Murilo Zara é repórter da TV Fronteira, afiliada da Rede Globo em Presidente Prudente, cobrindo 56 municípios do Oeste Paulista. Foi convidado do episódio 92 do AdamiCast, gravado em 1º de março de 2022, num feriadão de carnaval, presencialmente em Dracena. Murilo veio de Prudente pra conversar sobre 19 anos de carreira, fake news, pandemia nos bastidores do jornalismo e matérias que ganharam rede nacional.
Prudentino de berço, jornalista por profecia
Murilo nasceu e cresceu em Presidente Prudente, no bairro do Bosque e redondezas da Maristela. A mãe, professora de português, estimulou desde cedo a leitura e a escrita. Foi uma professora da primeira série, dona Cecília, quem primeiro apostou nele como jornalista, depois de se impressionar com os textos do menino ainda criança. A ideia de fazer jornalismo se consolidou no terceiro colegial, embalada pelas aulas de redação e pela paixão por humanas. A faculdade veio longe: Universidade Estadual de Londrina, no Paraná. Formou-se em 2004, depois de uma greve histórica que bagunçou o calendário acadêmico.
Ponta Grossa, a escolha pela rua, e a virada pra afiliada Globo
De volta a Prudente, Murilo soube de um concurso pra uma TV municipal em Ponta Grossa, Paraná. Foi quase sem compromisso. Passou em segundo lugar; das oito vagas, escolheu uma das quatro de repórter. Foram quase oito anos em Ponta Grossa. A escolha pela rua foi consciente: ele sempre quis ser repórter, não editor nem produtor, porque acreditava que o jornalista de rua desenvolve um feeling diferente no trato com o povo e na apuração.
Quando viu gente acomodada em serviço público há décadas, decidiu tentar algo maior. Montou um portfólio num DVD com reportagens próprias e saiu distribuindo currículo. Em menos de um mês, o gerente de jornalismo da TV Fronteira ligou: tinha aberto uma vaga, e era dele. Saiu às pressas, pediu exoneração, voltou pra Prudente. Em junho de 2022 a TV Fronteira completaria 11 anos na carreira dele. A afiliada da Globo cobre 56 municípios, com equipe fixa em Dracena (Mariane, Claudinei e o Carlão, de Junqueirópolis). Murilo vem cobrir férias e pautas grandes com frequência.
A rua, os fatos e o combate à fake news
A escolha pela rua virou filosofia. Jornalismo, pra ele, é feito com pessoas e por pessoas. Repórter tem que ir ao cemitério no sábado se a pauta pede, tem que ouvir quem está há cinco anos esperando uma cirurgia, tem que entrar na casa da pessoa e chorar junto. O critério editorial é fato, não juízo: a matéria diz que o cidadão foi preso com tantos quilos de entorpecente, segundo a polícia. Quem assiste interpreta como quiser.
Fake news, pra Murilo, não existe em televisão: o repórter assina embaixo, a emissora responde judicialmente. Ele conta dois casos. Uma tia em Regente Feijó recebeu a notícia de que ele próprio tinha morrido a facadas: era mistura de duas matérias diferentes, uma sobre uma pessoa assassinada e outra com a imagem dele. Outro caso, de um amigo em São José do Rio Preto que ligou pra mãe fingindo ter batido o carro a 215 km/h pra arrancar dinheiro. O irmão correu até o apartamento, o avô do colega soube da história e passou mal com pico de pressão.
Pandemia, primeiro enterro por COVID, e matérias que ganharam o Brasil
Durante a pandemia, Murilo perdeu 21 kg e não viu o sobrinho recém-nascido em São Paulo. Acompanhou de perto o primeiro enterro por COVID na região, no cemitério São João Batista em Dracena: corpo lacrado, translado pra Prudente, cobertura de longe, sem entrar no cemitério. Jornalista foi classificado como serviço essencial e continuou na rua. A solução caseira foi adaptar um pedestal de microfone velho como suporte pra entrevistas com mais distância.
