#436

Aline e Rafael: do Equador ao ventilador que ligou sozinho e a automação que chegou para ficar | #436

11 de dezembro de 2025 • 13 min de leitura

Este texto vem do episódio #436 do AdamiCast

Rafael Nascimento tentou de tudo para não ser eletricista. Garçom no Restaurante Quintal, professor de informática em quatro escolas, recepcionista, vendedor de piscinas, vendedor no Santa Helena. A elétrica aparecia, ele fugia. Enquanto isso, Aline Ulian casou com um missionário equatoriano aos 16 anos, foi morar no Equador, ficou quase dez anos por lá fazendo missão e aprendendo a fabricar calçados. Voltou ao Brasil, trabalhou no Poupatempo, conheceu Rafael através de um amigo em comum depois de bater o carro num semáforo. A pandemia acabou com o sonho de engenharia civil e começou um negócio de bolos que nunca coube na cozinha. Aí um cliente de Dracena falou: “Alexa, liga o ventilador”, e a vida de Rafael mudou de rota de vez. No episódio 436 do AdamiCast, Rafael e Aline contaram a história da NuElétrica Soluções Elétricas e da Intercasa Automação Residencial.

Nunca quis ser eletricista

O pai de Rafael foi eletricista por 25 anos. Trabalhou na Medral, na Electro e em outras empresas da região. Rafael cresceu vendo aquilo e não queria. “A vida do eletricista era sofrida, muito suada, muitas necessidades. Não enchia meus olhos.” O sonho era ser engenheiro civil. Mas antes de chegar lá, Rafael passou por quase tudo. Foi garçom no Restaurante Quintal, trabalho que ele descreve até hoje como um dos melhores que já teve. “Se eu tivesse que trabalhar um dia em algum lugar, eu voltaria lá. Era muito bom, muito gostoso.” De lá foi para a sala de aula, onde deu informática para crianças do ensino fundamental em quatro escolas de Dracena por quatro anos. Depois veio recepcionista, vendas no Santa Helena, vendedor de piscinas.

No meio desse caminho, um amigo o arrastou para um curso gratuito de eletrotécnica na Fapidra. Rafael foi, fez, mas não tirou o CREA. O amigo Maurinho foi junto, tirou tudo. “Eu arrastei ele lá e ele que tirou o CREA. Tá vendo como Deus coloca as pessoas certas?” O conhecimento ficou guardado, mesmo sem usar. “Uma coisa que ninguém tira de você é o conhecimento. Se tenho oportunidade de aprender algo novo, eu aprendo, mesmo que não vá exercer.” A elétrica voltou a aparecer três vezes, com duas pausas no meio. Toda vez que aparecia, Rafael saía. Toda vez que saía, o destino o trazia de volta.

A rebelde de 16 anos que foi para o Equador

Aline cresceu entre dez primos homens, sem prima de referência. Era carrinho, bola, futebol, subir em árvore. “Sempre fui muito fuçada, nunca fui dentro da casinha.” Com 11 anos convenceu a avó a pagar faxina na casa enorme da Presidente Vargas. “Sei lá que jeito ficava a limpeza, mas eu ganhava uns R$ 20 e me sentia rica.” Com 15 começou a vender catálogo da Avon. No mesmo ano, a mãe a colocou para trabalhar numa loja durante o fim de ano, quinze dias de reforço. No primeiro dia, arrumou tudo direitinho nas prateleiras. A dona chegou, puxou tudo e jogou no chão. Aline engoliu seco, virou as costas e foi embora. Não voltou mais. “Tinha 15 anos, não entendia nada da vida.”

Com 16 anos se converteu na igreja e conheceu um missionário equatoriano. Insistiu com a mãe até conseguir autorização para casar. “Mãe, eu vou casar. Não, mãe, eu vou casar.” A condição foi uma: não ia embora. Com 30 dias do casamento, foi embora para o Equador. O país tem mais ou menos o tamanho do estado de São Paulo. Aline ficou dois anos e meio fazendo missão sem comprar roupa, sem comprar sapato, viajando o país inteiro com dinheiro quase zero. “Nunca passei necessidade de nada nesse período. Viajei tudo com zero dinheiro.” Quando a missão acabou, o casal tentou voltar ao Brasil. O visto do marido não saiu. Seis meses aqui, documentação travada, voltaram ao Equador.

