Josi Bernal cresceu no sítio em Irapuru, cidade pequena do interior paulista, e aos 10 anos já praticava algo parecido com fisioterapia sem saber o nome disso: ajudava a vizinha que havia sofrido um AVC a tomar banho, fazia movimentos com ela deitada na cama, esperada toda tarde ao chegar da escola. Esse instinto de cuidar nunca foi embora. Virou fisioterapia em Adamantina, depois enfermagem, depois medicina em Presidente Prudente, e hoje uma clínica própria em Lucélia com seis salas e atendimento que vai de São Paulo ao interior.
No episódio 388 do AdamiCast, a Dra. Josi chegou a Dracena para um bate-papo que misturou trajetória de vida, ciência aplicada e dicas práticas de alimentação. Ela tratou de um tema que poucos médicos abordam com tanta franqueza: por que suplementar desde cedo, por que o intestino manda em tudo, e por que a longevidade é uma escolha que começa hoje, não quando o problema aparecer.
De Irapuru ao consultório: uma vocação que nasceu no sítio
Filha de um homem que foi até a quarta série, mas que tinha visão de longo prazo, Josi foi criada com a certeza de que estudar era inegociável. Seu pai foi o primeiro plantador de maracujá da região e ensinou a arte para vizinhos e conhecidos. Com esse exemplo de quem planta hoje para colher amanhã, Josi e o irmão foram os primeiros médicos da família. O irmão seguiu cardiologia e foi para São Paulo. Ela ficou mais perto das raízes.
Antes de chegar à medicina, Josi passou pela fisioterapia, quase terminou a enfermagem e só prestou o vestibular de medicina por instância do pai. Formou em 2014, casou em 2013 com um veterinário que encontrou na época da fisioterapia, e em 2015 descobriu na décima segunda semana de gestação que esperava não um, mas dois bebês. As gêmeas Paola e Isadora chegaram para mudar tudo.
São Paulo, plantões e a escola da vida real
Com as gêmeas reciém-nascidas, Josi foi para São Paulo. Ficou cinco anos, trabalhou em plantões exigentes na Beneficência Portuguesa e na Prevent Senior, passou pelo UTI Móvel da empresa do irmão. Foi lá que ela aprendeu o que nenhuma faculdade ensina dentro da sala de aula: a diferença entre salvar uma vida em minutos e transformá-la ao longo de meses. “Médico é médico depois de dez anos de formado. Antes disso você está colocando em prática”, ela diz.
Um caso ficou marcado: um homem de cinquenta e poucos anos, aparência tranquila, sinais vitais estáveis, chegou relatando uma dor no peito que não passava. Josi colocou-o na cadeira de rodas por instinto e, assim que saíram do consultório, ele perdeu a consciência. Não voltou. “A vida é um sopro”, ela resume. Essa experiência a ensinou que o paciente que chega com dor nas costas às vezes está carregando uma dor de alma, e que ser ouvido já é parte do tratamento.
A pandemia como virada de chave
A volta ao interior foi motivada por perda: o pai de Josi ficou doente no final de 2018, com uma doença hepática rara, sem nome consolidado na literatura, com apenas sete casos registrados no mundo à época. Em poucos meses ele foi a óbito. Josi não tinha mais razão para ficar em São Paulo. Voltou, passou por Adamantina, e se fixou em Lucélia.
A pandemia chegou logo em seguida e ela foi linha de frente. Atendeu mais de cem pacientes domiciliares com COVID-19, muitos em Dracena, percorrendo a região com seus equipamentos no carro, saíndo dos plantões e indo direto para as casas. O diferencial foi combinar o protocolo COVID com suplementação, e os resultados foram notáveis. “Foi a virada de chave na minha vida”, ela conta. Ali nasceu a prática da medicina integrativa que define seu trabalho hoje.
O Instituto e a medicina que trata causas
Com o fim dos lockdowns, Josi montou o Instituto Dra. Josi Bernal em Lucélia: seis salas, consultório próprio, sala de ultrassom, sala de Holter, MAPA e eletrocardiograma, sala de curativos com laser e ozônio, e duas salas de soro para suplementação endovenosa. A clínica foi montada em 45 dias, com reforma e busca de decoração em São Paulo. Ela também mantém consultório no Jabaquara, em São Paulo, para onde vai periodicamente atender pacientes.
A filosofia é a mesma em todos os lugares: tratar a causa, não o sintoma. “Tá com dor de cabeça? Toma uma dipirona. Mas o porquê da dor de cabeça é onde eu entro”, ela explica. Seus casos mais marcantes incluem um paciente que perdeu 60 kg em três meses sem cirurgia bariátrica, com reversão de risco de amputação, e uma paciente com psórias e artrite reumatoide que entrou em remissão total após desintoxicação, desparasitação, suplementação e ozonioterapia.
