No episódio #268 do AdamiCast, em 23 de novembro de 2023, o Sandro Bordoni (@perfilempregos), empresário, grafólogo e treinador de alta performance de Dracena, contou a trajetória que começa trabalhando desde os 13/14 anos em serviço pesado (máquina de beneficiar arroz, marcenaria, serralheria, sempre com o objetivo de um dia conquistar um emprego de escritório), e da virada quando um tio de Cuiabá ofereceu escola particular e ele descobriu a leitura, e da faculdade de Ciências Contábeis (1ª turma do Regis em 1995/1996, sem saber o que queria, hoje entende que não era o que ele queria), e do 1º emprego de verdade numa sala com ar-condicionado (Vicmelato, como auxiliar contábil, onde o Darico foi um professor da vida administrativa), e da fundação da Perfil Empregos em 2008 com a Rebeca (o 1º site de recrutamento online da região, depois de apresentarem em 2006 um artigo sobre e-recruitment no encontro de gestores do DGP), e da virada do mercado depois da pandemia (candidatos ficam 3 meses, empresas pedem gente acima dos 30, candidatos escolhem onde querem ficar, e a empresa virou refém do candidato se não cuidar do clima), e do propósito que ele só descobriu aos 43 anos (Método CISCO 2019, perfil comportamental, coach pela FEBRACIS, analista comportamental), e da grafologia que ele faz desde 2013 (curso em Bauru, trouxe o professor de SP pra Dracena 4 vezes, mais de 200 traços analisados pela letra, usa pra processos seletivos, do operador de torno ao gerente industrial), e do trabalho de hoje com empresas (cultura organizacional, entrevista de desligamento, perfil comportamental definindo cargo de ataque ou defesa, cuidado com a armadura do dono), e do pai caminhoneiro que fez 70 anos com 53 de carreta (que repetiu com ele o padrão que aprendeu com o avô, sem abraço, sem “te amo”, mas que fez o melhor que podia), e da morte do pai que o parou na faculdade e o deixou com a dívida de 18 anos sem o que reclamar, e da corrida como processo (2.500 km/ano, 4:10 da manhã, maratona de SP em julho de 2023 com o “foco” do filho no km 28), e da equação memórias → significado → sentimento → crença, e dos livros que ele indica (A Boa Sorte, O Cavaleiro Preso na Armadura, As 5 Linguagens do Amor, O Poder das Conexões baseado na tese de mestrado de Harvard), e do método DCD do Augusto Curi (duvidar, criticar, determinar), e da Rebeca (esposa há 21 anos, a grande mulher por trás do cara que quebrou), e da equipe (Fernando psicólogo, Érica no comercial), e da frase que ele mais gosta: “a vontade de se preparar tem que ser maior que a vontade de vencer”.
Da infância em Dracena trabalhando desde os 13/14 anos em serviço pesado (máquina de arroz, marcenaria, serralheria), do pai caminhoneiro que fez 70 anos com 53 de carreta, e da virada quando o tio de Cuiabá ofereceu escola particular
O Sandro começou a trabalhar muito cedo, e segundo ele, “eu venho do de pai, meu pai caminhoneiro até hoje, meu pai tá com 70 anos e fez 70 anos agora em julho e tem 53 de carreta de caminhão, caramba, e tá dirigindo ainda, e então a gente, eu trabalho desde os 13 para 14 anos, aquela época não era não tinha aquela lei que proibia, e meu primeiro serviço foi numa máquina de beneficiar arroz ali na entrada da cidade, hoje já não tem mais, e foi engraçado que depois eu fiquei sabendo disso só depois de uns 5 anos depois que meu pai me contou, meu pai na época é o meu tio que era o dono da máquina, ele pagou pro meu tio uns três meses do meu salário, olha só, e aí falou assim você chama ele para trabalhar e eu sei que você não vai, tá precisando agora e eu vou pagar, pagou uns três meses, aí depois de três meses meu tio chegou falou para ele, falei não, ele tá indo bem, eu vou agora eu que vou pagar o salário, foi de experiência, então seu pai pagou sua experiência, foi, experiência, foi que eu estudava de manhã e trabalhava à tarde lá, e o uniforme era bem legal, era bermuda que era uma máquina de arroz, e o kichute era aquela meia levantada com aquele cadarço imenso que passava na canela, para passava na canela, trabalhava com aquilo ali, trabalhava já pegava