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Do salário mínimo do tio a exportar pro Canadá: a história de Reginaldo Farina, o Stalony | #181

03 de janeiro de 2023 • 10 min de leitura

Este texto vem do episódio #181 do AdamiCast

Quando Reginaldo Farina, conhecido como Stalony, tinha idade de carregar marmita para o almoço, ele já trabalhava na loja de couro do tio, em São Paulo, ganhando um salário mínimo e comendo o que os primos traziam de casa. A história, contada no episódio #181 do AdamiCast, em janeiro de 2023, é a de um cara que começou sem nada, saiu do emprego do tio na semana do casamento, vendeu chinelo dentro de ônibus na Via Dutra, comprou um posto de gasolina aos poucos depois de uma briga conjugal alheia, montou uma fábrica de calçados com 130 funcionários em São Paulo, e só recomeçou do zero quando a primeira esposa morreu de câncer e ele decidiu mudar de vida. Hoje, aos 67 anos, ele toca a Stalony, indústria de artigos para animais que exporta para Canadá e Austrália, e diz que o que ele mais quer, agora, é não depender de ninguém.

Ao longo de quase duas horas de conversa, Reginaldo mostrou que a diferença entre quem segue a vida do tio e quem decide tocar a própria é menos talento e mais uma combinação de teimosia, sorte e disciplina. Ele diz que aprendeu com o tio a chegar primeiro e sair por último, e que, sem esse aprendizado, não teria chegado onde chegou. O detalhe que define a conversa, e que ele repete várias vezes, é que ele não é mais o mesmo empresário da fábrica grande de São Paulo, porque não tem mais quem toque, e que prefere uma empresa menor, abençoada, que anda sozinha, a um império que dependa dele. É o que ele chama de ter uma empresa que cabe na vida, e não uma vida que cabe na empresa.

Do tio em São Paulo a dono de posto após a briga do português

Reginaldo cresceu em uma família em que o lado paterno tinha boas condições, mas o pai dele, como ele próprio diz, era “desgarrado”, e nada caiu pronto. A mãe saía para trabalhar, e ele foi colocado, ainda criança, para ajudar o tio na loja de couro, onde fazia de tudo, ganhava um salário mínimo, e almoçava a marmita que os primos tinham a gentileza de levar. Foi ali, aos poucos, que ele foi se revoltando. “Trabalhei para o senhor desde pequeno, nunca tive aumento, nunca tive 13.º.” Quando casou, foi ao tio e pediu a conta. O tio ofereceu aumentar, ele recusou. “Daqui pra frente não trabalho para mais ninguém.” Não era braveza, era um plano. O primeiro teste foi vender chinelo: ia até a Via Dutra, em São Paulo, enchia um saco, enfiava no ônibus, e ia vender no Rio de Janeiro. Foi assim que ele começou.

A virada aconteceu por acaso, em um posto de gasolina, onde ele ajudava um português que ele descreve como pai postiço. Um dia, o português pegou a esposa com outro dentro do posto, ficou revoltado, e disse, na raiva, que ia entregar o ponto. “Fareninha, você vai ser o dono do posto.” Reginaldo não conhecia o ramo, mas aceitou. Em vez de comprar, ele pagou aos poucos, durante quase dois anos, e seguiu tocando. Em paralelo, herdou do antigo patro a oportunidade de assumir uma loja de couro, do mesmo tipo que tinha sido do tio. Aí, em pouco tempo, já pagava o que devia, e com 24 anos ele já tinha a primeira casa própria. Foi quando decidiu que a fábrica viria.

