O convidado do episódio 313 do AdamiCast foi Frei Fred Claudio, pároco da Igreja Matriz Nossa Senhora Aparecida em Dracena. Natural de Cândido Mota, cidade próxima a Assis, Frei Fred contou como um convite quase despretensioso, ainda na adolescência, o levou a um caminho de quase dez anos de formação até chegar ao sacerdócio, e como essa trajetória o trouxe, se afastou e o trouxe de volta para Dracena.
Do sítio ao chamado
Frei Fred morou no sítio até os dez anos e nunca foi de igreja quando criança. Ia ao terço com a mãe, mas sem aquela ligação espontânea. A família, segundo ele, era católica, “mas não daqueles frequentadores”, apenas católicos de tradição. A virada aconteceu por volta dos 16 anos, quando começou a participar de grupo de jovens e passou a se questionar sobre o futuro. Foi numa missa, usando aqueles “paletinhos de domingo”, que um amigo recebeu o convite direto de um padre: “Você quer ser padre?”. Os dois resolveram escrever para uma congregação, mas o destino de Frei Fred mudou quando conheceu os freis capuchinhos de sua cidade, entre eles o Frei Zeca, que é natural de Dracena. Foi essa aproximação, incluindo uma viagem a Piracicaba, que o fez optar pela vida capuchinha em vez de seguir o contato inicial com outra congregação.
Nove anos de formação até a primeira missa
Ainda no segundo colegial, com 18 anos, Frei Fred foi para Penápolis fazer o chamado aspirantado, morando com os freis e estudando em escola pública comum. De lá seguiu para Piracicaba, onde cursou o postulantado, um processo de formação religiosa com estudos de psicologia, filosofia e história voltados para a vida na ordem. Depois veio o noviciado, em Nova Veneza, quando recebeu o hábito e o título de frei e fez os primeiros votos de pobreza, obediência e castidade. Só então começou a teologia, com duração de quatro anos, voltada à formação para o ministério. No total, segundo ele, foram nove anos de estudo até a ordenação. Frei Fred explicou a diferença entre frei e padre: “eu sou frei, e sou padre”, já que a opção por viver em fraternidade, fazendo os três votos, é o que caracteriza o frei, enquanto o padre diocesano, chamado de secular, não tem essa obrigação de convivência comunitária, podendo até ter bens em seu nome, o que é vedado a quem vive os votos de pobreza.
A primeira missa e o primeiro casamento
Ordenado padre em 26 de maio, data que compõe os dezessete anos de sacerdócio completados no mês da entrevista, Frei Fred lembrou que antes de ser padre passou pelo diaconato, quando já podia celebrar casamentos e batizados, mas não a missa. Foi em Cândido Mota, sua cidade natal, que celebrou o primeiro casamento, e a lembrança carrega um detalhe curioso: “depois de uma semana, os noivos se separaram”. Sobre a timidez que marcou boa parte de sua juventude, ele contou que sempre foi visto como quieto, inclusive em peças de teatro que fazia com o Frei Zeca, quando interpretava um santo ou uma árvore sem falar nada. Essa timidez ficou evidente minutos antes de presidir sua primeira missa, quando teve ânsia de vômito no banheiro por ansiedade. “Aí depois começou a missa, eu entrei e tudo, mas daí me soltei”, relatou, atribuindo a mudança à ação do Espírito Santo.
A trajetória entre Dracena, Sapopemba e Santo André
Depois da ordenação, Frei Fred passou seis meses em Penápolis antes de ser transferido para Sapopemba, na zona leste de São Paulo. Sua primeira passagem por Dracena durou seis anos, período em que atuou como vigário, tendo o Frei Ayrton como pároco responsável pela paróquia. Depois foi para Santo André assumir o cargo de pároco por conta própria, justamente quando começou a pandemia, em 2020. Ele descreveu os desafios daquele momento, morando com outros freis e estudantes numa casa de formação, celebrando missas dentro da própria capela e transmitindo online para os fiéis. Retornou a Dracena em fevereiro deste ano, convidado pelo provincial para assumir a paróquia depois que o Frei Alonso, que ocupava o cargo, precisou se mudar para São Paulo por conta de um compromisso no conselho da ordem. Frei Fred aceitou de imediato, destacando o quanto gosta da cidade e da rotina mais tranquila em comparação à capital.
O milagre dos pães de Santo Antônio
Uma das lembranças mais marcantes da passagem por Santo André envolve a devoção a Santo Antônio, padroeiro daquela paróquia. Frei Fred descreveu a tradição da distribuição de pães no dia 13 de junho, que começava com a compra de duzentos ou trezentos pães pela manhã e crescia ao longo do dia com doações de fiéis, padarias e empresários agradecidos por graças recebidas. Em um dos anos, contou, a distribuição chegou a cerca de trinta mil pães, e em determinado momento, quando o estoque parecia esgotado, um caminhão chegou com uma doação de cinco mil pães de uma só vez. Ele comparou o episódio ao milagre da multiplicação e à própria história de Santo Antônio, que teria começado a repartir os pães dos frades com um pobre e, a partir daquele gesto, nunca mais faltou alimento para quem precisava. Para ele, o episódio é um convite à reflexão sobre a distribuição desigual de recursos e sobre a importância da caridade genuína, feita sem esperar nada em troca.