um serviço pesado, e eu sempre tinha um objetivo que era trabalhar no emprego assim limpo, um emprego administrativo escritório, mas demorou muito para acontecer isso”, e depois da máquina de arroz ele foi pra marcenaria (onde ele aprendeu a mexer com madeira e saiu de lá com rinite que só apareceu 40 anos depois), depois pra serralheria do Adelino na Expedicionários (onde pintava estrutura metálica com zarcão e ia pro banco cheirando gasolina), e segundo ele, “assim não tinha muitas oportunidades naquela época, e fui trabalhando um tempo, aprendi soldar, hoje eu sei fazer solda elétrica e eu sei montar móveis por causa dessas experiências, foi um aprendizado, eu gostei muito, eu gosto do três vícios que eu tenho, corrida, ferramentas e livros, então quando eu entro numa livraria ou entro por exemplo numa loja de ferramenta eu fico encantado, mas isso é por causa da vivência”, e a virada veio quando um tio de Cuiabá ofereceu escola particular, e segundo ele, “um tio meu lá de Cuiabá me convidou para mim estudar lá na escola particular, e até então até o primeiro colegial eu sempre estudei escola pública, e esse meu tio me convidou, falou assim, vem aqui, você trabalha aqui na cantina, ajuda, e aí você só paga o material e você vem morar aqui com a sua tia, e aí você vem estudar, parecia fácil né, cheguei lá sem base nenhuma só de ensino público, eu fiquei de recuperação todos os bimestres, não dá um choque muito grande, mas só pra gente entender você foi fazer o primeiro colegial, não, fui fazer o segundo colegial em Cuiabá, e dali eu tomei conta do conhecimento, conhecimento da leitura, porque você tinha que ler, você tinha que estudar, e ali foi a virada, virada assim que eu precisava mesmo, o tomar o gosto por leitura”.
Da faculdade de Ciências Contábeis na 1a turma do Regis em 1995/1996 (sem saber o que queria), do 1o emprego de verdade na Vicmelato como auxiliar contábil numa sala com ar-condicionado, e da fundação da Perfil Empregos em 2008 com a Rebeca
Quando voltou de Cuiabá, o Sandro fez o 3º colegial em escola particular (o pai pagando do jeito que podia) e entrou na faculdade sem saber o que queria, e segundo ele, “apareceu em 95, né, teve o vestibular do Regis de ciências contábeis, mas você chegou a terminar o terceiro e ficar um tempo parado, fiquei, fiquei eu, quase fiz vestibular para nutrição, olha só, quase, eu eu gosto, mas enfim, para mim né, e aí não deu certo, não sabia o que fazia, acabei fazendo ciências contábeis, e aí eu e mais uma turma de 60 alunos nós inauguramos o Regis lá, primeira turma, ciências contábeis, e aí eu fui ficando, na época era o logo em seguida veio o objetivo lá, porque quando eu estudei lá o objetivo era lá em 97, ah então abriu 95, e aí 97 é o vestibular foi 95, e aí começou em 96, e a gente começou a estudar, só tinha um bloco lá, e eu fui fazer ciências contábeis não era o que eu queria, depois eu descobri, mas eu só fui descobrir isso aí é bem tarde né, mas não na faculdade, bem depois na formatura, cheguei terminar, depois bem depois entendi”, e durante a faculdade ele conseguiu o 1º emprego de verdade num escritório, e segundo ele, “em 96 que eu consegui um emprego vamos dizer assim limpo, tipo no escritório, digamos assim escritório, foi quando eu já tava na faculdade de ciências contábeis, eu consegui trabalhar lá na Vicmelato e auxiliar contábil, já consegui uma salinha com ar-condicionado, e ainda com a no caso o cargo que você no qual tava estudando, né, tava estudando, e ali foi uma escola assim da questão administrativa, eu tive um excelente professor que é o Darico, a gente chama ele Darico, parte administrativa de controles, e eu falo assim, toda a empresa que nós trabalhamos, todas as experiências profissionais a gente tira um aprendizado, e dali isso serve como base, às vezes até para você liderar a sua empresa, para você ter sua empresa, ou às vezes se você não for empreendedor, você for um líder, tudo que você aprendeu nas empresas que você trabalhou isso acumula, e isso você usa lá na frente, vai juntando experiência”, e depois ele foi fazer Administração em 