O Professor Araújo é faixa preta de jiu-jitsu e hoje comanda academia em Dracena, SP. Nascido em Presidente Prudente, ele foi pro Japão nos anos 90 trabalhar em fábrica, voltou pro Brasil há cerca de 10 anos e transformou o hobby de lutar num negócio próprio.
Ele conhece o jiu-jitsu dos dois lados. De um lado, a vivência no chão de fábrica, em turno de 12 horas e salário japonês. De outro, a rotina de treino e competição no circuito que Sakuraba e o Pride ajudaram a criar. A trajetória virou também uma mentalidade de ensinar com calma, sem exigir equipamento caro do aluno.
De Prudente ao Japão: a fábrica e a descoberta do jiu-jitsu
Araújo começou faculdade de direito em Presidente Prudente, mas largou pra trás quando a família emigrou pro Japão nos anos 90. Chegou lá e foi trabalhar na linha de produção de uma fábrica, em turno de 12 horas, debaixo de calor. Foi ali que um colega, faixa preta de jiu-jitsu, o convidou pro treino.
A virada coincidiu com a febre do MMA e do Pride, época de Sakuraba, Randleman e da escola brasileira de luta agarrada. Os japoneses já tinham visto a força do jiu-jitsu brasileiro no chão e procuravam o brasileiro pra aprender. Araújo foi pra academia do mestre Edson, faixa vermelha, a 40 km de onde morava. Duas horas de viagem de carro, ida e volta, pra treinar três horas no tatame. Fez isso por anos.
Oito anos de treino e competição dentro da fábrica
O dia a dia era dividido em duas vidas. De um lado o trabalho de linha de produção, que pagava o carro zero, a casa e o mês seguinte. De outro, o treino que virava válvula de escape. Acordava às 5h, fazia aeróbico, musculação, ia pra fábrica das 8 às 20h, voltava pra casa, comia, e quando podia voltava ao tatame ou competia.
Em oito anos de Japão, ele participou de campeonatos na região e criou rotina de competição semanal. Comprou kimono bom quando o tempo permitiu. Aprendeu a separar o ganho financeiro do prazer no tatame, sem deixar um contaminar o outro. Quando terminou o ciclo e a família resolveu voltar, ele trouxe a faixa preta na mala, a esposa (também faixa preta, conhecida no Japão) e a decisão de transformar o ofício em negócio.
A pandemia, a academia vazia e a virada do personal
A academia em Dracena chegou a ter 150 alunos antes da pandemia. Quando veio o lockdown e não podia mais receber ninguém, a turma encolheu para seis alunos. Foi a fase mais difícil segundo ele mesmo: os compromissos não param, mas a entrada some.
A virada veio do personal training e do personal fight, modelo em que o aluno tem horário marcado pra treinar com o professor, sozinho ou em grupo pequeno. Foi onde a procura voltou a crescer. De seis alunos por semana, ele foi pra quinze, e hoje tem fila de espera. Mudou também o mix de equipamento: muita gente prefere treinar de luva e caneleira, sem kimono, especialmente quem está buscando emagrecer.
A família toda se uniu à história. A esposa, que conheceu no Japão, dá aula e ajuda na gestão. A filha mais nova, que mora em Dracena, foi o pivô da decisão de voltar pra região. Hoje a academia atende desde a criança que quer disciplina até o executivo que só tem 30 minutos livres no dia.
Como ele enxerga o jiu-jitsu depois de tudo
Pra ele, jiu-jitsu é terapia. Muita gente chega no treino de sábado carregando a semana inteira na cabeça. O tapete vira lugar de botar raiva pra fora, com a benção de um profissional que controla intensidade. Ele adapta o treino ao corpo de cada aluno, evita forçar quem tem problema no joelho ou na lombar, e respeita quem está lá pra emagrecer e quem está lá pra competir.
Sobre equipamento, ele é direto: kimono bom dura mais de cinco anos, e o barato dura um, dois, três. Quem escolhe só pelo preço vai gastar mais. Quem escolhe pela qualidade usa o mesmo kimono do começo ao fim. O aluno que chega com luva simples pode fazer o mesmo treino do aluno que veio com kit caro. A técnica é o que vale.
Ele também entende quem não quer aprender a chutar, e tá tudo bem. O programa personalizado respeita o que o aluno quer. Tem gente que entra no tatame pra perder peso e sai dele mais leve. Tem gente que entra pra competir e sai com a sensação de ter feito alguma coisa importante naquele dia.
Onde encontrar
O Professor Araújo atende em Dracena, SP, com academia própria e personal training. Para agendar aula experimental, participar das turmas ou contratar personal fight, basta seguir o perfil no Instagram: @araujojjteam.
Resumo do episódio
Professor Araújo é faixa preta de jiu-jitsu que trabalhou em fábrica no Japão nos anos 90, treinou por oito anos em academia a 40 km de distância e voltou ao Brasil há dez anos para abrir academia em Dracena. O episódio revela como ele transformou o hobby em negócio próprio, enfrentou a pandemia reduzindo de 150 para seis alunos e recuperou o crescimento através de personal training, hoje com fila de espera e uma mentalidade de ensino acessível sem exigir equipamento caro.
Principais aprendizados
- Jiu-jitsu funciona como terapia ao permitir que o aluno coloque a raiva da semana pra fora no tatame sob controle de um profissional.
- O investimento em kimono de qualidade economiza dinheiro a longo prazo: bom dura mais de cinco anos enquanto barato dura um a três anos.
- Personal training e personal fight foram a estratégia que recuperou a academia durante e após a pandemia, passando de seis para quinze alunos.
- A técnica é o que realmente vale na prática do jiu-jitsu, não o custo ou a marca do equipamento que o aluno usa.
- O programa personalizado de treino deve respeitar os objetivos específicos do aluno, seja emagrecer, competir ou apenas treinar nos minutos livres disponíveis.
Perguntas respondidas neste episódio
Como começar a treinar jiu-jitsu sem equipamento caro?
O aluno que chega com luva simples pode fazer o mesmo treino do aluno que veio com kit caro, pois a técnica é o que realmente vale. O professor adapta o treino ao equipamento disponível, sem exigir investimento inicial elevado. Muita gente prefere treinar apenas de luva e caneleira, sem kimono.
O jiu-jitsu é eficaz para perder peso?
Sim, o jiu-jitsu funciona para emagrecimento. A academia oferece programas personalizados para quem entra no tatame com esse objetivo. As pessoas que buscam emagrecer saem mais leves após participarem dos treinos, que podem ser adaptados conforme a necessidade individual.
Como foi para o Professor Araújo a transição de trabalhar em fábrica para viver do jiu-jitsu?
Em oito anos no Japão, ele aprendeu a separar o ganho financeiro do prazer no tatame, sem deixar um contaminar o outro. Ao retornar ao Brasil, transformou esse conhecimento em negócio próprio. Enfrentou desafios durante a pandemia, quando a academia caiu de 150 para seis alunos, mas recuperou através do modelo de personal training.
Este texto foi gerado por Inteligência Artificial com base na transcrição do episódio do AdamiCast.