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Fé que não para: a história de Frei Maurício Anjos, o capuchinho de Dracena | #404

24 de junho de 2025 • 6 min de leitura

Este texto vem do episódio #404 do AdamiCast

Quem viu Frei Maurício Silva dos Anjos celebrar missa já percebeu que ali há algo diferente. Natural do distrito de Jamaica, criado em Dracena, ele cresceu vendo os frades capuchinhos chegarem de hábito e barba para celebrar com a comunidade, tocar sanfona e almoçar na casa da família. Foi exatamente esse encontro simples, repetido domingo após domingo, que plantou em seu coração o desejo de ser Frade.

Hoje, quase quatro décadas depois daquele chamado, Frei Maurício está no Chile como delegado provincial da Ordem dos Frades Menores Capuchinhos para toda aquela nação. Ele veio ao Brasil por apenas 15 dias, passou por Dracena para marcar um ano da partida de sua mãe, e encontrou tempo para uma conversa franca e emocionada com o AdamiCast.

O chamado que começou em Jamaica

A infância de Frei Maurício foi simples, no distrito de Jamaica, região de Dracena, onde os avós cuidavam de uma roça e os frades capuchinhos visitavam a comunidade regularmente. Foi vendo aqueles homens alegres, de barba e hábito, que ele disse aos pais pela primeira vez: “Quero ser como eles.” Em 2003, iniciou o processo formativo em Birigui, primeira etapa chamada de aspirantado.

Os 12 anos de formação levaram-no por Birigui, Piracicaba, Nova Veneza e, por fim, Taubaté, onde concluiu a graduação em Teologia e fez seus votos perpétuos. Em 14 de abril de 2017, foi ordenado presbítero na Paroquia Nossa Senhora Aparecida, em Dracena, com a presença de Dom José Soares Filho, bispo capuchinho de Carolina, no Maranhão.

Dracena como raiz e como casa

Antes de partir para o Chile, Frei Maurício passou seis meses em Dracena preparando sua ordenação. Esse período ficou marcado na memória como um tempo de graça. Foi aqui que ele arrumou seu primeiro emprego, trabalhou como confeiteiro na Casa Moreira, depois na Darelli (fábrica de sapatos), na Igreja São Cristóvão e na Pousada Bom Samaritano. Estudou no Isaac Pereira Garcez e construiu amizades que carrega até hoje.

O carinho pelo povo dracenense é recíproco. Quando participou da procissão de Corpus Christi durante esta visita, foi cercado de fotos e abraços. “Aqui surgiu minha vocação”, diz ele, sem qualquer hesitação. “Sou o que sou graças ao meu pai, à minha mãe e ao povo dracenense.”

Nove anos em missão e o aprendizado da itinêrancia

Após a ordenação, Frei Maurício foi transferido para Piracicaba, onde ficou nove anos dedicado à pastoral vocacional e missionária, percorrendo cidades com as Santas Missões Populares Capuchinhas. Semanas inteiras na estrada, criando laços profundos, mas sempre provisórios. Morava no seminário e viajava sem parar, sem tempo de criar raízes numa comunidade fixa.

Esse período formou nele um desejo que ainda cultiva: um dia servir numa paróquia de verdade. Esse sonho foi o que o fez pensar, ao fim dos nove anos, em pedir ao provincial uma mudança. Mas Deus, como ele diz, tinha outros planos.

O Chile: a missão mais difícil e a mais transformadora

A chegada ao Chile, em 2020, foi um choque múltiplo. Frei Maurício entrou num país em crise política profunda, com igrejas sendo incendiadas durante os protestos que exigiam nova Constituição. Somou-se a isso a pandemia e uma ruptura histórica do povo chileno com a Igreja Católica. Tudo isso num idioma diferente, numa cultura nova, num lugar onde havia celebrado missa para quase mil pessoas e passou a reunir 45.

Cinco anos depois, o cenário se transformou. Ele reuniu 6.000 jovens numa jornada nacional e 190 num acampamento capuchinho. Quando chegou, havia mais de dez anos que nenhum jovem queria ser frade no Chile. Hoje são 12 candidatos acompanhados e um já em formação no Brasil. “Recebi muito mais do que doei”, ele resume, com a serenidade de quem aprendeu a ver luz onde antes enxergava só escuridão.

A decisão mais difícil: ir com a bênção da mãe

O momento mais marcante de toda a trajetória, na palavra do próprio Frei Maurício, foi quando precisou decidir partir para o Chile com a mãe ainda viva. O pai havia falecido aos 42 anos nos seus braços, colocando a aliânça no dedo do filho como símbolo de uma promessa de cuidado. Partir para outro país parecia romper essa promessa.

