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Empreendedorismo e fé em Dracena: a historia de Tatiana Amor Store | #318

19 de junho de 2024 • 6 min de leitura

Este texto vem do episódio #318 do AdamiCast

O episódio 318 do AdamiCast recebeu Tatiana, dona da Amora Store, loja de moda feminina que se tornou um dos maiores fenômenos de vendas por Instagram da região de Dracena. Em uma conversa longa e cheia de detalhes, ela contou como uma menina que crescia em volta da produção de artesanato da mãe se transformou, décadas depois, na “Mulher do Céu”, apelido que hoje carrega estampado em bordões, camisetas e na van adesivada que roda pelas ruas da cidade.

Do artesanato da mãe às portas de porta em porta

Tatiana lembra que sua história com o comércio começou muito antes de abrir qualquer loja formal. A mãe tinha uma pequena produção de artesanato em casa, com nove costureiras trabalhando o dia todo. “Eu tava ali desde pequenininha e eu vendo tudo aquilo. Muitas vezes eu queria me meter”, contou. Como as mulheres não deixavam a menina participar da produção, aos finais de semana ela saía com o pai para vender de porta em porta. Foi ali, segundo ela, que nasceu a semente da vendedora, embora ela mesma reconheça um paradoxo: “Eu sempre gostei de empreender, mas eu falo que eu passei a ser vendedora de poucos anos pra cá.”

A loja de roupas surgiu de um jeito quase acidental. Ela já tinha um bazar, o Aquarela Artesanatos, quando a vizinha decidiu vender o próprio comércio, a Mistura Fina. A mãe de Tatiana comprou na hora, parcelado, sem saber exatamente o que fazer com aquilo. “Eu não sabia se eu tomava banho, se eu subia pra loja… Eu não sabia comprar calça jeans pra mim.” A entrada no mundo da moda foi, em suas palavras, totalmente perdida no início, até as viagens ao Paraná e depois a São Paulo virarem rotina.

A pandemia, o comentário que doeu e a virada na loja nova

O ponto de virada mais marcante da trajetória aconteceu durante a pandemia. Com a loja fechada por 37 dias, Tatiana resolveu voltar sozinha, sem as funcionárias, e comecou a postar produtos no Instagram, algo que praticamente não fazia. Animada com as primeiras vendas, ela recebeu um comentário duro de uma desconhecida da região, que criticou pesadamente as roupas e os manequins da loja. “Eu comecei a chorar dentro da loja”, relembrou.

Foi nesse momento de fragilidade que um antigo proprietário de um prédio vazio na cidade apareceu oferecendo o espaço para alugar, dizendo que confiava em Tatiana por lembrar do pai dela. Sem dinheiro algum, no meio da pandemia, ela decidiu arriscar, comprando piso, tinta e móveis todos parcelados. “Eu nunca imaginei que ficaria tão linda”, disse sobre a nova loja, que foi inaugurada no mesmo dia do casamento da filha, entre nove e onze da manhã.

O Instagram, o boi da piranha e a virada de chave nas vendas

Durante anos, Tatiana não sabia nem manusear um celular, dependia das funcionárias para postar fotos. A virada definitiva na forma de vender veio quando ela observou uma concorrente vendendo peças muito abaixo do preço de mercado e não entendia a lógica. O marido explicou o conceito do “boi da piranha”: uma peça baratíssima para atrair clientes que, uma vez dentro da loja, compram outros produtos. Ela testou a estratégia oferecendo cinquenta blusas de presente, que acabaram em pouco mais de trinta minutos. A partir daí, as vendas de peças baratas passaram a girar em alta escala todos os dias, trazendo um público novo para dentro da loja e criando a fama de preços acessíveis que a Amora carrega até hoje.

A fé, os momentos de crise e o nascimento da “Mulher do Céu”

Entre as histórias mais emocionantes da entrevista está o episódio que deu origem ao apelido que hoje é marca registrada de Tatiana. Após um momento de grande desgaste emocional, puxando um carrinho pesado durante a madrugada em São Paulo, ela ouviu uma música evangélica tocando em uma caixa de som na rua que falava exatamente sobre recomeço. Ao voltar para a loja e compartilhar a experiência no Instagram, pela primeira vez mostrando o rosto, recebeu uma onda de mensagens de pessoas que se identificaram com a história. Pouco depois, ao fazer uma entrega, uma cliente gritou de um carro: “E aí, Mulher do Céu?” O apelido pegou e nunca mais saiu.

Tatiana também contou como certos episódios de humilhação acabaram funcionando como combustível para decisões importantes. Um cliente que pediu desconto em um pedido de barbante e disse que ela “não queria” dar o desconto, e não que “não podia”, foi o estopim para ela abandonar o bazar de artesanato e migrar de vez para roupas. Da mesma forma, o comentário agressivo no Instagram durante a pandemia acabou impulsionando a mudança para a loja nova, hoje símbolo do negócio.

