Quando Milton César dos Santos, o Miltinho, deu aulas de futebol para um moleque do Terceiro Colegial no Colégio Objetivo, em Dracena, ele não sabia que estava formando o próprio sucessor. O moleque era Fabio Verginassi Rodrigues, o Fabim, que trinta anos depois virou o diretor de Esportes da cidade, escolhido pelo próprio Miltinho, agora secretário de Esportes de Dracena. A história, contada no episódio #184 do AdamiCast, em janeiro de 2023, é a de um professor que largou o banco para viver do esporte, e de um aluno que foi para Presidente Prudente, virou treinador de clube, voltou na pandemia, e aceitou o convite de voltar a trabalhar com o mestre, na prefeitura. É a história de uma secretaria que, no mesmo episódio, apresenta o campeonato de férias, e mostra que esporte, em cidade pequena do interior, é feito de continuidade, e de gente que decide ficar.
Ao longo de quase três horas de conversa, Miltinho e Fabim mostraram que a diferença entre quem passa pela cidade e quem fica é menos talento e mais uma combinação de paciência, vínculo, e decisão de voltar. Eles descreveram, sem rodeio, como funciona a Secretaria de Esportes de Dracena, o que mudou com a pandemia, e por que decidiram apoiar, em vez de só futebol, do skate ao MMA. Também contaram, com a simplicidade de quem está acostumado a falar para a molecada, o que o esporte já mudou na vida de gente que saiu da cidade, como o Mateus, atleta olímpico que cresceu jogando no Isaac, e o que muda, todo dia, na vida de quem está começando. É uma conversa sobre cidade, sobre escola, e sobre o tipo de legado que uma dupla de professores de educação física pode deixar em uma geração.
Miltinho, o professor que largou o banco para viver do esporte
Miltinho cresceu em Dracena jogando bola, futsal, e fazendo o que a molecada da época fazia, sem ligação institucional com o esporte. Foi a faculdade que decidiu, e foi a faculdade que custou. Ele fazia Educação Física na FEF de Andradina, e o caminho era o mesmo de muitos estudantes da região nos anos 90: ônibus de noite, saía do banco, pegava o buzão, passava por Tupã, Paulista, Monte Castelo, e chegava em Andradina para a aula. Vida difícil, como ele mesmo diz. Durou dois anos assim, até que um problema com os motores de ônibus obrigou a turma a se virar de carro, e o prefeito Zezinho Garcia, na época, ajudou quem estudava fora. Miltinho terminou, voltou para Dracena, e nunca mais saiu da área. “Eu já sabia o que ia fazer, não tinha muita dúvida.”
O começo foi em sala de aula, como professor de Educação Física no Isaac, substituindo o Pezinho, que era o títular. Depois, vieram os jogos escolares da época de ouro, com o Isaac e o 9 de Julho fazendo finais de campeonato estadual, e a molecada que jogava naquelas equipes sendo a semente do que viria a ser o futsal de Dracena. Miltinho entrou para a prefeitura como professor, depois foi para o Objetivo, onde ficou 14 anos dando aula de Educação Física para o ensino médio e fundamental, e em paralelo foi convidado para coordenar a área de EF no município, onde ficou 8 anos. Foi quando o prefeito André o convidou para assumir a Secretaria de Esportes, ele aceitou, e o primeiro telefonema que deu foi para o Fabim. “Eu sei quem eu vou chamar.”
Fabim, o aluno que virou professor e voltou para ser diretor
Fabim foi aluno do Miltinho no Terceiro Colegial do Objetivo, jogava futsal e futebol com o mestre na escola, e foi o Miltinho que o chamou, ainda antes de ele se formar, para começar a dar treino com ele na escolinha de futebol da escola. Foi ali, segundo Fabim conta, que a paixão virou carreira. Ele prestou Educação Física em Presidente Prudente, morou 5 anos na cidade, fez 4 anos de bacharelado e mais meio ano de licenciatura, e enquanto estudava, trabalhava em um clube de futebol. A vida seguiu assim até a pandemia chegar. “Um dia para o outro, peguei minhas coisas, vim para Dracena, fiquei dois meses aqui, entreguei a casa em Prudente, trouxe tudo em bolsas, e fiquei por aqui.”
Quando Fabim soube que o Miltinho ia ser o secretário, mandou uma mensagem pedindo uma oportunidade, qualquer uma, para dar aula ou ser treinador. O Miltinho respondeu pedindo o currículo, ligou no dia seguinte, e foi até a casa dele para conversar com ele e com a mãe dele. “Ele me fez o convite para ser diretor de Esportes. Eu nunca imaginei.” Fabim aceitou sem pensar duas vezes, e a dupla começou a trabalhar junta pela cidade, com a diferença de que, agora, Miltinho era o secretário e Fabim, o diretor, e a relação de 30 anos antes, do Terceiro Colegial, virou base de uma equipe que comanda o esporte municipal.
A chamada na casa da mãe e o convite que mudou a secretaria
Um dos detalhes do episódio que resume o que está em jogo, na visão dos dois, é o formato do convite do Miltinho ao Fabim. Ele não mandou um e-mail, não ligou para o celular, não marcou reunião no escritório. Foi até a casa do aluno, sentou com ele e com a mãe dele, e fez o convite. É a pedagogia da escolinha de futebol levada para a gestão pública, o tipo de decisão que só funciona quando quem assina o cheque confia em quem vai executar, e quem vai executar confia em quem assina. “Funcionario público é complicado, é muita responsabilidade, você é vitrine.” Foi o que o Miltinho disse na casa, segundo o Fabim, e o que justifica o cuidado de incluir a mãe na conversa, para alinhar o que vinha pela frente.
