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Do campeonato de férias à Liga Nacional: a história de Lucas Batista | #392

28 de abril de 2025 • 7 min de leitura

Este texto vem do episódio #392 do AdamiCast

Lucas Henrique Batista não é jogador profissional, nunca foi técnico e nem pretendia fundar um clube. Ele é presidente do Dracena Tempersul Unifadra Futsal por uma combinação de paixão, circunstância e muita teimosia. O que começou em 2014 como um time de campeonato de férias, por iniciativa do sogro que queria ocupar a cabeça após uma perda familiar, virou em 2025 a estreia da cidade de Dracena na Liga Nacional de Futsal, o campeonato de clubes considerado o mais nivelado do mundo na modalidade.

Sentar com Lucas no AdamiCast dias antes da estreia em casa na Liga Nacional foi ouvir a história de quem levou um time tijolinho por tijolinho, degrau por degrau, de amador a profissional, de Dracena a Joinville, de campeonato regional ao mesmo campeonato onde jogam Sorocaba e Cruzeiro.

Do campeonato de férias ao paulista

Tudo começou com o campeonato de férias de janeiro, tradicional na cidade. O sogro de Lucas havia perdido uma filha e queria algo para se ocupar. Lucas, que sempre jogou futebol de campo e tentou uma curta carreira fora de Dracena, viu ali uma oportunidade de montar algo diferente. Em 2014 vieram os campeonatos regionais. Em 2015, a estreia no profissional, já na série prata do Paulista. Em 2016, a chegada à Liga Paulista, a primeira divisão estadual, enfrentando times como Corinthians, Magnus e Orlândia.

Foi naquele 2015 que o time conquistou o título da série prata. No ano seguinte, sem título estadual, mas com um desempenho que chamou atenção: quando o Corinthians visitou Dracena para jogar, alguém foi parabenizar Lucas mesmo com a derrota. “Pô, perdemos o jogo”, ele reagiu. A resposta: a pessoa parabenizava pelo projeto, não pelo placar. Sinal de que algo sério estava sendo construído.

Os primeiros jogadores e a base do time

Os primeiros atletas do clube vieram da própria empresa do sogro de Lucas. O Leandro, que tinha jogado na China e na Rússia e queria parar de jogar para trabalhar, foi um dos pioneiros. O Tatinho, que chegaria à seleção brasileira anos depois, também estava desde o início, assim como o Alan. Gilberto, Gilmar e outros jogadores amadores da cidade completavam o grupo.

Lucas mesmo jogou no primeiro ano, mas logo percebeu que o time havia evoluído para além do que ele conseguia acompanhar. A realidade do futsal profissional é exigente: dois ou até três períodos de treino por dia, academia, dieta, tática específica. Ele conta que o Tatinho, mesmo sendo talentoso o suficiente para chegar à seleção, levou cerca de três anos para entender o futsal de alto nível vindo do futebol de campo. O jogo é diferente, a tática é diferente, o chute é diferente.

A logística de ser de Dracena

Um tema que Lucas retorna várias vezes na conversa é a distância. Dracena fica a quase 700 km da capital, é o time do Paulista mais longe de São Paulo, a quase 400 km do segundo time mais próximo no estadual. “Dracena não é fim de mundo, mas é fora de mão”, resume ele. Cada viagem para um jogo fora é cara. Cada deslocamento é logisticamente complicado.

Ainda assim, o clube tem hoje cerca de 16 atletas, mais de 15 casas alugadas para atletas e comissão técnica, três médicos de apoio, fisioterapeuta, massagista, nutricionista, preparador físico e preparador de goleiros. A diretoria é composta por quatro pessoas, todas com outros empregos, que saíem do trabalho às 18h e vão cuidar do futsal. “O futsal é amor”, diz Lucas. Ninguém na diretoria vive do clube. É paixão que paga as contas.

A Liga Nacional e o que ela representa

A Liga Nacional de Futsal funciona por franquias, não por acesso via campeonato. Dracena alugou uma franquia disponível pela marca Atlética para disputar a edição de 2025, com 24 equipes jogando todos contra todos em turno único, com os 16 melhores avançando ao mata-mata. A fase de grupos se encerra em setembro.

Estrear contra o Joinville, que tem a maior folha salarial do Brasil no futsal, e terminar com 2 a 2 faltando cinco minutos para o fim foi, para Lucas, uma confirmação. Depois viria o Magnus Sorocaba, time do projeto de Falcão, com Rodrigo Capita, considerado o principal jogador do país. E depois o Cruzeiro, também estreante na liga. Dracena entre os grandes.

