foi uma experiência que a professora adorou, enquanto lecionar nas escolas municipais da capital paulista se mostrou bem mais desafiador, evidenciando diferenças geracionais e dificuldades próprias da periferia. Apesar dos desafios, o amor pela sala de aula permaneceu constante em todos os contextos.
Este texto foi gerado por Inteligência Artificial com base na transcrição do episódio do AdamiCast.