Elisandra Correa não planejou nada disso. Aos 19 anos, era escrevente de cartório em Junqueirópolis e começou a treinar só para ocupar o período da noite. Entrou numa academia quase inteiramente masculina, nos anos 90, e aprendeu observando os homens ao redor, sem professor, sem plano, só repetição e curiosidade.
Décadas depois, ela é educadora física e personal trainer em Dracena, onde mora desde 2006. Mas o caminho até aqui passou por uma pausa longa para criar os filhos, um recomeço tardio na faculdade e, mais recentemente, pela virada mais dura da sua vida: a menopausa. É essa trajetória, cheia de reviravoltas que ela mesma descreve como não planejadas, que sustenta o episódio 480 do AdamiCast.
Da academia do Beto ao diploma aos 40
A relação de Elisandra com a musculação nasceu ainda na infância, em Junqueirópolis. O pai treinava por um tempo e ela, com 10 anos, queria acompanhar. Foi proibida: “não é lugar de mulher”, ouviu. A semente, porém, ficou plantada.
Anos depois, já adulta, ela entrou de fato na chamada “academia do Beto”, em Junqueirópolis, ainda nos anos 90. Era praticamente a única mulher do salão. Sem orientação formal, copiava os exercícios dos frequentadores homens e ia descobrindo o próprio corpo no processo. A sensação de bem-estar a fisgou, embora ela não imaginasse, na época, até onde aquilo chegaria.
Depois de anos afastada do mercado para se dedicar aos filhos, veio a virada: uma bolsa integral na Unifadra, em Dracena, e o diploma de educação física por volta dos 40 anos. Ela conta, entre risos, que era a mais velha da sala, cercada de colegas de 18 e 19 anos, e que até uma cola simples era um desafio novo. Formou-se mesmo assim, tarde para os padrões da turma, mas exatamente no tempo dela.
Uma rotina que começa às 4h15
Hoje, a disciplina de Elisandra é quase uma marca registrada. Ela acorda às 4h15 da manhã e descreve o próprio treino como “picado”: um pedaço aqui, outro ali, entre alunos e compromissos, porque não existe um horário fixo só para ela. É rotina, repetição e adaptação constante.
Sua defesa é direta: não existe “não ter tempo”, existe fazer o tempo. Para ela, a disciplina não é um dom especial, é escolha repetida todos os dias, mesmo quando a agenda não colabora. Chegou a treinar durante uma infecção por COVID, enquanto o companheiro ficava de cama, e hoje brinca que só a dengue consegue derrubá-la.
A virada da menopausa
O momento mais delicado da trajetória de Elisandra aconteceu por volta dos 45 anos, quando o corpo começou a mudar de forma abrupta. Ela relata a sensação de estar “saindo da tomada”: perda de massa muscular, resultados que não vinham mais, um quadro que ela descreve como depressivo. Chegou a parar no portão de casa e pensar seriamente em desistir de treinar.
Não desistiu. Aos 50 anos, iniciou a terapia de reposição hormonal, um tratamento que havia adiado por anos, principalmente por causa do custo. Ela é franca sobre isso: são procedimentos caros, e por um bom tempo simplesmente não teve condição financeira de arcar com eles. Só quando a situação melhorou um pouco, deu início ao acompanhamento.
O resultado, segundo ela, foi recuperar não só o corpo, mas o ânimo. Hoje, aos 53 anos, diz treinar melhor do que treinava aos 30, e trata a menopausa como assunto que precisa ser falado sem vergonha, não como um ponto final na vida ativa de uma mulher.
O corpo como cartão de visita
Para Elisandra, existe uma tese que ela defende com convicção: o profissional de educação física precisa treinar. Ela já ouviu alunos dizerem que exigem “uma personal padrão”, e concorda com a lógica: como ensinar algo que você mesmo não pratica?
Isso não significa, segundo ela, buscar o extremo do fisiculturismo. Ela é clara ao dizer que não quer se expor daquela forma, nem entrar num universo que, na visão dela, envolve dieta extrema e, muitas vezes, uso de substâncias que distorcem o que é saúde real. A brincadeira que ela mesma faz é afiada: em competições de físico, segundo ela, nem a plateia passaria num exame.
Envelhecer sem pedir desculpas
Outro ponto que Elisandra defende com firmeza é a ideia de que envelhecer não é feio, não é pecado e não precisa ser escondido. Ela cita o exemplo de uma aluna mais velha que, aos 60 anos, queria simplesmente conseguir se levantar sozinha, sem depender de ajuda. Para Elisandra, esse é o tipo de meta que vale mais do que qualquer padrão estético de rede social: a musculação como ferramenta de autonomia na velhice, não de vaidade.
Ela reforça que nunca é tarde para começar, mas também é honesta ao dizer que a frase só tem peso quando vem acompanhada de ação concreta, como ela mesma fez ao voltar para a faculdade aos 40 e ao buscar reposição hormonal aos 50.
Onde encontrar
Elisandra Corrêa grava o AdamiCast em Dracena, SP. Para acompanhar seu trabalho como personal trainer e educadora física, siga o Instagram: @correa.elisandra
Resumo do episódio
Elisandra Correa começou na musculação aos 19 anos em uma academia masculina dos anos 90, aprendendo por observação, e décadas depois se formou em educação física aos 40 anos. Sua trajetória inclui uma pausa para criar filhos, um recomeço tardio na faculdade e o desafio da menopausa aos 45, quando buscou tratamento hormonal aos 50 e hoje treina melhor aos 53. O episódio aborda como ela transformou a musculação em ferramenta de autonomia na velhice, a importância da disciplina diária e por que envelhecer não precisa ser escondido.
Principais aprendizados
- Disciplina em musculação é escolha repetida todos os dias, não um dom especial, mesmo quando a agenda não colabora
- A menopausa provoca perda de massa muscular e resultados estagnados, mas a reposição hormonal pode recuperar tanto o corpo quanto o ânimo
- Um profissional de educação física precisa treinar para ter credibilidade, pois alunos exigem um professor que pratique o que ensina
- Musculação na velhice é ferramenta de autonomia, como conseguir se levantar sozinha, não apenas busca de padrão estético
- Nunca é tarde para começar a treinar ou estudar, mas a frase só tem peso quando acompanhada de ação concreta
Perguntas respondidas neste episódio
Como começar musculação sem professor nem experiência?
A observação funciona como método inicial: copiar exercícios de frequentadores mais experientes e ir descobrindo o próprio corpo no processo. A sensação de bem-estar vem da repetição e curiosidade contínua, mesmo sem orientação formal estruturada no início.
Vale a pena treinar musculação quando mais velho?
Sim, especialmente como ferramenta de autonomia na velhice. Uma meta significativa é conseguir se levantar sozinha aos 60 sem depender de ajuda, o que vale mais do que qualquer padrão estético. Nunca é tarde para começar quando vem acompanhado de ação concreta.
Este texto foi gerado por Inteligência Artificial com base na transcrição do episódio do AdamiCast.