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Do basquete ao tribunal do júri: a historia de Paulo Sampaio | #311

22 de maio de 2024 • 6 min de leitura

Este texto vem do episódio #311 do AdamiCast

Advogado conhecido em Dracena, Paulo Sampaio passou pelo AdamiCast para contar uma trajetória cheia de curvas antes de chegar aos tribunais. Antes de vestir a toga, ele sonhou em ser atleta profissional de basquete, viveu a vida de universitário no tiro de guerra e na faculdade em Tupã, tocou baixo em uma banda de barzinho, foi presidente da APAE de Dracena e hoje divide seu tempo entre o escritório, a família e as quadras de beach tennis. Fã declarado do podcast, Paulo entrou no estúdio como convidado e amigo, disposto a revisitar de forma bem humorada cada etapa dessa história.

O sonho do basquete e a dureza da vida de atleta

Antes do direito, existiu a quadra. Com apenas 13 anos, já media 1,86m e entrou para uma escolinha de basquete em Dracena, treinada por Paulinho Maldonado. Depois, jogou no time do Isaac, que em 1994 conquistou o terceiro lugar no campeonato estadual. O desempenho lhe rendeu um convite para jogar em Presidente Prudente, na Ápia, e ele foi morar em república com atletas de outras modalidades, entre eles nomes que se tornariam conhecidos do atletismo nacional, como Claudinei Quirino.

A rotina de atleta juvenil, no entanto, revelou um lado pesado da história que a televisão não mostra. “A gente tinha jogo terça-feira em Piracicaba, às oito da noite. Então já não ia para a escola naquele dia de manhã”, relembrou, descrevendo viagens de ônibus que se estendiam até altas horas e prejudicavam os estudos. Foi esse bastidor, e não a falta de talento, que o fez desistir depois de um ano e voltar para Dracena para concluir o ensino médio.

Tiro de guerra, faculdade e o Homem Pássaro

De volta à cidade, Paulo entrou no tiro de guerra em 1999, ano que coincidiu com o início da faculdade de Direito em Tupã. A rotina era pesada: acordava de madrugada, viajava todos os dias para estudar e ainda enfrentava as tradições, digamos, peculiares da corporação. Contou com humor episódios de covardias camufladas de disciplina, como o dia em que o sargento distribuiu menos enxadas do que soldados para o trabalho de capina e, mesmo assim, arranjou um jeito de fazer todos trabalharem, inclusive com pás no lugar das enxadas que faltavam.

Formado em Direito pela Faculdade de Alta Paulista em 2003, Paulo não deixou barato a aposta feita com amigos: fez o famoso “Homem Pássaro” no dia da colação de grau, ganhando uma caixa de cerveja como prêmio. “Foi um dia muito emocionante, porque fomos eu, meu pai e minha mãe para a colação de grau”, contou, destacando a mistura de orgulho e comédia que marcou aquele momento.

O nascimento do advogado criminalista

A vontade de seguir a carreira jurídica nasceu de um júri que ele assistiu ainda jovem, em um homicídio que teve grande repercussão em Dracena. Na época, o sonho era ser promotor de justiça, e ele chegou a estagiar na promotoria. Mas o destino profissional mudou quando, em dezembro de 2004, recebeu um convite do advogado Írio José da Silva para trabalhar em seu escritório, onde teve o primeiro contato mais profundo com o direito tributário e viveu a experiência de conseguir seu primeiro habeas corpus.

Apesar de ter se especializado em tributário, o direito criminal nunca deixou de fazer parte dele. “Eu falo que o direito criminal é a primeira namorada. Dificilmente você casa com ela, mas você nunca esquece”, resumiu. Dois casos em especial marcaram sua trajetória: a defesa de um homem acusado de estupro presumido, que foi absolvido mas morreu poucos dias depois em decorrência do desgaste emocional da prisão, e a participação em uma investigação de homicídio em que precisou ajudar a localizar o corpo e a arma do crime em um canavial. Já outro caso, envolvendo abandono de recém-nascido, ele preferiu recusar por não conseguir lidar emocionalmente com a situação. “Todo tipo, toda vez que eu estou diante de um caso e eu sinto uma emoção por aquele caso, seja ruim ou seja boa, mas acima do normal, eu não pego”, explicou.

Música, amigos e as lendas da noite dracenense

Paralelo à advocacia, a música também teve seu espaço na vida de Paulo. Em 2001, formou a banda Os Intoleráveis, nome que, segundo ele, nasceu de uma reclamação de vizinha incomodada com os ensaios. A banda circulou por bares e festas da região, incluindo o extinto Raízes, point tradicional de casamentos e ginecologistas de Dracena, segundo ele mesmo brincou. A paixão musical, aliás, é uma herança do pai, que também teve banda nos anos 1960 e sempre incentivou os filhos a tocarem instrumentos.

