#347

Do campo de terra em Ouro Verde a franquia oficial do Palmeiras: a historia de Fernando Semencio | #347

09 de outubro de 2024 • 6 min de leitura

Este texto vem do episódio #347 do AdamiCast

Um jovem de Ouro Verde, cidade de cerca de sete mil habitantes na regiao de Dracena, conseguiu o que parecia impossivel: transformar um simples campinho de terceiro tempo em uma escola oficial de futebol do Palmeiras, um dos maiores clubes do Brasil. Fernando Semencio foi o convidado do episodio 347 do AdamiCast e contou, com detalhes, como a Arena Resenha nasceu de uma ideia simples e cresceu até se tornar, em suas palavras, um projeto para ser “o maior complexo gastronomico e esportivo da regiao”.

Da engenharia ao terceiro tempo

Antes de qualquer coisa, Fernando fez faculdade de engenharia em Presidente Prudente, na Unoeste, depois de tentar sem sucesso a UEM em Maringa. Levou sete anos para se formar, boa parte disso porque se envolveu com a atletica e trabalhou como garcom em um restaurante, onde chegou a subgerente. Foi essa vivencia, e nao o diploma, que definiu seu caminho. Ao se formar, recebeu duas propostas na mesma semana: uma vaga de engenheiro em uma multinacional em Sao Paulo e a gerencia de uma loja de uma rede de restaurantes em Bauru. Escolheu o restaurante, e foi para Sao Paulo mesmo assim, trabalhando depois em empresas como a Bureau Veritas e a engenharia da Vivo. A pandemia, vivida em um apartamento de 25 metros quadrados, foi o ponto de virada. “Aquilo foi me dando uma… nao quero mais isso aqui”, contou, lembrando do aluguel caro e da sensacao de ser “só mais um numero” dentro de uma grande empresa.

O tiro no escuro que deu certo

No Natal de 2020, de volta a Ouro Verde, Fernando parou o carro na frente de um terreno da familia e comecou a imaginar o que poderia fazer ali. Lembrou de um projeto de faculdade sobre viabilidade de um campo sintetico e decidiu levar a ideia ao pai, seu socio. “Aqui em Ouro Verde fazer isso? Aqui já tem um monte de campo, os municipais. Sera que vai dar certo?”, foi a reacao inicial. Parte da familia apoiou, outra parte sugeriu algo mais seguro, como construir casas para alugar. Fernando bateu o pe e a obra saiu do papel. O que comecou como um campo com um barzinho simples, “so cervejeira e fritadeira”, se transformou em poucos anos em uma estrutura bem maior, com restaurante, pizzaria, comida japonesa por meio de uma franquia de sushi e, mais recentemente, uma quadra de beach tennis inaugurada em julho deste ano.

A escola que era so a decima nona do Brasil

Enquanto a Arena Resenha crescia, Fernando amadurecia outro sonho: ter uma escola de futebol de verdade, e nao qualquer escola, mas uma vinculada a um grande clube. Decidiu tentar o Palmeiras, mesmo sabendo das dificuldades. O clube prioriza qualidade sobre quantidade de unidades, e quando Fernando conseguiu abrir a sua, em maio do ano passado, era apenas a decima nona escola oficial do Brasil. Para conseguir a franquia, ele fez o que descreve como “um TCC melhor do que fiz na faculdade”: levantou dados populacionais, mapeou atletas da regiao que ja tinham passado por avaliacoes em outros clubes por falta de oportunidade local, e mostrou a distancia real entre a regiao de Dracena e os grandes centros. O trabalho impressionou o gestor de escolas do Palmeiras, que entrou em contato depois de um processo de mais de um ano e meio, com visitas presenciais para avaliar a estrutura da cidade. Hoje a unidade de Ouro Verde funciona como projeto piloto para expansao, e depois dela o Palmeiras abriu outras oito ou nove escolas, incluindo unidades em Dubai e Campo Grande.

Metodologia rigida, disciplina como moeda de troca

Ser escola oficial significa seguir a cartilha do Palmeiras a risca. Os professores precisam ser certificados em Sao Paulo e enviam semanalmente o plano de aula para aprovacao antes de aplica-lo. As aulas duram duas horas e priorizam o trabalho tatico e fisico, deixando o coletivo, o “bate bola”, para poucos minutos, já que segundo Fernando é dentro do treino tatico que se consegue corrigir e ensinar de verdade. Duas vezes por ano um avaliador do clube visita a unidade, e os aprovados seguem para São Paulo. Desde a abertura, tres alunos ja passaram para essa fase. Mas o proprio Fernando reforca que o futebol não é o ponto central do trabalho: “desses 120 alunos, a probabilidade de ser jogador é baixíssima, mas todos vão se tornar cidadãos”. A frequencia escolar, a disciplina e o comportamento das criancas fora da academia influenciam diretamente a permanencia nos treinos, e ele relata casos de pais que viram melhoras significativas nos filhos depois que a escola comecou a cobrar isso como contrapartida para continuar jogando.

Um projeto sem contrato de fidelidade e sem rachar torcida

Apesar de ser oficialmente palmeirense, a escola recebe alunos de todos os times, já que, segundo Fernando, “quem quer ser jogador de futebol não pode escolher time, tem que escolher oportunidade”. As criancas usam o uniforme do Palmeiras independente do coracao que batem no peito. Outro ponto que ele destaca com orgulho é a ausencia de contratos que amarrem as familias: quem passa por dificuldade financeira pode sair e voltar quando quiser, sem burocracia, porque, na visao dele, prender o pai pelo dinheiro afasta em vez de fidelizar. A escola atende hoje cerca de 120 alunos de quatro a 17 anos, boa parte vindos de cidades vizinhas como Panorama, que segundo ele chega a ter quase 40 alunos, mais do que a propria Dracena, algo que o surpreendeu.