2025 (mais de 25 anos depois), e segundo ele, “depois que eu fiz ciências contábeis eu fiquei um tempo parado né, e em 25 eu voltei, e aí eu fui fazer outra faculdade, eu fui fazer administração, e aí como eu já tinha feito ciências no Regis eu falei ó, mais dez anos você faz administração que elimina várias matérias, e aí eu fui fazer administração, e aí foi lá que eu conheci o Paulo Diniz, conheci um pessoal legal, e aí que aconteceu num dia lá a gente tinha um encontro dos gestores o tal DGP que apresentava artigos científicos, aí a gente apresentou um artigo científico chamado e-recruitment, recrutamento pela internet, usando a internet para recrutar pessoas, e foi em 2006”, e a Perfil Empregos nasceu em 2008, e segundo ele, “em 2008 a gente teve a ideia de montar, foi em final do 2007, dezembro de 2007, montar um site para que a gente fizesse a divulgação de vagas em captação de currículos, foi o primeiro site da região, já teve agência antes que era do Jorge Zanon, teve uma agência chamada da Help aqui, e a nossa foi a segunda, e mas nesse modelo de e-recruitment nós fomos o primeiro, parte online, então assim os nossos currículos nenhum fica lá, é todo online, lá em 2008 a gente já começou assim, e aí a gente montou, começamos é só na internet, só que a gente sentiu a necessidade de ter um ponto físico, então aí a gente acabou alugando uma sala, e só que aí depois uns 5 meses os negócios do Paulo começou a tomar um novo rumo, ele tem empresa de informática, desenvolvimento de software, e ele precisou dar mais ênfase, então aí ele acabou saindo da sociedade, aí ficamos eu e minha esposa a Rebeca, e nós ficamos tocando a agência”.
Da virada do mercado depois da pandemia (candidatos que ficam 3 meses, empresas que pedem gente acima dos 30, candidatos escolhem onde querem ficar), e do que mudou na forma de contratar e de ser contratado
Um dos pontos altos do episódio foi a virada que o mercado de trabalho deu nos últimos anos, especialmente depois da pandemia, e segundo o Sandro, “naquela época muitas empresas falavam assim para mim, ó Sandro, eu quero umas pessoas mais novas, então assim eu quero currículos de pessoas mais novas, a gente tem que atender o cliente então mandava, não era todos tá, mas assim grande parte, maioria, grande parte, passado mais uma década, o que acontece hoje, ó Sandro, eu quero pessoas acima dos 30 anos, eu quero, os mais novos daquela época, então assim mudou, então da falta de comprometimento que a moçada hoje tá tendo, então assim quando a gente abre uma vaga não somos nós que decidimos quem vai ser chamado pra seleção, quem vai ser contratado da empresa, e a primeira coisa, o que vai pra empresa é o currículo, ali tá o histórico, se você para ou não para no serviço, e aí você pega ali grande parte dos currículos tem três meses no lugar, dois no outro, e as empresas elas não chamam infelizmente, e esse pessoal aí mais dessa idade já tem uma certa constância mais assim nos empregos, 4 anos, 3 anos, e o jovem de hoje é o jovem que vai ficar vai ficar velho, então assim é o que tem para trabalhar”, e segundo ele, “do mesmo jeito que a gente tem candidatos, nós temos empresas desejadas e empresas que não são desejadas, e isso ficou muito evidente depois da pandemia, hoje eu tenho muitos casos em que a pessoa você vai chamar para entrevista, onde é lá, eu não quero, entendi tá, e o dono nem sabe, caramba, e aí assim a gente fica naquele meio e aí vai falar ou não fala, e aí a gente não fala, então pega essa chave, quem tem, se a rotatividade tá muito alta olha para dentro da empresa, o que que eu tô errando, não é só candidato, como que tá sendo minha gestão, porque hoje o jovem hoje esse pessoal mais novo eles querem trabalhar num lugar que eles se sentem importantes, pertencente ali, e tem que pensar muito bem na hora de pôr um funcionário e ver se você tá dando as condições para ele trabalhar, porque assim é fácil às vezes criticar que o cara não tá fazendo um serviço legal, mas pô, ele tem uma mesa legal para ele trabalhar, uma cadeira legal para ele sentar, afinal de conta ele passa ali