O episodio 299 do AdamiCast recebeu o casal Bruno Galino e Suelen, ele engenheiro civil, ela advogada que se tornou designer de interiores, para contar como uniram vidas e profissoes e construiram, juntos, um escritorio que hoje funciona quase como um showroom em Dracena. A conversa passou por trocas de curso na faculdade, cargos publicos, a pandemia que virou um divisor de aguas para a construcao civil e os bastidores de uma sociedade que comecou muito antes de virar empresa.
De Linz a Presidente Prudente, a busca pelo curso certo
Bruno contou que sempre foi apaixonado por tecnologia, ainda criança pintava computadores e se encantava com luzes. Ganhou bolsa para estudar engenharia de telecomunicacoes em Linz, mas na primeira aula ouviu de um professor uma comparacao que nunca esqueceu: “voce e um pato, tem asa mas nao voa, tem bico mas nao bica”. Migrou para engenharia eletrica com enfase em alta tensao, fez tres anos de faculdade sem se identificar, ate estagiar em uma empresa de transformadores e ter certeza de que aquilo nao era para ele. A virada veio numa aula de Instalacoes Prediais Eletricas, quando comecou a projetar tomadas e iluminacao de um quarto e percebeu: “e isso daqui que eu quero”. Sem conseguir migrar de curso na mesma instituicao, decidiu recomecar em Presidente Prudente, na engenharia civil, aproveitando parte das materias ja cumpridas.
Tres empregos ao mesmo tempo e a coragem de recomecar
Formado, Bruno distribuiu currcurrículos em Dracena logo na sexta-feira seguinte ao TCC e foi chamado no sabado seguinte para assumir a Secretaria de Obras da prefeitura, comecando a trabalhar ainda em dezembro. Pouco depois, formou sociedade com um arquiteto no periodo da tarde e, com um ano de formado, passou em concurso para engenheiro civil em Panorama, chegando a acumular tres empregos. Quando surgiu a chance de assumir a Endaep, decidiu abandonar o concurso publico: “tenho quatro anos para fazer o meu nome”. Depois de um ano e meio na autarquia, decidiu abrir voo proprio e contratou a primeira funcionaria, a entao estagiaria de arquitetura Isabela. Deixar a Endaep foi descrito por ele como uma das decisoes mais dificeis da trajetoria, marcada por lagrimas na saida.
O caminho de Suelen, do direito ao design de interiores
Suelen se formou em direito e trabalhou por 12 anos no setor juridico de usinas da regiao, rotina que ela descreve como desgastante, com deslocamentos longos e pouco contato com a familia durante o dia. Contou que desde crianca se interessava por decoracao e por planejar ambientes, mas o medo de sair de Dracena para estudar arquitetura a fez seguir outro caminho. O relacionamento com Bruno, no entanto, aproximou-a da area: os fins de semana do casal eram tomados por projetos, renderizacoes e ate passeios observando fachadas de casas. Uma conversa com uma colega de trabalho foi o estopim: “por que voce ja nao comeca esse curso logo?”. Suelen se matriculou no curso de design de interiores a distancia pouco antes da pandemia comecar.
Pandemia, mudanca de casa e a virada de chave para o escritorio
A pandemia trouxe instabilidade, mas tambem impulsionou a construcao civil, segundo o casal. Bruno relembrou o susto ao ver as ruas vazias de Dracena nos primeiros dias, mas logo notou que o escritorio comecava a “bufar de projetos”, movido pelo tempo que as pessoas passaram a valorizar dentro de casa. Foi nesse periodo que Suelen conciliou o home office da usina com a reta final do curso e o casal finalmente se mudou para a casa propria, com uma forca-tarefa de dezenas de profissionais trabalhando ate no fim de semana para cumprir a data marcada. Quando o home office na usina acabou, Bruno fez o convite decisivo para que ela se juntasse ao escritorio, decisao que ela levou meses para aceitar, mas que se mostrou o passo que faltava para consolidar a sociedade também no design de interiores.
Crescimento do time e o escritorio que virou showroom
Com a demanda por projetos de interiores em alta, o antigo escritorio na Dom Pedro ficou pequeno e o casal decidiu construir um espaco novo, inaugurado entre 2022 e 2023 depois de semanas de trabalho intenso, incluindo a montagem da automacao feita pelo proprio Bruno. Pouco depois, a chegada de uma nova profissional, convidada por iniciativa propria a integrar o time, acelerou a expansao, e em poucos dias uma sala inteira foi montada para receber a nova equipe. Hoje o escritorio conta com cinco pessoas presenciais, alem de apoio remoto, e cada ambiente foi pensado para funcionar como amostra de materiais, texturas e acabamentos, do cimento queimado ao teto amadeirado, para que os clientes toquem e sintam de verdade as opcoes antes de decidir.
