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Sandro Nishimura: da fundição no Japão à clínica de 32 técnicas em Dracena, onde corpo e mente andam juntos | #085

27 de janeiro de 2022 • 8 min de leitura

Este texto vem do episódio #85 do AdamiCast

Sandro Rogério Nishimura é fisioterapeuta e massagista em Dracena, no interior paulista. Foi o convidado do episódio 85 do AdamiCast, em janeiro de 2022, pra falar sobre clínica integrativa, a relação entre corpo e mente, e a virada que a pandemia trouxe pro consultório dele. A história começa numa fundição no Japão, no início dos anos 1990, quando um massagista destravou a coluna dele em três sessões e ele decidiu que essa seria a profissão da vida inteira.

De volta ao Brasil em 2004, depois de 12 anos fora, Sandro abriu consultório em Dracena sem que a família entendesse de fato o que ele fazia. Em quase duas décadas, foi agregando técnicas — massagem, fisio, acupuntura, osteopatia, quiropraxia, Reiki, hipnose, PNL, medicina germânica, RPG, Eneagrama — até formar o que ele chama de “atendimento global”: uma clínica em que o protocolo escolhido pra cada caso depende da causa-raiz, não do sintoma. A conversa do AdamiCast mostrou o lado humano de quem atende de bebê de 7 meses a casal com conflito conjugal, sempre buscando a origem antes de corrigir o efeito.

A fundição no Japão e o massagista que virou profissão

Sandro saiu do Brasil com 19 anos, em 1992, pra trabalhar na Ilha de Shikoku, no Japão. Começou numa fundição, carregando peso o dia inteiro, e o corpo começou a protestar na coluna. O chefe, numa das crises, levou ele a um massagista japonês. “Ele me destravou. Voltei pro trabalho como se fosse outra pessoa. Aí eu pensei: é isso que eu quero fazer pelo resto da vida.” A massagem, pra ele, tinha uma lógica que ia além do alívio. “É um trabalho sem fim, que depende da linguagem corporal, que existe em qualquer lugar do mundo.”

A escolha ficou em definitivo depois que ele viu os colegas: massagistas independentes, com agenda cheia e liberdade de horário que o operário de fábrica não tinha. “Fiquei viciado, comecei a estudar a cultura, a entender por que funcionava.” De Shikoku ele mudou pra Quioto e Osaka, fez curso de massagem e passou a atender brasileiros e japoneses. Voltou ao Brasil em 2004, depois de 12 anos — com a coluna já tratada, com uma carreira nascente do outro lado do mundo, e zero plano traçado pro lado profissional.

O vestibular surpresa e a fisio no Brasil

A ideia original era ir pro Tocantins e fazer vale. Mas o irmão, sem avisar, inscreveu ele no vestibular de fisioterapia de Presidente Prudente pra o sábado seguinte à chegada dele em Dracena. “Cheguei numa sexta, no sábado era a prova. Fui fazer pra ver em que nível eu estava.” Passou. E aceitou. A razão era simples: se tinha passado com 12 anos sem estudar, o curso devia ser bom. Foi pra Unesp, abriu consultório em março do mesmo ano na Rui Barbosa — com ajuda do Eduardo, da Farmais, que apostou nele sem conhecê-lo — e começou a conciliar o atendimento com a faculdade. “Era um estágio remunerado.”

Na faculdade, Sandro causou discussão. “Eu era mais velho que alguns professores, vinha com outro olhar do Japão.” Lá, a lógica é que a pessoa adoece primeiro e o vírus entra depois; no Brasil, normalmente é o contrário. Briga constante na sala. “Um professor me chamou e falou: cara, aqui não é o Japão. Parei de discutir, fiz até o final, terminei.” Quando voltou pra atender em Dracena, percebeu que muitos casos não melhoravam só com fisio. Aí vieram as pós: acupuntura, osteopatia, quiropraxia, Reiki, programação neurolinguística, hipnose, medicina germânica, Eneagrama. Trinta e duas técnicas no total.

As 32 técnicas da clínica integrativa

O consultório do Sandro atende de tudo — de bebê de 7 meses com problema de sono, que ele tratou com massagem e acupuntura (a avó levou em vez da mãe), a casal com conflito conjugal que voltou a se entender depois de atendido em separado e em conjunto. A regra é única: encontrar a origem do problema antes de mexer no sintoma. “Postura é resultado de postura mental. A pessoa carrega uma crença, o corpo responde com fechamento de ombros, cifose, dor lombar.”

A anamnese virou a ferramenta principal. Sandro pergunta pela dor, mas pergunta muito mais: quando começou, o que tava acontecendo naquela data, qual a estrutura emocional da pessoa. Uma paciente chegou com ciático que não melhorava. Ele perguntou sobre a data de início. Ela lembrou: foi o dia em que se separou. Em três sessões, sem manipulação mecânica, o sintoma sumiu. “No Brasil, o paciente vem pedindo raio-X e o médico olha e fala que tá tudo bem. Mas a dor tá lá. O corpo fala, mesmo sem imagem.”

