#297

Nutricao e superacao: a historia de Carla Brani | #297

26 de março de 2024 • 5 min de leitura

Este texto vem do episódio #297 do AdamiCast

O episodio 297 do AdamiCast recebeu duas convidadas que se conhecem desde a infancia e hoje se encontram tambem numa relacao profissional: a nutricionista Mayara Fortunato e sua paciente Carla Brani. A conversa passou por uma historia de vida marcada por diagnosticos duros na infancia, e por uma virada surpreendente que a nutricao proporcionou anos depois, mudando exames de sangue, disposicao e até a frequencia de transfusoes que Carla precisava fazer.

Uma infancia de diagnosticos dificeis

Carla nasceu com mielomeningocele, uma malformacao na coluna descoberta ainda no oitavo mes de gestacao, quando a familia foi encaminhada de Dracena para Sao Paulo, onde nao havia ainda casos conhecidos da condicao na cidade. Ela contou que “o medico ja falou pra minha mae, olha, sua filha nao vai andar, muito menos sentar” e que o prognostico apontado na epoca era de vida limitada a 15 anos. Nasceu tambem com hidrocefalia, precisando de uma valvula para drenagem, e passou por diversas cirurgias, incluindo um ano inteiro internada na ACD em Sao Paulo, periodo em que aprendeu a ler e escrever com a ajuda da propria mae, que levava as tarefas da escola até o hospital.

Com muita fisioterapia e estimulo, Carla comecou a andar aos tres anos, depois de usar aparelhos para fortalecer as pernas. Hoje pratica natacao desde os 14 anos, tendo competido e conquistado medalhas, e atualmente mantém a atividade como hobby, complementada por musculacao para fortalecer a musculatura das pernas.

A descoberta da alergia ao latex

Durante uma das internacoes, em 1995, o corpo de Carla comecou a apresentar reacoes fortes que os medicos inicialmente confundiram com sarna. A explicacao surgiu por acaso, quando um dos residentes que acompanhava seu caso participou de um congresso nos Estados Unidos e descobriu que se tratava de alergia ao latex, condicao comum em pessoas com mielomeningocele. A partir dali, ficou claro também que a maioria das frutas contém latex, o que explicava por que o consumo de banana, recomendado justamente para conter diarreias, so piorava seu quadro intestinal na infancia. Hoje ela pode comer apenas maca e pera entre as frutas.

O encontro com a nutricao e a virada de chave

Ja adulta, enfrentando gastrite, refluxo, colite e uso de remedios de alto custo, alem de um historico familiar de cancer de intestino, Carla decidiu procurar a amiga de infancia, agora nutricionista. Na primeira consulta, Mayara suspeitou de intolerancia ao gluten e a lactose e propos cortar os dois grupos como teste. O resultado apareceu rapido: “na primeira semana, eu desinchei horrores”, contou Carla, que também parou de tomar medicacao para ansiedade, associada ao proprio desequilibrio intestinal.

A explicacao, segundo Mayara, esta na hipersensibilidade muito forte de Carla ao gluten, que produz sintomas visiveis quase imediatamente, diferente de sensibilidades mais leves. Ao longo de quase dois anos de acompanhamento, o tratamento avancou por tentativa e ajuste: primeiro veio o corte de gluten e lactose, depois a reintroducao cuidadosa de alimentos, e so depois de um ano entrou a suplementacao, incluindo um adaptogeno usado em dias de cansaco extremo.

Do intestino solto as transfusoes de sangue

Um dos pontos mais marcantes da entrevista foi o relato sobre as transfusoes de sangue que Carla precisa fazer com frequencia, decorrentes de uma medula que a propria medica descrevia como “preguicosa”. Mayara reformulou essa ideia: “sua medula nao tinha nutriente suficiente pra produzir”. Apos o acompanhamento nutricional, Carla passou a espacar as transfusoes, chegando a ficar 45 a 60 dias sem precisar do procedimento, o que surpreendeu a propria medica que a acompanha desde a infancia.

A melhora tambem apareceu no intestino, que antes alternava entre episodios de diarreia frequente e outros de ficar até nove dias sem funcionar. Hoje, segundo Carla, o quadro esta regulado. A dupla tambem comentou sobre o excesso de ferro acumulado no coracao e no figado, consequencia das proprias transfusoes, que exige o uso de outro medicamento para eliminar o excedente pela urina, mostrando como cada ajuste no tratamento gera novos desafios a equilibrar.

Habitos, disciplina e o peso da desinformacao

Ao longo da conversa, Mayara reforcou que boa parte das doencas cronicas nao transmissiveis pode ser prevenida com mudanca de habitos, incluindo alimentacao, sono, atividade fisica e cuidado com a saude mental. Ela destacou ainda a relacao entre intestino e outros organos, como o cerebro, explicando por que problemas intestinais tantas vezes vem acompanhados de ansiedade ou processos inflamatorios generalizados no corpo.

Carla foi apontada pela nutricionista como paciente exemplar justamente pela disciplina, algo que ela mesma atribui à propria trajetoria: “eu quero levantar sozinha aos 60 anos”. Hoje ela intercala atividade fisica regular com uma alimentacao mais regrada, mantendo o controle mesmo diante de tentacoes como paes, docinhos ou refeicoes fora de casa, sempre avaliando antes se determinado alimento vale o desconforto que pode gerar depois.