pelo menos 8 horas por dia sentado ali trabalhando, como que você trata esse funcionário, na base do xingo, na porrada, como que é, e lá atrás a década de 90, 2000, as pessoas se sujeitavam a isso porque as opções eram poucas de serviço, a informação era pouca também, e os valores eram outros, hoje já não, hoje com a internet, com conhecimento que tem, as pessoas elas não, ali não tá legal, ela não vai ficar, então o clima organizacional é muito importante, que o dono da empresa ele olhe para isso, às vezes é a pessoa é um clima muito centralizador, muito assim o autoritarismo, xinga, ou não vai ficar, não vou me sujeitar a isso”, e o Sandro ainda contou o caso de um candidato que recebeu proposta de 3 empresas no mesmo dia, e segundo ele, “esses dias teve um caso, eu encaminhei um candidato para três empresas, as três empresas selecionaram para entrevista no mesmo dia, duas vagas para auxiliar produção e uma vaga foi para um cargo na área de segurança, as três empresas que quis contratar, aí ele escolheu a empresa que ele ia, quem que vai pagar mais aqui, então assim foi mais conveniente, então assim a gente enviou vários currículos, mas ele foi selecionado, não é que enviamos só ele, mas assim chega um ponto de ter essa disputa, mas para você ver, quer diz que um pequeno diferencial que ele tinha realmente destaca ele de todos”.
Do propósito descoberto aos 43 anos (Método CISCO 2019, Perfil Comportamental, Coach FEBRACIS, Analista Comportamental) à grafologia em 2013 com mais de 200 traços analisados pela letra
O Sandro passou a vida toda empreendendo, mas só descobriu o propósito aos 43 anos, e segundo ele, “eu não sabia até meus 43 anos o teu propósito, olha só, e eu tava com a empresa desde 2008, e só lá em 2019 que eu busquei essa jornada do autoconhecimento, inteligência emocional, me conectar comigo, saber perfil comportamental, crenças, e aí eu fui entender o porque às vezes alguém falava alguma coisa para mim, o que que eu era, assim, ah você demora um pouco para fazer as coisas, o pai, né, geralmente o pai é o oposto, e aí eu fui entender, ele tá certo, é o perfil dele sim, o meu é outro, o meu eu gosto de as coisas mais começo e meio e fim, ele já vai lá na frente mais planejada, e muitas vezes isso dá problema de relacionamento, brigas, e eu tô até hoje, mas eu já sei o que eu quero, o meu propósito, e eu não culpo as pessoas por não saber, tá, só que assim eu falo que a questão tem que vir de dentro da pessoa, buscar, e também tarde do que nunca, que nem você falou, eu achei com 40 e poucos”, e a virada veio por uma série de treinamentos, e segundo ele, “foi em 2019 isso aí, o Rafael Rosseto, ele é de Adamantina, ele foi alugar lá para dar um curso, aí ele alugou a minha sala, você quer ficar no curso, você quer vir, aí eu falei vou, eu adoro fazer curso, e aí o vício dele é de falar desse assunto é conhecimento, livro, e aí eu peguei fui fazer o curso e aí fiz tal, aí depois ele fez um outro que era o de perfil comportamental, aí nesse eu paguei, e aí ele aplicou o teste de perfil comportamental, e aí foi que caiu a chave, porque eu me entendi, meu perfil comportamental, fui entender as pessoas que estavam na minha volta, meu pai, meu irmão, enfim todos, aí que a ficha começou a cair, aí eu entrei de vez na jornada, aí eu fui fazer em plena pandemia eu me inscrevi num curso de coach da FEBRACIS, depois analista comportamental, e aí entrei na jornada, o curso foi online, depois só em 2020 que foi presencial, eu fiz online depois presencial, mas nesse meio tempo a gente eu comecei a atender, e aí veio de encontro tudo, por isso que foi com 43 anos que eu comecei a descobrir, desbloqueou muita coisa, e percebi alguns vícios que eu tenho emocional, todos nós temos vícios, então assim às vezes é vício de fazer, eu tenho um vício de fazer as coisas, e isso é o seguinte, que que é isso, é você sempre achar que você não pode descansar, isso é um vício emocional, é você não é merecedor de descansar, a gente se culpa”, e a grafologia entrou na vida dele em 2013, e segundo ele, “o curso de grafologia eu fiz em 2013, e aí