Lá, o sogro tinha uma fábrica de formas para calçado. Aline fez curso de design técnico de calçado, pegou referências de moda brasileira e começou a criar modelos. As coisas andaram até que o sócio começou a desviar dinheiro. Insistiram até 2014. Aline bateu o pé: “Se você quiser vai, se não quer fica. Eu tô indo embora.” Foram quase dez anos no Equador. Voltou para Dracena fluente em espanhol, sem nunca ter tido carteira assinada no Brasil. “Com 24 anos eu precisava pelo menos de um registro, de FGTS, de aposentadoria.” Trabalhou três anos numa loja de roupas, depois três anos no Poupatempo. “Muita gente me conhece de lá.”

O acidente, o pesqueiro e o sushi

A apresentação veio por acidente, literalmente. Uma menina atravessou o semáforo vermelho, bateu no carro de Aline, arrebentou o radiador. Aline ligou para o amigo Ivan, que conhecia Rafael. Ivan falou: “Tenho um amigo que ia dar certinho com você.” Aline foi esperta: “Quem você não apresentaria para a sua irmã?” Os dois tinham estado na mesma festa antes, mas sem se notar. Ela achava que a irmã de Rafael era a namorada dele. Ele achava que o irmão de Aline era o marido dela. Ivan armou uma saída em grupo para um pesqueiro, disse para Aline que não seria de casal. Chegou lá, era tudo casal.

No carro para o pesqueiro, Aline foi atrás de Rafael e puxou assunto. “Ixe, tá interessada é hoje.” No pesqueiro, Rafael temperou o sushi dela. No caminho de volta, Aline tinha pedido chiclete para a amiga antes de sair do banheiro, por precaução. Rolou uns beijos na volta para Dracena. Ao passar na frente do pub, Aline se escondeu porque tinha ex frequentando o lugar. Rafael viu tudo. Na semana seguinte a mãe de Rafael mostrou o book de modelo de Aline para o filho. “Papel de cafetina”, disse Aline, rindo. Eram 18 de março de 2018. Dia 23 já estavam namorando.

O pedido de casamento veio num casamento de amigos. As amigas de Aline combinaram com Rafael: a noiva jogaria o buquê para o lado dele, ele pegaria e se ajoelharia. Sem aliança, sem planejamento prévio, só com a combinação feita minutos antes. Uma convidada veio de carrinho tentar pegar o buquê, Rafael segurou firme. Pegou o microfone, ajoelhou. Tem foto. “Se tivesse aliança teria sido perfeito.” O detalhe que atrasou o casamento legal: o processo de divórcio de Aline com o equatoriano levou de 2017 até 2025 para ser finalizado. Saiu faz três meses. O cartório ainda aguarda os documentos. O casório está planejado para 2026.

Pandemia: engenharia cancelada e bolo gostoso demais

Rafael estava no segundo ano de engenharia civil quando a pandemia chegou. Trancou a matrícula com a certeza de que voltaria em três meses. Não voltou mais. O Santa Helena o desligou durante o lockdown. Com o auxílio emergencial na conta e tempo livre, Aline comprou um curso de confeitaria e começou a fazer bolo. A cozinha tinha o tamanho de uma sala pequena. Mesmo assim virou negócio. “Nosso bolo aqui em Dracena é o mais gostoso que já comi”, disse Rafael sem hesitar. Clientes pedindo, chocobomb, bolo de pote, tudo saindo daquele espaço apertado. Aline trabalhava 16 horas por dia. Rafael ficava nervoso de ver. “Era minha terapia, eu amava aquilo.”

Mas a cozinha não crescia. E a cabeça de Aline tampouco conseguia ficar parada. O bolo, por melhor que fosse, não ia escalar naquela estrutura. Rafael, enquanto isso, foi para as obras. Fez a casa de um amigo, a de um parente da Aline, mais uma. “Falar que não é fácil é pouco. Começar do zero sem nada, sem ferramentas, sem clientes, sem portfólio, é muito difícil.” Quando saiu do emprego de vendas de piscinas, um serviço que ele nunca gostou de fazer, parou de hesitar. “Dali começou minha jornada na elétrica de verdade.” A terceira vez que a elétrica chamou, Rafael não fugiu.