A casa do casal e as licoes de quem constroi para os outros
Bruno e Suelen tambem contaram os bastidores da propria casa, erguida em terreno de esquina justamente para disfarcar um poste que surgiu no meio do projeto original. A casa foi pensada como um espaco compacto, mas com ambientes integrados capazes de reunir cinquenta ou sessenta pessoas em festas, unindo sala, cozinha e garagem em um unico fluxo. Entre os arrependimentos, veio a churrasqueira de inox dificil de manter limpa, trocada por uma versao mais pratica de pedra vulcanica, e a piscina que ainda nao saiu do papel, mas ja tem encanamento previsto para o futuro. O casal explicou a teoria das “tres casas” que costuma aplicar com clientes, da primeira possivel, passando pela segunda cheia de excessos, até a terceira, pensada para ser pratica e funcional, sintetizando o aprendizado de quem viveu, na pratica, cada uma dessas fases antes mesmo de projetar para os outros.
Onde encontrar
Você encontra quem participou deste episódio no Instagram: @engbrunogalina e @suelenbonancim_interiores.
Resumo do episódio
O episódio reúne Bruno Galino, engenheiro civil, e Suelen, designer de interiores, contando a trajetória profissional dos dois desde a formação até a construção do escritório atual em Dracena, montado como um showroom. Eles narram as mudanças de curso na faculdade, a passagem por cargos públicos, a decisão de empreender juntos, o impacto da pandemia no aumento da demanda por projetos residenciais e de interiores, e como conciliam vida de casal com sociedade profissional. O relato traz também detalhes sobre os três tipos de casas que constroem ao longo da vida das famílias e sobre erros e acertos na construção da própria residência.
Principais aprendizados
- A pandemia aumentou a valorização dos espaços internos das casas, fazendo a área gourmet se tornar o ambiente mais importante nos projetos.
- Depois da pandemia, os clientes passaram a buscar mais projetos de interiores detalhados, e não apenas projetos arquitetônicos.
- Existem três fases de casas ao longo da vida de uma família: a do que dá para fazer, a dos exageros pensada nos filhos, e a casa prática voltada para praticidade na fase em que os filhos já saíram de casa.
- Trabalhar em sociedade com o cônjuge exige separar assuntos de casa dos assuntos de trabalho para evitar conflitos constantes.
- Home office aumentou a produtividade e o tempo de trabalho de funcionários, pois eles continuavam respondendo demandas fora do horário convencional.
Perguntas respondidas neste episódio
Como a pandemia influenciou os projetos de arquitetura e interiores?
A pandemia mudou completamente o tipo de projeto solicitado pelos clientes. As pessoas passaram a valorizar mais o tempo dentro de casa e a área gourmet se tornou o principal ambiente do lar, pensado para receber amigos e família. Também aumentou a busca por espaços de home office, mesmo em casas menores, e cresceu muito a demanda por projetos de interiores detalhados, que antes eram menos comuns.
Quais são os tipos de casas que uma família costuma construir ao longo da vida?
Geralmente existem três casas na vida das pessoas. A primeira é feita com o que o orçamento permite, geralmente por um casal sem filhos. A segunda é a casa dos exageros, construída quando já há filhos pequenos, com tudo que não foi possível ter na primeira, sendo grande e cheia de tecnologia. A terceira é a casa prática, construída quando os filhos já saíram, com acabamentos simples e fácil manutenção.
Como é trabalhar em sociedade e ser casado com a mesma pessoa ao mesmo tempo?
É necessário aprender a separar os assuntos pessoais dos profissionais, evitando levar problemas de casa para o trabalho e vice-versa. No começo, essa separação era difícil, principalmente por estarem sempre próximos fisicamente no escritório, mas com o tempo desenvolveram uma rotina de se policiar para não misturar as duas coisas, o que melhorou depois que passaram a ter salas separadas.
Vale a pena investir em churrasqueira de alvenaria tradicional em vez de modelos mais sofisticados?
Segundo a experiência relatada, churrasqueiras muito elaboradas, com bastante inox e acabamento brilhante, podem ser difíceis de limpar e acabam sendo pouco usadas no dia a dia. A recomendação prática que surgiu da própria vivência foi optar por churrasqueiras mais simples, como modelos estilo parrilla ou elétricas com pedra vulcânica, que facilitam o uso constante sem depender de limpeza intensa após cada churrasco.
Este texto foi gerado por Inteligência Artificial com base na transcrição do episódio do AdamiCast.