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Gislaine Oliveira, a presidente da COOPADRA em Dracena: como uma produtora virou presidente de cooperativa e tirou o laticínio do papel | AdamiCast #130

29 de junho de 2022 • 6 min de leitura

Este texto vem do episódio #130 do AdamiCast

Gislaine de Oliveira é presidente da COOPADRA (Cooperativa dos Produtores Agropecuários de Dracena) e uma das vozes mais representativas do agronegócio do oeste paulista. Em uma conversa que vai da realidade cruel do produtor de leite (preço incerto, pagamento atrasado, laticínio que paga parcelado) até a montagem de uma indústria queijeira do zero, Gislaine conta como saiu de produtora de base pra presidente de cooperativa, como juntou 18 pessoas em uma equipe que faz o laticínio funcionar, e como a COOPADRA virou referência regional de organização de produtores.

De coordenadora da associação a presidente de cooperativa

Gislaine veio pra Dracena em 2008, sem conhecer ninguém. “Eu cheguei em Dracena em 2008 e ninguém me conhecia, ninguém sabia de onde tinha vindo”. Antes da COOPADRA, ela já trabalhava como coordenadora da associação de produtores locais, lidando com o dia-a-dia do campo: “eu só sabia tirar leite e lavar roupa, não sabia nada de indústria, não sabia nada de gestão de negócio”. Foi o contato direto com a realidade do produtor que deu a ela a visão do que faltava: estrutura, previsibilidade e força de barganha. O salto veio quando ela decidiu constituir uma cooperativa de verdade, com CNPJ, diretoria eleita e indústria própria.

O processo começou pela leitura. Gislaine e a equipe dela visitaram outras cooperativas e laticínios pelo país pra entender o modelo — mas nem todos abriram as portas. “Quando a gente ia visitar, eles não nos mostraram o que a gente realmente precisava. Hoje eu recebo muita gente aqui, mostro tudo, os detalhes, as dificuldades, o que deu certo, o que deu errado, o que eu sofri quando não tive”. Essa transparência virou a marca da COOPADRA, e agora é referência pra outras cooperativas em constituição.

A luta do produtor de leite: preço incerto e pagamento atrasado

Antes da COOPADRA, a realidade do produtor era dura. Gislaine explica: “Você tira o leite, leva no laticínio, e não sabe quanto vai receber por litro. Pode ser que no dia que você vendeu o preço era X e no dia que vai receber o preço é outro. É sério, nunca fecha, e você não consegue programar nada”. E o pior: “existem casos onde o laticínio não paga ou paga parcelado, ou atrasa”. O produtor tirava o leite todo mês, gastava no investimento da propriedade, e no fim não sabia se ia receber o suficiente pra cobrir o custo. Pra Gislaine, isso era a quebra do contrato implícito com quem produz: você não pode planejar a vida sem saber o preço do que você vende.

A solução que ela propôs, com a COOPADRA, foi tirar o intermediário privado. O produtor passa a entregar o leite pra cooperativa, e a cooperativa processa, comercializa e distribui o preço. O modelo tira a incerteza do produtor individual e distribui o risco no coletivo. “O produtor passa a ter um preço mais justo e a previsibilidade que faltava. A indústria é a nossa, a decisão é nossa”.

COOPADRA: do projeto de 15 dias à indústria de verdade

A formalização começou em 2010, quando a equipe montou o projeto e mandou pra Secretaria de Estado. “O projeto foi feito em 15 dias. Voltou aprovado sem a gente poder respirar. Também não podia mandar mais nada no projeto depois disso”. O dinheiro do governo era parte, mas a contrapartida de 30% ficava com a associação — o que significava convencer produtores, em plena crise, a colocar R$ 2 de contribuição. “Se você falar pro associado: olha, hoje você vai ter que investir dois reais na cooperativa, ele manda você pra outro lugar sem pensar duas vezes. Não tinha como começar”.

A virada veio com a mudança de prefeito. O primeiro administrador do município (na época, Aracely/Regiane) topou a doação de terreno, mas não se sustentou. Veio o segundo, e este abraçou a causa. “O segundo prefeito que entrou, em 2012-2013, conheceu o meu trabalho e acreditou. Sem ele, não sei se a gente tinha saído do papel. Eu tiro meu chapéu pra ele”. A indústria começou a funcionar em 2011, e de lá pra cá não parou mais. Hoje a COOPADRA atende produtores da região com coleta diária, indústria de processamento e comercialização em rede.