pessoal olha só a chave, eu nunca deixei de estudar e investir em curso, então assim eu fiz em 2013 esse curso, eu tava atrás desse curso já fazia tempo, e aí eu achei ele em Bauru, aí eu peguei, eu peguei o carro, saí daqui 4 horas da manhã, eram sábado e domingo, cheguei lá pro curso 8 horas, fiz o curso, dormi lá, depois voltei no outro dia, conheci o professor, falei assim, você top para fazer o curso lá em Dracena, professor de São Paulo, não top, aí eu organizei, ele não sabia onde era Dracena, certeza não, mas ele vinha de avião, e aí eu organizei o curso mais quatro vezes aqui em Dracena com ele, eu trouxe ele para Dracena quatro vezes, eu fiz o curso cinco vezes, passou um tempo eu fiquei sem treinar, é complicado, vai pegando filho, vai pegando fil, tudo é constância, você vai repetindo, vai fazendo, vai ficando melhor fazendo, e assim eu gosto muito disso, então dá para você falar muito da pessoa pela letra, são mais de 200 traços que a gente vê, e eu recebo redações, eu faço análise e dou parecer, e aí é cargos assim desde cargos de por exemplo operador de torno até gerente comercial, gerente industrial, é uma responsabilidade porque o que você falar ali vai influenciar a decisão um pouco ou talvez muito, mas eu sempre falo que não é só teste, isso é um teste para avaliar, é o teste, a entrevista e checar as referências, é um conjunto”.
Do gestor que vira armadura, da cultura organizacional que vem do dono, do candidato que escolhe onde ficar, da entrevista de desligamento que vale ouro, e do livro O Cavaleiro Preso na Armadura
Para o Sandro, a maior parte dos problemas das empresas começa no dono, e segundo ele, “a cultura organizacional é o dono que faz, é ref, e as pessoas que trabalham lá, mas quem que contratou as pessoas que trabalham lá, é o dono, geralmente, a empresa é meio que reflexo do dono, e às vezes o que acontece é o dono da empresa assumir papéis diferentes, eu vou dar uma chave aí, às vezes acontece do dono da empresa se pai na empresa e chega em casa ele querer ser o seu dono lá da casa, e lá ele queria impor regras que na empresa ele não põe, e a empresa ele não faz gestão, e aí caiu a chave da pessoa, eu falei não, é que armadura que eu tô vestindo, e aí dica de livro aqui, O Cavaleiro Preso na Armadura é um livro extremamente pequeno igual A Boa Sorte, que você principalmente o dono de empresa deveria ler, qual a armadura que eu tô vestindo para passar uma imagem que eu não sou, tem isso também, às vezes o cara ele quer passar uma imagem que ele não é, e porque às vezes ele teve que provar que ele era, tinha que ser a pessoa sim, e aí ele teve que fazer, e esse fazer às vezes teve que trabalhar muito cedo, teve que provar pro pai, pra mãe, que ele era capaz, merecedor daquilo, merecedor, e aí ele focou no fazer, no fazer, e ele não sabe quem que ele é, e aí muitas vezes ele foi comparado e criticado, né, quem muito critica lá atrás foi criticado, a pessoa ali só repete o padrão do que ela aprendeu no passado, e isso é o que ela aprendeu, ela repete”, e a entrevista de desligamento é uma das ferramentas mais importantes, e segundo ele, “uma dica que eu dou para os empresários, olhem para a rotatividade da sua empresa, se a sua empresa tem um horário comercial legal mas tá tendo uma rotatividade, você vê que chama o candidato para entrevista e o candidato não vai, não fala nada, qual a análise que você pode fazer disso, é muito interessante as empresas fazerem entrevista de desligamento das pessoas, não faz, saber o por que tá saindo, dali que vai tirar informação do negócio da empresa e até do clima também, porque às vezes eu já tive cliente, o patrão era excelente, só que o patrão não ficava muito na empresa, faltava a responsabilidade do patrão e deixava com o gerente, por muitos anos o gerente acabou com todos a equipe, porque no caso quem fez o papel de patrão foi o gerente, e aí se criou uma certa rotatividade dentro da empresa por causa daquele gerente, e aí só lá na frente que a ficha foi cair, se trocou, aí equalizou, mudou, mas é às vezes uma peça que você muda muda a empresa