Alexa, liga o ventilador

O momento que mudou o negócio foi numa obra comum. Rafael estava trocando fiação para um cooktop de indução quando viu uma plaquinha colada na parede do cliente. Pequena, com uma luzinha. “Que que é aquilo?” Era um módulo Wi-Fi para o ventilador de teto, comprado da China. O cliente falou: “Alexa, liga o ventilador.” O ventilador ligou. Rafael ficou sem palavras. O cliente completou: “Alexa, abre o portão social.” O portão da área social abriu. “Enlouqueci. Falei: quero isso em casa.”

Chegou em casa e comprou o mesmo dispositivo. Aline ficou furiosa. “Para que isso? Que frescura, vai gastar dinheiro à toa.” Rafael instalou e configurou. No verão seguinte, programou o ar condicionado para ligar automaticamente quando a geolocalização deles cruzasse um ponto específico da cidade e a temperatura estivesse acima de 27 graus. Quando chegavam em casa, já estava fresquinho. Aline não disse mais nada. “Depois que você usa, não quer mais voltar. Jamais.” Hoje a Alexa lembra Rafael de colocar o lixo para fora às 7h40 da manhã, e Aline para de brigar sobre o assunto. “A Alexa tá salvando muito casamento.”

O pai que virou sócio e as inspirações da região

O pai de Rafael, Valdir, trabalhou por 25 anos como eletricista nas principais empresas da região. Na Electro, dava o sangue pela empresa. Foi desligado por trabalhar demais, segundo Rafael: as conversas internas começaram e ele foi para fora. Ligou para o filho: “Tenho uma boa notícia para te dar.” Rafael estava numa obra. “Boa notícia que ia render um monte de obra” foi o que ele pensou. Hoje Valdir é sócio. A bagagem e o peso de experiência que ele traz para a NuElétrica são o que Rafael chama de diferencial técnico do negócio.

Para a parte do posicionamento, Rafael olha para dois nomes da região como referência. Um é o Charles do gesso, que transformou um serviço historicamente mal remunerado numa empresa de destaque. O outro é o Milanês da pintura, que fez o mesmo com a tinta. “Meu tio sempre foi pintor. As necessidades que eu passei, meus primos também passaram. E eles conseguiram virar a chave do jogo.” Ambos formaram equipe, atendem várias obras ao mesmo tempo, viraram referência. “Se eles conseguiram, eu consigo fazer isso com elétrica.” Essa foi a virada de como Rafael passou a enxergar o próprio negócio: não ser conhecido como eletricista, mas como empresa prestadora de serviços elétricos.

A elétrica que pode matar

No meio da conversa sobre automação e tecnologia, Rafael parou para falar de algo que considera mais urgente: conscientização sobre segurança elétrica. “Na sua casa, só duas coisas podem matar as pessoas que moram lá: a estrutura, se mal feita, e a elétrica.” Uma pintura ruim fica feia, mas não mata. Um encanamento que estoura estraga o gesso e a pintura, mas não mata. Um piso que racha pode machucar, mas não mata. A elétrica mal feita mata crianças, mães e pais. “Tem gente que morre tirando roupa da máquina com ela ligada na tomada.”

O problema se agrava nas casas mais antigas. Uma residência construída há 12 ou 15 anos tinha cabos de alimentação dimensionados para a demanda daquela época: nenhum ar condicionado, poucas tomadas, poucos equipamentos. Hoje uma casa comum tem quatro ou cinco ares condicionados, cooktop de indução, forno elétrico, máquina de lavar, televisões em todos os cômodos. O cabo de alimentação antigo fica quente durante o dia inteiro. “Se você colocar a mão no cabo de entrada de uma casa mais antiga, raramente vai encontrar frio.” Incêndio elétrico não dá aviso. Rafael não fala isso para vender serviço. “Podem comprar com qualquer um que garanta que a elétrica vai ser segura.”

A Forbes publicou recentemente uma capa sobre os novos milionários americanos: encanadores e eletricistas. A crise de mão de obra qualificada já chegou ao Brasil. O eletricista que só sabe instalar ventilador está defasado. O mercado quer quem instale o ventilador e já pergunte sobre automação, sobre sensor, sobre o que o cliente quer fazer dali dois anos. “O cara que entra numa obra hoje e já faz esse apanhado, já tem um diferencial grande.”

