No episódio #242 do AdamiCast, em 15 de agosto de 2023, Maria do Carmo Mansano Garcia Lara e Valter da Silva Lara, dentistas em Dracena há 44 anos, contaram uma história que começa com o Valter, caçula de 4 irmãos dentistas, fazendo curso de prótese em Lins no Instituto Americano, e termina com 44 anos de casados, 18 anos trabalhando juntos no mesmo consultório, 2 filhos que viraram dentistas, 4 netos, e a frase que a Maria do Carmo mais repete, de que prefere viver com paz do que com a razão. Foi uma conversa de mais de 2 horas, passando pela paquera na pensão de Lins que começou com uma colega falando que o Valter tinha pernas bonitas mas a cabeça parecia uma abóbora porque tava careca, pelo pai da Maria do Carmo que em 1973 falou “não, porque mulher, você não vai estudar tudo que você quiser”, pela vinda pra Dracena que ela não queria e o Valter definiu com a frase “Dracena é o lugar”, e pela faculdade em Lins que dava bagagem muito grande na prática.
Do Instituto Americano de Lins à faculdade de Odontologia: como o Valter virou dentista, com 4 irmãos dentistas em casa
O Valter nasceu em Promissão, do lado de Lins, e com 6 meses de idade a família mudou pra Lins, que naquela época era a cidade das escolas da região, e o pessoal do Mato Grosso e do Mato Grosso do Sul ia tudo pra lá estudar. Ele fez o colegial no Instituto Americano de Lins, que depois virou da Metodista de Piracicaba, e lá tinha um curso de prótese dentária que ele fez ao mesmo tempo que o colegial. “Pô, eu vou fazer esse curso”, lembra ele, e os 4 irmãos dele já eram dentistas (1 já falecido), e ele é o caçula, e começou como técnico, e já ajudava os irmãos no consultório, e gostou por causa da prótese, e depois complementou com a Odontologia, e é o que faz até hoje.
Dos 4 irmãos dentistas, segundo o Valter, a história é longa, e o que ele mais conta pros novos dentistas que chegam no consultório é que a faculdade em Lins dava bagagem muito grande na prática, com um mínimo que era o susto da turma: prótese total, a famosa dentadura, com uma quantidade de habitantes; tratamento de canal, que não era 1 ou 2, era 10 a 15 dentes; coroas daquelas de reabilitação, que não era 1 ou 2, era 10 a 15 coroas; extrações, e o pessoal ficava doido e não dormia. Tinha gente que depois de formado voltava pra terminar a carga. “Era puxado mesmo, mas a gente falou: isso te prepara pra vida”, resume o Valter, e é o que ele mais sente falta, e o que ele mais fala pras turmas novas.
De 1973, do “não porque mulher” do pai, da palestra em Araçatuba, e do vestibular que passou faltando 1 ponto pra excedente
A Maria do Carmo fez o colegial no Isaac, em Dracena, e em 1973 o pai falou “não, porque mulher, você não vai estudar tudo que você quiser”, porque o irmão tava fazendo cursinho pra medicina e a lógica da casa era outra. Aí ela não sabia o que fazer, e foi assistir uma palestra em Araçatuba, e viu os professores, e chegou em casa e falou pra mãe “já sei que eu vou fazer”, e a mãe falou “vai dar certo? quando alguém machuca perto de você você sai correndo”. O irmão foi quem bancou: “você vai passar, você é inteligente, eu sempre gostei de você estudar”. Aí ela prestou vestibular em Lins, ficou faltando 1 ponto pra excedente, e passou, e foi morar 2 anos numa pensão, e entrou no lugar da cunhada do Valter, que tinha saído.
A escolha pela Odontologia, segundo a Maria do Carmo, foi o que mudou tudo, e ela reforça até hoje pras mulheres que chegam com a mesma dúvida, de que a palestra em Araçatuba valeu mais do que qualquer teste vocacional, e que foi a primeira vez que ela desobedeceu o pai em algo grande, e o pai deixou, e foi o que decidiu a vida. “Eu não sei se acontece isso com você”, ela contou no bate-papo, “mas as palestras de escola, eu sempre achei isso muito importante, porque foi daí que eu resolvi”. Foi em Lins que ela conheceu o Valter, na pensão, e onde a história do casal começou, com um detalhe que ela ri até hoje.
Da paquera na pensão de Lins (“cabeça que parece uma abóbora porque tava careca”) aos 44 anos de casados, com 2 filhos que viraram dentistas
A paquera, segundo a Maria do Carmo, foi na pensão de Lins, e começou com uma colega falando “não, porque você não paquera o Valter, ele tem pernas bonitas mas tem uma cabeça que parece uma abóbora porque tava careca”. Ela respondeu “Deus me livre, eu não vim aqui pra arrumar ninguém”, mas no 3º ano eles começaram a namorar, e a colega da pensão, que já tinha se formado e ido embora da cidade onde o irmão mais velho do Valter morava, ficou sabendo, voltou só pra verificar se era verdade, porque ela que falava pro namorado. “Sempre que namorou desde o primeiro ano”, lembra a Maria do Carmo, “eu falei: não, porque não era hora. Aí deu certo”.
