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De vendedor de ótica a lunetier premiado: a história de Diego Rafanelli | #466

07 de maio de 2026 • 8 min de leitura

Este texto vem do episódio #466 do AdamiCast

Diego Rafanelli passou 15 anos dentro do mundo ótico. Vendeu óculos, montou óculos, representou marcas, fez curso técnico de motocicleta até Londrina uma vez por mês, virou optometrista. Fez tudo que existe pra fazer dentro desse ramo. Só não tinha descoberto ainda o que ficava gritando lá dentro: ele queria fabricar. Não montar, não vender. Fabricar. Com as mãos. Do zero. E quando descobriu que isso existia, que havia uma arte chamada luneteria artesanal, que dava pra pegar uma placa de acetato e transformar num óculos único, feito pra um rosto específico, a conta fechou de uma vez. Em 2026, com dois meses de prática, ele entrou na maior feira ótica da América Latina e saiu de lá com dois prêmios.

15 anos de ótica e a sensação de que faltava algo

Começou com 16 anos num lugar que vendia óculos e joias. O passatempo dele, quando não estava montando armações, era fundir ouro e fazer alianças. Já naquela época a coisa manual falava mais alto. Mas a ótica chamou mais, parecia mais promissora, e ele foi por ali. Montador, vendedor, representante comercial, palestrante de treinamento, técnico, optometrista bacharel. Passou por tudo.

Tinha um talento que a Larissa, sua esposa, sempre notou: olhava uma armação de longe e sabia qual lente encaixava sem cortar. Formato, proporção. Um jeito de ver que ia além da técnica. Mas vender óculos de fábrica, coisa produzida em série pra um rosto europeu padrão, nunca foi exatamente aquilo. Era paixão de 30 anos de casado, como ele mesmo definiu. Funcionava, pagava conta, mas não disparava o coração.

O DNA que veio de longe

Quando foi pesquisar a história da família, as peças se encaixaram. Descendente de italianos, descobriu que lá atrás tinha um que fazia sapato artesanal e um alfaiate de terno de alto renome. Todos com as mãos dentro da matéria. “Cara, então isso tá no meu DNA.” Não era bobeira de cabeça. Era algo que vinha de antes.

Esse entendimento chegou junto com um vídeo que apareceu no TikTok: dois irmãos italianos fazendo óculos à mão. Diego ficou vendo o mesmo vídeo várias vezes, baixou, ficou traduzindo o italiano na unha. Não tinha IA pra ajudar na época. Queria entender cada gesto. Sabia que o processo deles ainda usava maquinário semiautomático, mas a faísca tinha acendido.

Felipe Diniz: o brasileiro que foi aprender em Lyon

Depois de um curso online que não saciou a fome, Diego começou a seguir um aluno que evoluiu rápido demais. Rastreou de onde vinha aquele progresso e chegou num nome: Felipe Diniz. Foi investigar quem era esse ser humano.

Felipe Diniz é baiano. Entrou como designer numa fábrica de óculos na Bahia e descobriu que em Lyon, na França, berço da artesania mundial, existia uma tradição de luneteria completamente artesanal que ia sendo engolida pelos processos industriais. A fábrica fechou. Felipe pegou uma mochila, chegou em Lyon sem falar uma palavra de francês e foi bater de porta em porta. Um dia alguém aceitou ele como aprendiz. Aprendeu na mímica, interpretando gestos. Com o tempo, foi contratado pela Opal, a maior fábrica de óculos da Europa, e se tornou o designer principal. Ganhou o prêmio de Lyon, o mais importante do setor, mais de duas vezes. Ganhou o Love Awards na Inglaterra.

Mais do que isso: Felipe resgatou a técnica artesanal que estava morrendo e trouxe ela de volta através de um curso online. Ensinando do outro lado do Atlântico que é possível fazer óculos artesanais no Brasil sem precisar de maquinário industrial pesado.