inteira”, e o Sandro falou também sobre o poder das conexões (livro baseado numa tese de mestrado de Harvard), e segundo ele, “tem um livro chamado O Poder das Conexões, tese de mestrado de dois cientistas de acho que Harvard, Christopher e Fer, eles mapearam uma cidade de 50.000 habitantes, que uma pessoa depressiva ela contamina num raio de um a um km e meio, e 80% das decisões que você toma não é você que toma, é o amigo do seu amigo, por influência, pelo modelo mental que aquela pessoa lá atrás passa pro outro, e aí você acaba tomando decisão baseada nisso, se a gente é uma média dos cinco pessoas com que a gente anda, e a gente costuma olhar para fora o que tá entr, as para falar o que a gente acha que falta”.
Da corrida como processo (2.500 km por ano, 4:10 da manhã, maratona de SP 2023 com o foco do filho no km 28), da equação memórias → significado → sentimento → crença, e do pai que repetiu o padrão que aprendeu com o avô
A corrida entrou na vida do Sandro por uma dor, e segundo ele, “lá em 99 eu tive que mudar pela dor, porque eu tava num sedentarismo gigantesco, e aí que aconteceu, eu tava com 22 anos na época, eu tive febre reumática, fiquei internado seis dias, seis dias tomando benzetacil, depois eu tomei benzetacil 1 ano e meio, mas naquele ano eu falei assim, tem que fazer uma atividade física, aí eu comecei a correr indo pra pousada, não parei um tempo depois, fiquei uns 5 anos correndo, eu ia voltava na pousada, mas não foi assim, eu comecei 1 km depois parava, depois aos poucos, nada na vida é de uma vez, as pessoas hoje elas acham que tudo se consegue rápido, essa ansiedade que a castela está fazendo com conosco, o celular, a questão do Instagram, rolando feed ali, as pessoas ficam vidradas e elas não param para olhar para dentro de si”, e a frase que ele mais gosta resume a corrida, e segundo ele, “é uma frase que eu sempre gosto de falar, a vontade de se preparar tem que ser maior que a vontade de vencer, e por que assim, a dengue me afetou muito, eu fiquei com as plaquetas baixíssimas, eu fiquei ruim mas ruim mesmo, e só fiquei pior quando eu comecei com a corrida, e eu já vinha numa pegada de treino de 3, 4 anos aí treinando, e eu naquela semana eu fui fazer alguns testes, e quando foi 5 km, quando chegou eu fui fazer o percurso, quando chegou no segundo quilômetro eu parei ofegante e não conseguia, e só para as pessoas entender, você corre 42, então 5 km para ele era tipo assim vou ali, 42 na teoria, na prática um pouco mais, e aí então 2 km para quem corre 42, ferrou né, mas a vontade era maior ainda”, e a maratona de SP foi a prova do processo, e segundo ele, “a maratona é 40% de preparação e 60% a mente, ou às vezes até mais a mente, e aí quando tava no 28 km, e essa maratona tem bastante pontos de água cada 4 km, e aí as pernas começaram a doer, ficar pesada, 28, até 42 ainda faltava 14, e aí a hora que eu passo num ponto de água a moça fala assim, tinha várias moças, e eu dei a água assim, foco, aí lembro teu filho, lembrei, aí veio o emocional, e aí depois que aconteceu isso, cara, o negócio tomou outro rumo, foi o combustível, é igual você tomar uma cafeína, e duro que é um combustível para outras decisões da sua vida, e outra quando você faz algo com maratona, beleza, eu já fiz uma, eu já fiz, e aí vem aquela questão do sistema de recompensa, eu já consegui, por isso que tem que nunca pode desistir”, e sobre a equação memórias-significado-sentimento-crença, e segundo ele, “memórias, significado, sentimento, e esse sentimento vai se transformar numa crença boa ou ruim, é a história do peixe do forno, o cara casou com a mulher e no primeiro jantar ela fez um peixe, chegou o peixe sem cabeça, e falou mas por que que esse peixe tá sem cabeça aqui em casa, minha mãe sempre fez com cabeça, e aí perguntou pra mãe, mãe, por que que a gente faz peixe sem cabeça, não sei, tua vó fazia assim, pergunta para ela, vó, por que que a gente sempre faz peixe sem cabeça, ah, que quando eu casei com o teu vô a primeira vez que eu fui fazer peixe o fogão era tão pequeno que se eu pusesse a cabeça não cabia no forno, na