Um negocio de familia, feito para ser 100% familiar

Fernando administra pessoalmente todos os empreendimentos, com apoio direto da mae na coordenacao da escola e de coordenadores em cada frente, o que segundo ele foi essencial para nao centralizar demais e conseguir crescer. A empresa comecou com dois funcionarios e hoje tem quinze fixos. Ele destaca tambem o cuidado em manter o espaco como ambiente familiar, sem a atmosfera tipica de bar de “terceiro tempo”: mulheres se reunem para jogar volei na quadra de beach tennis, familias levam criancas de todas as idades, e o publico relata se sentir confortavel independente de genero ou faixa etaria. Sobre politica, tema que surgiu na conversa por conta de brincadeiras de amigos que já chegaram a especular sobre uma candidatura, Fernando foi claro ao dizer que hoje prefere contribuir pela via do esporte, gerando emprego e trazendo investimento para a cidade, mas nao descarta se aproximar mais da vida publica no futuro, depois de ganhar mais experiencia e entender melhor o funcionamento das leis e da fiscalizacao municipal.

Onde encontrar

Você encontra quem participou deste episódio no Instagram: @fersemencio e @arena_resenhafc.

Resumo do episódio

O episodio recebe Fernando Semencio, responsavel pela Arena Resenha em Ouro Verde, que hoje reune escola oficial de futebol do Palmeiras, restaurante, beach tennis e comida japonesa numa cidade de cerca de sete mil habitantes. Ele conta como um projeto de faculdade e a experiencia como garcom o levaram a abandonar a engenharia em Sao Paulo durante a pandemia para investir na propria cidade, e como conseguiu aprovar a franquia do Palmeiras mesmo sem se encaixar nos criterios populacionais exigidos pelo clube. A conversa detalha a metodologia de ensino do Palmeiras, a rotina dos alunos, os criterios para matricula e a visao de negocio que combina esporte, gastronomia e ambiente familiar.

Principais aprendizados

  • A escola de futebol segue uma cartilha do Palmeiras em que o professor envia o plano de aula semanal para aprovacao antes de aplica-lo.
  • O treino de duas horas prioriza a parte tatica e fisica, reservando apenas cerca de dez minutos para o coletivo, pois e dificil corrigir os atletas durante o jogo livre.
  • A escola aceita criancas de quatro a dezessete anos e nao exige contrato de fidelidade, permitindo que o aluno saia e volte quando quiser.
  • Antes de fechar matricula, recomenda-se que a crianca converse e confirme se realmente quer praticar, pois o sonho muitas vezes e mais do pai do que do filho.
  • O negocio nasceu de um projeto academico sobre viabilidade de campo sintetico e cresceu de dois para quinze funcionarios fixos em cerca de tres anos, com braco de gestao dividido entre coordenadores de cada area.

Perguntas respondidas neste episódio

Como funciona a metodologia de ensino da escola de futebol do Palmeiras em Ouro Verde?

O professor nao aplica aulas criadas por conta propria. Existe uma cartilha oficial do Palmeiras que precisa ser seguida, e o plano de aula e enviado semanalmente para aprovacao antes de ser aplicado em campo. Os treinos duram duas horas e priorizam a parte tatica e fisica, com pouquissimo tempo dedicado ao jogo coletivo, porque durante o jogo livre e dificil fazer correcoes tecnicas nos atletas.

Existe contrato de fidelidade para matricular a crianca na escola de futebol?

Nao existe exigencia de permanencia por tempo determinado. Caso a familia passe por dificuldade financeira ou a crianca precise parar, ela pode sair e retornar depois sem problema, mantendo o vinculo e a amizade com a escola. A decisao de manter o aluno e baseada na vontade genuina da crianca e do pai, e nao em prender o cliente por contrato.

A partir de que idade a crianca pode entrar na escola de futebol e ate quando pode ficar?

As aulas comecam a partir dos quatro anos de idade e vao até os dezessete anos, sendo que existem categorias divididas por faixa etaria dentro desse periodo, alem de um treino especifico para quem quer se tornar goleiro. O objetivo nao e apenas formar jogadores, mas tambem trabalhar disciplina e comportamento das criancas ao longo desses anos.

Vale a pena matricular o filho numa escola de futebol pensando em virar jogador profissional?

A escola nao garante que a crianca se tornara jogador profissional, pois essa chance e baixa entre os alunos. O que se oferece sao as ferramentas e a preparacao necessarias para que o atleta tenha chance real caso passe por avaliacoes do clube, mas o resultado depende inteiramente do esforco e da vontade da propria crianca em se dedicar, dormir bem e se alimentar de forma adequada.

Como surgiu a ideia de trazer uma escola oficial do Palmeiras para uma cidade pequena do interior?

A ideia veio da constatacao de que muitas criancas da regiao nao tinham condicoes de viajar até grandes centros para fazer avaliacoes em clubes de futebol, perdendo oportunidades. Foi feito um levantamento populacional e de atletas da regiao, comparando com outras escolas que ficavam apenas em cidades grandes, e essa pesquisa foi apresentada ao Palmeiras como justificativa para abrir uma unidade fora do padrao normalmente exigido pelo clube.

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Este texto foi gerado por Inteligência Artificial com base na transcrição do episódio do AdamiCast.