O sogro, lembra a Maria do Carmo, foi o que decidiu a vida, porque o Valter chegou em Dracena e ficou uma semana no hotel, e o sogro ofereceu “tem um quarto vago em casa, quer morar?”, e ela falou que tinha o irmão caçula, e ele falou “familiares pode deixar, lá dentro é eu e minha esposa”. A sogra acolheu muito bem, e é “uma flor”, segundo a Maria do Carmo, e a casa da sogra virou o começo de tudo. Eles casaram em fevereiro de 81, e 4 meses depois de casados compraram a casa onde moram até hoje, e são 44 anos de casados, com 2 filhos que viraram dentistas: o Leandro, o mais velho, com a Taís, em Dracena, e o Rafael, em São José dos Campos, casado com uma dentista. “Não fosse Odontologia, seria odontologia”, lembra o Valter, repetindo a frase do Leandro no dia da matrícula.
Do “Dracena é o lugar” do Valter, do baile branco do Avaí, e dos 15 dentistas que a cidade tinha quando eles chegaram
A vinda pra Dracena, segundo a Maria do Carmo, foi o que ela não queria, porque o sonho dela sempre foi morar em cidade grande, e até hoje, segundo ela, o sonho continua. O Valter falou “Dracena é o lugar”, e a primeira vez que ela veio foi num baile branco do Avaí, e ela viu as ruas largas, e as ruas tudo estreitinha de Lins ficaram para trás, e ela ficou maravilhada com a cidade. O Valter lembra que tinham 13 dentistas na cidade, e foram eles 2, e foram 15 dentistas no total, e a cidade cabia, e a escolha deu certo, e é o que ela mais admite até hoje, “você tinha razão”.
Antes de Dracena, lembra a Maria do Carmo, eles tinham vontade de ir pra São José do Rio Preto, que era pertinho de Lins, 100 km por dentro, e a família do Valter era toda de lá, e os avós e os tios moravam lá, e é uma cidade que ela adora, com um ar inteirinho, e que proporciona tudo que uma capital pode oferecer. Mas Dracena deu certo, e a Maria do Carmo admite, com a paz que ela preza: “depois tem que dar uma palmatória né, porque realmente deu certo”. O consultório abriu 4 meses antes do casamento, em 15 de abril de 1979, e eles seguem no mesmo endereço até hoje, com mudanças internas, com a casa dos fundos onde o filho mais velho mora com a família, e com a rotina que começou naquele abril.
Da faculdade que “dava bagagem muito grande na prática” ao consultório que abriu em 15 de abril de 79 com 4 irmãos dentistas e uma cunhada
O consultório, segundo o Valter, abriu no dia 15 de abril de 1979, em frente ao Santander (que era o Banespa), num ponto que tinha um médico construindo, e o Valter ia toda semana lá perturbar até o negócio engatilhar, e em uma semana eles já tinham o consultório, com o encanamento, com a pequena reforma, com tudo. E foi nesse dia, segundo ele, que “8 horas da manhã abriu aquele bando no hotel”, porque vieram os 4 irmãos dentistas dele e a cunhada dentista, sem avisar, e o pai falou “vamos pra lá, olha o que nós chegamos”, e foi a primeira comemoração de um aniversário que eles repetem todo ano até hoje. A faculdade em Lins que formou o Valter era puxada, lembra ele, e o pessoal que se formava lá saía com emprego garantido em São Paulo, e a teoria não era tão espetacular quanto tem nas escolas de hoje, mas a prática era muito treino, e o que ele mais ouve dos novos dentistas é que a faculdade atual perdeu essa carga, e que “quem não sabe abrir um consultório, precificar, atender, falar totalmente perdido, não era preparado pra vida assim”, e isso é o que ele mais fala, e o Pedro e a Mariana, segundo ele, mais admiram no AdamiCast, de que a formação prática é o que faz a diferença na cadeira, e não a sala de aula.
