Pe. Edson Barbosa nasceu em Marília, em 1982, cresceu entre o futebol nas várzeas da cidade e os ensaios de pagode no quintal de casa. Antes de vestir a batina, ele foi o “Amaral”, cantor e produtor de pagode que chegou a organizar um encontro com nove grupos no mesmo palco sem gastar um real. É o tipo de trajetória que você não esperaria escutar de um vigário paroquial, mas é exatamente essa história que torna a conversa com ele tão honesta e surpreendente.
Hoje ele serve como Vigário Paroquial em Panorama e em Santa Mercedes, duas cidades do Oeste Paulista, e vem ganhando um outro apelido nas redes sociais: o padre corredor. Neste episódio do AdamiCast ele sentou com a Mariana e o Pedro Adami para contar, sem filtro, o caminho que liga o rebolo ao altar e à pista de corrida.
Do pagode ao altar: a longa virada do Amaral
Edson saiu de casa aos 13 anos querendo ser padre, mas uma decepção na paróquia jogou tudo para o lado. Uma responsável pelo canto na igreja não o deixou cantar e ele prometeu a si mesmo que viraria cantor. E virou: montou o grupo Arte Manha, depois transitou por outros grupos, cantou na escola de samba Corinthians do Sapo em Marília, chegou a fazer abertura em evento ao lado do intérprete oficial das Gaviões da Fiel. O Amaral de Marília tinha status, tinha agenda, tinha moto.
O problema veio junto com o orgulho. Ele conta, sem poupar detalhes, que foi pisando nas pessoas enquanto crescia como produtor. O estopim foi uma festa chamada “Pagode da Mamãe” que terminou em prejuízo grande. Perdeu o carro, perdeu a moto, perdeu os grupos que produzia, e ficou literalmente a pé. Foi nesse fundo que a família o abraçou, uma namorada o levou ao grupo de oração da Renovação Cariismática Católica em Marília, e algo começou a se mover de novo.
O chamado no silêncio debaixo de uma árvore
Antes do seminário, Edson trabalhou oito anos no ramo imobiliário, a ponto de sonhar com a própria imobiliária. A decisão de ser padre amadureceu no silêncio: em retiro da diocese em Lucélia, sentado debaixo de uma árvore em momento de oração, ele ouviu uma resposta clara. No dia 5 de dezembro de 2009, comunicou ao padre da paróquia. Depois foi para a casa dos pais, ajoelhou e pediu a bênção. A mãe, muito religiosa, disse que sempre soube que algo assim estava por vir.
Foram oito anos de formação, com filosofia e teologia. A filosofia foi desafiadora para quem fazia dez anos que não entrava numa sala de aula. A teologia veio mais fácil, porque ele já tinha o hábito da palavra. O maior abalo nesse período foi uma visita inesperada da antiga noiva, no terceiro ano de seminário, que o questionou se ele tinha certeza para o resto da vida. Ele foi rezar com isso, voltou e se deliberou do sentimento. Continuou.
Crise, afastamento e o início da corrida
Anos depois da ordenação, Edson passou por uma crise que o afastou do ministério por 18 meses. Ficou um tempo com os pais em Marília e depois pediu ao bispo para ir a uma casa de acolhimento para padres mantida pela Congregação de Jesus Sacerdote, em Barretos. Foram nove meses de comunidade, acompanhamento psicológico e reorganização interior. Foi lá, também, que ele começou a treinar sério.
No dia 21 de outubro de 2022, no próprio aniversário, decidiu que era dia de começar. Começou pela musculação, acompanhado por um personal chamado Felipe, que o acompanha até hoje mesmo à distância. A corrida surgiu depois, timidamente, até que em setembro de 2024, ao chegar à paróquia de Panorama, ela ganhou força de vez. No dia 7 de setembro de 2024 ele fez sua primeira prova, os 5 km em 26 minutos, e o bichinho ficou.
O padre corredor e a espiritualidade da pista
Hoje Pe. Edson corre pelo menos uma prova por mês, é o diretor espiritual da equipe Beira Rio Runner de Panorama e está se preparando para a São Silvestre na edição de 100 anos, com a inscrição já paga por um fiel que apareceu no caminho certo. Ele descreve a corrida como um exercício de autoconhecimento: a cabeça tem que ser mais forte que o físico, o objetivo não é vencer o outro mas a própria versão de ontem.