realidade não é porque tinha que fazer sem cabeça, é porque o jeito que dava, e foi assim que todo mundo aprendeu na família, aí aprendeu daquela maneira porque era o jeito que a mãe e a avó, então assim as palavras elas são decisivas na construção dos nossos filhos totalmente”, e o pai dele foi o exemplo mais forte da equação, e segundo ele, “meu pai era cascudo, e eu tive muitos problemas dentro de casa, obviamente, eu no começo eu tinha essa questão de não gostar de ter às vezes algum remorso ou então alguma rejeição, e por um tempo da minha vida eu não gostava de olhar para ele e ver ele naquela situação, e não era o cara que me abraçava, que falava que me amava, e eu sentia que faltava alguma coisa, e em algum momento eu parei e pensei, mas como que ele foi criado, e comecei ver, porque meu vô já era falecido, era muito criança, falei mas como que ele foi criado pelo pai e pela mãe dele, ele recebia amor, ele recebia carinho, recebia um abraço, e depois conversando com a minha mãe, com meu pai também eu vi que ele não recebia isso, ele não sabe o que é, não sabe como fazer, ele nunca recebeu amor, então como que ele vai saber dar amor, e eu comecei ver a maneira como ele foi criado e a maneira que ele me criou, é uma cadeia de evolução, então ele realmente tá fazendo melhor do que o pai dele fez, e para mim já tava ótimo, falei, não, ele tá tentando, ele não tá só fazendo igual, ele tá tentando melhorar, então para mim eu naquele momento eu já falei, não, beleza, eu já tenho o pai que eu quero, que eu amo, porque ele realmente tá tentando, isso foi bom que ele viu enquanto tava vivo”.
Onde encontrar
O Sandro Bordoni é empresário, grafólogo e treinador de alta performance em Dracena, e sua história começa com ele trabalhando desde os 13/14 anos em serviço pesado (máquina de arroz, marcenaria, serralheria, com o objetivo de um dia conquistar um emprego de escritório), e da virada quando um tio de Cuiabá ofereceu escola particular e ele descobriu a leitura, e da faculdade de Ciências Contábeis (1ª turma do Regis em 1995/1996, sem saber o que queria, só entendeu depois que se formou), e do 1º emprego de verdade numa sala com ar-condicionado na Vicmelato como auxiliar contábil, e da fundação da Perfil Empregos em 2008 com a Rebeca (o 1º site de recrutamento online da região, depois de apresentarem em 2006 um artigo sobre e-recruitment no encontro de gestores do DGP), e da virada do mercado depois da pandemia (candidatos ficam 3 meses, empresas pedem gente acima dos 30, candidatos escolhem onde querem ficar, e a empresa virou refém do candidato se não cuidar do clima), e do propósito que ele só descobriu aos 43 anos (Método CISCO 2019, perfil comportamental, coach pela FEBRACIS, analista comportamental), e da grafologia que ele faz desde 2013 (curso em Bauru, trouxe o professor de SP pra Dracena 4 vezes, mais de 200 traços analisados pela letra, usa pra processos seletivos, do operador de turno ao gerente industrial), e do trabalho de hoje com empresas (cultura organizacional, entrevista de desligamento, perfil comportamental definindo cargo de ataque ou defesa, cuidado com a armadura do dono), e do pai caminhoneiro que fez 70 anos com 53 de carreta (que repetiu com ele o padrão que aprendeu com o avô, sem abraço, sem te amo, mas que fez o melhor que podia), e da morte do pai que o parou na faculdade e o deixou com a dívida de 18 anos sem o que reclamar, e da corrida como processo (2.500 km/ano, 4:10 da manhã, maratona de SP em julho de 2023 com o foco do filho no km 28), e da equação memórias → significado → sentimento → crença, e dos livros que ele indica (A Boa Sorte, O Cavaleiro Preso na Armadura, As 5 Linguagens do Amor, O Poder das Conexões baseado na tese de mestrado de Harvard), e do método DCD do Augusto Curi (duvidar, criticar, determinar), e da Rebeca (esposa há 21 anos, a grande mulher por trás do cara que quebrou), e da equipe (Fernando psicólogo, Érica no comercial), e da frase que ele mais gosta: a vontade de se preparar tem que ser maior que a vontade de vencer. Siga o Sandro no Instagram: @perfilempregos.
