Em 2006, uma chuva de pedra destruiu a horta da família Consolini em um único dia. O que para o pai, agricultor, foi um desastre, para Ricardo foi o empurrão que faltava: ele nunca tinha gostado de trabalhar na roça, onde começou aos 8 anos. Com 13 anos e sem saber nem fazer um currículo, pegou a bicicleta e saiu atrás de emprego. Encontrou numa loja de pneu, e foi amor à primeira vista. No episódio 428 do AdamiCast, Ricardo Consolini contou como saiu de cobrador para dono de cinco lojas, por que insistiu três meses para o pai colocar a casa no negócio, e o que muda quando você passa de 12 para 33 funcionários.
A chuva de pedra que mudou tudo
A criação de Ricardo era trabalhar cedo. Desde os 8 anos ajudava na horta da família, mas nunca se identificou. Em 2006, uma chuva de pedra acabou com a plantação inteira. Sem o sombrite que poderia ter protegido, num dia havia uma horta, no outro só pedaços dela. O pai reuniu os filhos no café da tarde e foi direto: dali em diante, cada um ia procurar o próprio rumo, porque reconstruir não era possível. “É até pecado falar isso, mas foi onde tudo começou”, lembra Ricardo. Aos 13 anos, de bicicleta, sem currículo, ele bateu numa loja de pneu e foi contratado como cobrador.
Todas as etapas da empresa, da cobrança ao balanceamento
Ricardo passou seis anos na loja de Dracena e fez questão de aprender tudo. Entrou como cobrador, virou borracheiro, depois alinhador, depois balanceador. “Pus a mão na massa com certeza.” Como gostava do que fazia, vestiu a camisa de verdade. Em 2011, o dono abriu uma unidade em Tupi Paulista e o convidou para gerenciar. Ricardo, que se define como um cara corajoso e que gosta de oportunidade, aceitou. Foi ali que aprendeu o que ainda não sabia: o administrativo, o financeiro, a parte de cuidar do caixa. Saiu de lá com a bagagem completa, operacional e gestão.
Três meses insistindo para o pai colocar a casa no negócio
Depois de dois anos como gerente em Tupi Paulista, o dono se desanimou com dificuldades de pessoal e decidiu vender. Ricardo, com 19 para 20 anos, chegou em casa e propôs ao pai pegar a loja. O problema: a única garantia que a família tinha era a casa no bairro Palmeiras. O pai relutou. “Vou dar para um moleque de 19, 20 anos? Não sei como vai ser.” Ricardo insistiu um mês, dois, três. Persistente, porque sabia que tinha se identificado com aquilo. Até que o pai cedeu: “Você quer saber? Vamos ver como vai ser.” Em 2013, com a casa como garantia, o negócio nasceu.
O irmão sócio e a sociedade que não vingou
Como já dominava todas as etapas, Ricardo enxugou o custo ao máximo: trouxe o irmão, que trabalhava na usina, como sócio, e ficaram só com um funcionário. Se desse pouquíssimo movimento, ainda assim pagava as contas. Deu certo por anos, compraram o prédio comercial de Tupi Paulista. Mas a sociedade entre irmãos acabou não vingando, e hoje Ricardo toca sozinho. “Entre irmão é mais difícil. Para quebrar entre irmão não deu certo.” A experiência o deixou arredio a sociedades por um tempo, até reencontrar o modelo certo mais para a frente.
Castilho, Panorama e a cara da loja
Um rapaz que passava por Tupi Paulista ofereceu a Ricardo uma loja recém-montada em Castilho, a única da cidade a trabalhar com pneu até hoje. Ele foi, gostou e assumiu. Mas aí veio a lição mais dura da expansão: Ricardo era a cara da loja de Tupi Paulista. “Todo cliente que chegava perguntava: o Ricardo está aí?” Ao se mudar para Castilho por dois anos, perdeu muito cliente que comprava por causa dele. Com o tempo, virou a chave: criou um sistema em que qualquer cliente que pede desconto em nome do Ricardo recebe o desconto, treinou a equipe para negociar, e as pessoas passaram a ir atrás da marca, não da pessoa. Depois vieram os planos de Panorama, cidade com muita caminhonete e sem serviço de qualidade, num prédio que levou um ano de reforma.
