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Justiça que transforma vidas: a história de Ruth Duarte Menegatti | #418

26 de agosto de 2025 • 7 min de leitura

Este texto vem do episódio #418 do AdamiCast

Criada em Buritama por pais professores, Ruth Duarte Menegatti cresceu com um valor inegociável dentro de casa: o estudo é a única herança que ninguém tira de você. Filha de uma educadora cujo nome hoje batiza uma escola pública, Ruth carregou esse legado para além da sala de aula e foi parar nos bancos da faculdade de Direito em Londrina, onde se formou no ano 2000 e, em menos de dois anos, já havia passado no concurso para promotora de justiça.

Mas a trajetória não foi sem obstáculos. Jovem e mulher numa profissão acostumada a rostos mais velhos e masculinos, ela teve que provar sua competência mais de uma vez antes que a carreira encontrasse seu rumo definitivo. No episódio 418 do AdamiCast, ela veio até Dracena para contar essa história, falar sobre os 17 anos dedicados à área criminal e apresentar o projeto Sou Feminina, uma iniciativa que une o poder judiciário, a saúde mental, a educação e a assistência social na luta contra a violência doméstica.

De Buritama à magistratura: raízes em escola pública

Ruth é de Buritama, cidade do interior paulista, e nunca esconde essa origem. Aluna de escola pública que buscava livros na cidade vizinha porque a sua não tinha acervo suficiente, ela encontrou no amor à leitura o motor para uma das carreiras mais exigentes do país. Seu pai, professor aposentado ainda vivo, e sua mãe, vice-diretora falecida, foram os dois pilares que ela mesma chama de "privilégio raro": uma família que passa valores, caráter e fé antes de qualquer coisa material. A mãe, em especial, é homenageada até hoje: uma escola pública em Buritama leva o nome dela.

Formada em 2000, Ruth passou no concurso para promotora de justiça antes mesmo de completar dois anos de carreira. Na época, o estado de São Paulo exigia idade mínima para a magistratura, então ela atuou como promotora, indo a julgamentos de júri enquanto ouvia comentários sobre ser "muito nova" e "mulher demais" para estar ali. Isso não a parou: mais tarde ela passou no concurso para juíza e hoje acumula 17 anos de atuação na área criminal, com ênfase em violência doméstica e familiar.

A lei Maria da Penha: uma das melhores do mundo com um paradoxo assustador

Em mais de hora e meia de conversa, Ruth foi didática sobre o que a lei Maria da Penha realmente representa. Criada em 2006, ela estabeleceu um sistema que vai além da punição: é preventivo, assistencial e punitivo ao mesmo tempo. Catalogou tipos de violência que a maioria das pessoas não reconhece como crime, incluindo a violência psicológica, a patrimonial, a moral e a virtual, além da física. É considerada uma das três melhores legislações do mundo nesse tema.

O paradoxo, porém, é brutal: com toda essa proteção legal, o Brasil continua sendo o quinto país que mais mata mulheres no mundo. Para Ruth, o problema não é a lei em si, mas a combinação de dependência emocional, o ciclo da violência que normaliza o abuso, e uma cultura que durante décadas dizia que "em briga de marido e mulher ninguém mete a colher." Ela explica que a vítima, na maioria dos casos, não quer a prisão do agressor, quer o fim da violência, e esse detalhe muda completamente como o sistema precisa abordá-la.

O ciclo da violência e por que a mulher "não vai embora"

Uma das partes mais impactantes do episódio foi a explicação sobre o ciclo da violência, estudado dentro da psicologia, do direito e da criminologia. Nenhum relacionamento começa abusivo: há uma fase de tensão crescente, depois a explosão dos atos violentos e, então, a fase do arrependimento, quando o agressor pede desculpas, manda flores e volta a ser o "príncipe." É essa terceira fase que prende tantas mulheres dentro do ciclo.

Ruth destaca que a vítima de violência doméstica chega ao fórum com lágrimas nos olhos, não com raiva. Ela quer romper a violência, proteger os filhos, e muitas vezes tem medo real de que deixar o relacionamento signifique a própria morte. Não é fraqueza: é um crime com uma dinâmica completamente diferente de qualquer outro tipo de delito, e exige que juízes e operadores do direito apliquem uma perspectiva de gênero que o CNJ formalizou em protocolo próprio.

