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De Dracena para Santa Catarina: a história de Marco Alencar, advogado criminalista | #366

07 de janeiro de 2025 • 7 min de leitura

Este texto vem do episódio #366 do AdamiCast

Dracena tem o hábito de formar pessoas que partem cedo e constroem histórias grandes longe de casa. Marco Alencar é uma dessas pessoas. Saiu ainda jovem, passou pela engenharia, trabalhou num bambuê, descobriu o direito quase por acidente e hoje comanda um dos escritórios de advocacia criminal mais reconhecidos de Santa Catarina, com 44 profissionais e mais de 219 plenários de Tribunal do Júri na carreira. No primeiro episódio de 2025, Marco voltou a Dracena para uma visita e topou sentar com Pedro e Mariana para contar tudo isso.

A conversa foi longa, honesta e cheia de curvas inesperadas, como costuma ser a vida de quem escolhe atuar na advocacia criminal. Marco falou sobre os grandes desafios da área, casos que marcaram a carreira, a gestão de uma equipe que ele trata como empresa e o momento em que a pandemia, ironicamente, foi o empurrão que faltava para sua carreira despontar de vez.

De Dracena ao Sul do Brasil: uma trajetória improvável

Marco cresceu em Dracena, mas saiu antes de terminar o ensino médio. Com três amigos, entrou numa caminhonete e foi para São Paulo, sem avisar a mãe. Foi estudar engenharia na Unesp de Guaratinguetá, mas abandonou o curso com dois anos de faculdade. Voltou a trabalhar num bambuê, estudou em Tupã e, em setembro de 1996, fez um estágio de um mês em Lucélia com o primo Rui Bodini, então promotor de justiça. Foi ali que tudo mudou.

Esse mês de estágio foi o estalo. Marco transferiu de faculdade, foi para Presidente Prudente, ingressou na Instituição Toledo de Ensino e passou os últimos quatro anos da graduação estagiando voluntariamente com o primo, que havia se mudado para Regente Feijó. Formado em direito, tentou concurso de promotor em São Paulo, chegou à segunda fase do Ministério Público do Amapá, mas não passou. Com a família sentindo o peso financeiro, foi advogar e encontrou um advogado com OAB de número 5.000 num estado com 500 mil advogados, e aprendeu o que a profissão podia ser de verdade.

Santa Catarina, um amor e um escritório construído do zero

O destino de Marco mudou de rota quando reencontrou Silvana Pinazo, dracenense que trabalhava na Perdigão em Capinzal, no oeste catarinense. Namoro à distância, a decisão de quem se muda e Marco foi. Deixou currículo em Joaçaba, foi chamado no mesmo dia e, em 1º de setembro de 2004, estreou em Santa Catarina. Casou-se desempregado, pediu que os amigos trouxessem dinheiro como presente de casamento para montar o escritório e foi exatamente o que fez.

Sete meses sozinho, depois um sócio, depois oito anos em sociedade. Em 2015, Marco tomou a decisão que considera a maior virada da carreira: nicharia totalmente na advocacia criminal. Para bancar o período de transição, voltou a Dracena e passou a vender equipamentos de eficiência energética pelo Sul do Brasil, visitando presídios e construindo rede enquanto esperava a carteira de clientes crescer. Parecia loucura. Deu certo.

219 plenários e a defesa que todo mundo ignora

Marco já participou de mais de 219 sessões plenárias no Tribunal do Júri, e ainda atua em casos da defensoria pública para se manter afiado. Sua opinião sobre o sistema é direta: o advogado criminalista defende o direito, não o que a pessoa fez. A confusão entre o profissional e o crime é o maior estigma da área.

Ele contou um caso emblemático: homem preso com pena prescrita desde 2011. O estado demorou 13 anos para cumprir a sentença, o prazo legal havia expirado, mas dois juízes, dois promotores e um advogado anterior deixaram a situação passar. Marco assumiu o caso, protocolou a peça e, no dia 2 de janeiro de 2025, saiu a decisão: o homem não deveria ter ficado um dia preso. Ficou 102 dias. O caso ilustra exatamente por que especialização importa.

Violência, falsas acusações e o que a lei ainda não resolve

Um dos trechos mais intensos da conversa foi sobre violência doméstica e crimes sexuais. Marco representa hoje seis mulheres respondendo por homicídio, e em todos os casos o pano de fundo é violência acumulada: psicológica, financeira, física. Ele defende que as delegacias especializadas precisam de mais estrutura e que a mulher precisa buscar ajuda antes de chegar ao ápice.

Mas também levantou um debate polêmico: a pena para denúncias falsas. Para ele, quem acusa falsamente deveria responder com a mesma pena do crime imputado, não apenas pela denunciação caluniosa, que hoje resulta em até um ano de pena. Marco trabalha com psicólogas periciais em São Paulo e em Florianópolis para avaliar o perfil do suposto agressor antes de traçar qualquer estratégia defensiva.

