O episodio 340 do AdamiCast recebeu Cintia e Patricia, duas mulheres que transformaram o pedal em muito mais que um exercicio fisico. Patricia e proprietaria de uma loja de bicicletas e ja tinha estado no podcast antes, mas de forma silenciosa, ao lado do marido falante. Desta vez veio para se redimir e contar, junto com Cintia, como um passeio simples entre amigas se transformou num estilo de vida que reune dezenas de mulheres de Dracena, Tupi Paulista e Nova Guataporanga em torno de duas rodas.
Um cafe da manha que virou fenomeno
Tudo comecou em 2019, antes da pandemia, quando uma amiga que estava comprando uma bicicleta sugeriu um passeio para o Dia da Mulher. A ideia era simples: reunir um grupo pequeno para um cafe da manha em Nova Guataporanga. Mas o que era pensado para trinta ou quarenta pessoas tomou uma proporcao inesperada. Segundo as convidadas, “deu mais de 100 mulheres”, obrigando os organizadores a correr atras de um caminhao cedido para servir de apoio, porque nenhuma padaria da regiao daria conta do cafe da manha. Foi ali, no dia 8 de marco de 2019, que a semente do grupo foi plantada, unindo mulheres de Dracena, Tupi Paulista e Nova Guataporanga que pedalavam ou apenas tinham curiosidade de experimentar.
Do medo ao aro 29
Cintia contou que comecou a pedalar tambem em 2019, quando ela e uma amiga decidiram variar a rotina da academia saindo para pedalar nos sabados. O que era uma volta curta at o Palmeirinha foi se estendendo conforme mais amigas entravam no grupo. Ela lembra que sua bicicleta era aro 26, hoje considerado pequeno diante do padrao atual de aro 29, e que sofria bastante para pedalar na terra: “eu caia muito”. O medo de atrapalhar o grupo era uma barreira comum entre as novatas, mas Patricia destacou que ninguem e convidado para atrapalhar: “se esta chamando e porque nao atrapalha”. O segredo, segundo ela, e montar um ritmo equilibrado, em que as mais experientes ora seguem na frente, ora ficam atras dando apoio, trocas de marcha e, quando necessario, um empurrao literal para ajudar as colegas a vencer as subidas.
Sapatilha, macarrao e outros aprendizados
A conversa trouxe boas risadas sobre os equipamentos e o vocabulario proprio do ciclismo. Cintia relembrou o estranhamento com o “macaquinho” de pedalar e a sapatilha, que trava o pe no pedal e assusta as principiantes por medo de cair na hora de parar. Patricia explicou que o problema so acontece quando a pessoa esquece de desclipar, e que depois da primeira queda o corpo aprende o movimento. O papo tambem passou pelo famoso “macarrao”, uma especie de cola solida usada para tapar furos maiores no pneu quando o liquido selante nao e suficiente, resolvendo o problema no meio do pedal sem precisar voltar para casa.
Seguranca em grupo e os perigos do caminho
Um dos pontos mais fortes da conversa foi sobre os riscos de pedalar, sobretudo para mulheres. As duas contaram que nunca saem sozinhas justamente pela falta de respeito de alguns motoristas nas estradas de terra, alem do perigo real de mal-estar, queda ou problema mecanico sem ninguem para ajudar. Cintia relatou uma queda feia no asfalto, quando o pneu derrapou em pedrinhas e ela ralou toda a perna, mas mesmo assim terminou o pedal. Patricia lembrou tambem um episodio marcante em que um boi investiu contra o marido durante um passeio em Flora Rica, obrigando o grupo a fugir e pular cercas, reforcando a regra de nunca enfrentar um boi sozinho na estrada.
Pedal, familia e disciplina
A rotina do grupo e cronometrada: pedaladas de terca e quinta as seis e dez da manha, aproveitando a claridade, alem dos passeios de fim de semana que ja incorporaram maridos que antes nao pedalavam. Patricia contou que o costume comecou apos conhecer o marido, que ficou doente e passou a caminhar por recomendacao medica, o que a fez ganhar resistencia aos poucos ate participar de provas e do Caminho da Fe, percurso de cerca de 350 quilometros entre Aguas da Prata e Aparecida, feito em bicicleta em quatro ou cinco dias. Cintia, que ainda nao fez o trajeto, disse que esta se preparando com o objetivo de encara-lo no futuro. As duas tambem frequentam a academia em dias alternados ao pedal, reforcando que a atividade fisica exige constancia e que a mente se beneficia tanto quanto o corpo, especialmente depois do periodo de isolamento da pandemia, quando o pedal se tornou uma valvula de escape para o grupo mesmo com restricoes.