O chá revelação com Alexa e o que vem em 2026

Aline estava grávida durante a gravação do episódio. Para o chá revelação, Rafael programou a Alexa do zero: texto personalizado, suspense de 30 segundos, a revelação do sexo do bebê saindo pela voz do assistente como se fosse natural. Uma amiga que sabia o resultado foi até o dispositivo antes do evento e apagou a opção errada do texto. Rafael preparou a automação de um jeito que surpreendeu até um dos professores do seu curso. “Nem eu sabia que dava para fazer isso.” O chá está gravado no YouTube.

Para 2026, a NuElétrica e a Intercasa Automação estão finalizando o showroom e escritório próprio, onde o cliente poderá ver e testar automação funcionando. Uma fechadura inteligente com câmera, leitor de digital e reconhecimento facial já está à espera de instalação. O plano é trazer um sistema de automação com inteligência artificial integrada, que aprende a rotina da casa e age sem precisar de comando. “Ela vai se adequando conforme você acende e apaga. Você esquece de apagar, ela apaga.” A automação residencial, para Rafael e Aline, vai pelo mesmo caminho que os móveis planejados foram há vinte anos: ninguém precisava, mas quem tem não tira mais.

Rafael fechou o episódio com as três palavras que sustentaram cada recomeço, cada pausa, cada terceira tentativa com a elétrica: foco, fé e persistência. “Era pra gente ter desistido em várias ocasiões. Se a gente não fosse resiliente, tínhamos desistido.” Aline completou: “A vida não é o morango que a gente pensa quando é jovem.” Do Equador a Dracena, do bolo de pandemia ao ventilador que ligou sozinho, a história da NuElétrica e da Intercasa Automação ainda está no começo.

Resumo do episódio

Rafael e Aline contam como passaram de várias profissões e uma experiência missionária no Equador para fundar a NuElétrica Soluções Elétricas e a Intercasa Automação Residencial, transformando o setor elétrico ao agregar tecnologia inteligente e alertando sobre riscos de instalações inadequadas que podem ser fatais.

Principais aprendizados

  • A elétrica mal feita pode matar, diferente de outros serviços, tornando a segurança elétrica mais crítica que qualidade estética ou funcional
  • Casas construídas há 12 ou 15 anos têm cabos de alimentação subdimensionados para a demanda atual de ares condicionados, cooktops de indução e equipamentos eletrônicos
  • O eletricista tradicional está defasado; o mercado demanda profissionais que combinem instalação com conhecimento de automação, sensores e planejamento futuro do cliente
  • Automação residencial funciona como móveis planejados funcionaram há vinte anos: serviço que parecia desnecessário mas se torna indispensável após uso
  • O diferencial competitivo em serviços elétricos vem da experiência técnica associada ao posicionamento como empresa prestadora de serviços, não como profissional isolado.

Perguntas respondidas neste episódio

Como a automação residencial começou no negócio de Rafael?

Um cliente durante uma obra comum tinha um módulo Wi-Fi para ventilador de teto comprado da China e demonstrou comandar o ventilador e o portão através da Alexa. Essa experiência impactou tanto Rafael que ele comprou o mesmo dispositivo e começou a explorar as possibilidades, programando sistemas que ligam automaticamente baseados em geolocalização e temperatura.

Qual é o principal risco da elétrica em casas antigas?

Casas construídas há 12 ou 15 anos têm cabos de alimentação dimensionados para a demanda daquela época, antes de ar condicionado, cooktop de indução e múltiplos aparelhos. Esses cabos ficam aquecidos constantemente durante o dia inteiro, criando risco de incêndio elétrico que ocorre sem aviso prévio.

Por que Rafael considerava a profissão de eletricista inadequada inicialmente?

O pai trabalhou 25 anos como eletricista em empresas da região, e Rafael cresceu vendo a profissão como sofrida, muito suada e repleta de necessidades. Essa visão o levou a buscar outras profissões por anos, até encontrar a motivação através da automação residencial.

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Este texto foi gerado por Inteligência Artificial com base na transcrição do episódio do AdamiCast.