A entrevista terminou reforcando a importancia de nao insistir para que pessoas com restricoes alimentares comam algo fora do que podem, um problema que Carla ja viveu na propria familia, e destacando que dieta, nesses casos, nao é sobre estetica, mas sobre qualidade de vida e prevencao de problemas mais serios no futuro.

Onde encontrar

Você encontra quem participou deste episódio no Instagram: @nutrimayarafortunato e @kvberni.

Resumo do episódio

O episódio recebe a nutricionista Mayara Fortunato e sua paciente Carla Brani, que nasceu com mielomeningocele e hidrocefalia, tendo recebido diagnóstico infantil de que não andaria nem viveria além dos 15 anos. A conversa mostra como problemas intestinais graves, alergia a látex e anemia que exigia transfusões mensais foram amenizados após o corte de glúten e lactose e ajustes nutricionais individualizados. A leitura explica a relação entre intestino, inflamação e outras doenças, o papel da suplementação orientada por exames e a diferença entre dieta temporária e reeducação alimentar permanente.

Principais aprendizados

  • Cortar glúten e lactose sob orientação pode reduzir rapidamente inchaço e sintomas intestinais em pessoas com sensibilidade alimentar.
  • Pessoas com mielomeningocele frequentemente desenvolvem alergia a látex, que também está presente em várias frutas como parte da reação cruzada.
  • A melhora da alimentação pode reduzir a frequência de transfusões de sangue ao favorecer a produção de células pela medula óssea.
  • O intestino tem ligação direta com outros órgãos, incluindo o cérebro, e seu desequilíbrio pode contribuir para ansiedade, depressão e outras doenças.
  • Tratamento nutricional funciona como mudança de hábito para a vida toda, e não como dieta temporária com prazo para terminar.

Perguntas respondidas neste episódio

Como a alimentação pode ajudar em problemas intestinais crônicos como diarreia e inchaço?

Cortar alimentos que causam sensibilidade, como glúten e lactose, pode reduzir rapidamente sintomas como diarreia frequente, inchaço abdominal e infecções urinárias recorrentes. Em um caso relatado, uma semana sem esses alimentos já trouxe desinchamento visível, principalmente na região abdominal. O acompanhamento nutricional individualizado, com testes e ajustes graduais, permite identificar quais alimentos pioram os sintomas e substituí-los por opções que não agridem o intestino.

É verdade que hábitos alimentares podem causar doenças?

Sim, os hábitos alimentares têm relação direta com o desenvolvimento de diversas doenças, incluindo problemas intestinais, alergias e inflamações crônicas. O consumo frequente de alimentos ultraprocessados, com conservantes e estabilizantes, contribui para esse quadro. Também existem fatores genéticos que aumentam a predisposição a certas doenças, mas o que determina se elas realmente se manifestam são principalmente os hábitos diários, incluindo alimentação, sono, hidratação e atividade física.

Fazer dieta significa passar fome?

Não, esse é um pensamento comum mas incorreto. Um acompanhamento nutricional bem feito busca evitar a fome, incluindo refeições completas e variadas, como pratos diversificados no almoço e jantar, além de lanches ao longo do dia para não chegar à noite com fome excessiva, momento em que as pessoas tendem a comer de forma descontrolada. A ideia é montar refeições que gerem saciedade, e não restringir a quantidade de comida de forma extrema.

Qual a diferença entre alergia e intolerância alimentar?

Alergia é uma reação do sistema imunológico que pode ser grave e até colocar a vida em risco, como ocorre com alergia a látex ou peixe, exigindo cuidado total com contaminação cruzada. Já a intolerância, como no caso da sensibilidade ao glúten sem ser doença celíaca, causa sintomas fortes mas não é uma reação alérgica classificada como doença celíaca, que exige corte total e rígido do alimento. Pessoas com hipersensibilidade sentem sintomas intensos mesmo sem ter a doença celíaca propriamente dita.

Como preparar a alimentação antes de engravidar?

A preparação nutricional para uma gestação deve começar cerca de um ano antes da concepção, período em que o óvulo está maturando. É importante elevar os níveis de nutrientes como magnésio, zinco, vitamina D e B12, além de eliminar substâncias que podem prejudicar o desenvolvimento do bebê. Mesmo em gestações não planejadas, iniciar a suplementação de ácido fólico assim que se descobre a gravidez também é orientado pelos médicos.

A dieta consegue prevenir doenças graves?

Sim, uma parcela muito grande das mortes por doenças crônicas não transmissíveis pode ser evitada através de hábitos alimentares adequados. Essas doenças não são transmitidas de pessoa para pessoa, mas desenvolvidas pelo próprio corpo em função de hábitos ao longo da vida. Isso reforça que, embora existam fatores genéticos de predisposição, o estilo de vida e a alimentação têm papel determinante na manifestação ou prevenção dessas condições.

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Este texto foi gerado por Inteligência Artificial com base na transcrição do episódio do AdamiCast.