Resumo do episódio
Sandro Bordoni, empresário e fundador da Perfil Empregos em 2008, relata sua trajetória desde os 13 anos em trabalhos pesados até descobrir seu propósito aos 43 anos através de treinamentos em perfil comportamental e análise comportamental. O episódio aborda a evolução do mercado de recrutamento pós-pandemia, onde candidatos escolhem onde ficar e empresas precisam cuidar do clima organizacional, além de técnicas como grafologia (mais de 200 traços analisados) e a importância da cultura organizacional que começa no dono da empresa.
Principais aprendizados
- A vontade de se preparar tem que ser maior que a vontade de vencer, conforme a frase que Sandro mais gosta e que guia seu processo de treinamento e decisões na vida.
- Depois da pandemia o mercado inverteu: empresas pedem candidatos acima dos 30 anos por constância, enquanto jovens trocam de emprego a cada três meses, tornando a empresa dependente de manter bom clima organizacional.
- A cultura organizacional é reflexo do dono da empresa, e muitas vezes o problema começa quando o gestor vira uma armadura para passar imagem que não é, repetindo padrões aprendidos no passado.
- Mais de 200 traços da letra são analisados na grafologia para avaliar desde operadores de torno até gerentes industriais, sempre considerando testes, entrevista e referências como um conjunto.
- A entrevista de desligamento é ferramenta fundamental para identificar rotatividade, clima organizacional e problemas internos que afetam toda a equipe.
Perguntas respondidas neste episódio
Como funciona o recrutamento online na Perfil Empregos?
A Perfil Empregos é um site de recrutamento que divulga vagas e faz captação de currículos de forma totalmente online, sem deixar nenhum currículo no arquivo físico. Foi fundada em 2008 como o primeiro site da região especializado em e-recruitment, modelo diferente da segunda agência que existia em Dracena.
Qual é a diferença entre o que as empresas pediam antes e depois da pandemia?
Antes da pandemia, as empresas pediam candidatos mais jovens. Depois, inverteu: empresas pedem pessoas acima dos 30 anos porque os mais jovens não mantêm constância no emprego, ficando apenas dois ou três meses em cada lugar, enquanto candidatos mais velhos ficam de três a quatro anos.
Como a grafologia é usada em processos de seleção?
A grafologia analisa mais de 200 traços da letra do candidato para avaliar seu perfil. Sandro recebe redações e faz análise em parecer que sustenta a decisão de contratar, desde cargos operacionais até gerenciais, mas sempre considerando teste, entrevista e referências como um conjunto.
Por que a cultura organizacional começa no dono da empresa?
A empresa é reflexo do dono porque ele contrata as pessoas que trabalham lá. Muitas vezes o dono assume papéis diferentes e repete padrões que aprendeu no passado, às vezes impondo uma armadura para passar imagem que não é, e isso afeta toda a equipe e a rotatividade da empresa.
Este texto foi gerado por Inteligência Artificial com base na transcrição do episódio do AdamiCast.