#330

Odontologia, música e empreendedorismo: a historia de Sheila Franceschini e Wilson Bortolo Junior | #330

09 de agosto de 2024 • 8 min de leitura

Este texto vem do episódio #330 do AdamiCast

O episódio 330 do AdamiCast recebeu um casal que construiu, cada um a seu modo, uma trajetória de dedicação e reinvenção. Sheila Franceschini e Wilson Bortolo Junior contaram como se conheceram, como equilibram carreiras tão diferentes dentro de casa e como, depois de décadas de vida profissional consolidada, resolveram empreender em um ramo que ainda não existia em Dracena: a lavanderia de autosserviço.

Uma historia que comecou na infancia e atravessou Campo Grande

Wilson é natural de Adamantina, mas se considera dracenense de coração, tendo chegado à cidade ainda criança. Já Sheila tem uma trajetória mais sinuosa: as famílias já se conheciam de longa data, mas ela se mudou para Campo Grande, no Mato Grosso do Sul, aos 8 anos de idade. O reencontro dos dois só aconteceu quando ambos já eram adultos, momento em que Wilson havia se formado cirurgião dentista e ido trabalhar justamente em Campo Grande. “Nossas famílias já eram próximas. Quando eu vinha pra cá passar as férias, a gente se via”, contou Sheila. O encontro decisivo foi articulado pela irmã dela, e o primeiro encontro do casal aconteceu em uma feira tradicional da cidade.

Wilson relembrou que sua passagem por Campo Grande foi breve, pois um episódio de violência próximo à clínica onde iniciaria o trabalho o fez procurar outra oportunidade, na cidade de Jardim, a 350 quilômetros dali. Foi lá que ele teve contato com o Corpo de Saúde do Exército, prestou prova, foi admitido e chegou a se tornar 2º Tenente, uma segunda experiência com a vida militar, já que também havia feito o tiro de guerra em Dracena. “Ela é o reflexo de tudo aquilo que eu faço hoje, não só na minha vida profissional como familiar. Hierarquia, respeito e disciplina cerceiam os nossos modos de agir”, refletiu sobre a influência da caserna em sua rotina até hoje.

Odontologia e musica, duas vocacoes que se encontraram na regiao

A escolha profissional de Wilson pela odontologia nasceu de uma conversa com o dentista José Roberto Manzano, já falecido, que o incentivou a seguir a carreira. Ele fez faculdade em Marília, onde também concluiu especialização em implantodontia, e depois retornou a Dracena, onde assumiu funções como coordenador de saúde bucal do município, professor de radiologia na UMI e, posteriormente, dentista concursado, até se dedicar integralmente à vida clínica, atuando principalmente com cirurgia, implante e prótese.

Sheila, por sua vez, viveu uma trajetória de reinvenções. Chegou a trabalhar como servidora estadual no Ministério Público, mas o sonho de atuar com educação musical a fez cursar uma nova graduação, seguida de pós-graduação, mestrado em música pelo Instituto de Artes da Unesp e, anos depois, doutorado. Há 17 anos é professora de licenciaturas em artes e música em duas instituições de ensino, uma em Dracena e outra em Presidente Prudente, e hoje dedica-se também à regência coral, conduzindo o Coral Unifadra e a Escola Cantoro Dracena, ligada à Paróquia Nossa Senhora Aparecida. “Realizar sonho é isso: não perder de vista o que a gente deseja fazer, pensando no bem das pessoas que precisam de nós”, resumiu.

A mudança de carreira não veio sem resistência. “Eu ouvi logicamente, você é louca. Muitas críticas”, contou Sheila sobre a decisão de deixar a estabilidade do serviço público para investir na música. Wilson, ao seu lado, apoiou a escolha desde o início, e o casal recorda que hoje colhe os frutos desse caminho, com Sheila formando profissionais que atuam nas redes municipal e estadual de ensino de arte.

