#158

Guilherme Krug, o produtor audiovisual que filma casamentos pelo mundo | #158

29 de setembro de 2022 • 8 min de leitura

Este texto vem do episódio #158 do AdamiCast

Produtor audiovisual, videomaker de casamentos, dono de uma produtora em Presidente Prudente com cinco pessoas no time e com casamentos filmados no México, nos Estados Unidos e, em breve, na França. Esse é o Guilherme Krug que apareceu no episódio #158 do AdamiCast, gravado em setembro de 2022, para contar uma história que começa muito antes do audiovisual, ainda dentro de um home studio voltado para música.

Ao longo de quase duas horas de bate-papo, Krug mostrou como uma trajetória aparentemente improvável, de músico a cineasta de casamentos, acabou virando um negócio que o leva para outros países e o coloca frente a frente com clientes como Felipe Ciani e Mari Palma. A conversa mistura cinema, formação musical, drones, tequila mexicana e uma visão muito particular sobre o que vale, de verdade, uma filmagem de casamento.

Da música à faculdade de Rádio e TV: a formação que veio antes da câmera

Antes de pensar em filmar qualquer coisa, Guilherme era músico de formação. Ele estudou produção musical e chegou a montar um home studio em casa, com foco em gravar, lapidar e lançar artistas. Foi nessa época que ele percebeu uma dor que todo músico conhece bem: a renumeração dentro da música é baixa, e mesmo quem trabalha com qualidade tem dificuldade de transformar talento em renda estável. “Eu sentia isso, eu ficava com dó”, lembra ele, explicando que a frustração de ver músicos talentosos sem espaço para crescer foi um dos motivos para diversificar.

A virada veio com um curso técnico de Rádio e TV em Londrina, que ele fazia indo e voltando toda semana. Lá, pela primeira vez, teve contato com câmeras, iluminação e edição, em uma época em que o YouTube começava a mostrar que artistas gravarem clipes por conta própria não era mais coisa de artista consagrado. O choque foi grande: na faculdade, ele era praticamente um estranho no assunto, sem dominar os controles básicos de uma câmera, mas com uma facilidade natural para a parte de áudio, herdada da formação musical. Foi aí que ele decidiu comprar a primeira câmera, uma Canon T3i adquirida na Santa Efigênia, em São Paulo, por cerca de R$ 1.500.

Pizzaria, aniversário infantil e o início nos eventos

O primeiro trabalho oficial de Krug como cinegrafista foi em uma pizzaria de Martinópolis, cidade onde morava na época. Sem técnica de luz, sem roteiro, quase sem noção do que estava fazendo, ele chegou, posicionou a câmera e filmou. É um trabalho do qual ele não tem vergonha. “Tem que começar de alguma maneira, e é importante valorizar quem te dá a primeira oportunidade”, diz. Logo depois veio um aniversário infantil, chamado por um amigo fotógrarafo, e dali em diante os eventos foram se acumulando até ele perceber que já dava para pagar as contas fazendo aquilo.

Foi nesse período que uma experiência aparentemente simples mudou a forma como ele enxergava o valor do que fazia. O aniversário era de um menino de quatro anos, e o irmão mais novo morreu em um acidente algum tempo depois. Quando Krug pensa naquela filmagem hoje, ele entende que, para aquela família, aquele vídeo não tinha preço. É o tipo de memória que justifica a existência da profissão inteira, e foi o que começou a transformar a filmagem de eventos, aos poucos, em filmagem de casamentos.

A virada para casamentos e o primeiro drone dentro da igreja

Krug começou a filmar casamentos em 2014 e 2015, mais ou menos na época em que Pedro e Mariana se casaram, em 2013. São só dois anos de diferença, mas, como ele mesmo brinca, parecem trinta: naquela época, quase ninguém tirava foto com celular em cerimônia, e o que existía em memória era o que o fotógrafo e o cinegrafista produziam. O salto tecnológico foi tão rápido que ele ficou, literalmente, depressivo ao perceber como tudo tinha mudado. Mas, em vez de reclamar, ele abraçou a transformação.

Um dos momentos que ele guarda com mais carinho foi o primeiro voo de drone dentro de uma igreja, em um casamento católico. Naquele dia, o drone entrou pela noiva e subiu ao mesmo tempo em que ela caminhava até o altar. O resultado foi inesquecível, e também hilário, porque metade dos convidados ficou olhando para o drone em vez de olhar para a noiva. É o tipo de experiência que resume o espírito de Krug: não ter medo de inovar, mesmo que a inovação, na época, fosse tão extrema que a própria noiva só foi perceber a imagem do drone depois, ao rever o vídeo.