Um convite aberto
Ao final da conversa, ficou claro que o grupo esta sempre aberto a quem quiser comecar, independentemente da idade ou do condicionamento fisico. Patricia explicou que orienta as novatas a ganhar resistencia primeiro em percursos mais curtos e asfaltados antes de encarar a terra com o grupo, evitando que a pessoa se frustre e abandone o esporte. Para ela e Cintia, o pedal deixou de ser apenas exercicio e se tornou, nas palavras que repetiram ao longo do papo, uma verdadeira “bike terapia”, que hoje reune amigas de diferentes idades e profissoes em Dracena e regiao, todas compartilhando historias, risadas e a certeza de que ninguem pedala sozinha.
Onde encontrar
Você encontra quem participou deste episódio no Instagram: @patriciabutim, @cintiapossari e @dracenabikecenter.
Resumo do episódio
O episódio reúne Cíntia e Patrícia, integrantes de um grupo de pedal formado em Dracena e região desde 2019, que relatam como a atividade nasceu de um passeio simples entre amigas e se transformou em rotina semanal. Elas explicam a logística dos treinos, os cuidados com equipamento, segurança no trânsito rural, o preconceito enfrentado por serem mulheres pedalando e episódios curiosos como encontros com bois na estrada. Também abordam a importância de aliar musculação ao pedal, os riscos e aprendizados das quedas, e como a prática virou uma forma de cuidar do corpo e da mente. Quem acompanha entende como funciona um grupo de pedal amador, desde a formação até a manutenção da rotina.
Principais aprendizados
- Formar um grupo de pedal equilibrado exige ajustar o ritmo entre iniciantes e experientes, alternando quem vai na frente e atrás para dar apoio.
- Sair para pedalar sozinha é evitado pelo grupo por questões de segurança, incluindo risco de quedas, mal súbito e desrespeito de motoristas.
- O uso de sapatilha costuma gerar medo de queda por esquecer de desclipar, mas a adaptação acontece rapidamente após as primeiras quedas.
- Manter constância na atividade física, seja pedal ou academia, é necessário porque a musculatura e o condicionamento se perdem rapidamente com a pausa.
- Encontrar bois soltos na estrada é um risco real do pedal rural, e a orientação é nunca enfrentar um boi sozinho, apenas quando estão em grupo ou é gado leiteiro mais tranquilo.
Perguntas respondidas neste episódio
Como funciona um grupo de pedal para iniciantes?
O grupo se organiza em ritmo equilibrado, com pessoas mais rápidas e mais lentas se ajustando para ficarem próximas, trocando de marcha e dando apoio quando necessário. Quem está começando é orientado a treinar primeiro em trajetos mais curtos e asfaltados para ganhar resistência antes de encarar terra. Ninguém pedala sozinho, e o grupo sempre espera quem está mais atrás, garantindo companhia e segurança durante todo o percurso.
É perigoso pedalar em estrada de terra por causa de animais como bois?
Sim, encontrar um boi sozinho na estrada é considerado arriscado, pois o animal pode se sentir ameaçado e investir contra o grupo, como já aconteceu em um episódio em que um boi atacou um dos integrantes. Já vacas leiteiras costumam ser mais tranquilas e o grupo consegue passar perto sem problemas. A orientação geral é nunca enfrentar um boi sozinho e, se possível, mudar de percurso quando ele aparece na estrada.
Vale a pena comprar uma bicicleta cara para começar a pedalar?
Não é recomendado começar com um equipamento muito caro, pois quem está iniciando ainda não sabe se vai gostar do esporte. O indicado é começar com uma bicicleta mais simples, que já proporciona conforto suficiente para quem nunca pedalou, e só depois de perceber que gosta da atividade migrar para modelos melhores. Investir alto logo no início pode gerar frustração caso a pessoa desista, além de dificuldade para revender o equipamento usado.
Por que fazer musculação junto com o pedal?
O pedal trabalha principalmente a parte aeróbica e cardiovascular, mas não fortalece todos os músculos necessários para sustentar a postura correta na bicicleta, como abdômen, costas e ombros. Sem esse fortalecimento complementar, a pessoa pode sentir dores e sobrecarregar articulações por má postura. Por isso, muitas praticantes combinam dias de academia com dias de pedal durante a semana, buscando um condicionamento mais completo do corpo.
O que fazer quando o pneu da bicicleta fura durante o pedal?
O grupo carrega ferramentas básicas para resolver o problema no próprio trajeto, incluindo uma peça chamada de macarrão, que funciona como uma borracha inserida no furo para vedar o pneu sem câmera, de forma parecida com o reparo usado em pneus de carro. Existem versões mais finas e mais grossas dependendo do tamanho do furo. Também é comum levar bomba de ar e chave, permitindo continuar o percurso sem precisar interromper o passeio.
Este texto foi gerado por Inteligência Artificial com base na transcrição do episódio do AdamiCast.