Dos 18 anos trabalhando juntos, do “24 horas”, e da frase que ela mais repete: “prefiro viver com paz do que com a razão”
Trabalhar junto, segundo a Maria do Carmo, é o que ela mais gosta, e são 18 anos trabalhando no mesmo consultório, e a rotina é “acorda, toma café, vai pra lá, vem pra cá, vai no rancho, fecha junto, trabalha junto, 24 horas”. E a frase que ela mais repete, e que o Pedro e a Mariana, segundo ela, mais admiram no AdamiCast, é “prefiro viver com paz do que com a razão”, e é o que mantém o casamento de 44 anos, e é o que ela mais fala pras mulheres que perguntam como faz pra dar certo trabalhando com o marido. “Tem dia que a gente tá mais alterado, a gente fala mais alterado, mas não é que a gente tá alterado com a pessoa, a gente tá alterado com a situação”, explica ela. A Maria do Carmo fez odontopediatria em 82 na USP de Bauru, pegava o trem de manhã, com aula na sexta à noite e sábado o dia todo, e a cada 15 dias pegava carona até Parapuã com um professor de Presidente Prudente, e na outra semana pegava o ônibus em Marília, e chegava 2 horas da manhã, e algumas vezes grávida, e terminou o curso de 7 meses, e o consultório segue funcionando, com 4 netos (Felipe, com 7 anos, e Luiza, com 2, do Leandro; e um de 4 anos, e uma de 1 ano e 3 meses, do Rafael), e com a Maria do Carmo que não pretende parar, e que diz “enquanto Deus me der força, eu brinco”, e o dia que uma criança chorar e ela se incomodar, “aí tá na hora de eu ir”.
Onde encontrar
Os dentistas Maria do Carmo Mansano Garcia Lara e Valter da Silva Lara atendem em Dracena, SP, com consultório aberto desde abril de 1979, com 44 anos de casados, com 18 anos trabalhando juntos, e com 2 filhos que viraram dentistas (Leandro, em Dracena, e Rafael, em São José dos Campos), e com 4 netos que já conhecem o consultório por dentro. Acompanhe pelo Instagram da Maria do Carmo @mariadocarmomansanolara, e pelo Instagram do Valter @odontolara1. Se você quer ser dentista, segundo o Valter, o que vale é a prática, e segundo a Maria do Carmo, o que vale é a paz, e segundo eles dois, o que vale é o que eles mais falam pros novos dentistas, e segundo eles, é o que mantém o consultório aberto há 44 anos em Dracena.
Resumo do episódio
Maria do Carmo e Valter Lara são dentistas que vivem há 44 anos de casados e 18 anos trabalhando juntos no mesmo consultório em Dracena desde 1979. Eles contam como superaram barreiras pessoais, a formação prática intensiva na faculdade de Lins, e como escolhas como vir para Dracena definiram suas carreiras. A história traz aprendizados sobre como a prática prepara o profissional melhor do que a teoria, o peso das decisões do casal nos negócios e a importância de priorizar a paz nos relacionamentos de longa duração.
Principais aprendizados
- A faculdade em Lins oferecia bagagem prática muito grande, com casos intensos de prótese total, tratamento de canal e coroas que preparavam melhor o profissional do que a formação teórica atual.
- Uma palestra inspiradora em Araçatuba foi mais decisiva para a escolha da profissão de Maria do Carmo do que qualquer teste vocacional tradicional.
- Dracena tinha 13 dentistas quando o casal chegou em 1979 e sua vinda contribuiu para o crescimento profissional da região, totalizando 15 dentistas.
- O consultório abriu em 15 de abril de 1979 em uma semana de trabalho intenso, com os 4 irmãos dentistas do Valter e uma cunhada dentista aparecendo como surpresa na inauguração.
- Priorizar paz em vez de razão é a filosofia que mantém um casamento e uma parceria profissional de 44 anos funcionando sem desgaste.
Perguntas respondidas neste episódio
Como era a formação prática na faculdade de Odontologia em Lins?
A faculdade em Lins oferecia carga prática muito intensa. Os estudantes faziam prótese total em quantidade, tratamento de canal de 10 a 15 dentes ao invés de poucos, coroas de reabilitação em lotes de 10 a 15, e extrações. Muitos não dormiam de tanto trabalho e alguns voltavam após formados para completar a carga. Era preparação puxada para a vida profissional.
O que diferencia a formação de hoje da época em que Valter se formou?
Os dentistas formados em Lins saiam com emprego garantido em São Paulo e prática muito intensa. Hoje a teoria é mais espetacular em salas de aula, mas a prática é menor. Novos dentistas frequentemente saem despreparados para abrir consultório, fazer precificação, atender e falar com segurança, sem preparo para a vida profissional.
Como é possível trabalhar casados no mesmo consultório sem comprometer o relacionamento?
A chave é priorizar paz em vez de razão. Quando há alterações, não são com a pessoa mas com a situação. Maria do Carmo trabalha 18 anos com o marido e aplica a filosofia de que a paz mantém o casamento funcionando, separando emoção do momento do que está acontecendo no trabalho.
Por que Maria do Carmo escolheu Odontologia como profissão?
Uma palestra em Araçatuba sobre a profissão impactou profundamente a escolha, mais do que qualquer teste vocacional. Ela assegurou os professores, voltou para casa decidida e comunicou à mãe que já sabia o que faria, mesmo contrariando a vontade inicial do pai que não queria que estudasse.
Este texto foi gerado por Inteligência Artificial com base na transcrição do episódio do AdamiCast.