#324

Medicina esportiva e vida ativa: a historia do Dr. Heleno e do Dr. Marcelo | #324

16 de julho de 2024 • 6 min de leitura

Este texto vem do episódio #324 do AdamiCast

O AdamiCast recebeu de volta dois nomes que já haviam passado pelo podcast individualmente: o ortopedista Dr. Heleno e o Dr. Marcelo, parceiros de trabalho na medicina esportiva e também companheiros de treino fora do consultório. Dessa vez o encontro juntou os dois numa conversa só, misturando cirurgia, prevenção de lesões e as histórias pessoais de quem vive o esporte tanto como profissão quanto como paixão.

Do judô ao ciclismo, da bola de rua à corrida

Antes de falar de bisturi, os dois contaram como o esporte entrou na vida de cada um. Heleno resumiu uma trajetória e tanto: “eu comecei no judô com 5 anos. Aí depois fui fazer prova de laço, prova de cavalo, baliza e tambor. E depois fui pro kart, joguei tênis. E agora tô focado no ciclismo”. Já Marcelo veio pelo caminho da bola, sem nunca ter sido, nas próprias palavras, um bom jogador, até migrar para a corrida de rua durante a residência médica, quando a esposa Carla o levou para o mundo da natação e, depois, do triatlo. Os dois relembraram também uma época em que jogaram futebol juntos no time Real Matismo, brincadeira de nome que arrancou risadas no estúdio.

A cabeça de quem sabe o que pode dar errado

Ser médico muda a forma de encarar o próprio esporte. Heleno resumiu bem: “a ignorância é uma benção. O cara que tá lá correndo à toa na rua, ele não sabe o que pode acontecer com ele”. Para eles, que enxergam cada lesão possível antes de ela acontecer, isso significa saber dosar o esforço e reconhecer quando parar. Marcelo contou que em algumas provas escolhe conscientemente não ultrapassar certo limite, pensando numa prova alvo mais importante lá na frente, mesmo sabendo que poderia ir além naquele momento específico.

Fratura por estresse, overtraining e o perigo do fim de semana

Um dos pontos centrais da conversa foi o alerta sobre lesões por sobrecarga, diferentes das traumáticas. Heleno explicou que a fratura por estresse não muda a arquitetura do osso, mas gera microtraumas internos que só aparecem através da dor. O caso citado como exemplo foi o da esposa do Giovanni Bottasso, que teria sofrido esse tipo de lesão ao intensificar demais o treino de corrida sem o devido condicionamento. Os dois insistiram na importância de equipamento adequado, treino regenerativo e respeito aos dias de descanso, algo que muita gente ignora justamente por empolgação com a evolução da performance. O tema do “atleta de fim de semana” também apareceu forte, com o exemplo do beach tênis, esporte em alta que, segundo eles, costuma ser praticado sem preparo nenhum, ao contrário de modalidades como o crossfit, em que o instrutor avalia o aluno antes de liberar qualquer movimento.

Bike fit, banco de bicicleta e o tênis de placa de carbono

No ciclismo, um dos maiores vilões das lesões, segundo Heleno, é a falta de bike fit, o ajuste da bicicleta à ergonomia do corpo de cada ciclista. Ele contou que até o banco é específico, variando conforme a largura da bacia e a modalidade praticada, e que o formato do quadro muda entre mountain bike, ciclismo de estrada e triatlo. Já na corrida, o assunto que gerou risada no estúdio foi o tênis com placa de carbono, hoje na moda. Heleno relatou ter dado um desses tênis de presente para Pedro Adami antes de uma prova, o que resultou em dores generalizadas no dia seguinte, já que o equipamento só traz benefício real para quem já tem um condicionamento e uma velocidade de corrida compatíveis.

Joelho, cotovelo e a coluna, o mal da sociedade

Sobre as lesões mais comuns no consultório, os médicos foram diretos: o beach tênis trouxe uma onda de epicondilite (dor lateral no cotovelo) e problemas de tornozelo, enquanto no futebol o joelho lidera disparado, com lesões ligamentares e meniscais. Mas o problema mais democrático, que atinge atleta e sedentário igualmente, é a coluna. Marcelo comentou uma mudança que observa há anos no consultório: hoje aparecem adolescentes com queixas de coluna que praticamente não existiam há uma década, atribuindo isso ao sedentarismo ligado a celular e computador. Os dois lembraram que os avós faziam em média 10 mil passos por dia, número que a geração atual está longe de alcançar.

Covid, dengue e o impacto no condicionamento físico

A conversa passou também pelas sequelas atípicas que a Covid deixou em pacientes ortopédicos. Heleno relatou um aumento expressivo nos casos de necrose da cabeça do fêmur, que exigiram prótese de quadril, atribuído a distúrbios de coagulação provocados pelo vírus. Ele destacou que o índice desse tipo de cirurgia decorrente de complicação pós Covid chegou a mais de 200% em relação ao habitual. Ambos reforçaram que mesmo uma atividade física leve durante o período mais crítico da pandemia ajudava a manter o sistema imunológico mais preparado, reduzindo a chance de sequelas.