Ele também compartilhou memórias afetuosas do pai, falecido em dezembro de 2021 após complicações de uma cirurgia. “A gente fala o seguinte, como ele mesmo falava: quando a gente acorda e o homem lá em cima abre o livro e o seu nome tá na página, é o dia da pessoa”, relembrou, destacando que viveu um luto breve, mas de muita saudade, sem arrependimentos pendentes com o pai.

Espiritismo, família e o valor do presente

Criado na doutrina espírita por influência da mãe, Paulo relatou uma convivência tranquila e respeitosa com a esposa Daniela, católica, que educa os filhos na fé dela sem que isso gere conflitos dentro de casa. “As pessoas fazem perguntas pra nós que nós não faríamos pros outros. Mas pra nós é normal, porque foi definido”, explicou sobre a curiosidade recorrente de quem conhece a família.

Encerrando a conversa, Paulo refletiu sobre responsabilidade e escolhas, defendendo que cada pessoa é dona do próprio caminho, mesmo diante das dificuldades da vida, como vícios ou depressão. “Não há mal irresistível. Às vezes a gente só não encontrou o motivo certo”, disse, reforçando a importância de agir no presente, já que o passado não pode ser mudado e o futuro é incerto. Entre lembranças de basquete, tiro de guerra, bandas de bar e batalhas no tribunal do júri, Paulo Sampaio deixou claro que sua trajetória, embora repleta de desvios, sempre teve um fio condutor: viver com humor, gratidão e presença.

Resumo do episódio

O episódio traz o advogado Paulo Sampaio contando sua trajetória desde a infância em Dracena, passando pelo basquete, tiro de guerra, faculdade de Direito em Tupã e o início da carreira jurídica ao lado do advogado Írio José da Silva. Ele relata casos marcantes da advocacia criminal, incluindo um processo de estupro presumido que terminou em absolvição seguida da morte do cliente, e explica os critérios pessoais que usa para aceitar ou recusar casos. Também fala sobre a banda Os Intoleráveis, a prática de beach tennis, a criação dos filhos em religiões diferentes das dos pais e reflexões sobre responsabilidade pessoal, vícios e escolhas de vida.

Principais aprendizados

  • O júri no sistema penal brasileiro julga apenas crimes dolosos contra a vida, como homicídio, infanticídio, aborto e instigação ao suicídio.
  • Em crimes envolvendo menores de 14 anos, a violência sexual é presumida por lei, independentemente de haver ou não sinais físicos de agressão.
  • Um advogado pode recusar um caso quando sente uma emoção muito forte em relação a ele, para não prejudicar a defesa do cliente.
  • O aprendizado de violão é descrito como base para outros instrumentos musicais, como piano, baixo e bateria.
  • A escolha da religião dos filhos em um casal com crenças diferentes pode ser definida por acordo prévio entre os cônjuges, com respeito mútuo às decisões tomadas.

Perguntas respondidas neste episódio

Todo crime vai a júri popular?

Não. Apenas os crimes dolosos contra a vida são julgados pelo tribunal do júri, que são especificamente o homicídio, o infanticídio, o aborto e a instigação ao suicídio. Todos os demais tipos de crime são decididos por um juiz singular, sem a participação de jurados. Por isso, casos de júri costumam ser mais graves e impactantes, gerando forte comoção entre as pessoas envolvidas no julgamento.

Como funciona a presunção de violência em casos de relação sexual com menores de idade?

Quando a vítima tem menos de 14 anos, a lei considera que o ato sexual configura violência mesmo que não haja força física envolvida, pois entende que a pessoa ainda não tem discernimento suficiente para consentir. Isso é chamado de estupro presumido. Em um caso relatado, mesmo com pagamento acordado e ausência de marcas de violência no corpo da vítima, a acusação se manteve por conta dessa presunção legal.

Um advogado aceita qualquer caso que apareça?

Não necessariamente. Existe o critério pessoal de recusar casos quando a emoção despertada pela situação, seja ela ruim ou intensa demais, pode comprometer a qualidade do trabalho. Nesses casos, mesmo sem saber o valor oferecido, a recusa acontece antes mesmo da negociação, porque o profissional entende que não conseguirá representar bem aquele cliente sem se envolver emocionalmente de forma prejudicial ao trabalho.

Por que pessoas continuam com hábitos que sabem que fazem mal, como fumar ou usar drogas?

A explicação apresentada é que ter conhecimento sobre os riscos de um hábito não significa ter consciência internalizada sobre ele. Mesmo profissionais que entendem profundamente os malefícios de algo, como um médico que fuma, continuam o hábito porque ainda não encontraram o motivo pessoal para parar. A mudança de comportamento depende de um momento de virada em que a pessoa realmente internaliza a necessidade de mudar, e não apenas do conhecimento teórico sobre o problema.

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Este texto foi gerado por Inteligência Artificial com base na transcrição do episódio do AdamiCast.