Uma semana. Um óculos. Um dom encontrado

Diego entrou na terceira turma do Felipe Diniz. Em uma semana e meia, entregou o primeiro óculos. Um modelo feminino de sol, com vários defeitos técnicos que só ele mesmo consegue enxergar, mas que saiu. Felipe respondeu: “Cara, teu óculos tá incrível.” Foi a confirmação. “Acho que eu tenho um dom. Acho que eu achei.”

Depois disso, foi produzindo, errando, desenvolvendo. Aprendeu sobre acetato de celulose, o melhor material para óculos que existe no mundo, fabricado desde 1840 pela Mazukelli na Itália, derivado de árvore e papel, antialérgico, flexível, capaz de fusão molecular. Duas placas encostadas com o processo certo se tornam uma peça só. Você passa o dedo, não sente a emenda.

O óculos que acordou Diego de madrugada

Quando decidiu participar dos concursos da ExpoÓtica 2026, tinha dois projetos na cabeça. O óculos marrom com 158 mm de frente, feito pra caber na sua cabeça grande numa feira que produz óculos pra rostos europeus padrão de 145 mm. E o óculos inspirado no Interceptor do Mad Max, com frisos de saída de ar, um trabalho conceitual de dificuldade técnica extrema.

Faltando poucos dias pra inscrição, dormiu, acordou no sábado de manhã com um óculos novo na cabeça. Foi pra oficina. Começou a desenhar do zero: frente em acetato azul, detalhes em preto, colagem em camadas. Cada colagem leva 24 horas pra secar. Eram quatro colagens. A Larissa chegou no processo, olhou e sugeriu um friso preto acompanhando a lateral da haste. Diego olhou, viu o óculos pronto na cabeça, e sabia que agora não ia dormir enquanto não fizesse. Aquela colagem de superfície na haste, curva, não reta, mais difícil ainda, quase o fez desistir quando apareceu uma bolha que só ele conseguia ver. Refez duas vezes. Ficou perfeito.

Terminou os três óculos, bateu as fotos às 10 da noite em cima da bancada de maquiagem da Larissa, com dois ring lights e papel sulfite como fundo branco, e mandou. Sem edição. “Se não ganhar pelo óculos, ganho pela parede.”

Dois prêmios, uma noite, primeiro brasileiro

Na feira, a um dia da cerimônia, cruzou com Caito Maia, fundador da Chili Beans, andando sozinho por um corredor. Diego chamou, contou que tava concorrendo a um prêmio de design de óculos feito à mão. Caito pediu pra ver. Foram juntos. Felipe Diniz estava lá demonstrando cortes ao vivo. Em minutos, o espaço lotou. Diego ficou atrás, vendo cena se montar ao redor do trabalho que era dele.

Na premiação do Novos Lunetiers, o telão abriu com o óculos azul e preto. Nome: Diego Rafanelli. Melhor Criação. Subiu no palco com fone de ouvido porque a feira continuava barulhando em volta. Tentou falar o discurso que tinha preparado. Não conseguiu. Chorou. Depois disso ficou conhecido entre a galera como “o chorão”.

No dia seguinte, trocou a passagem de ônibus de volta pra Dracena pra poder ficar. Era a premiação do A Highlight, o concurso de caráter internacional. Sentou na frente. O Hernan, criador do prêmio, subiu ao palco. Era ele também conhecido por chorar nas apresentações. Diego antecipou: “Vai ter lágrima aqui, viu?” Saiu o nome. Subiu chorando. Cumprimentou o Hernan que também chorava. Dois prêmios. Mesmo óculos. Primeiro brasileiro a conseguir isso.

A alfaiataria do rosto: óculos feito sob medida

Um óculos de luxo produzido em fábrica sai em 5.000 ou 10.000 unidades idênticas, calibrado pra um rosto europeu padrão. Quando esse óculos chega num rosto diferente, ou muito grande, ou com medida de têmporas muito diferente da fronte, o resultado aparece: fica enorme do lado, pequeno na frente, ou aperta no lugar errado.

