#349

Da ginecologia clássica à medicina integrativa: a historia da doutora Denise Kondikieda | #349

18 de outubro de 2024 • 5 min de leitura

Este texto vem do episódio #349 do AdamiCast

A convidada do episodio 349 do AdamiCast e a doutora Denise Kondikieda, ginecologista de Dracena que construiu uma trajetoria de mais de duas decadas dedicada a saude da mulher. Formada em Catanduva, com residencia em Marilia, Denise contou sua historia desde os tempos de escola publica no 9 de Julho, passando pela escolha da medicina ainda no colegial, até se tornar uma referencia regional em ginecologia, terapia sexual e medicina integrativa. A conversa passeou por menopausa, endometriose, lipedema, testes geneticos e os bastidores de uma vida dividida entre consultorio, estradas e formacao continua.

O caminho até a medicina

Denise contou que desde crianca tinha uma inclinacao natural para cuidar dos outros, mas que a ideia de fazer medicina so se firmou no colegial, quando percebeu que gostava tanto de exatas quanto de biologicas e precisava de uma area que permitisse lidar diretamente com pessoas. Fez o terceiro colegial em Bauru tentando uma vaga em faculdade publica, foi aprovada na primeira fase da Unicamp e da USP mas reprovada na segunda, e terminou entrando em Catanduva. “A hora que voce entra na faculdade que voce comeca a estudar aquilo que voce quer aprender realmente”, disse, explicando por que abandonou a ideia de fazer cursinho depois de se encantar com as aulas de anatomia.

Ainda na faculdade, casou no quinto ano com o namorado desde os quinze anos, formou-se em 1995 e decidiu que faria obstetricia, area pela qual se apaixonou durante os estagios do ambulatorio. “Eu me encantei foi com os partos”, relembrou. Fez residencia em Marilia, e logo depois engravidou do primeiro filho ainda durante a especializacao, morou tres anos em Ribeirao Preto e voltou para Junqueiropolis, onde montou consultorio ainda gravida, no sexto mes de gestacao.

A vida de obstetra estradeira e a virada para a ginecologia

Nos primeiros anos de carreira, Denise atendeu em Panorama, Pacaembu, Junqueiropolis e Dracena, muitas vezes emendando plantoes e viagens entre cidades. Ela relatou um episodio em que, exausta da rotina, se perdeu no caminho e so percebeu o engano ao ver a placa da faculdade onde havia estudado. Com dois filhos pequenos e partos que a chamavam de madrugada, decidiu abandonar a obstetricia para se dedicar apenas à ginecologia, uma escolha que ela descreveu como dificil, já que na epoca praticamente todos os colegas seguiam atuando nas duas frentes. “Quem faz e quem cuida”, disse, explicando por que preferiu reduzir a rotina fora de casa em vez de delegar tudo a funcionarios.

Terapia sexual e os tabus da saude da mulher

Para se manter atuante só na ginecologia, Denise foi buscando especializacoes, e a primeira pos-graduacao foi em terapia sexual, feita no ICESP em Sao Paulo. Ela explicou que a area ainda era tratada como tabu havia quase trinta anos e que o curso a ajudou a lidar com queixas como diminuicao da libido e dor na relacao sexual. Contou o caso de uma paciente que, mesmo casada, não conseguia consumar o casamento por questoes de formacao e que, apos o acompanhamento, “hoje ela tem uma familia linda”. Sobre a menopausa, destacou que o ressecamento vaginal e a queda de libido sao queixas recorrentes e que buscar ajuda antes que o quadro avance evita dores e desconfortos maiores.

Menopausa, transicao hormonal e o corpo como um todo

Denise explicou que a menopausa costuma ocorrer entre 45 e 55 anos, mas que os sintomas da transicao hormonal podem comecar até dez anos antes, incluindo irritabilidade, enxaqueca, calorao e dificuldade para dormir. Ela reforcou que hoje procura enxergar a paciente de forma integral, olhando sono, alimentacao e estresse, e nao apenas o aparelho reprodutivo. Essa abordagem, segundo ela, tem feito com que até maridos das pacientes passem a buscar acompanhamento medico. Falou tambem sobre a importancia de exercicios como o agachamento para fortalecer o quadriceps e melhorar a sensibilidade à insulina, além de reforcar que sono de qualidade e gerenciamento do estresse sao pilares tao importantes quanto a dieta.

Lipedema, endometriose e o excesso de estrogenio

Ao ser questionada sobre o lipedema, Denise descreveu a condicao como uma gordura que se comporta de forma inflamatoria e que tem relacao direta com a predominancia estrogenica, associada tanto a desequilibrios intestinais quanto ao contato com plasticos e cosmeticos com disruptores endocrinos. Ela chamou atencao para o aumento expressivo de casos de endometriose, inclusive em forma profunda, e relacionou o quadro aos mesmos fatores: estilo de vida, estresse e exposicao a contaminantes ambientais. Também comentou a preocupacao com a menarca cada vez mais precoce em meninas, ligada ao uso de cosmeticos desde cedo e à alimentacao ultraprocessada.