A fábrica Stallone, os 130 funcionários e a morte que mudou tudo

Nos anos 1970, com a febre de Sylvester Stallone nas telas, Reginaldo abriu uma fábrica de calçados e artigos de couro que batizou, meio a sério meio brincando, de Stallone. O nome pegou, e a fábrica cresceu, com modelos de calça e botina que emplacaram no comércio da região. No auge, eram 130 funcionários, e o nome virou referência em couro no interior de São Paulo. A vida, no entanto, começou a virar quando a primeira esposa dele foi diagnosticada com câncer nos rins. Reginaldo deixou a fábrica nas mãos dos funcionários, passou meses inteiros tentando cuidar, e só entendeu a dimensão da perda quando ela não resistiu. Quando voltou, sentiu que não era mais a mesma coisa.

Foi nesse momento que ele decidiu vender. Apareceram compradores para o prédio, ele analisou se dava para pagar todo mundo, deu, e fechou. “Hoje eu tenho um funcionário que trabalha comigo há 40 anos, dois vieram embora comigo.” Os dois que vieram, e o que ficou, continuam com ele até hoje. Ele voltou a começar com duas máquininhas só, dentro da própria casa em que morava em São Paulo, enquanto reorganizava a vida e pensava onde seria o próximo passo. A resposta veio de um amigo que morava na região de Dracena, e que mostrou a ele o preço da terra no interior. Ele vendeu uma propriedade em Igaratá, no interior paulista, por R$ 150 mil, e comprou uma área três vezes maior na região de Santa Mercedes, por R$ 36 mil. Foi a mudança de vida, e o começo da Stalony que existe hoje.

A Stalony que exporta e a empresa que cabe na vida

Na região, a Stallone virou Stalony, com adaptação, e mudou de foco: deixou o calçado e foi para o que ele conhecia desde a infância, o cavalo. A Stalony hoje é indústria de artigos para animais, com catálogo que vai de sela a cabresto, e exporta para Canadá, Austrália e outros países, mesmo que por meio de um distribuidor americano. “Nós exportamos Canadá, Austrália, um monte de país. Não diretamente, é um americano que me compra, e ele mesmo que envia, mas eu não quero nada.” O detalhe que define a Stalony é o mesmo que define o Reginaldo: ela anda sozinha. “Eu acredito que um trabalho abençoado é uma empresa que anda sozinha. É muito boa hoje.”

Reginaldo diz que não quer crescer pelo crescer. Ele tem um exemplo na região, o dono da Usina Alto Alegre, que é um monstro de negócio, e mesmo assim não quer comparar. “Por outro lado, para mim não me interessa, porque eu não tenho ninguém que vai tocar isso. Tentei com o filho, não deu certo. Não adianta, não vai.” É uma frase que aparece como princípio: empresa boa, para ele, é empresa que sobrevive sem o dono, não empresa que dependa do dono para existir. Foi assim que ele se planejou para parar de operar há alguns anos, no momento em que o filho mais velho sinalizou que não ia entrar no ramo, e foi assim que ele se mantém ativo no haras, no treinamento, na exportação, e na vida, sem o peso de quem toca sozinho um negócio de 130 funcionários.

O haras, o trailer de 10 metros e o cavalo como terapeuta

Hoje, com 67 anos, prestes a fazer 68, Reginaldo diz que fica mais na parte do haras, e menos na parte da fábrica. É ele quem monta os cavalos, e ele quem treina. A esposa dele, Suzano, é competidora, e ele a leva em um trailer de 10 metros, com banheiro, box temperado, cozinha e até churrasqueira, puxado por uma S10 ou por uma Dodge. O próprio trailer é um personagem da história: ele diz que já tentou vender, mas não tem coragem, porque é o lugar onde ele foge do mundo, assa uma carne, dorme, e ainda compete. Foi em uma prova recente, em Avanhandava, que ele apareceu no episódio com sete cavalos da americana que ele treina, e foi essa a deixa para ele contar o que mais gosta de falar: o efeito que o cavalo tem nas pessoas.