Fé, tempo de Deus e o convite vocacional
Ao longo da conversa, Frei Fred refletiu sobre o amor ágape, aquele que se doa sem esperar retribuição, e sobre como a sociedade atual muitas vezes troca a busca espiritual por apego a ídolos, influenciadores e bens materiais. Falou também sobre a paciência exigida pela fé diante do sofrimento, defendendo que a bondade não deve ser praticada em busca de recompensas terrenas, mas como caminho para a vida eterna. Encerrando a entrevista, fez um convite direto a jovens que se sintam perdidos em relação à profissão ou ao propósito de vida, sugerindo que busquem os encontros vocacionais promovidos pelos freis capuchinhos em Dracena. “Às vezes tem que buscar, e se sentir chamado, a gente tá aí”, disse, deixando aberta a possibilidade de que a mesma trajetória que percorreu, do sítio em Cândido Mota até o altar da Matriz de Dracena, possa inspirar outras histórias semelhantes.
Onde encontrar
Você encontra quem participou deste episódio no Instagram: @freiclaudio.
Resumo do episódio
O episódio traz uma conversa com o Frei Fred Claudio, padre franciscano capuchinho e atual pároco da Matriz Nossa Senhora Aparecida em Dracena, que explica sua trajetória vocacional desde os 16 anos até a ordenação, detalhando as diferenças entre frei e padre, os votos de pobreza, obediência e castidade, e o longo processo formativo de nove anos. Ele descreve como funciona sua rotina, as passagens por Sapopemba e Santo André, a experiência de assumir a paróquia durante a pandemia e episódios marcantes como seu primeiro casamento e a multiplicação de pães na festa de Santo Antônio. A conversa também aborda reflexões sobre fé, amor ágape, o papel da confissão e convites para quem sente vocação religiosa.
Principais aprendizados
- Frei é uma escolha de vida em fraternidade com votos de pobreza, obediência e castidade, enquanto padre diocesano pode viver sozinho e faz apenas voto de celibato.
- O processo de formação para se tornar frei e padre franciscano capuchinho dura nove anos, passando por postulantado, noviciado e teologia.
- Nem todo frei é padre e nem todo padre é frei, sendo que apenas o padre pode celebrar missa.
- O diácono é uma fase de transição que já permite celebrar casamentos e batizados, mas não missas.
- A distribuição de pães na festa de Santo Antônio em Santo André chegou a somar cerca de trinta mil pães, simbolizando a providência e a generosidade coletiva.
Perguntas respondidas neste episódio
Qual a diferença entre frei e padre?
Frei é alguém que optou por viver a espiritualidade franciscana em comunidade, fazendo votos de pobreza, obediência e castidade, sem poder ter bens ou dinheiro em seu nome. Padre é quem recebe a ordenação para celebrar missas e sacramentos. Um frei pode também ser padre, mas existem padres que não são freis, como os diocesanos, que vivem sozinos e fazem apenas o voto de celibato, podendo ter casa e bens em seu nome.
Quanto tempo leva para se tornar padre franciscano capuchinho?
O processo completo de formação leva nove anos, contados desde o início dos estudos até a ordenação sacerdotal. Esse período inclui o postulantado de três anos em Piracicaba, o noviciado de um ano em Nova Veneza, quando se recebe o hábito e o título de frei, e mais quatro anos de teologia, voltados à formação para o ministério que se deseja exercer.
O que é o diácono e o que ele pode fazer?
O diácono é um período de transição antes da ordenação sacerdotal, uma espécie de fase intermediária em que a pessoa já está a serviço da comunidade. Nessa etapa, já é possível celebrar casamentos e batizados, mas ainda não é permitido celebrar missas, que é uma atribuição exclusiva dos padres já ordenados sacerdotes.
Como funciona a multiplicação de pães na festa de Santo Antônio?
Na tradição da festa de Santo Antônio, a comunidade começa comprando poucos pães para distribuir aos fiéis, mas ao longo do dia as pessoas passam a trazer cada vez mais pães como forma de agradecimento por graças recebidas ou promessas cumpridas. Em uma ocasião em Santo André, quando os pães estavam acabando, um caminhão chegou trazendo cinco mil pães doados, permitindo que a distribuição continuasse até somar cerca de trinta mil pães no total.
É possível desistir depois de começar o caminho para ser frei ou padre?
Sim, é possível desistir durante o processo, já que existem várias etapas de avaliação e reflexão ao longo dos anos de formação. A cada ano os votos são renovados, e somente após um período de maturação, geralmente ao final do quarto ano, a pessoa decide se quer fazer os votos perpétuos, enviando uma carta ao conselho responsável para confirmar sua permanência na vida religiosa.
Este texto foi gerado por Inteligência Artificial com base na transcrição do episódio do AdamiCast.