Márcio Rodrigues é daquelas pessoas que a cidade reconhece pelo apelido antes do nome. Márcio Som. Quem cresceu em Dracena nas últimas três décadas sabe exatamente quem é, sabe onde fica a loja e provavelmente tem uma história envolvendo ele, um carro e um som que tremia o chão. No episódio 470 do AdamiCast, Márcio abriu a memória e contou tudo: a origem humilde, os anos no Ortiz aprendendo a instalar som sem YouTube, as viagens ao Paraguai para abastecer o estoque, os campeonatos onde queimou falante emprestado, e a transformação da loja num espaço moderno que hoje atende um público completamente diferente. Uma conversa gostosa, nostálgica e cheia de história real.
Tudo começou no Ortiz, sem saber o que era uma chave de fenda
Márcio tinha entre 14 e 15 anos quando entrou no Ortiz, a loja de eletrônicos que formou boa parte dos profissionais de som automotivo da região. Ele queria consertar rádios, mas chegou limpando loja e arrumando ferramenta. O trabalho de instalação veio depois, aos poucos, quando o dono percebeu que o menino tinha jeito e não dava retorno nos serviços. “Ô Márcio”, virou chamado constante na loja, e Márcio entendeu o recado: estava ficando bom no negócio.
A escola era o próprio ambiente de trabalho. Sem YouTube, sem manual, sem curso: era observar, tentar e aprender errando. Márcio chegava de Jaborandi de ônibus às 5 da manhã, ficava sentado na frente do Ortiz esperando abrir às 7, comia marmita num mezanino de madeira e passava o dia instalando som em carros que não tinham nada de fábrica. Fusca, Belina, Pampa, Del Rey, tudo precisava de tampão, altofalante oval 69, toca-fitas. Era outra época.
Do Ortiz ao Paraguai, passando pelo Mato Grosso
Depois do Ortiz, Márcio passou pelo Alto Castro, pelo Paulinho Som e pela loja Moderna antes de tentar a sorte em Campo Novo do Parecis, no Mato Grosso. Abriu loja na garagem de casa e precisava descer ao Paraguai para abastecer o estoque, já que a região não tinha fornecedores. Saía na terça de Tangará da Serra, chegava em Ponta Porã na quarta de madrugada, fazia as compras e voltava sexta. Uma semana inteira perdida por viagem. Numa dessas, o ônibus quebrou no meio do caminho e Márcio ficou sem dinheiro para comer. Teve que pedir R$ 50 emprestado de um desconhecido para chegar em casa.
O Mato Grosso não deu certo. Voltou para Dracena com o Gol branco e sem dinheiro. Foi o pai quem bancou o recomeço: R$ 3.500, e Márcio montou a loja no ponto onde ficaria por 22 anos. “Uma vida ali”, resumiu no episódio.
Os campeonatos, o Fusca e o falante que queimou
Márcio Som ficou conhecido de verdade nos campeonatos de som automotivo. Ia com os clientes, montava os sistemas, ajudava a afinar e, quando não tinha recursos para competir com equipamento próprio, pegava tudo emprestado. Numa das histórias mais marcantes do episódio, ele conta que foi a Presidente Prudente com um Fusca carregado de altofalantes emprestados de clientes, quatro de 12 da PER, caixas que ele mesmo fabricou. Chegou confiante. Saiu sem os falantes: todos queimaram durante a competição. Voltou para Dracena com uma dívida enorme e a cara no chão. Pagou tudo, mas a memória ficou.
Mesmo assim, os resultados vieram. Com o amigo Glauco, que tinha um dos melhores sistemas da região e era patrocinado pela Banda, Márcio ajudou a acumular mais de 20 troféus. Foram campeões brasileiros de som automotivo e bicampeões paulistas, chegaram a aparecer em revistas especializadas e bateram ranking nacional.
A evolução do mercado e a chegada da plotter de corte
Márcio acompanhou toda a história do som automotivo de dentro da área. Viu os toca-fitas darem lugar ao CD, o CD ao MP3, o MP3 ao pen drive, o pen drive ao Bluetooth. Viu chegar o DVD tijolão trazido por japoneses que trabalhavam no Japão e voltavam com a mala cheia de eletrônico de última geração. Viu nascer o subwoofer, os paredões, os módulos analógicos, os digitais, o Banda, o Ice, a Taramps, que ele visitou no começo quando era um barracão pequeno e hoje é referência mundial.
Na parte do insulfilm, a virada foi a plotter de corte. Márcio contou que antes o trabalho era manual, cortava retangular e aparava, demorava horas e desperdiçava material. Hoje o programa tem o gabarito de cada carro por ano e modelo, a máquina corta com precisão, encaixa os pedaços para economizar material e o acabamento sai como se viesse de fábrica. Um carro que levava três horas hoje fica pronto em uma hora e meia. A máquina se paga em um ano só com a economia de material.