A equipe: 18 cabeças que fazem o laticínio funcionar

Gislaine orgulha-se de descrever a equipe que montou: “Eu tenho uma equipe fantástica. Tá no escritório 3 pessoas, tem mais 3 na diluição, 3 na conferência das mercadorias, 3 na indústria, 2 no viveiro de mudas, 3 no caminhão, 1 no trator. Todo mundo faz o que precisa, ninguém tem cargo fixo definido, a gente se vira”. O segredo, segundo ela, é ter gente que topa a loucura de tocar uma indústria nascendo do zero, sem saber direito o que vem pela frente. “Cada um faz aquilo que é preciso. Eu falo com a minha equipe — ela é maravilhosa, caiu do céu. Pra abraçar as minhas loucuras só uma equipe dessa. Às vezes eles olham pra mim e dizem: sinal que ela é louca. Mas tudo bem, a gente acaba fazendo”.

Onde encontrar

A COOPADRA (Cooperativa dos Produtores Agropecuários de Dracena) é presidida por Gislaine de Oliveira e opera em Dracena, SP, com coleta de leite, indústria de processamento e comercialização. Para acompanhar o trabalho, a agenda e os bastidores, os canais são: @coopadra (perfil da cooperativa) e @gislaine.oliveira.33449 (perfil da presidente). Para entrar como produtor cooperado ou comprar produtos, o caminho é o direct do perfil da cooperativa.

Resumo do episódio

Gislaine Oliveira saiu de produtora de leite para presidente da COOPADRA, uma cooperativa de produtores em Dracena que montou uma indústria queijeira do zero. O episódio aborda como ela identificou os problemas do produtor (preço incerto, pagamento atrasado, falta de barganha), fundou a cooperativa em 2010, conquistou apoio da prefeitura e hoje gerencia uma equipe de 18 pessoas que processa e comercializa leite de forma organizada e com previsibilidade.

Principais aprendizados

  • O produtor de leite enfrenta incerteza porque o preço varia entre o dia da venda e o dia do pagamento, impossibilitando planejamento financeiro.
  • A cooperativa remove o intermediário privado e distribui o risco entre produtores, garantindo preço mais justo e previsível.
  • Convencer produtores a contribuir financeiramente em crise é quase impossível sem apoio institucional externo.
  • A aprovação do projeto na Secretaria de Estado levou apenas 15 dias, mas a implementação dependeu de mudança política municipal.
  • Uma equipe pequena e flexível, sem cargos fixos, consegue tocar operações complexas como coleta, processamento e comercialização de laticínios.

Perguntas respondidas neste episódio

Qual é o principal problema do produtor de leite antes de entrar na cooperativa?

O produtor não sabe quanto vai receber por litro porque o preço entre o dia da venda e o dia do pagamento muda, tornando impossível planejar despesas e investimentos. Ainda há casos em que o laticínio não paga, paga parcelado ou atrasa.

Como a cooperativa resolve o problema de preço e previsibilidade?

O produtor entrega o leite à cooperativa, que processa, comercializa e distribui o preço. O modelo tira a incerteza do produtor individual e distribui o risco no coletivo, oferecendo preço mais justo e previsibilidade.

Como a COOPADRA conseguiu sair do papel quando faltava dinheiro dos produtores?

O projeto foi aprovado pela Secretaria de Estado em 15 dias, mas a contrapartida de 30% era impossível de conseguir de produtores em crise. A virada aconteceu quando o segundo prefeito, em 2012-2013, abraçou a causa e doou o terreno para a indústria funcionar.

Quantas pessoas trabalham na COOPADRA e como estão distribuídas?

A equipe tem 18 pessoas: três no escritório, três na diluição, três na conferência de mercadorias, três na indústria, dois no viveiro de mudas, três no caminhão e uma no trator. Todos fazem o que é necessário sem cargos fixos definidos.

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Este texto foi gerado por Inteligência Artificial com base na transcrição do episódio do AdamiCast.