Do Ironman ao kart, as provas que marcaram

Ao relembrar as experiências esportivas mais marcantes, Marcelo citou sem hesitar o Ironman completo que fez em 2018, destacando que o valor da prova está em toda a trajetória de preparo, não apenas no dia da competição. Heleno, por sua vez, falou sobre sua participação na Corrida das Estrelas de kart, disputada por doze horas em revezamento com equipes que incluíam pilotos ligados à Stock Car, garantindo um segundo lugar depois que a equipe favorita ficou sem combustível faltando minutos para o fim. Os dois concordaram que o desafio mental de encarar provas de longa duração é o que realmente separa quem persiste de quem desiste, citando o exemplo do nadador Bruno Fratus, medalhista olímpico, como referência de dedicação e maturidade para reconhecer os próprios limites.

A conversa terminou com os médicos reforçando o convite para quem quer começar a se exercitar buscar orientação profissional antes de qualquer dor aparecer, tratando a prevenção como parte tão importante da rotina esportiva quanto o próprio treino. Entre boas risadas sobre provas, tênis e bicicletas, ficou claro que para os dois o esporte é, antes de tudo, um estilo de vida construído com paciência.

Onde encontrar

Você encontra quem participou deste episódio no Instagram: @ortopedistadrhelenoneto e @mansano42.

Resumo do episódio

O episódio reúne os médicos Heleno e Marcelo, ortopedistas especializados em medicina esportiva e praticantes de ciclismo e corrida, respectivamente, para falar sobre prevenção de lesões, preparo físico e tratamentos na área ortopédica esportiva. Eles explicam como o corpo precisa de condicionamento gradual antes de praticar esportes como beach tênis, ciclismo e corrida, destacam a importância de equipamentos adequados como bike fit e tênis de corrida, e comentam sobre os efeitos que a Covid-19 deixou no sistema musculoesquelético dos pacientes. Também compartilham experiências pessoais em provas de longa duração, como Ironman e ultramaratonas de bicicleta, e discutem a diferença entre dor normal de treino e sinais de lesão.

Principais aprendizados

  • Antes de começar qualquer esporte é recomendado fazer avaliação cardiológica e exames de sangue para não ser pego desprevenido em relação a condições não percebidas no dia a dia.
  • O bike fit, ajuste da bicicleta conforme a ergonomia do corpo, é essencial para evitar lesões e deve ser feito antes de começar a pedalar regularmente.
  • Tênis com placa de carbono só trazem benefício real para quem já corre acima de determinada velocidade e tem condicionamento muscular adequado, podendo aumentar o risco de lesão em iniciantes.
  • Dor que obriga a reduzir a carga ou o desempenho de forma progressiva é sinal de alerta diferente da fadiga muscular normal, que passa em um ou dois dias de descanso.
  • A Covid-19 provocou alterações ortopédicas atípicas para uma doença respiratória, incluindo aumento expressivo de casos de necrose da cabeça do fêmur ligados a distúrbios de coagulação.

Perguntas respondidas neste episódio

Como evitar lesão ao começar a andar de bicicleta?

O primeiro passo é levar a bicicleta a uma bicicletaria para fazer o ajuste conhecido como bike fit, que adequa o equipamento à ergonomia do corpo, incluindo o banco, que varia conforme a largura da bacia de cada pessoa. Depois disso, o ideal é aumentar o tempo de pedalada de forma gradual, intercalando dias de descanso, para que o corpo vá se condicionando sem sobrecarregar a musculatura de uma vez.

Vale a pena usar tênis de corrida com placa de carbono para quem está começando?

Não é recomendado para quem está começando. Esse tipo de tênis impulsiona o corredor de forma perceptível, mas isso exige que a musculatura já esteja preparada para absorver esse impulso. Estudos mostram que o benefício real desse equipamento aparece principalmente em quem corre acima de certa velocidade, como abaixo de 5 minutos por quilômetro. Para quem corre mais devagar ou está começando, o tênis é mais caro e aumenta a chance de lesão sem trazer ganho de performance proporcional.

Como saber se a dor durante o treino é normal ou sinal de lesão?

Existe diferença entre a dorzinha de fadiga muscular, que passa em um ou dois dias de descanso e não impede repetir o movimento, e uma dor que obriga reduzir cada vez mais a carga ou o desempenho, chamada de limitação funcional progressiva. Quando a pessoa percebe que precisa diminuir peso, ritmo ou repetições repetidamente, ou que a dor está mudando o padrão do treino, isso é considerado sinal de alerta de que algo está errado e pode estar surgindo uma lesão.

Por que iniciantes em esportes como beach tênis se lesionam tanto?

O problema é que muitas pessoas praticam esportes como beach tênis sem nenhuma orientação de treinador e sem condicionamento prévio, tratando a atividade como brincadeira mesmo jogando várias vezes por semana com intensidade. Diferente de modalidades como o crossfit, onde o treinador avalia o praticante antes de liberar os movimentos, no beach tênis muita gente já começa jogando forte sem preparo de alongamento e fortalecimento, principalmente da musculatura do tornozelo, o que gera lesões.

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Este texto foi gerado por Inteligência Artificial com base na transcrição do episódio do AdamiCast.