Um escritório de 44 pessoas e a gestão que ninguém ensina na faculdade

Hoje o Alencar Martinazzo Advogados tem 44 profissionais, sendo 32 advogados. Marco atende os clientes junto com outros especialistas para cobrir todas as áreas do direito na mesma reunião. A meta para o fim de 2025 é chegar a 60 profissionais. Ele frequenta o G4 Educação mensalmente para aprender gestão, porque, segundo ele, é a parte que mais dá trabalho.

A pandemia foi um divisor de águas inesperado. Enquanto outros advogados recuavam, Marco continuou indo às delegacias e presídios. A demanda veio até ele. Além disso, as audiências híbridas que a pandemia normalizou hoje permitem que ele faça três audiências em estados diferentes no mesmo dia, algo impensável antes de 2020.

O que Marco deixou para quem quer seguir no criminal

O conselho de Marco para quem quer entrar na advocacia criminal é direto: saiba exatamente qual é o seu papel. O advogado não leva recado de preso, não participa de atividade que possa configurá-lo como cúmplice e não abre mão da ética por contrato, por mais tentadora que seja a proposta no início da carreira. A advocacia criminal demora para gerar renda, mas quem age com lealdade à lei chega lá.

Ele também lembrou que ninguém está imune a precisar de um criminalista. Uma taça de vinho, um acidente de carro, uma situação limite com a família, e a vida de qualquer cidadão de bem pode cruzar com o sistema penal. Por isso, o escritório tem como marca própria a frase que Marco repetiu no podcast: “somos a única opção jurídica para o nosso cliente”.

Onde encontrar

Marco Alencar gravou este episódio em Dracena, SP, durante uma visita à cidade onde cresceu. Para acompanhar o trabalho do advogado criminalista e do escritório, siga nas redes sociais: @_marcoalencar_ e @alencarmartinazzo.advogados.

Resumo do episódio

Marco Alencar saiu de Dracena jovem, passou por engenharia e trabalho em bambuês até descobrir o direito através de um estágio, tornando-se advogado criminalista em Santa Catarina. Com 44 profissionais no escritório e mais de 219 plenários de Tribunal do Júri na carreira, ele compartilha sua trajetória improvável, os desafios da advocacia criminal, casos emblemáticos e como a pandemia catalisou seu crescimento profissional.

Principais aprendizados

  • O principal papel do advogado criminalista é defender o direito, não o que a pessoa fez, e essa confusão é o maior estigma da profissão.
  • A especialização em advocacia criminal importa porque permite identificar erros processuais graves, como prescrições de pena ignoradas por juízes e promotores anteriores.
  • A pandemia normalizou audiências híbridas que permitem fazer três audiências em estados diferentes no mesmo dia, transformando a logística da profissão.
  • Mulheres respondendo por homicídio em casos de violência doméstica frequentemente vivem acumulado de agressões psicológica, financeira e física.
  • O nicho em advocacia criminal exigiu uma transição financeira onde o profissional precisou de renda paralela vendendo equipamentos enquanto construía a carteira de clientes.

Perguntas respondidas neste episódio

Como Marco Alencar entrou na advocacia criminal?

Através de um estágio de um mês em setembro de 1996 com seu primo Rui Bodini, então promotor de justiça em Lucélia. Esse período foi o estalo que o fez transferir de faculdade para Presidente Prudente, ingressar na Instituição Toledo de Ensino e estagiar voluntariamente com o primo durante os últimos quatro anos da graduação em direito.

Qual foi a maior virada da carreira de Marco Alencar?

Em 2015, a decisão de se especializar totalmente em advocacia criminal. Para bancar a transição, voltou a Dracena e passou a vender equipamentos de eficiência energética pelo Sul do Brasil, visitando presídios e construindo rede enquanto esperava a carteira de clientes crescer.

Como a pandemia impactou a carreira de Marco Alencar?

A pandemia foi um divisor de águas inesperado. Enquanto outros advogados recuavam, Marco continuou indo às delegacias e presídios, atraindo demanda. As audiências híbridas que se normalizaram permitem agora fazer três audiências em estados diferentes no mesmo dia, algo impensável antes de 2020.

Qual é o tamanho atual do escritório de Marco Alencar?

O Alencar Martinazzo Advogados tem 44 profissionais, sendo 32 advogados. Marco atende os clientes junto com outros especialistas para cobrir todas as áreas do direito na mesma reunião, com meta de chegar a 60 profissionais até o fim de 2025.

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Este texto foi gerado por Inteligência Artificial com base na transcrição do episódio do AdamiCast.