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Léia Rocha: a magrinha que virou educadora física e mudou mulheres em Parapuã | #171

15 de novembro de 2022 • 8 min de leitura

Este texto vem do episódio #171 do AdamiCast

Quando Léia Rocha entrou em um banco de Parapuã, no interior de São Paulo, aos 18 anos, os colegas de trabalho a chamavam de “mocinha”, de tão magrinha que ela era. Quinze anos depois, depois de trabalhar onze anos no banco, dois anos na Sabesp e de se formar em Educação Física há pouco mais de um ano, ela atende como personal trainer com 99% de clientela feminina, sendo que a maioria absoluta dessas mulheres nunca tinha pisado em uma academia até chegar nela. A história foi contada por ela no episódio #171 do AdamiCast, gravado em novembro de 2022.

Ao longo de quase três horas de conversa, Léia mostrou que, para ela, o exercício físico sempre foi menos sobre performance e mais sobre acolhimento. É o que aparece nos casos do cotidiano: a Pâmela, que perdeu quinze quilos em setenta dias sem dieta, só reeducação alimentar; a Larissa, que perdeu doze e está prestes a realizar o próprio sonho; o Osmar, um dos dois alunos homens, que perdeu dezessete quilos e virou parte do grupo. E o que aparece também na sua própria história, que mistura máscara de magrinha, carreira em banco, medo de largar tudo, e uma virada que veio tarde, aos trinta e poucos anos, mas veio.

Da mocinha do banco à educadora física: 15 anos de treino, 13 de carreira paralela

Léia nunca gostou de ser magrinha. Na infância e na adolescência, ela buscava formas de ganhar peso, sem sucesso, porque o metabolismo aceleradíssimo não colaborava. “Todo mundo falava: você vai voar, você já é magrinha.” Ela começou a treinar aos 20 anos, em 2007, e, nos dois primeiros meses, ganhou dois quilos, o que para ela foi uma revolução. Oito anos depois, em 2015, percebeu que a prática tinha virado ofício, e que precisava de formação, e decidiu cursar Educação Física. Mas, em vez de largar o emprego, esperou: terminou a graduação em 2021 e, só depois, pediu demissão do banco, onde estava há onze anos.

A demora não foi por falta de vontade, foi por medo. “Você está ganhando bem, está bonitinho, registrado.” A frase, que ela ouvia de colegas e de si mesma, é o obstáculo mais comum entre quem quer mudar de carreira depois dos trinta. Só quando ela pôde enxergar o tamanho do sonho que estava deixando de lado é que a decisão veio. A faculdade, o mestrado em Ciência Animal que o Gui do #169 fez, a certificação de personal, o início do atendimento em casa, foram acontecendo em camadas, e cada uma tirou um pouco do peso da decisão final. Hoje, ela diz, é a vida que ela quer.

Um refúgio para mulheres que nunca pisaram em academia

O formato do atendimento é simples e foi pensado para o público dela: grupos de até quatro pessoas, com horários marcados e conversas durante o treino. Em uma cidade pequena como Parapuã, e na região de Dracena, onde o marido não acompanha na academia por ciúmes ou por rotina, ter um espaço só de mulheres não é detalhe, é condição de acesso. “Tem alunas que o marido nunca deixou ela treinar. Quando o foco é 99% mulher, você vê que elas precisavam disso, mas não era possível dentro de casa.” A academia, para essas mulheres, vira o que ela chama de “espaço seguro”: um lugar onde elas podem falar da vida, desabafar, e sair transformadas, não só no corpo.

A composição do público confirma o diagnóstico: segundo Léia, cerca de 90% das meninas que treinam com ela nunca tinham feito academia antes. É gente que chega sem saber o que é carga, sem saber o que é execução, e que descobre, aos poucos, que o treino não é castigo. “Se você não gostar em três meses, você sai. Mas você vai ver mudanças.” A frase é parte do script de acolhimento, e os resultados que ela cita vão na mesma direção: Pâmela perdeu quinze quilos em setenta dias, sem dieta formal, apenas com reeducação alimentar; a Larissa perdeu doze; o Osmar, um dos raros homens, perdeu dezessete.

200 kg de agachamento e o caminho do fisiculturismo

A própria Léia tem uma história de força que impressiona. Em um treino coletivo com o parceiro de treino Luciano, ela chegou a agachar 200 kg e ele 210. O supino dela passou de 150 kg. São números de fisiculturismo, e ela os trata como parte do mesmo projeto que faz com as alunas: mostrar que o treino pesado, orientado e constante, transforma qualquer corpo. Hoje, ela tem 15% de gordura corporal, e a meta é voltar a competir. A primeira competição foi em 2017, em Santa Catarina; depois, as finanças e a doença do pai tiraram ela do circuito, mas o plano é voltar em 2023, com mais estrutura.