Fora da pandemia, Murilo também colocou na rua pautas que viraram matérias de rede nacional. Em Teodoro Sampaio, acompanhou o projeto Corredores de Vida, que liga fragmentos de mata preservada em fazendas diferentes pra permitir a circulação de animais entre áreas isoladas. O projeto já recebeu prêmios no mundo inteiro. Outra matéria emblemática foi sobre as antas da Mata Atlântica, que ele e a equipe conseguiram filmar ao lado do gerente do parque. Ambas passaram no Jornal Nacional, no Globo Rural e no Antena Paulista.
O Murilo por trás do repórter
Fora do plantão, Murilo é fã de rock, apreciador de cerveja artesanal e quebra-cabeças (chega a montar peças de até 6 mil). Foi ao show do Paul McCartney em São Paulo e descreve a experiência de 60 mil pessoas cantando Hey Jude como algo inesquecível. Foi em show do Guns N’ Roses com Slash e Duff e ficou impressionado com o solo do Poderoso Chefão virando Sweet Child O’ Mine. Faz parte de uma geração que descobriu banda via Napster.
Onde encontrar + nota sobre o episódio
O episódio 92 do AdamiCast foi gravado em 1º de março de 2022, num feriadão de carnaval, presencialmente em Dracena. Murilo Zara veio de Presidente Prudente especialmente pra participar. Pra acompanhar o trabalho dele: @murilozara no Instagram. Pra acompanhar a TV Fronteira, afiliada da Globo em Presidente Prudente que cobre os 56 municípios do Oeste Paulista, incluindo Dracena. O episódio completo está no YouTube e no Spotify.
Resumo do episódio
Murilo Zara, repórter da TV Fronteira há 19 anos, relata sua trajetória desde Presidente Prudente, passando por Ponta Grossa, até consolidar-se cobrindo 56 municípios do Oeste Paulista. O episódio discute sua filosofia de jornalismo de rua, o combate às fake news, os desafios durante a pandemia de COVID-19 e reportagens que alcançaram cobertura nacional sobre meio ambiente e preservação da vida selvagem.
Principais aprendizados
- Repórteres de rua desenvolvem um feeling diferente no trato com o povo e na apuração de informações em relação a profissionais que trabalham em outros setores do jornalismo.
- Em televisão, fake news não existe da mesma forma que em redes sociais porque o repórter assina embaixo e a emissora responde judicialmente.
- O jornalista é classificado como serviço essencial e continua na rua mesmo durante crises sanitárias como a pandemia.
- A apuração jornalística deve focar em fatos verificados, deixando a interpretação para o público assistidor.
- Matérias locais sobre projetos ambientais e preservação da vida selvagem podem alcançar cobertura nacional em programas como Jornal Nacional e Globo Rural.
Perguntas respondidas neste episódio
Por que um jornalista deve escolher trabalhar na rua como repórter?
O repórter de rua desenvolve um feeling diferente no trato com o povo e na apuração. O trabalho envolve ir onde a pauta exige, ouvir as pessoas em suas realidades e entrar no contexto real dos fatos, o que proporciona uma compreensão mais profunda da notícia.
Como funciona a cobertura de fake news em televisão?
Em televisão, fake news não existe da mesma forma que em redes sociais. O repórter assina embaixo de cada matéria e a emissora responde judicialmente pela informação veiculada, o que garante responsabilidade e verificação prévia dos dados.
Qual foi o impacto da pandemia COVID-19 no trabalho do jornalista de rua?
Durante a pandemia, jornalistas continuaram trabalhando na rua por serem classificados como serviço essencial. Houve adaptações como distanciar-se mais dos entrevistados, usar equipamentos de proteção improvisados e evitar aglomerações, enquanto se mantinha a cobertura de eventos como funerais de vítimas de COVID.
Este texto foi gerado por Inteligência Artificial com base na transcrição do episódio do AdamiCast.