Vinte e cinco anos de casamento e uma rotina quase invertida

Sheila e Wilson completam neste ano 25 anos de casados, e têm um filho de 20 anos que cursa psicologia em Dracena. Um dos temas mais divertidos do papo foi justamente a rotina do casal, que por muitos anos funcionou quase em turnos opostos: como Sheila lecionava à noite e Wilson acordava cedo para ir à academia, os dois raramente se cruzavam durante boa parte do dia. “Descobrimos o segredo de durar 25 anos: não dá tempo de brigar”, brincou o casal, entre risadas, explicando que a rotina só mudou depois da pandemia, quando as aulas migraram para o formato EAD e Sheila passou a atender de casa quase que integralmente.

A comida também entrou na conversa como parte dessa dinâmica doméstica. Wilson, que se descreve como “bem regrado”, assumiu o papel de cozinheiro do dia a dia, incluindo a produção caseira de pão, hábito que aprendeu ainda criança com a mãe e que hoje mantém inclusive para ajudar no cuidado dos pais, que enfrentam questões de saúde relacionadas a Parkinson e demência. Já Sheila ficou com a fama de fazer “o chique”, como o molho pesto elogiado por Wilson durante a entrevista.

O canto como vocacao e um convite que marcou a carreira

Questionada sobre um momento marcante em sua trajetória musical, Sheila recordou um convite recebido ainda durante seus estudos de canto em São Paulo, para cantar em um recital comemorativo dos 450 anos da cidade, na igreja do Pátio do Colégio. “A partir daquele dia, eu sabia que era aquilo que eu queria fazer para o resto da minha vida”, contou, fazendo questão de agradecer a professora Hilda Sergel e o regente Marco Júlio Sergel, que lhe deram a oportunidade. Hoje, ao construir o repertório de seus corais, ela parte sempre das demandas e do perfil de cada grupo, seja o Coral Unifadra, mais heterogêneo, seja o coral litúrgico, dedicado à música da Santa Missa e da Liturgia das Horas.

O nascimento da lavanderia de autosservico

A parte final da conversa girou em torno do empreendimento mais recente de Wilson: uma lavanderia de autosserviço, modelo que ele conhecia de filmes e séries e que não existia até então em Dracena. O funcionamento é simples: o cliente mede a roupa em um cesto de 40 litros, escolhe o ciclo em um totem de pagamento e usa máquinas que lavam com produtos concentrados, no caso Omo e Comfort em versões próprias para lavanderias profissionais. “Eu tenho clientes que são estudantes, que não têm tempo. Eu tenho donas de casa, tenho pessoas solteiras”, descreveu Wilson sobre o público que atende, funcionando 24 horas por dia.

Wilson explicou que decidiu não seguir o caminho da franquia, considerado por ele “confortável” mas restritivo, com taxas e royalties sobre faturamento. Preferiu pesquisar sozinho, importar as máquinas da marca Speed Queen e desenvolver um sistema próprio de cobrança integrado à internet, além de registrar a marca em nome próprio. Até o painel de operação das máquinas, originalmente em inglês, foi adaptado para o português com ajuda de uma empresa parceira. Sua sobrinha, arquiteta, cuidou de todo o projeto visual das unidades e hoje aplica esse conhecimento em outros projetos de lavanderia.

A ideia surgiu como uma forma de complementar a renda diante da aposentadoria pelo INSS, já que Wilson soma décadas de contribuição somando as diferentes fases da carreira, da vida militar ao serviço público. Atualmente ele mantém duas unidades, uma delas passando por mudança de endereço para um ponto de maior fluxo, próximo à Igreja Matriz. Segundo ele, a pandemia impulsionou a procura pelo serviço, sobretudo entre aposentados que buscavam investir em tratamentos odontológicos represados, mas o próprio negócio de lavanderia também cresceu de forma constante, atraindo desde estudantes que aproveitam o Wi-Fi disponível no espaço até famílias que preferem economizar tempo em dias de roupa acumulada.

Ao longo da conversa, o casal também refletiu sobre o crescimento de Dracena como polo regional, puxado por setores como o curso de medicina e o comércio local, e sobre como a cidade, apesar do tamanho, consegue oferecer serviços que surpreendem até quem vive em centros maiores. Entre risadas, boas lembranças e projetos que ainda estão por vir, Sheila e Wilson deixaram claro que, para os dois, empreender é também uma forma de continuar aprendendo e se adaptando, seja na música, na odontologia ou em um negócio novo dentro da própria cidade.