A Guanabara, a Amora Importada e a expansão natural do negócio

Outro capítulo importante da conversa foi sobre a compra da van batizada de Guanabara, adesivada com o nome da loja e hoje reconhecida pelas ruas de Dracena e região. A decisão de comprar veículo próprio veio depois de um episódio em que a polícia parou o ônibus de excursão em que Tatiana estava e retirou um passageiro fugitivo carregando sacolas da própria loja. O medo da situação e o crescimento das compras, que já não cabiam mais nos limites de bagagem do ônibus, selaram a decisão. Hoje a van roda por cidades vizinhas como Panorama, Tupi Paulista e Junqueirópolis, funcionando como ferramenta extra de marketing, já que clientes fazem fotos e vídeos sempre que a avistam.

Ao longo da conversa, Tatiana reforçou que o segredo do negócio está em comprar bem, tratar as pessoas com carinho e manter constância nas redes sociais, sempre mostrando o dia a dia real da loja. Ela relembrou histórias de parcerias com outros pequenos empreendedores da cidade, trocas de indicações e o apoio mútuo entre lojistas da região, deixando claro que o sucesso da Amora está profundamente ligado à comunidade que a rodeia. Sobre o futuro, admitiu que há pedidos constantes de clientes de cidades vizinhas para abrir novas unidades, mas por ora prefere manter o foco na loja de Dracena, sem descartar que tudo pode mudar de um dia para o outro, assim como aconteceu tantas vezes em sua trajetória.

Onde encontrar

Você encontra quem participou deste episódio no Instagram: @musclestoresuple.

Resumo do episódio

O episódio traz a trajetória de Tatiana, empreendedora dracenense fundadora da loja Amora, que começou vendendo artesanato de porta em porta com o pai e hoje comanda um negócio de moda popular reconhecido na região. A conversa mostra como decisões difíceis, como fechar lojas, mudar de endereço durante a pandemia e aprender a usar o Instagram, transformaram o comércio local. Ela detalha estratégias práticas de vendas, como usar peças de baixo preço para atrair clientes e comprar em grande quantidade para reduzir custos. O relato também aborda a importância do atendimento humanizado e da constância na presença digital para consolidar uma marca reconhecida na região de Dracena.

Principais aprendizados

  • Vender uma peça com preço muito baixo como chamariz atrai clientes que acabam comprando outros produtos de valor maior na loja.
  • Comprar em grande quantidade reduz o custo unitário das mercadorias e permite praticar preços mais competitivos.
  • Postar conteúdo humanizado e mostrar o dia a dia da loja no Instagram aproxima o negócio dos clientes e gera identificação.
  • Entender o público real que frequenta a loja, incluindo numerações maiores, é decisivo para direcionar as compras de mercadoria.
  • Momentos de crítica ou desafio recebidos de clientes ou desconhecidos podem se tornar motivação para mudanças importantes no negócio.

Perguntas respondidas neste episódio

Como uma pequena loja consegue vender produtos mais baratos que a concorrência?

O segredo está na quantidade comprada. Ao adquirir peças em grandes lotes, principalmente em lojas de São Paulo, o valor unitário cai bastante comparado à compra de uma peça avulsa. Isso permite oferecer um produto de entrada com preço muito baixo, que funciona como atrativo para trazer clientes para dentro da loja, mesmo sem lucro considerável nessa peça específica.

Como o Instagram pode ajudar a vender mais em uma loja de roupas?

Postar o dia a dia da loja, mostrar clientes experimentando roupas, contar histórias pessoais e manter uma rotina constante de publicações cria proximidade e confiança com o público. Isso faz com que as pessoas sigam esperando novidades e acabem comprando diretamente pelas redes sociais, sem necessidade de site, porque o vínculo criado gera vendas espontâneas mesmo fora do horário comercial.

Vale a pena investir em promoções tipo liquidação para atrair clientes?

Sim, desde que a liquidação não seja formada apenas por peças encalhadas. Incluir produtos novos e lançamentos misturados com preços baixos faz as pessoas acreditarem que vale a pena conferir a promoção, pois sabem que podem encontrar novidades reais e não apenas sobras. Isso atrai tanto quem busca o item novo quanto quem aproveita para levar peças antigas.

Como lidar com críticas negativas recebidas nas redes sociais de um negócio?

Uma crítica dura pode gerar tristeza imediata, mas também pode se tornar um ponto de virada. Em vez de desistir, é possível usar o momento como impulso para buscar mudanças, como trocar de local, melhorar a estrutura ou repensar a abordagem do negócio. Com o tempo, esse episódio negativo pode resultar em decisões que trazem crescimento real para a empresa.

Como conquistar a fidelidade dos clientes em um comércio local?

Tratar cada pessoa com carinho, chamar pelo nome, fazer fotos e brincadeiras nas redes sociais e criar experiências dentro da loja, como servir café e bolo, aproxima o cliente e cria um vínculo afetivo. Esse tipo de atenção faz com que as pessoas voltem, tragam amigos e se sintam parte da história do negócio, gerando recomendação natural.

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Este texto foi gerado por Inteligência Artificial com base na transcrição do episódio do AdamiCast.