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Saúde mental sem tabu: a história de Bruna Torres Jorge | #422

09 de setembro de 2025 • 7 min de leitura

Este texto vem do episódio #422 do AdamiCast

De Ninaviraí ao consultório psiquíatrico, a trajetória de Bruna Torres Jorge começou com uma criança de 8 anos que já atendia ursinhos e primas como se fosse médica. Aquele sonho cresceu junto com ela até virar uma escolha real: medicina, em Presidente Prudente, aos 17 anos, longe de casa pela primeira vez.

A psiquiatria não estava nos planos iniciais. Em 2008, quando Bruna entrou na faculdade, a especialidade mal aparecia nas conversas. Foi só no quarto e quinto anos de curso, ao perceber sua paciência natural para ouvir pacientes e seu interesse genuíno pela vida das pessoas, que ela encontrou o caminho que mais tarde completaria com uma especialização em psiquiatria geriátrica.

De Ninaviraí a Presidente Prudente: uma vocação que se formou no caminho

Bruna é de Ninaviraí, cidade do Mato Grosso do Sul. Quando o objetivo de fazer medicina começou a tomar forma no ensino médio, seus pais sugeriram ir para Campo Grande estudar num colégio com contraturno voltado para vestibulares disputados. Ela foi, morou pela primeira vez longe da família, aprendeu a se virar, cozinhar e lavar o banheiro, e começou a entender o que era independência de verdade.

A entrada na Unoeste, em Presidente Prudente, veio quase por acaso: amigas iam prestar vestibular lá, ela foi junto e passou. Com 17 anos, iniciou a graduação em medicina sem nem saber que a psiquiatria existia como especialidade. A escolha viria mais tarde, nos anos de estágio clínico, quando ela percebeu que ouvia os pacientes com uma paciência e um interesse que os colegas nem sempre tinham. Em 2015, iniciou a resiência médica em São José do Rio Preto, num hospital-escola de casos graves. Foi ali que tudo ficou real.

O Brasil mais ansioso do mundo: o que os números dizem

Um dos pontos mais impactantes do bate-papo foi quando Bruna apresentou os dados da Organização Mundial da Saúde: a taxa de ansiedade no Brasil é de 9,3%, enquanto a média mundial fica em 3,7%. O país também lidera os casos de depressão na América Latina. Os motivos são múltiplos: questões socioeconômicas, condições de trabalho e fator genético. Famílias com histórico de ansiedade tendem a transmitir essa predisposição para as próximas gerações, não só pelos genes, mas pelo ambiente que molda o comportamento desde cedo.

A pandemia acelerou tudo isso. O isolamento, o home office e a pressão constante levaram muitas pessoas a buscar ajuda pela primeira vez. A faixa etária mais afetada hoje é a dos 14 aos 19 anos, justamente no período de transição para o ensino médio, quando dúvidas sobre carreira, aceitação social e relacionamentos têm o mesmo peso de uma grande crise para quem está vivendo pela primeira vez. A internet, que poderia ajudar, muitas vezes piora: as redes sociais mostram apenas os momentos bons das outras pessoas, alimentando a comparação e a sensação de que só você não está bem.

Ir ao psiquiatra não é só tomar remédio

Um dos maiores estigmas que Bruna enfrenta no consultório é o medo do medicamento: medo de viciar, de engordar, de perder a libido, de não poder beber socialmente. Ela explica que esses medos são legítimos e fazem parte da conversa desde a primeira consulta. Existem muitos tipos de antidepressivos, e a escolha depende do perfil de cada paciente. Um remédio que causa sono e abre apetite pode ser ideal para quem perdeu peso e não dorme, e um problema para outro perfil. O tratamento é sempre personalizado.

Além disso, a psiquiatria não começa e termina na receita. Bruna conta que já atendeu casos onde a indicação foi atividade física e terapia cognitivo-comportamental antes de qualquer medicação. Para gestantes ou mulheres que planejam engravidar, já escolhe desde o início antidepressivos compatíveis com a gestação e a amamentação. O trabalho é de longo prazo, e a relação com o paciente precisa de confiança para funcionar de verdade.

Setembro Amarelo: falar sobre suicídio não induz, previne

Quase 97% dos suicídios estão ligados a algum transtorno mental, e 90% poderiam ter sido prevenidos. No Brasil, 38 pessoas tiram a própria vida todos os dias, e a cada 3 segundos ocorre uma tentativa. A faixa mais afetada é a de 15 a 29 anos, onde o suicídio é a segunda maior causa de morte. Esses números embasam a importância do Setembro Amarelo, campanha criada em 2015 para conscientizar sobre saúde mental e prevenção.