Projeto Sou Feminina: empoderamento que começa pela educação

Foi na atuação como magistrada que Ruth ajudou a estruturar o projeto Sou Feminina, uma iniciativa transdisciplinar que reúne o poder judiciário, saúde mental, assistência social, educação e a OAB. O projeto parte de uma premissa clara: não adianta ter a melhor lei do mundo se a mulher não sabe que está sendo violentada. E não sabe porque aprendeu que aquilo é normal, que a mãe era assim, que a avó era assim.

O Sou Feminina leva informação para escolas, penitenciárias, hospitais psiquiátricos e núcleos de assistência social. Tem uma cartilha que ajuda a mulher a mapear onde ela está emocionalmente, o que ela pode e o que ela deseja. Há também um núcleo de extensão na Universidade de Adamantina, que forma estudantes de direito com uma visão humana da profissão. Durante visitas monitoradas de adolescentes ao fórum, Ruth conta que já foram revelados casos de abuso sexual que estavam silenciados há anos. A informação abre janelas que o silêncio mantinha fechadas.

Empoderamento que se conquista estudando, não posando

Um dos momentos mais honestos do papo foi quando Ruth falou sobre a geração atual e a ilusão das redes sociais. Ela observa uma juventude consumida pela comparação e pelo imediatismo, que vê o sucesso alheio nas telas sem enxergar os anos de esforço por trás. Ela mesma lembra que, vinda de escola pública em Buritama, buscava livros emprestados na cidade do lado porque queria estudar e não tinha outra saída. Seus pais deixaram claro: não haveria herança material, a conquista seria pelo próprio trabalho.

Para ela, o empoderamento feminino começa exatamente ali, na sala de aula. Quando jovens perguntam como se tornar mais empoderadas, a resposta de Ruth é direta: "vamos sentar e estudar." Não é um slogan, é um método. E é o mesmo método que ela aplica no Sou Feminina, onde o trabalho não é sobre vitimismo, mas sobre autoconhecimento, amor próprio e a capacidade de reconhecer, nomear e romper situações de abuso.

Onde encontrar

Ruth Duarte Menegatti gravou este episódio em Dracena, SP. Você pode acompanhar o projeto Sou Feminina e o trabalho dela pelo Instagram: @_soul.feminina_.

Resumo do episódio

Ruth Duarte Menegatti, juíza com 17 anos de atuação na área criminal, conta sua trajetória de Buritama a magistrada e apresenta o projeto Sou Feminina. O episódio aborda a Lei Maria da Penha, o ciclo psicológico da violência doméstica e como a educação é a ferramenta principal para romper padrões de abuso e empoderar mulheres.

Principais aprendizados

  • A Lei Maria da Penha, criada em 2006, é uma das três melhores legislações do mundo e reconhece tipos de violência que vão além da física, incluindo psicológica, patrimonial, moral e virtual.
  • O ciclo da violência tem três fases: tensão crescente, explosão de atos violentos e arrependimento do agressor, sendo a terceira fase responsável por manter mulheres presas no abuso.
  • Vítimas de violência doméstica chegam ao fórum buscando o fim da violência, não necessariamente a prisão do agressor, exigindo abordagem diferenciada dos operadores do direito.
  • O projeto Sou Feminina atua em escolas, hospitais, penitenciárias e núcleos de assistência social para informar mulheres sobre tipos de violência que aprenderam a considerar normais.
  • Empoderamento feminino começa na sala de aula e no estudo, não em redes sociais, e depende de autoconhecimento e reconhecimento de situações de abuso.

Perguntas respondidas neste episódio

O que a Lei Maria da Penha reconhece como violência?

A Lei Maria da Penha estabelece um sistema preventivo, assistencial e punitivo que catalogou tipos de violência incluindo a psicológica, patrimonial, moral, virtual e física. É considerada uma das três melhores legislações do mundo nesse tema.

Por que mulheres vítimas de violência doméstica não saem do relacionamento?

A dinâmica da violência doméstica envolve um ciclo onde o agressor passa por fases de tensão, explosão e arrependimento, pedindo desculpas e voltando a ser atencioso. A vítima frequentemente tem medo real de que deixar signifique morte e quer romper a violência, não necessariamente punir o agressor.

Como o projeto Sou Feminina funciona?

O projeto reúne poder judiciário, saúde mental, assistência social, educação e OAB para levar informação sobre violência para escolas, hospitais, penitenciárias e núcleos de assistência social. Oferece cartilha que ajuda mulheres a mapear sua situação emocional e tem núcleo de extensão em universidade formando operadores de direito com visão humana.

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Este texto foi gerado por Inteligência Artificial com base na transcrição do episódio do AdamiCast.