México, Estados Unidos e a França no radar

Os casamentos fora do país começaram quase por acaso. Depois de passar dois meses no México visiting um amigo, Krug voltou para o Brasil decidido a oferecer filmagem para casamentos mexicanos. Sem rede, sem agenda, ele abriu o Google, procurou fotógrafos de casamento próximos à fronteira com os Estados Unidos e mandou mensagem para vários, um por um, mostrando o trabalho e perguntando se havia datas livres em agosto. Um deles respondeu, repassou o contato de uma noiva, e o resto é história. Foi assim que ele virou o brasileiro que filmava casamentos no México, e, anos depois, nos Estados Unidos e na Europa.

A próxima parada é a França. Um casamento que estava marcado para 2021 e foi adiado por causa da pandemia foi remarcado para outubro de 2022, e Kruger vai embarcar sozinho, levando a esposa Maísa, para filmar em um castelo francês. Para ele, esse tipo de trabalho mostra que o casamento, como ferramenta, abre portas que nenhuma faculdade clássica de administração ou direito abriria com a mesma facilidade, e que o que proporciona a experiência internacional não é o evento em si, mas a disposição de usar a filmagem como um meio, e não como um fim.

A produtora em Prudente, o drone FPV e o time de cinco

A pandemia, que poderia ter derrubado o negócio, foi, paradoxalmente, o que empurrou Krug a estruturar a produtora. Com a agenda internacional suspensa e os casamentos reduzidos a poucas pessoas, ele percebeu que não podia mais tocar tudo sozinho, e que precisava de um time. Foi assim que, em 2021, ele montou a produtora em Presidente Prudente, com cinco pessoas trabalhando de casa, em esquema home office, e foi assim também que ele se especializou em transmissão ao vivo, de casamentos a eventos corporativos.

Hoje, o diferencial técnico que ele mais gosta de destacar é o drone FPV, que apareceu pela primeira vez em um casamento de peso: o de Felipe Ciani e Mari Palma, jornalista conhecida nacionalmente. Para aquela ocasião, Krug contratou um dos melhores pilotos de drone FPV do Brasil, conhecido como Paulino, e entregou imagens que, segundo ele, ninguém mais tinha entregado para o casal até então. A inovação técnica virou parte central do portfólio, junto com uma filosofia de trabalho simples: a de que filmagem não é gasto, é prioridade, e que, quanto mais o tempo passa, mais valorizado fica o registro.

Onde encontrar

O Guilherme Krug atende como produtor audiovisual em Presidente Prudente, SP, com a produtora que reúne hoje cinco pessoas no time e opera casamentos pelo Brasil e no exterior, incluindo destinos como México, Estados Unidos e França. Para acompanhar os trabalhos, bastidores e destinos, siga o Instagram @guikrug.

Resumo do episódio

Guilherme Krug é produtor audiovisual baseado em Presidente Prudente que começou como músico, cursou técnico de Rádio e TV em Londrina e entrou no mercado de filmagem de eventos comprando uma Canon T3i por R$ 1.500. Após rodar aniversários e eventos diversos, especializou-se em casamentos a partir de 2014, expandindo para México, Estados Unidos e França, e formou uma produtora com cinco pessoas em home office onde investe em tecnologias como drone FPV.

Principais aprendizados

  • A formação musical inicial forneceu facilidade natural com áudio, que se complementou com o aprendizado técnico de câmera e edição no curso de Rádio e TV.
  • Começar sem perfeição técnica é válido, desde que haja disposição para aprender e valorização por quem oferece a primeira oportunidade.
  • Uma filmagem de evento pode ter valor inestimável para a família quando registra momentos únicos e irrepetíveis.
  • A inovação em filmagem de casamentos, como o primeiro drone dentro de uma igreja, pode surpreender tanto os presentes quanto após a visualização do material.
  • A estrutura de time em home office permitiu que o negócio continuasse operacional durante a pandemia e especializasse em transmissões ao vivo.

Perguntas respondidas neste episódio

Como começar carreira em filmagem de casamentos?

Não é necessário esperar perfeição técnica para começar. O primeiro trabalho pode ser simples e sem recursos avançados, como filmar em uma pizzaria. O importante é adquirir equipamento básico, como uma câmera, aceitar oportunidades iniciais e aprender na prática com cada projeto realizado.

Qual é o diferencial técnico atual na filmagem de casamentos?

O drone FPV é um dos principais diferenciais técnicos em portfólios atuais de filmagem de casamentos. Este tipo de drone foi utilizado em casamentos de relevância nacional e entrega imagens que diferenciam o produto final de outros produtores.

Como é possível expandir para trabalhos internacionais em filmagem de casamentos?

A expansão internacional pode começar de forma orgânica após estar estabelecido no mercado local. Pesquisar e contatar profissionais no exterior, como fotógrafos de casamento em cidades próximas a fronteiras, oferecendo seu portfólio e disponibilidade, pode gerar primeiras oportunidades que abrem portas para futuras parcerias internacionais.

Ouça no Spotify ou assista no YouTube.

Este texto foi gerado por Inteligência Artificial com base na transcrição do episódio do AdamiCast.