De 12 para 33 funcionários de uma vez
No meio da reforma de Panorama, o antigo patrão ligou: ia parar com pneu para mexer com compra e venda de carro, e ofereceu as lojas de Dracena e Junqueirópolis, as duas funcionando. “Eu estava reformando uma e vou pegar duas funcionando.” Corajoso como sempre, Ricardo pegou. Saltou de 12 para 33 funcionários de uma vez, herdando cerca de 20 pessoas com uma cultura totalmente diferente da dele. Esse virou o maior desafio. “Quando você pega do zero, implanta tua cultura. Quando pega funcionando, a pessoa está acostumada anos com aquilo.” Levou cerca de um ano para acertar, sem chegar batendo o pé, porque cultura imposta na marra faz perder funcionário. Hoje são cinco lojas Consolini Pneus.
A Multicenter Lubrificantes e a correia banhada a óleo
Ricardo sempre sonhou com uma loja especializada em óleo e transmissão automática, daquelas grandes que via nas avenidas de São Paulo. O sonho era para dois anos depois, mas ao ver um barracão de esquina sendo desocupado na José Bonifácio, perto da matriz, ele antecipou tudo. Chamou o Gabriel, que cuida da gestão, mostrou o projeto no papel, e o Gabriel propôs entrar como sócio. Dessa vez a parceria deu super certo: nasceu a Multicenter Lubrificantes. O foco é um problema real da região: carros modernos com correia banhada a óleo e câmbio automático que precisam do óleo certo. “O problema não é do carro, é da manutenção. O cara põe um óleo de 10 reais o litro num carro que pede um de 30, e perde o motor por uma economia idiota.” Cada marca tem sua homologação: Valvoline para a linha Ford, ACDelco para GM, Shell para Hyundai. A correia banhada, com o óleo certo, dura 240 mil km em vez dos 60 mil da dentada comum.
De pneu a centro automotivo completo
A Consolini começou com pneu, troca de óleo e revisão básica. Hoje é um centro automotivo quase completo: escapamento, mola, limpeza de bico, diagnóstico automotivo, filtros, suspensão, amortecedor, correia dentada, embreagem, freio, higienização de ar condicionado, alinhamento e balanceamento. “Só não fazemos motor.” A gama cresceu ouvindo a necessidade do cliente, que chegava pedindo serviços que a loja ainda não oferecia. Todo carro que entra passa por uma inspeção de segurança: freio, nível e validade do óleo, suspensão, amortecedor, filtros. Mesmo que o cliente não faça na hora, sai ciente do que o carro precisa. Sobre pneu, Ricardo desmonta um mito: hoje 90% do que vende é importado, com ótimo custo-benefício. “Quando a gente trocou o pneu do Civic por um importado, parecia que o pneu abraçava o asfalto. Mudou o carro.”
Vender atenção: o pós-venda que fideliza
O rodízio de pneu se faz a cada 5 a 7 mil km, mas o cliente da região costuma aparecer só de seis em seis meses, duas vezes por ano. Pouco. Por isso a Consolini liga lembrando, faz pós-venda. Alguns clientes agradecem, outros estranham (“acabei de sair daí”), mas o tempo voa e a maioria só leva o carro quando escuta barulho ou está com o pneu careca. Para Ricardo, no fim das contas o negócio vende atenção. Muita oficina resolve só o problema pontual que o cliente trouxe. A Consolini olha o conjunto, porque suspensão ruim come pneu novo, e explica tudo, mesmo o que o cliente não vai consertar naquele dia. “É jogar dinheiro no lixo colocar pneu novo com a suspensão ruim.”
O maior desafio são as pessoas
Perguntado sobre o maior obstáculo da expansão, Ricardo não hesita: não é cliente nem fornecedor, é encontrar pessoas que abracem a cultura da empresa e queiram o ramo. “Hoje achar um mecânico bom é muito difícil. Achar alguém que queira aprender mecânica também.” Ele defende cursos profissionalizantes no município, mostrando que dá para ter bom salário e plano de carreira, exatamente o caminho que ele mesmo percorreu, de cobrador a proprietário. Na empresa, quem quer crescer vira responsável de loja ou vendedor com salário agregado. A equipe recente passou por treinamento de missão, visão e valores e pela aplicação do DISC, para garantir que cada um esteja na função certa. “Tem vendedor que está trocando pneu”, brinca.