Foi também a partir dessa conversa que ficou claro que a dupla não queria fazer da Secretaria de Esportes apenas um lugar de gestão de campeonato de férias. Eles queriam olhar para o que já existia, e ampliar. Hoje, a Secretaria apoia do skate ao futsal, do vôlei ao basquete, do judô ao karatê, e atende desde criança em escolinha de futebol até atleta profissional, como o Rickson, que vai lutar MMA, e a Bia e a Fatima, lutadoras que passaram pela cidade. “No Brasil, a gente só tem apoio do futebol masculino, então quando você vê um atleta de outra área falando que a prefeitura está ajudando, eu fico muito feliz.” A frase é do Miltinho, e mostra a diretriz que rege a pasta desde o início da gestão.
Da escolinha com 120 alunos ao Mateus olímpico
Um dos números que Fabim cita, e que mostra o tamanho do que a dupla construiu, é o da escolinha de futebol da Secretaria. São 120 alunos, em média, divididos em duas turmas, maiores de segunda e quarta, menores de terça e quinta, sempre das 17:10 às 18:30. “É uma aula extra, eles pagam uma aula.” Foi a forma que Fabim encontrou de lembrar que a escolinha não é assistencialismo, é uma escolha das famílias, em um horário em que a criança poderia estar na rua. É também a forma de lembrar que, do lado de fora, há outros programas, como o campeonato escolar que voltou a acontecer depois de alguns anos parado, com a categoria infantil e a mirim, e casa cheia no Alor Ferrari. “O pessoal tem história, vem alguém da área do esporte lembrando que o Isaac era isso, o 9 de Julho era aquilo.”
Mas o caso que os dois guardam, e que eles citam como exemplo do que o esporte é capaz de fazer, é o do Mateus, o menino de família simples que cresceu jogando no Isaac, e que, segundo eles, é hoje um dos maiores representantes que Dracena tem no atletismo, com índices de atleta olímpico. “O esporte fez o Mateus viajar o mundo, disputando Olímpíada e tudo mais.” Foi o que Miltinho disse no episódio, e é o tipo de história que eles usam, com a naturalidade de quem é professor, para mostrar que, em cidade pequena, esporte não é lazer, é caminho. Foi por isso que o Pedro Adami, no episódio, disse, com um meio sorriso, que o dia que ele não vai à academia, sente falta, fica mais ansioso, e lembra o que é viver sem o hábito. “O esporte não é bom só pro corpo, ele é muito bom para a cabeça.” Miltinho e Fabim, trinta anos depois do Terceiro Colegial, seguem trabalhando com a mesma convicção.
Onde encontrar
Milton César dos Santos, o Miltinho, é o secretário de Esportes de Dracena, e Fabio Verginassi Rodrigues, o Fabim, é o diretor de Esportes, à frente da pasta que apoia do skate ao MMA, da escolinha de futebol às olimpíadas escolares. Para acompanhar os campeonatos, os programas e as ações da Secretaria, siga o Fabim no @fabioverginassi.
Resumo do episódio
Milton César dos Santos, secretário de Esportes de Dracena, e Fabio Verginassi Rodrigues, diretor de Esportes, contam como uma relação de professor e aluno formada no Terceiro Colegial do Colégio Objetivo evoluiu para uma parceria que ampliou o esporte municipal além do futebol, apoiando modalidades que vão do skate ao MMA. A conversa revela como a continuidade e a decisão de ficar na cidade transformam vidas, desde atletas olímpicos como Mateus até crianças que encontram na escolinha de futebol com 120 alunos um caminho alternativo à rua.
Principais aprendizados
- A relação de confiança entre gestor e executor é construída pessoalmente, visitando a casa da pessoa e envolvendo a família, não por e-mail ou reunião de escritório.
- A Secretaria de Esportes de Dracena amplia apoio além do futebol masculino, atendendo skate, judô, karatê, vôlei, basquete e MMA, refletindo uma política de inclusão que o Brasil raramente oferece.
- A escolinha de futebol da Secretaria funciona como aula extra paga pelas famílias, não como assistencialismo, das 17h10 às 18h30 em turmas de segunda a quinta-feira.
- O esporte em cidade pequena não é lazer, mas caminho educacional que pode levar meninos de família simples a ser atletas olímpicos e viajar o mundo.
- A diferença entre quem passa pela cidade e quem fica é menos talento e mais paciência, vínculo e decisão deliberada de retornar.
Perguntas respondidas neste episódio
Como a Secretaria de Esportes de Dracena funciona?
A Secretaria apoia múltiplas modalidades, do skate ao futsal, vôlei, basquete, judô, karatê e MMA. Atende desde crianças em escolinha de futebol até atletas profissionais. A escolinha de futebol tem média de 120 alunos divididos em turmas, maiores segundas e quartas, menores terças e quintas, das 17h10 às 18h30.
Por que a Secretaria de Esportes decidiu ampliar além do futebol?
A gestão identificou que no Brasil o apoio concentra-se em futebol masculino. Quando atletas de outras áreas passam a receber ajuda da prefeitura, representa uma mudança significativa. A dupla optou por ampliar o que já existia na cidade em vez de apenas gerir campeonatos de férias.
Como Miltinho e Fabim começaram a trabalhar juntos?
Fabim foi aluno de Miltinho no Terceiro Colegial do Colégio Objetivo, jogando futsal e futebol. Quando Miltinho se tornou secretário, Fabim enviou mensagem pedindo oportunidade. Miltinho pediu currículo, ligou no dia seguinte e visitou a casa de Fabim para fazer o convite de diretor de Esportes pessoalmente.
Este texto foi gerado por Inteligência Artificial com base na transcrição do episódio do AdamiCast.