DJ de hobby e a Pro Films com ambiente renovado
Além do som e do insulfilm, Márcio tem outro lado pouco conhecido fora do círculo próximo: é DJ. Começou tarde, já com mais de 40 anos, comprou uma controladora pequena sem saber usar, foi aprendendo sozinho, fez curso em Prudente, tocou bastante na Vegas, a festa eletrônica que Marcos Soimoto montou em Dracena, e segue na ativa. Mora em Panorama e diz que a viagem de volta de noite, com o som do carro baixinho e uma música eletrônica com grave no ponto, é um dos momentos favoritos do dia.
A Pro Films hoje tem uma loja ampla, moderna e com um público bem diferente do começo. Márcio comentou que na antiga loja era praticamente só homem. Hoje mulheres levam carro sem cerimônia para colocar insulfilm. O ambiente mudou, o atendimento evoluiu, e a reputação construída em mais de 30 anos de trabalho honesto na mesma cidade fala por si. Os filhos dos primeiros clientes já são clientes também.
O que o episódio ensina
A trajetória de Márcio Som é um retrato de como a consistência e o amor pelo que faz constroem uma reputação impossível de comprar. Trinta anos no mesmo ramo, na mesma cidade, aprendendo, errando, recomeçando e evoluindo junto com o mercado. Hoje o apelido precede o nome e a loja é referência. Isso não acontece por acaso.
Tópicos do episódio
- A origem no Ortiz aos 14 anos e o aprendizado de instalação de som sem manual nem YouTube
- As viagens ao Paraguai para abastecer o estoque quando morava no Mato Grosso
- A volta para Dracena com R$ 3.500 do pai e 22 anos no mesmo ponto
- Os campeonatos de som automotivo, os troféus com o Glauco e o falante que queimou no Fusca
- A evolução do mercado: fita cassete, CD, MP3, pen drive, Bluetooth e a chegada dos módulos digitais
- A plotter de corte de insulfilm e como ela cortou pela metade o tempo de serviço
- O lado DJ: música eletrônica, Vegas e a controladora comprada sem saber usar
- A Pro Films hoje: loja moderna, novo público e reputação construída em três décadas
Resumo do episódio
Márcio Rodrigues, conhecido como Márcio Som em Dracena, conta sua trajetória de três décadas no ramo de som automotivo e insulfilm. O episódio acompanha sua origem humilde no Ortiz aos 14 anos, passando pelas viagens ao Paraguai, campeonatos de som, e a modernização da Pro Films com a chegada da plotter de corte. Uma história de consistência, aprendizado contínuo e evolução junto com o mercado.
Principais aprendizados
- O aprendizado prático sem recursos digitais era feito observando, tentando e aprendendo com os erros no próprio ambiente de trabalho.
- A viagem semanal ao Paraguai para abastecer estoque era necessária porque a região do Mato Grosso não tinha fornecedores locais.
- Os campeonatos de som automotivo eram ferramenta de visibilidade e acúmulo de troféus, mesmo quando precisavam pegar equipamento emprestado dos clientes.
- A plotter de corte revolucionou o insulfilm ao reduzir o tempo de serviço pela metade e economizar material através de gabaritos por modelo de carro.
- A reputação construída em décadas de trabalho honesto na mesma cidade permitiu que filhos de clientes antigos se tornassem novos clientes.
Perguntas respondidas neste episódio
Como Márcio aprendeu a instalar som automotivo?
Começou aos 14 anos no Ortiz limpando loja e arrumando ferramentas, depois aprendeu a instalar observando o trabalho, tentando e aprendendo com os erros. Não havia YouTube, manuais ou cursos disponíveis naquela época, apenas prática diária em carros como Fusca, Belina e Pampa.
Por que precisava viajar ao Paraguai para abastecer estoque?
Quando Márcio abriu loja no Mato Grosso, a região não tinha fornecedores locais. Precisava descer ao Paraguai semanalmente, saindo na terça-feira e voltando na sexta, viagem que consumia uma semana inteira.
Como a plotter de corte mudou o trabalho com insulfilm?
Antes o trabalho era manual, cortava retangular e aparava, demorava horas e desperdiçava material. Hoje a máquina tem o gabarito de cada carro, corta com precisão e economiza material. Um carro que levava três horas fica pronto em uma hora e meia, pagando a máquina em um ano com a economia.
Qual foi o resultado de Márcio nos campeonatos de som automotivo?
Com o amigo Glauco acumulou mais de 20 troféus, sendo campeão brasileiro de som automotivo e bicampeão paulista. Chegaram a aparecer em revistas especializadas e bateram ranking nacional, mesmo quando precisavam pegar equipamento emprestado dos clientes.
Como é o público da Pro Films hoje comparado ao começo?
Na antiga loja era praticamente só homem. Hoje mulheres levam carro sem cerimônia para colocar insulfilm. O ambiente mudou, o atendimento evoluiu, e os filhos dos primeiros clientes já são clientes também.
Este texto foi gerado por Inteligência Artificial com base na transcrição do episódio do AdamiCast.