Bruna desfaz um mito importante: perguntar sobre suicídio não coloca a ideia na cabeça de ninguém. Essa é uma decisão individual, e a pergunta pode ser exatamente o que faltava para a pessoa pedir socorro. Ela conta um caso marcante: uma sexta-feira, no meio do atendimento, recebeu uma mensagem de despedida de um paciente que estava numa rodovia. Interrompeu a consulta, ligou diversas vezes, acionou familiares e a psicóloga do caso, e conseguiu traê-lo de volta ao consultório. Aquele paciente precisou de internação depois de outra tentativa, mas sobreviveu e se recuperou. Para Bruna, é um dos casos que mais ficaram gravados na memória.

Burnout: quando o esgotamento vira diagnóstico

Trinta por cento dos trabalhadores brasileiros vão apresentar sintomas compatíveis com burnout em algum momento da vida. O quadro é uma mistura de sintomas ansiosos e depressivos concentrados no trabalho: cansaço físico e mental excessivo, insônia, relutância em ir trabalhar, e aquele domingo que já parece segunda. Bruna conta que vários pacientes seus só perceberam o problema quando já estava grave demais, alguns deles com anos sem tirar férias.

O problema é que muita gente não consegue simplesmente sair do trabalho que adoece, por razões econômicas e práticas. Por isso, a prevenção é essencial: atividade física, tempo de qualidade com pessoas queridas, redução do tempo de tela, férias de verdade, sono regular e a prática de dizer não quando preciso. Bruna também cita a terapia como ferramenta de autoconhecimento, algo que ela própria pratica semanalmente. A saúde mental não é um projeto de chegada. É uma rotina de manutenção.

Onde encontrar

Bruna Torres Jorge atende em Dracena, SP. Acompanhe o trabalho dela pelo Instagram: @drabrunatorres.psiquiatra.

Resumo do episódio

Bruna Torres Jorge, psiquiatra de Dracena, compartilha sua trajetória desde Ninaviraí até a especialização em psiquiatria geriátrica, explicando como o Brasil tornou-se o país mais ansioso do mundo com taxa de 9,3% comparada à média global de 3,7%. O episódio aborda estigmas sobre medicação psiquiátrica, a importância do Setembro Amarelo na prevenção do suicídio e como reconhecer e prevenir o burnout, enfatizando que o tratamento psiquiátrico vai além da prescrição de remédios.

Principais aprendizados

  • O Brasil tem taxa de ansiedade de 9,3%, mais que o dobro da média mundial de 3,7%, com múltiplas causas incluindo fatores socioeconômicos, condições de trabalho e genética.
  • O tratamento psiquiátrico é personalizado: o mesmo antidepressivo que beneficia uma pessoa por induzir sono pode prejudicar outra, exigindo escolha cuidadosa desde a primeira consulta.
  • Quase 97% dos suicídios estão ligados a transtornos mentais, mas 90% poderiam ter sido prevenidos, com a faixa de 15 a 29 anos sendo a mais afetada.
  • A psiquiatria não se resume a medicação: atividade física, terapia cognitivo-comportamental e mudanças no estilo de vida são frequentemente indicadas antes ou junto com remédios.
  • Trinta por cento dos trabalhadores brasileiros apresentarão sintomas de burnout em algum momento, caracterizado por cansaço físico e mental excessivo, insônia e relutância em trabalhar.

Perguntas respondidas neste episódio

Qual é a taxa de ansiedade no Brasil comparada ao resto do mundo?

A taxa de ansiedade no Brasil é de 9,3%, enquanto a média mundial fica em 3,7%. O país também lidera os casos de depressão na América Latina. As causas incluem questões socioeconômicas, condições de trabalho e fator genético, além da predisposição transmitida entre gerações tanto por genes quanto pelo ambiente familiar.

Perguntar sobre suicídio coloca a ideia na cabeça da pessoa?

Não. Perguntar sobre suicídio não coloca a ideia na cabeça de ninguém, sendo uma decisão individual. A pergunta pode ser exatamente o que faltava para a pessoa pedir socorro. Quase 97% dos suicídios estão ligados a algum transtorno mental, e 90% poderiam ter sido prevenidos.

Tratamento psiquiátrico é só tomar remédio?

Não. O tratamento psiquiátrico vai além da medicação. Muitos casos indicam atividade física e terapia cognitivo-comportamental antes de qualquer medicação. Para gestantes, escolhem-se antidepressivos compatíveis com gestação e amamentação. O trabalho é de longo prazo e exige confiança na relação com o paciente.

Como prevenir burnout no trabalho?

A prevenção de burnout inclui atividade física, tempo de qualidade com pessoas queridas, redução do tempo de tela, férias de verdade, sono regular e a prática de dizer não quando necessário. Terapia também funciona como ferramenta de autoconhecimento. A saúde mental é uma rotina contínua de manutenção.

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Este texto foi gerado por Inteligência Artificial com base na transcrição do episódio do AdamiCast.