O joelho que guarda a memória do trauma

Um dos casos que mais marcou Sandro foi o de uma paciente que chegou quieta pra sessão. Quando ele tocou o joelho, ela gritou. Em hipnose controlada, veio a memória: ela estava escaldando água quente, largou pro lado errado pra defender a filha que se aproximava, e a água caiu no joelho dela. O joelho era onde estava registrado o trauma do sacrifício pela filha. Na Medicina Germânica, cada parte do corpo se conecta a um conteúdo emocional: joelho direito tem a ver com pai, trabalho, orgulho; joelho esquerdo, com mãe, amor, acolhimento. “A dor no joelho dela era o joelho da mãe.”

A mesma lógica aparece nos casos de pânico. Uma paciente tinha síndrome do pânico diagnosticada e tratada há três anos, sem melhora. Sandro identificou durante uma massagem, conversou com ela sobre a origem emocional e, na terça-feira seguinte, ela ligou pra dizer que tinha conseguido entrar sozinha num elevador pela primeira vez. “Não prescrevo medicação, não peço exame de sangue. Eu pergunto, ouço o corpo, e às vezes resolve em uma sessão.”

A terapia do Sandro: marcenaria, ferramentas e bonsai

Sandro afirma que, pra terapeuta, é essencial ter válvula de escape. A dele está no fundo do consultório: uma oficina de marcenaria, ferramentas e peças pra mexer nos dias em que a cabeça não desliga. “Enquanto eu estava no Japão, eu não podia fazer barulho, não tinha onde ser egoísta. Aqui eu voltei com vontade de ficar sozinho com as minhas coisas.” Junto, ele cultiva bonsai — começou como terapia na depressão que teve depois de um divórcio, e hoje mantém cerca de 80 mudas. “Cada planta pede um tempo. Eu aprendi a ter paciência.”

A paciência virou marca de atendimento. As sessões dele duram entre uma hora e meia e duas horas, não 50 minutos como convencionais. A primeira é sempre presencial, com avaliação de corpo (jeito de andar, postura, onde coça, onde cruza os braços), linguagem (palavras que a pessoa usa pra se sabotar, como “preciso” em vez de “quero”) e história emocional. “O corpo fala. Quando o corpo fala, a gente escuta.” A pandemia, segundo ele, trouxe casos novos que não vinham antes — crise de ansiedade, conflito de casal, menina que não conseguia dormir — mas trouxe também home office + dor crônica, porque ninguém parou pra corrigir postura. A clínica saiu maior dos dois lados.

Onde encontrar

Sandro Rogério Nishimura atende em Dracena, no consultório localizado no centro, com horários que combinam massoterapia, fisioterapia e técnicas integrativas (acupuntura, osteopatia, quiropraxia, hipnoterapia, PNL, RPG, entre outras). Pra acompanhar o trabalho, basta seguir o perfil no Instagram: @sandronishimura. O episódio completo do AdamiCast está no YouTube e no Spotify.

Resumo do episódio

Sandro Nishimura é fisioterapeuta e massagista que trabalha com 32 técnicas integrativas em Dracena, partindo de uma experiência no Japão onde descobriu que a massagem seria sua profissão. A clínica dele trata de problemas físicos e emocionais buscando a causa-raiz dos sintomas, não apenas o alívio, atendendo desde bebês até casais com conflitos conjugais com sessões que duram entre uma hora e meia e duas horas.

Principais aprendizados

  • Postura é resultado de postura mental: crenças carregadas pelo corpo se expressam em fechamento de ombros, cifose e dor lombar
  • A origem emocional de sintomas físicos pode ser identificada através de anamnese detalhada, questionando quando começou o problema e o que acontecia naquele momento
  • Cada parte do corpo conecta-se a um conteúdo emocional específico, como joelho esquerdo relacionado a mãe, amor e acolhimento
  • Terapeutas precisam de válvula de escape pessoal, como marcenaria ou cultivo de plantas, para não deixar a cabeça desligar
  • Sessões mais longas e primeira avaliação presencial permitem observar linguagem corporal, palavras de autossabotagem e história emocional do paciente

Perguntas respondidas neste episódio

Como funciona o atendimento integrativo na clínica?

O atendimento começa com anamnese detalhada, observando o corpo, a linguagem e a história emocional do paciente. O protocolo de tratamento é escolhido conforme a causa-raiz do problema, não do sintoma. Sessões duram entre uma hora e meia e duas horas, sempre com avaliação presencial na primeira vez.

Qual é a relação entre estado emocional e dor física nos casos tratados?

Muitos sintomas físicos têm origem emocional registrada no corpo. Crenças e traumas ficam armazenados em partes específicas do corpo, e identificar essa conexão permite que o problema seja resolvido sem manipulação mecânica ou medicação.

O que levou Sandro a agregar diferentes técnicas além da fisioterapia?

Percebeu que muitos casos de pacientes não melhoravam só com fisioterapia, então buscou pós-graduações em acupuntura, osteopatia, quiropraxia, Reiki, programação neurolinguística, hipnose, medicina germânica e Eneagrama, totalizando 32 técnicas.

Ouça no Spotify ou assista no YouTube.

Este texto foi gerado por Inteligência Artificial com base na transcrição do episódio do AdamiCast.