Onde encontrar

Você encontra quem participou deste episódio no Instagram: @sheila_franceschini e @bortolojr.

Resumo do episódio

O episódio recebe um casal de Dracena que combina histórias de carreira, empreendedorismo e rotina doméstica. O cirurgião-dentista relata sua trajetória entre Campo Grande, a vida militar e a odontologia, com foco em periodontia e implantodontia, além de detalhar a criação de duas lavanderias de autosserviço na cidade, incluindo custos, funcionamento e decisão de não usar franquia. A esposa, professora de música e regente coral, conta como migrou de uma carreira estável para se dedicar ao ensino de canto e piano, inclusive em aulas a distância. Ao longo da conversa também surgem reflexões sobre segurança, qualidade de vida e crescimento comercial de Dracena.

Principais aprendizados

  • A lavanderia de autosserviço funciona por meio de máquinas com cesto de 40 litros, pagamento em totem e seleção do grau de sujidade da roupa, com ciclos de lavagem de cerca de 32 minutos e secagem de 42 minutos.
  • Montar uma lavanderia sem franquia exige pesquisar fornecedores de máquinas, criar um sistema de cobrança integrado às máquinas via internet e cuidar da manutenção diária para evitar quebras.
  • A escolha do ponto comercial influencia diretamente o movimento do negócio, já que alguns clientes evitam locais muito expostos por questão de privacidade ao lavar roupas.
  • O ensino de música e canto pode ser realizado a distância com boa conexão de internet, permitindo atender alunos de outras cidades e até estados.
  • A aposentadoria pelo INSS motivou a busca por uma renda complementar, levando à criação de um negócio pensado antecipadamente para essa fase da vida.

Perguntas respondidas neste episódio

Como funciona uma lavanderia de autosserviço?

O cliente leva a roupa suja e mede a quantidade usando um cesto de 40 litros, que corresponde à capacidade da máquina. Depois coloca a roupa na máquina, vai até um totem de pagamento, escolhe entre lavar ou secar, seleciona o grau de sujidade e o tipo de tecido e inicia o ciclo. Não há atendente físico, mas o funcionamento é auto-serviço, com ar-condicionado e iluminação automáticos por sensor de presença.

Quanto custa lavar roupa numa lavanderia de autosserviço comparado a ter máquina em casa?

Um ciclo custa cerca de 14 reais, valor considerado baixo frente ao investimento de comprar uma máquina própria. Uma lava e seca de 40 litros custa em torno de 6 mil reais, além de gastos com energia, produtos e instalação elétrica adequada, e ainda assim pode apresentar problemas de manutenção em poucos anos. Por isso, pagar pelo uso pontual costuma compensar mais do que manter uma máquina em casa.

Vale a pena montar uma lavanderia de autosserviço em vez de comprar uma franquia?

É possível montar o negócio de forma independente, sem taxas de franquia nem royalties sobre faturamento, mas isso exige pesquisar por conta própria o fornecedor correto das máquinas, criar um sistema de cobrança compatível e assumir todo o processo de instalação e identidade visual. O investimento por máquina fica em torno de 42 mil reais cada, e o proprietário precisa acompanhar diariamente a manutenção e higienização dos equipamentos.

Como decidir o repertório de um grupo de canto coral?

A escolha do repertório parte das características e do perfil de cada grupo, considerando idades, interesses e se o coral é aberto à comunidade ou voltado a um contexto específico, como a liturgia católica. A partir dessas demandas, busca-se um arranjo que os participantes aceitem cantar, desenvolvendo o trabalho aos poucos conforme o gosto e a realidade de cada coral.

É possível dar aulas de música a distância?

Sim, aulas de piano e canto podem ser dadas remotamente desde que haja uma boa conexão de internet e o instrumento disponível dos dois lados. Existe um pequeno atraso na transmissão, mas com paciência é possível corrigir a execução do aluno e conduzir a aula normalmente, inclusive com alunos de outras cidades e estados.

Ouça no Spotify ou assista no YouTube.

Este texto foi gerado por Inteligência Artificial com base na transcrição do episódio do AdamiCast.