Carro elétrico, evolução e o novo desafio de 2026
Para Ricardo, a tecnologia dos carros mudou tudo: hoje é preciso ser muito mais técnico, com transmissão automática exigindo máquina e temperatura certas, carros híbridos e elétricos pedindo óleos e pneus diferentes. Quem não evoluiu, fechou ou ficou só com carro antigo. Sobre o elétrico, ele é cético para a região: “Não vai pegar tão cedo.” Vê risco na bateria, que vale 30% do carro, e na falta de autonomia, ainda que reconheça que a China esteja anos-luz à frente e que as marcas tradicionais invistam para não ficar para trás. Para 2026, ele tem um novo desafio guardado, que vai tirar a empresa do nicho automotivo, inspirado em algo que viu numa viagem a São Paulo. Não quis revelar, fiel ao lema de só falar depois de realizar. Combinou de voltar ao AdamiCast em novembro de 2026 para contar. Tem ainda mais uma expansão das lojas Consolini em vista, com cidade definida que já virou boato na região. O motor de tudo, ele resume, foi a coragem e a vontade de ser diferente da vida na roça: “Eu quis buscar o sucesso, não passar vontade.” A primeira renda que sobrou foi para reformar a casa do sítio e, depois, a caminhonete que o pai sempre sonhou ter e nunca pôde.
Resumo do episódio
Ricardo Consolini começou aos 13 anos como cobrador em uma loja de pneu após uma chuva de pedra destruir a horta da família em 2006. Aprendeu todas as etapas do negócio, insistiu três meses para o pai colocar a casa como garantia, e aos 30 anos toca cinco lojas de pneus, uma loja de lubrificantes e oferece diversos serviços automotivos. O artigo aborda como ele expandiu o negócio ouvindo clientes, enfrentou o desafio de integrar equipes com culturas diferentes e reconhece que o maior obstáculo não é comercial, mas encontrar pessoas que abracem a cultura da empresa.
Principais aprendizados
- Aprender todas as etapas operacionais do negócio desde o início cria bagagem completa para gerenciar e expandir com segurança.
- A cara do fundador pode ser uma vantagem inicial, mas o negócio escala quando a marca se torna maior que a pessoa.
- Ao herdar equipes consolidadas, a cultura deve ser construída gradualmente para evitar perda de funcionários.
- O sucesso em um nicho como pneus depende de evoluir constantemente com a tecnologia dos carros para não ficar obsoleto.
- Pós-venda e atenção ao cliente geram fidelização mais eficaz que resolver apenas o problema pontual apresentado.
Perguntas respondidas neste episódio
Como Ricardo começou no ramo de pneus?
Com 13 anos, sem currículo e de bicicleta, bateu numa loja de pneu em Dracena e foi contratado como cobrador. Passou seis anos nessa loja e aprendeu todas as etapas: de cobrador virou borracheiro, alinhador e balanceador.
Como conseguiu investimento inicial para o primeiro negócio próprio?
Ricardo insistiu três meses com o pai para usar a casa como garantia. O pai relutava, mas cedeu e em 2013 o negócio nasceu com a propriedade como aval.
Qual foi o maior desafio ao expandir rapidamente para cinco lojas?
Ao adquirir as lojas de Dracena e Junqueirópolis que já funcionavam, Ricardo saltou de 12 para 33 funcionários de uma vez e herdou cerca de 20 pessoas com cultura totalmente diferente. Levou cerca de um ano para acertar sem perder funcionários.
Por que é importante manutenção adequada de pneus?
Suspensão ruim consome pneus novos rapidamente. Um pneu de qualidade com suspensão inadequada representa desperdício de dinheiro, enquanto um carro bem mantido preserva os pneus e evita problemas maiores.
Qual é o óleo correto para carros modernos com correia banhada?
Carros modernos com correia banhada a óleo e câmbio automático precisam do óleo homologado correto conforme a marca: Valvoline para Ford, ACDelco para GM e Shell para Hyundai. O óleo adequado faz a correia durar 240 mil km em vez de 60 mil.
Este texto foi gerado por Inteligência Artificial com base na transcrição do episódio do AdamiCast.