Dracena no mapa do futsal mundial

O episódio tem um detalhe que diz muito sobre o alcance do projeto: um atleta japonês chamado Choto, da seleção nacional do Japão, foi a Dracena fazer intercâmbio esportivo. Ele não veio por acaso: ouviu de um jogador brasileiro que tinha passado pelo clube que Dracena era um lugar sério, que pagava em dia e tratava bem os atletas. Com o Google Tradutor como intérprete, Choto passou semanas treinando com o grupo, impressionou pela força física e disse que seu sonho é jogar uma Liga Nacional brasileira.

Lucas também conta que equipes da Arábia Saudita e da Itália já foram buscar jogadores em Dracena. E que o próprio Rodrigo Capita, com mais de 1 milhão de seguidores, comentou depois do jogo dos Jogos Abertos de 2016 que a molecada de Dracena “vai dar trabalho”. Naquele ano, com apenas dois anos de existência, o clube venceu o Magnus Sorocaba por 2 a 1 em São Bernardo, com Rodrigo Capita e Falcão em quadra.

O esporte que salva e que não é fácil

Lucas faz questão de pontuar que fazer esporte de alto rendimento no Brasil é muito difícil, independentemente da modalidade. Ele cita o atleta olímpico Mateus Saco, de Dracena, como exemplo de quem chegou ao topo e ainda assim precisou vender bolos e rifas para se manter. O governo, na visão de Lucas, poderia investir muito mais no esporte como ferramenta social.

No futsal, a dificuldade é concreta: atleta profissional não tem como ter outro emprego. São dois ou três períodos de treino, acompanhamento de nutricionista, vida dedicada à modalidade. Para os jogadores que têm família, o desafio é ainda maior. É por isso que Lucas afirma que o sonho dele é profissionalizar cada vez mais o clube e poder pagar melhor. Não é fácil. Mas onze anos de história provam que dá para construir.

Onde encontrar

Lucas Batista está em Dracena, SP, e pode ser encontrado no Instagram em @batista_lucashenrique. O Dracena Futsal também está no @dracenafutsal.

Resumo do episódio

Lucas Batista transformou um time de campeonato de férias fundado em 2014 pelo sogro em um clube profissional que disputa a Liga Nacional de Futsal em 2025, o campeonato de clubes mais nivelado do mundo na modalidade. A trajetória começou em Dracena, interior de São Paulo, passando por campeonatos regionais, série prata e Liga Paulista, até chegar ao mesmo nível de grandes equipes como Sorocaba e Cruzeiro. O projeto cresceu com atletas locais e de experiência internacional, enfrentando desafios logísticos de distância e mantendo uma estrutura profissional financiada por paixão e dedicação de uma diretoria que trabalha voluntariamente.

Principais aprendizados

  • Um time amador pode evoluir para competição de elite em dez anos através de planejamento e dedicação contínua.
  • A transição do futebol de campo para o futsal profissional exige três anos ou mais de adaptação mesmo para jogadores talentosos.
  • Times do interior enfrentam barreira logística real: Dracena fica a 700 km de São Paulo, a mais longe no Paulista de futsal.
  • Estrutura profissional de futsal inclui dois ou três períodos diários de treino, nutricionista, médicos, fisioterapeuta e massagista.
  • A reputação de pagamento em dia e bom tratamento faz clube pequeno atrair atletas internacionais em busca de oportunidade.

Perguntas respondidas neste episódio

Como começou o Dracena Futsal?

O clube teve origem em 2014 a partir de um campeonato de férias tradicional em Dracena. O sogro de Lucas Batista, querendo se ocupar após uma perda familiar, tomou a iniciativa de montar um time. Lucas viu a oportunidade de criar algo diferente e, em 2015, o time já estreava no profissional na série prata do Paulista.

Qual a diferença entre futebol de campo e futsal profissional?

A transição do futebol para futsal profissional é significativa. O jogo é diferente, a tática é diferente e o chute é diferente. Mesmo jogadores talentosos levam cerca de três anos para entender o futsal de alto nível vindo do futebol de campo, além de exigir dois ou três períodos de treino diariamente, academia e dieta rigorosa.

Como funciona a Liga Nacional de Futsal?

A Liga Nacional funciona por franquias, não por acesso via campeonato. A edição de 2025 reúne 24 equipes que jogam todas contra todas em turno único. Os 16 melhores avançam ao mata-mata. Dracena alugou uma franquia disponível pela marca Atlética para participar.

Qual é o desafio de ser um clube de futsal profissional no interior?

A distância é barreira concreta. Dracena fica a quase 700 km da capital e é o time do Paulista mais longe de São Paulo, a quase 400 km do segundo time mais próximo. Cada viagem para jogo fora é cara e logisticamente complicada, afetando o orçamento do clube.

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Este texto foi gerado por Inteligência Artificial com base na transcrição do episódio do AdamiCast.