Ele foi até Marília conversar com ela, torcendo para que dissesse não. Mas a mãe chorou, enxugou as lágrimas e disse: “Filho, eu não te fiz para mim. Eu te fiz para o mundo.” Colocou a mão em sua cabeça e o enviou. Ela faleceu há exatamente um ano antes desta gravação. Frei Maurício veio ao Brasil, celebrou missa na Igreja Matriz e visitou o cemitério. “Ela está mais perto de mim do que imagino”, diz ele.

Três votos, uma vida inteira

Perguntado sobre seu futuro, Frei Maurício é direto: ele é filho da obediência. Os três votos franciscanos que orientam sua vida, castidade, pobreza e obediência, significam na prática estar sempre disponível para onde a Igreja e a Ordem precisarem. Atualmente serve como delegado provincial no Chile, cargo equivalente ao de superior maior naquele país.

Quando outubro chegar, um capítulo provincial vai reunir todos os frades, zerando funções e elegendo novo governo. A partir daí, sua missão pode mudar. seja permanecer no Chile, seja ser enviado a outro lugar, talvez à África, destino que ainda sonha alcançar. “Aonde Deus mandar, eu irei”, diz, com uma clareza que não soa resignáção, mas liberdade.

Onde encontrar

Frei Maurício Silva dos Anjos está baseado no Chile e passa por Dracena, SP, em suas visitas ao Brasil. Acompanhe sua missão no Instagram: @mauriciocap2024.

Resumo do episódio

Frei Maurício Silva dos Anjos, natural de Jamaica e criado em Dracena, nasceu para a vocação religiosa ao ver capuchinhos celebrar missa na comunidade aos domingos. Depois de 12 anos de formação e ordenação como presbítero em 2017, passou nove anos em Piracicaba nas Santas Missões Populares e desde 2020 atua como delegado provincial da Ordem dos Frades Menores Capuchinhos no Chile, país onde reconstruiu a vocação juvenil de forma transformadora mesmo em meio a crises políticas e pandemia.

Principais aprendizados

  • A vocação religiosa pode nascer de encontros simples e repetidos, como ver frades capuchinhos celebrando e almoçando na comunidade local.
  • A formação capuchinha exige 12 anos de preparação em diferentes localidades, culminando em votos perpétuos e ordenação como presbítero.
  • O trabalho de pastoral vocacional nas Santas Missões Populares oferece formação na itinerância, mas sem criar raízes fixas numa comunidade.
  • Em cinco anos no Chile, conseguiu aumentar de zero candidatos a 12 acompanhados e um em formação, transformando uma crise histórica da Igreja local.
  • Os três votos franciscanos de castidade, pobreza e obediência significam disponibilidade total para onde a Igreja e a Ordem precisarem, mesmo mudanças de país.

Perguntas respondidas neste episódio

Como começou a vocação de Frei Maurício?

Começou na infância no distrito de Jamaica, ao ver capuchinhos chegarem regularmente na comunidade para celebrar missa, tocar sanfona e almoçar na casa da família. Esse encontro simples, repetido domingo após domingo, plantou em seu coração o desejo de ser frade, levando-o a iniciar o processo formativo em 2003.

Quanto tempo durou a formação para se tornar presbítero capuchinho?

A formação durou 12 anos, começando com o aspirantado em Birigui e passando por Piracicaba, Nova Veneza e Taubaté, onde concluiu a graduação em Teologia e fez seus votos perpétuos. A ordenação como presbítero ocorreu em 14 de abril de 2017.

O que mudou na pastoral vocacional do Chile desde que Frei Maurício chegou?

Quando chegou em 2020, havia mais de dez anos que nenhum jovem queria ser frade no Chile. Cinco anos depois, conseguiu reunir 6.000 jovens numa jornada nacional e 190 num acampamento capuchinho, com 12 candidatos acompanhados e um já em formação no Brasil.

Qual foi a decisão mais difícil da vida de Frei Maurício?

Partir para o Chile em 2020 com a mãe ainda viva, após o pai ter falecido aos 42 anos colocando sua aliança no dedo do filho como símbolo de promessa de cuidado. Ele buscou a bênção da mãe, que chorou e disse: "Eu não te fiz para mim. Eu te fiz para o mundo", enviando-o com as mãos na cabeça.

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Este texto foi gerado por Inteligência Artificial com base na transcrição do episódio do AdamiCast.