Para isso, ela faz uma dieta de restrição “comida de verdade”, com preparação que exige disciplina de tempo, e não de fome. “Eu como marmita. Mesmo em churrasco, eu levo minha marmita. Não é só força de vontade, é saber o que está em jogo.” A frase vale para ela e para as alunas, e tem tudo a ver com a forma como ela enxerga o ofício. Não é a personal gritando dentro da academia, é a personal que entende que a aluna está numa fase difícil da vida, oferece um chá, e só depois fala de carga.

A saúde mental como ponto de virada

Uma das passagens mais marcantes do episódio é quando Léia fala da Pâmela, uma aluna evangélica que chegou na academia ansiosa, depressiva, com roupas que não serviam mais. “Ela se sentia mal em qualquer lugar. Quando viu que eram só mulheres, voltou.” Em setenta dias, perdeu quinze quilos, sem dieta, apenas com reeducação alimentar. Hoje, vai começar um acompanhamento de três meses, com personal, para melhorar ainda mais. É a história que Léia mais gosta de contar, porque mostra o que a musculação pode fazer quando o ambiente é certo.

“Quase tudo é psicológico”, ela repete mais de uma vez, e a frase não é lugar-comum. É a tese de quem viu, no consultório e na academia, a ansiedade desarmar com uma série de repetições, e a depressão melhorar com uma conversa durante o agachamento. Para Léia, o treino é “recarga do celular”, e o que ela oferece para as alunas é, antes de tudo, um lugar onde elas podem ser elas mesmas. “Elas chegam cabisbaixas e saem rindo. Eu sei que é difícil, mas eu sei que funciona.”

Onde encontrar

Léia Rocha atende como educadora física e personal trainer em Parapuã, SP, com turmas de até quatro pessoas por horário e foco em clientela feminina. O atendimento é presencial, com agendamento direto pelo Instagram, e inclui treino, orientação de alimentação e acompanhamento de evolução. Para agendar avaliação ou conhecer o trabalho, siga o Instagram @leiarocha17.

Resumo do episódio

Léia Rocha mudou de carreira aos trinta e poucos anos, saindo de um banco após 11 anos para se tornar educadora física e personal trainer. Ela atende 99% mulheres em Parapuã, a maioria que nunca havia pisado em academia, criando um espaço seguro onde o exercício físico funciona como acolhimento e ferramenta de transformação psicológica, com resultados concretos de peso, força e saúde mental.

Principais aprendizados

  • O medo de largar a segurança financeira é o principal obstáculo para quem deseja mudar de carreira depois dos trinta anos.
  • Mulheres em cidades pequenas podem não acessar academia por barreiras sociais como ciúmes ou rotina dos parceiros, tornando um espaço exclusivamente feminino uma condição de acesso.
  • O ambiente seguro onde as alunas podem falar da vida e desabafar é tão importante quanto o próprio exercício para gerar transformação.
  • Treino pesado orientado e constante transforma qualquer corpo, desde iniciantes até atletas competitivos de fisiculturismo.
  • A educação alimentar sem dieta formal pode gerar resultados significativos de perda de peso em curto prazo quando combinada com exercício regular.

Perguntas respondidas neste episódio

Como começar em academia sem nunca ter ido antes?

O treino é apresentado como não sendo castigo. Inicia-se aprendendo conceitos básicos como carga e execução, com acompanhamento próximo. Os grupos são pequenos, de até quatro pessoas, com horários marcados e conversas durante o treino para facilitar a adaptação de quem nunca tinha experiência.

Por que um espaço só de mulheres faz diferença para treinar?

Em cidades pequenas da região de Dracena, muitas mulheres enfrentam barreiras sociais para acessar academia, como ciúmes ou rotina dos parceiros. Um espaço exclusivamente feminino remove essa barreira e permite que elas treinem com liberdade, sendo um local onde podem falar da vida e desabafar sem restrições.

Como é possível perder peso sem fazer dieta?

A perda de peso acontece através de reeducação alimentar combinada com treino regular. O exemplo citado é o de uma aluna que perdeu 15 quilos em 70 dias apenas com reeducação alimentar, sem seguir uma dieta formal restritiva.

Qual é a importância da saúde mental no resultado do exercício físico?

A transformação física é precedida pela transformação psicológica. Quando o ambiente é seguro e acolhedor, ansiedade e depressão melhoram através do treino e das conversas durante os exercícios. O ambiente correto permite que as alunas se sintam confortáveis para ser elas mesmas, resultando em transformação completa.

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Este texto foi gerado por Inteligência Artificial com base na transcrição do episódio do AdamiCast.