O AdamiCast recebeu de volta Alexandre Tanaka, da Rede Brinquelar, quase dois anos depois de sua primeira passagem pelo podcast. Nesse intervalo, aconteceu uma sequência de transformações que o próprio Alexandre descreve como “exponencial”: reinauguração da loja de Panorama, ampliação da unidade de Presidente Epitácio, a chegada da bandeira Rede Brinquelar em Santa Anastácia (antes Nova Mania) e o surgimento da Home Decor, tudo isso concentrado em um espaço de poucos meses. O episódio 303 foi dedicado a entender como um comércio que começou pequeno, em Panorama, se tornou uma rede que hoje soma sete lojas Brinquelar e três unidades da Mini Preço, com uma novidade já confirmada para Dracena.
De Panorama para o Japão e de volta
Antes de contar sobre lojas e metros quadrados, Alexandre voltou no tempo até os 13 anos de idade, quando sua mãe tomou a decisão de ir trabalhar no Japão como dekasegi, levando os dois filhos. “Foi um divisor de águas na minha vida”, contou. Ele começou a trabalhar já na segunda-feira de sua chegada ao país, ainda adolescente, e permaneceu por seis anos. A virada seguinte veio dele mesmo: decidiu voltar ao Brasil sozinho, sem saber exatamente o que faria, mas determinado a preparar terreno para a família. Foi assim que, ainda sem plano de negócio ou qualquer experiência no ramo, comprou uma loja de R$1,99 em Panorama sem nem entrar no estabelecimento antes, apertando a mão do vendedor na calçada e entregando o dinheiro ali mesmo. “Na hora que eu entrei lá eu falei, nossa, mas isso aqui que eu vou vender?”, relembrou, rindo da própria coragem inconsequente.
A lição do cadeado
Entre as histórias que Alexandre mais repete quando fala sobre empreendedorismo está a de um cliente que chegou de moto, com pressa, perguntando por uma chave de fenda, depois um alicate, e não encontrou nada na loja pequena de 80 metros quadrados. Ao saber que só havia cadeado disponível, o cliente disparou “fecha essa porra” e foi embora. Diante da escolha entre desistir ou reagir, Alexandre optou por transformar a crítica em combustível. Criou o hábito de anotar tudo que os clientes procuravam e não encontravam, prática que, segundo ele, segue firme até hoje. “Eu vi que eu tinha uma loja, mas eu não tinha o que o cliente quer. Isso serviu para mim até hoje”, resumiu. A frase virou quase um símbolo dentro da própria empresa, citada em conversas sobre a origem da Home Decor e sobre a filosofia de nunca ficar na zona de conforto.
De uma loja de R$1,99 a dez lojas
A trajetória que levou da pequena loja de Panorama até a rede atual passou por décadas de tentativa e erro. Alexandre contou que, depois do episódio do cadeado, passou a comprar tudo que os fornecedores ofereciam, o que fez a mercadoria não caber mais no espaço disponível e forçou a abertura de novas lojas. Foi dali que surgiu o próprio nome Rede Brinquelar, “tem tudo num só lugar”. Da primeira para a segunda loja, o intervalo foi de 16 anos; depois disso, o ritmo de expansão acelerou de forma expressiva, com cinco lojas surgindo em poucos anos e uma sequência de ampliações concentrada em cerca de seis meses. Ele destacou a importância de negociar prazo com a indústria como caminho para quem quer crescer sem capital disponível, construindo credibilidade aos poucos até conseguir novas parcerias.
Presidente Prudente e a Home Decor
A abertura da loja de Presidente Prudente, no meio da pandemia, é apontada por Alexandre como a segunda grande virada de sua trajetória, ao lado da história do cadeado. A unidade começou com 3.500 metros quadrados e hoje ocupa quase 6 mil metros, com um catálogo que já passou de 38 mil itens. Foi observando a demanda dos próprios clientes de Prudente por produtos de decoração que a equipe identificou a oportunidade para a Home Decor, hoje com mais de 2 mil metros quadrados dedicados ao setor, parcerias com arquitetos e com profissionais de personal organizing da região. “Eu senti, até porque a gente tinha um pouco, um espacinho lá com alguma coisa e tal. Tinha uma boa saída, mas sempre o cliente ia lá e queria algo diferente”, explicou sobre a origem do projeto.
O quarteirão amarelo de Dracena
Um dos momentos mais esperados da conversa foi a confirmação da nova loja de Dracena, instalada no antigo prédio que já abrigou o Cedrac, o INSS e uma revenda de tratores, reconhecível pela pintura amarela que já vinha despertando curiosidade na cidade. A unidade vai saltar de cerca de 300 metros quadrados, a menor loja da rede atualmente, para quase 3.800 metros, um salto de mais de dez vezes no tamanho. Alexandre também revelou que há planos para uma segunda inauguração em Panorama, cidade onde tudo começou, embora tenha preferido não detalhar o projeto no ar. Ele reforçou que a meta da empresa é seguir ampliando todas as lojas da rede, incluindo as unidades de Tupi Paulista e Junqueirópolis, e que a expansão para outras cidades, como Maringá e Bauru, já está no radar para o futuro.