Testes geneticos, epigenetica e a busca por uma medicina mais completa

Ao longo da conversa, Denise detalhou sua formacao em ortomolecular, nutrologia e reprogramacao epigenetica, area em que aprendeu a interpretar testes geneticos para entender predisposicoes e ajustar suplementacao e estilo de vida. Ela usou o exemplo do gene COMT, relacionado à degradacao da dopamina, para mostrar como o autoconhecimento pode orientar mudancas de comportamento. Tambem citou o estudo WHI, que por anos gerou insegurança sobre a reposicao hormonal na menopausa, e explicou que a medicina hoje trabalha com hormonios bioidenticos e protocolos mais seguros. Para Denise, entender a mulher como um todo, e nao apenas por especialidades fragmentadas, tem sido o que chama de missao pessoal, pois, em suas palavras, “a mulher é a base” do bem estar da familia e de quem está à sua volta.

Onde encontrar

Você encontra quem participou deste episódio no Instagram: @dradenisekonda.

Resumo do episódio

O episódio traz uma conversa com a ginecologista Denise Kondikieda, de Dracena, que relata sua trajetória desde a escolha da medicina até a migração da obstetrícia para uma ginecologia mais ampla, integrando ortomolecular, epigenética e testes genéticos. Ao longo do bate-papo ela explica conceitos como transição menopausal, predominância estrogênica, lipedema e metabolômica, sempre relacionando estilo de vida, alimentação e sono com resultados de saúde. A entrevista também aborda cuidados práticos como leitura de rótulos, uso de plásticos e suplementação básica para mulheres acima de 40 anos.

Principais aprendizados

  • A transição menopausal pode começar até 10 anos antes da menopausa e causa sintomas como irritabilidade, calorões e dificuldade para dormir.
  • O excesso de estrogênio, chamado de predominância estrogênica, está ligado a desbiose intestinal, consumo de álcool e contaminantes ambientais como plásticos e cosméticos.
  • O lipedema é uma gordura inflamatória diferente da celulite, associada a desequilíbrio hormonal e, em casos avançados, pode exigir tratamento cirúrgico.
  • Testes genéticos mostram tendências fixas do organismo, mas a epigenética, ou seja, o estilo de vida, determina se essas tendências se manifestam ou não.
  • Hábitos como dormir cedo, praticar exercícios de fortalecimento como agachamento e reduzir alimentos ultraprocessados ajudam a controlar inflamação e sintomas hormonais.

Perguntas respondidas neste episódio

Quais são os principais sintomas da transição para a menopausa?

Os sintomas costumam incluir piora da TPM, maior irritabilidade, enxaqueca, calorões, dificuldade para dormir e alterações na memória e concentração. Eles podem aparecer até dez anos antes da última menstruação, que é o marco que define a menopausa. Como o hormônio oscila bastante nesse período, alguns meses a mulher produz mais hormônio e fica mais agitada, e em outros produz pouco e se sente mais cansada ou desanimada.

O que é lipedema e como ele se desenvolve?

Lipedema é uma concentração anormal de gordura, principalmente nas coxas e às vezes nos braços, que se comporta como gordura visceral e gera inflamação, diferente da celulite comum. Está relacionado à predominância estrogênica, que pode ser causada por desequilíbrio intestinal, consumo excessivo de álcool e contato com contaminantes ambientais como plásticos aquecidos e cosméticos com ftalato. Também existe um componente genético envolvido.

Reposição hormonal na menopausa aumenta risco de câncer de mama?

Um estudo antigo, interrompido antes do prazo previsto, associou a reposição hormonal a maior risco cardiovascular e de câncer de mama, gerando bastante medo na época. Depois se descobriu que o medicamento usado não era natural, era estrogênio de égua prenha combinado com uma progestina, e as pacientes estudadas já estavam fora do período ideal para começar o tratamento, chegando a ter 70 anos. Hoje se utiliza reposição bioidêntica, transdérmica, com progesterona natural, aplicada dentro da janela correta.

Quais hábitos ajudam a prevenir consequências da menopausa?

A base indicada envolve alimentação anti-inflamatória, priorizando comida in natura em vez de industrializada, prática regular de exercícios físicos, especialmente de fortalecimento como agachamento para preservar massa muscular e óssea, sono de qualidade dormindo mais cedo, e controle do estresse. Esses quatro pilares juntos ajudam a reduzir inflamação, melhorar sensibilidade à insulina e preservar energia e disposição ao longo do envelhecimento.

O que é o teste genético usado na reprogramação epigenética?

Esse teste analisa genes fixos do organismo, funcionando como um manual de fábrica que não muda ao longo da vida, indicando tendências como propensão a colesterol alto ou padrões de produção de neurotransmissores. A partir desse resultado é possível usar fitoterápicos, suplementação e mudanças de estilo de vida para modular a expressão desses genes, ativando ou silenciando características, o que é chamado de epigenética.

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Este texto foi gerado por Inteligência Artificial com base na transcrição do episódio do AdamiCast.