Na pista, ele corre sem fone. Aprendeu com companheiros mais experientes que é preciso ouvir o próprio coração, os próprios passos, o que está ao redor. Esse hábito se misturou com a espiritualidade: ele reza durante a corrida não de forma protocolar, mas sentindo o estado emocional e físico do momento e levando isso como oração. É o mesmo princípio que leva para a paróquia: ouvir antes de falar, perceber antes de agir.
Panorama, Santa Mercedes e os eventos da paróquia
Na paróquia, o know-how do antigo produtor de eventos virou ferramenta pastoral. Uma das primeiras providências ao chegar em Santa Mercedes foi trocar o sistema de som. Para ele, celebrar o sagrado com áudio ruim é incoerente. Ele organiza quermesses, procissões, leilões beneficentes para o Hospital do Amor de Barretos, e em setembro de 2025 a programação inclui a novena e a festa da padroeira Nossa Senhora das Merçês, com procissão, missa campal e show da dupla Álvaro e Daniel.
A conexão entre espiritualidade e vida prática é o fio que costura tudo na trajetória do Pe. Edson. Ele cita Viktor Frankl pela logoterapia, Anselmo Green pela espiritualidade saudável, São Bento e Santa Maria Madalena como referências da comunidade de vida da qual faz parte. E cita o Thiaguinho como modelo de carreira sólida, aquele que soube construir uma base sustentável quando o Edson ainda estava se perdendo no orgulho.
Onde encontrar
Pe. Edson Barbosa recebe em Panorama-SP e Santa Mercedes-SP, com gravação realizada em Dracena, SP. Você pode acompanhar a trajetória dele nas redes sociais pelo Instagram @padreedsonbarbosa_k e @opadrecorredor.
Resumo do episódio
Pe. Edson Barbosa foi cantor e produtor de pagode em Marília antes de se ordenar sacerdote. Após uma crise que o afastou do ministério, ele descobriu a corrida como exercício de autoconhecimento e espiritualidade, participando de provas mensais enquanto atua como vigário em Panorama e Santa Mercedes. Sua trajetória mostra como experiências de vida anterior, incluindo organização de eventos, se transformam em ferramentas pastorais e pessoais.
Principais aprendizados
- O orgulho e a falta de humildade podem causar perdas materiais significativas, como aconteceu com o Amaral quando perdeu carro, moto e grupos após o prejuízo do Pagode da Mamãe.
- A decisão vocacional de Pe. Edson amadureceu no silêncio e na oração, em um retiro diocesano, longe do ruído das ambições materiais.
- Na corrida, o objetivo não é vencer o outro mas superar a própria versão de ontem, um exercício que exige mais força mental que física.
- Correr sem fone permite ouvir o próprio coração, os passos e o entorno, hábito que se mistura com a espiritualidade durante a prática.
- A experiência como produtor de eventos antes do sacerdócio se tornou ferramenta pastoral, aplicada na organização de quermesses, procissões e celebrações nas paróquias.
Perguntas respondidas neste episódio
Como Pe. Edson começou a correr?
Começou pela musculação em outubro de 2022, acompanhado por um personal. A corrida surgiu depois de forma tímida e ganhou força em setembro de 2024, quando chegou à paróquia de Panorama. Sua primeira prova foi nos 5 km em 26 minutos.
O que motivou Pe. Edson a deixar a vida de produtor de pagode?
Uma crise financeira no evento Pagode da Mamãe o fez perder carro, moto e os grupos que produzia, deixando-o a pé. Nesse momento de fundo, sua família o abraçou e uma namorada o levou a um grupo de oração da Renovação Carismática Católica, iniciando uma transformação interior.
Como Pe. Edson compreende a espiritualidade durante a corrida?
Ele reza durante a corrida não de forma protocolar, mas sentindo o estado emocional e físico do momento e levando isso como oração. Corre sem fone para ouvir o próprio coração e os passos, aplicando o mesmo princípio nas celebrações paroquiais: ouvir antes de falar e perceber antes de agir.
Quanto tempo Pe. Edson passou em formação para o sacerdócio?
Foram oito anos de formação, com disciplinas de filosofia e teologia. A filosofia foi desafiadora porque ele tinha dez anos sem estar em uma sala de aula. A teologia veio mais fácil, pois ele já tinha o hábito da palavra.
Este texto foi gerado por Inteligência Artificial com base na transcrição do episódio do AdamiCast.