Ao fechar a conversa, Alexandre voltou a insistir na ideia de que negócio não se constrói sozinho, citando a importância de parcerias, de uma equipe que “vista a camisa” e de estar sempre disposto a arriscar e corrigir rápido quando algo dá errado. Falando sobre a mãe que teve a coragem de atravessar o mundo em busca de uma vida melhor para os filhos, ele resumiu o que considera a maior inspiração de sua história. Da lojinha de 80 metros em Panorama ao quarteirão amarelo que promete transformar o comércio de Dracena, a trajetória contada no episódio reforça que negócios grandes também podem nascer, e crescer, no interior.
Onde encontrar
Você encontra quem participou deste episódio no Instagram: @redebrinklar e @ale_tcarvalho.
Resumo do episódio
O episódio traz Alexandre Tanaka, da Rede Brinquelar, contando como transformou uma loja pequena em Panorama em uma rede com sete lojas Brinquelar, três Mini Preço e a Home Decor, incluindo a ampliação da unidade de Presidente Prudente e uma nova loja grande prevista para Dracena. Ele relata episódios marcantes de sua trajetória, como a mudança da família para o Japão ainda jovem, o início do negócio comprando uma loja sem nem entrar nela antes, e a famosa história do cliente do cadeado que mudou sua forma de enxergar as necessidades do consumidor. Ao longo da conversa surgem reflexões sobre parcerias comerciais, formação de equipe, planejamento de negócio e a importância de arriscar e corrigir rápido os erros.
Principais aprendizados
- Uma crítica ou reclamação de cliente pode indicar uma oportunidade de correção e crescimento do negócio.
- Fazer parcerias com indústrias e fornecedores, inclusive comprando a prazo, ajuda a superar a falta de capital inicial para empreender.
- Ampliar o espaço físico de uma loja permite oferecer mais variedade de produtos e melhorar a experiência de compra do cliente.
- Ter uma equipe empenhada e alinhada ao plano de negócio é essencial para que a empresa consiga crescer e se sustentar sem a presença constante do dono em cada loja.
- Buscar se cercar de pessoas e parceiros melhores ou mais experientes contribui para alcançar patamares de crescimento maiores.
Perguntas respondidas neste episódio
Como surgiu a ideia de criar a Home Decor?
A ideia surgiu porque os clientes que frequentavam a loja procuravam produtos de decoração diferenciados e mais variados do que o espaço pequeno disponível conseguia oferecer. Ao perceber essa demanda repetida, foi montado um espaço de mais de 2 mil metros quadrados dedicado exclusivamente a decoração, com parcerias com arquitetos e profissionais de organização, para atender essa necessidade que antes ficava sem resposta.
Como conseguir capital para começar a empreender sem dinheiro?
Quando falta capital para crescer, o caminho é construir relacionamento e credibilidade com fornecedores e indústrias, comprando a prazo e negociando aos poucos. Com o tempo, ao honrar os compromissos assumidos, a confiança aumenta e novos parceiros vão se somando, permitindo comprar mais mercadoria e expandir o negócio gradualmente, mesmo sem ter capital próprio disponível no início.
O que fazer quando não se sabe por onde começar a empreender?
O primeiro passo é acreditar no produto que se pretende vender e buscar boas parcerias, já que sozinho dificilmente se consegue avançar. É importante observar quem já faz bem aquilo que se pretende fazer, buscar essas pessoas como referência e ir atrás delas sem vergonha, pois o pior resultado possível de uma tentativa é ouvir um não, e isso não deve impedir a ação.
Como administrar várias lojas em cidades diferentes ao mesmo tempo?
O principal é ter uma estratégia e um plano de negócio bem definidos, além de contar com uma equipe empenhada que vista a camisa da empresa e coloque em prática o que está planejado no papel. Cada loja e cidade tem particularidades próprias, então é preciso que a equipe local esteja conectada ao propósito do negócio, permitindo que as unidades funcionem mesmo sem a presença constante do dono em todos os pontos.
Vale a pena investir em uma loja física maior para o negócio crescer?
Sim, pois um espaço maior permite mostrar todo o potencial do negócio, trazer novos fornecedores e itens diferenciados, além de organizar melhor os produtos para o cliente. Isso tende a aumentar as vendas, ainda que também aumente a complexidade da operação. A experiência relatada mostra que a ampliação de lojas trouxe mais opções ao cliente final e resultados financeiros proporcionalmente maiores.
Este texto foi gerado por Inteligência Artificial com base na transcrição do episódio do AdamiCast.