Reginaldo tem uma frase que ele repete para os pais que têm filhos no caminho errado: “Dê um cavalo para o seu filho, antes que ele pareça uma morte.” O cavalo, para ele, é o que mantém a família junta, o que tira o menino da rua, o que ensina responsabilidade, e o que faz a mãe voltar a torcer pelo filho em uma arena em vez de reclamar da vida. Foi a partir desse princípio que ele começou a receber crianças com deficiência, dentro do haras, para a prática da equoterapia, e foi assim que ele descreveu, no episódio, o que considera o melhor retorno do cavalo: uma criança que se conecta demais com o animal. Foi também por isso que o trailer tem churrasqueira, a fábrica tem o nome de um ator dos anos 70, e a meta de comprar uma propriedade por ano virou o ritmo da própria vida. “Eu acho que ainda vou longe, não vai ser parado, não vai ser parado.”

Onde encontrar

Reginaldo Farina, o Stalony, toca a Stalony Indústria e Artigos para Animais a partir de Santa Mercedes, na região de Dracena, com atendimento no haras e exportação por meio de distribuidores. Para acompanhar a rotina, os treinos e a produção de artigos para equinos, siga a Stalony no @stalonyanimais e o Reginaldo no @farinareginaldo.

Resumo do episódio

Reginaldo Farina, conhecido como Stalony, começou ganhando salário mínimo na loja de couro do tio em São Paulo e, após sair do emprego, vendeu chinelo em ônibus, comprou um posto de gasolina, montou uma fábrica de calçados com 130 funcionários e, após a morte da primeira esposa, recomeçou do zero na região de Dracena com a Stalony, indústria de artigos para animais que exporta para Canadá e Austrália. A história mostra que a diferença entre seguir a vida do tio e decidir tocar o próprio negócio é menos talento e mais uma combinação de teimosia, sorte e disciplina, com foco em construir uma empresa que ande sozinha e caiba na vida, não uma vida que caiba na empresa.

Principais aprendizados

  • Aprendeu com o tio a chegar primeiro e sair por último, e esse aprendizado foi fundamental para seu sucesso empresarial.
  • A mudança de São Paulo para a região de Dracena foi possível vendendo uma propriedade em Igaratá por R$ 150 mil e comprando uma área três vezes maior por R$ 36 mil.
  • Uma empresa boa, para ele, é aquela que sobrevive sem o dono e não depende dele para existir.
  • O cavalo funciona como terapeuta para manter a família junta, tirar crianças da rua e ensinar responsabilidade.
  • A Stalony utiliza um distribuidor americano como intermediário para exportar para Canadá, Austrália e outros países.

Perguntas respondidas neste episódio

Como começou a carreira de Reginaldo Farina?

Começou trabalhando na loja de couro do tio em São Paulo, ganhando um salário mínimo ainda criança. Após sair do emprego quando casou, vendeu chinelo dentro de ônibus na Via Dutra até a oportunidade de tocar um posto de gasolina de um português que o considerava como filho postiço.

Como a fábrica Stallone cresceu?

Aberta nos anos 1970 com o nome inspirado em Sylvester Stallone, a fábrica de calçados e artigos de couro chegou a ter 130 funcionários, com modelos de calça e botina que se tornaram referência em couro no interior de São Paulo.

Por que Reginaldo mudou para Dracena?

Após a morte da primeira esposa por câncer e a decisão de vender a fábrica de calçados em São Paulo, um amigo da região de Dracena mostrou a ele o preço da terra no interior. Vendeu uma propriedade em Igaratá por R$ 150 mil e comprou uma área três vezes maior na região de Santa Mercedes por R$ 36 mil.

Para quais países a Stalony exporta?

A Stalony exporta para Canadá, Austrália e outros países, mas não diretamente. A exportação é feita por meio de um distribuidor americano que compra os produtos e envia para os clientes finais.

Qual é o foco atual da Stalony?

A Stalony é uma indústria de artigos para animais com catálogo que vai de sela a cabresto. Reginaldo trabalha principalmente na parte do haras, montando e treinando cavalos, enquanto a empresa funciona de forma independente sem depender dele para operar.

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Este texto foi gerado por Inteligência Artificial com base na transcrição do episódio do AdamiCast.