Intestino, suplementação e o erro do açúcar
Para a Dra. Josi, tudo começa e termina no intestino. A má absorção intestinal torna a suplementação oral menos eficiente, por isso ela valoriza a via endovenosa para casos mais graves. Utiliza um equipamento espanhol chamado Olican, capaz de mapear 21 minerais, 15 tipos de metais pesados e 7 vitaminas a partir de uma amostra de sangue, com o resultado sendo usado para iniciar a suplementação no mesmo atendimento domiciliar.
Sobre o açúcar, ela é direta: é mais difícil abandoná-lo do que cocaína, porque o vício começa na infância, antes mesmo de você ter consciência do que consome. O glúten e o leite de caixinha também entram na lista dos alimentos inflamatórios que prejudicam o funcionamento celular e intestinal. Ela recomenda suplementação desde a infância, como faz com as próprias filhas de 9 anos, que tomam vitaminas A, D e K2. “Suplementar é melhor do que medicar. Faça o certo hoje para não precisar de remédio na velhíce”, resume.
Longevidade como escolha, não como sorte
Ansiedade, depressão e síndrome do pânico são as queixas que mais chegam ao consultório da Dra. Josi atualmente. Para ela, parte dessas condições tem raiz hormonal e intestinal, mas o excesso de telas e o imediatismo da vida moderna funcionam como agravantes reais. Ela também chama atenção para as crianças: confundir excesso de tela com TDAH ou autismo é um erro frequente que atrasa o diagnóstico correto.
A mensagem final que ela deixa é simples e direta: “Faça hoje o bem para você para que colha amanhã em saúde.” Praticar esporte, comer alimentos de verdade, planejar a saúde com o mesmo cuidado que se planeja uma aposentadoria. Josi carrega uma frase no dia a dia: a longevidade é bênção e privilégio dados por Deus, e cabe a cada um aproveitá-la fazendo as escolhas certas.
Onde encontrar
A Dra. Josi Bernal recebeu o AdamiCast em Dracena, SP. Para acompanhar seu trabalho com medicina integrativa e geriatria, siga-a no Instagram: @drajosibernal.
Resumo do episódio
A Dra. Josi Bernal compartilha sua trajetória desde a infância no sítio até a medicina integrativa, passando por experiências em São Paulo e a prática na pandemia que transformou seu trabalho. O episódio aborda a importância do intestino na saúde, a suplementação estratégica desde a infância, o papel da alimentação na prevenção de doenças e como a longevidade é resultado de escolhas feitas no presente, não sorte ou genética.
Principais aprendizados
- O intestino é a base da saúde e determina a eficiência da absorção de nutrientes, incluindo suplementos, sendo fundamental tomar suplementação desde a infância.
- Açúcar é mais difícil de abandonar que cocaína porque o vício começa na infância antes da consciência sobre o que se consome.
- A medicina integrativa trata as causas das doenças e não apenas os sintomas, combinando protocolos tradicionais com suplementação e terapias como ozonioterapia.
- Confundir excesso de tela com TDAH ou autismo em crianças é um erro frequente que atrasa o diagnóstico correto.
- Longevidade é uma escolha que começa hoje através de práticas como esporte, alimentação real e planejamento da saúde assim como se planeja uma aposentadoria.
Perguntas respondidas neste episódio
Como a suplementação endovenosa funciona na medicina integrativa?
A suplementação endovenosa é usada quando há má absorção intestinal, tornando-a mais eficiente que a via oral. Um equipamento chamado Olican mapeia minerais, metais pesados e vitaminas a partir de uma amostra de sangue, e o resultado é usado para iniciar a suplementação no mesmo atendimento.
Quais alimentos prejudicam o funcionamento celular e intestinal?
Açúcar, glúten e leite de caixinha são alimentos inflamatórios que prejudicam o funcionamento celular e intestinal. O açúcar é particularmente problemático porque o vício começa na infância antes da consciência sobre o consumo.
Por que suplementar desde a infância?
Suplementar na infância é melhor que medicar na velhice. A recomendação é iniciar com vitaminas essenciais como A, D e K2, fazendo o certo cedo para evitar necessidade de medicamentos quando idoso.
Como a medicina integrativa diferencia-se do tratamento convencional?
A medicina integrativa trata a causa das doenças, não apenas os sintomas. Enquanto uma abordagem convencional pode apenas aliviar a dor com um medicamento, a medicina integrativa investiga por que o sintoma aparece e trabalha a raiz do problema.
Este texto foi gerado por Inteligência Artificial com base na transcrição do episódio do AdamiCast.