O trabalho de luneteria sob medida começa com fotos técnicas do rosto. Distância entre os olhos, altura do nariz, largura da fronte, medida de têmporas, posição da maçã do rosto quando a pessoa ri. Uma pessoa com bochechas elevadas precisa de uma foto sorrindo pra o óculos não levantar. Essas medidas entram num processo de visagismo: qual formato valoriza o rosto, quais cores combinam com o tom de pele e o estilo de cabelo, pra que ocasião vai ser usado.

Quem sofre mais são os míopes de alto grau, com lentes de borda espessa que o mercado foi abandonando porque não é um público grande o suficiente pra justificar linha de produção. Diego faz o inverso: diminui a lente, aumenta a massa da armação, esconde a espessura, entrega um óculos que o míope pode usar com orgulho. O cunhado da Larissa, que mora no Rio Grande do Sul e tem 12 graus de miopia, vai receber um óculos redondo laranja com azul. Nunca acharia isso numa prateleira.

Onde encontrar Diego Rafanelli

Pedidos, dúvidas e o processo de encomenda do óculos sob medida estão no Instagram: @diego_rafanelli.

Resumo do episódio

Diego Rafanelli passou 15 anos vendendo e montando óculos convencionais até descobrir a luneteria artesanal, uma técnica de fabricação manual de óculos sob medida. Após estudar com Felipe Diniz, um brasileiro que resgatou a tradição artesanal em Lyon, Diego desenvolveu sua própria técnica em acetato de celulose e, com apenas dois meses de prática, conquistou dois prêmios internacionais na ExpoÓtica 2026, tornando-se o primeiro brasileiro a vencer simultaneamente as categorias Novos Lunetiers e A Highlight com o mesmo óculos.

Principais aprendizados

  • A luneteria artesanal transforma uma placa de acetato em um óculos único feito especificamente para o rosto de uma pessoa, diferente da produção em série industrial.
  • Acetato de celulose, fabricado desde 1840 pela Mazukelli na Itália e derivado de árvore e papel, é o melhor material para óculos artesanais por ser antialérgico, flexível e capaz de fusão molecular.
  • O visagismo mede distância entre olhos, altura do nariz, largura da fronte, posição da maçã do rosto e analisa proporções para determinar qual formato e cor valorizam cada rosto.
  • Míopes de alto grau são frequentemente abandonados pela indústria por não justificarem linhas de produção, mas a luneteria artesanal permite esconder a espessura das lentes aumentando a massa da armação.
  • Felipe Diniz resgatou a tradição artesanal que estava morrendo em Lyon, França, e a trouxe de volta através de um curso online que ensina fabricação de óculos artesanais no Brasil sem maquinário industrial pesado.

Perguntas respondidas neste episódio

Como funciona a confecção de um óculos artesanal sob medida?

O processo começa com fotos técnicas do rosto medindo distância entre olhos, altura do nariz, largura da fronte, medida de têmporas e posição da maçã do rosto. Essas medidas entram num processo de visagismo para determinar qual formato valoriza o rosto e quais cores combinam com a pele e estilo. O óculos é então confeccionado em acetato de celulose, material que permite fusão molecular entre as peças.

Qual é a diferença entre óculos de fábrica e óculos artesanal?

Um óculos de luxo produzido em fábrica sai em 5.000 ou 10.000 unidades idênticas, calibrado para um rosto europeu padrão. Quando chega em um rosto diferente, muito grande ou com medidas de têmporas muito diferentes da fronte, o resultado fica enorme do lado, pequeno na frente, ou aperta no lugar errado. O óculos artesanal é feito especificamente para cada rosto.

Como Diego aprendeu a técnica de luneteria artesanal?

Diego entrou em um curso online com Felipe Diniz, um brasileiro que aprendeu a técnica em Lyon, na França, batendo de porta em porta até um mestre aceitar ele como aprendiz. Felipe resgatou a tradição artesanal que estava morrendo e a trouxe de volta através do curso online, ensinando que é possível fazer óculos artesanais no Brasil sem maquinário industrial pesado.

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Este texto foi gerado por Inteligência Artificial com base na transcrição do episódio do AdamiCast.