Marina Gonçalves nunca imaginou que um dia seria proprietária de um dos restaurantes mais tradicionais de Dracena. Vendedora de calçados por anos na Aliança, ela carregava desde os 9 anos a paixão por cozinhar, mas aquilo parecia mais um sonho jogado ao universo do que um plano concreto. Foi o marido Everton quem primeiro ouviu a oferta: Ademilson estava vendendo o Rools. Depois de quatro meses de conversas e um mês inteiro dentro do restaurante para entender como tudo funcionava, o casal bateu o martelo em 12 de março de 2020.
Seis dias depois, a pandemia fechou tudo.
A prova de fogo que ninguém esperava
Assumir o Rools já seria um salto fora da zona de conforto para um casal sem experiência no ramo de alimentação. Mas a pandemia transformou o primeiro mês de gestão em uma prova de resistência. Com o salão fechado, Marina e Everton dispensaram a maior parte dos funcionários, ficaram com duas colaboradoras e passaram a operar em esquema de delivery, vendendo marmitas executivas na porta. Às noites, depois do expediente, Marina se jogava em cursos online, seis no total, focados em gestão, precificação e administração de cozinha. O medo era real: com dois filhos pequenos em casa, um de dois e outro de sete anos, cada cliente que vinha buscar a marmita era também uma preocupação.
A fé foi o que segurou o casal naquele momento. Marina conta que nunca duvidou que ia passar, mas que agradecia e pedia direcionamento todos os dias. O apoio do pai, vendedor autônomo a vida toda e espelho de Marina desde sempre, foi outro pilar. A cozinheira que já estava no Rools há anos, com aquela mão de fada que Marina descreve, ensinou o casal a fazer todos os pratos da carta noturna, receitas que Marina guardou em detalhes mesmo depois que o restaurante deixou de abrir à noite.
Trabalhar junto, crescer junto
Casar e empreender com o mesmo parceiro é uma equação sem curso de formação. Marina e Everton já tinham dividido uma empresa com o pai dela anteriormente, mas a intensidade do dia a dia no Rools trouxe uma dinâmica própria. Ela admite que há atritos, que às vezes o marido vira o saco de pancada do estresse acumulado, mas que Everton é um parceiro excelente. A divisão de tarefas ficou natural: ela cuida das compras em geral, ele responde pela carne. Reclamação da carne, então, é com o Everton e com o Gilberto, o churrasqueiro que já trabalhou para outros donos do Rools, saiu e voltou, e está lá há quase três anos.
O restaurante abre de segunda a segunda, sem folgas fixas no calendário. A equipe da cozinha chega às 7 da manhã e o aparador já está completo às 11h. Fechar o turno da noite foi uma decisão consciente: os dois filhos precisavam de pai e mãe presentes, e a segunda jornada exigiria uma equipe nova entrando às 16h enquanto o salão ainda estaria fechando. O plano é retomar o período noturno quando os meninos forem para a faculdade.
Repaginar o ícone sem perder a alma
O Rools existe desde 1994, nasceu como bar noturno, virou restaurante com almoço e janta e foi crescendo como as casas antigas crescem: um puxadinho aqui, a churrasqueira num canto, os banheiros atrás da grelha. Marina e Everton entraram sem o apego de quem construiu aquilo do zero, o que deu coragem para propor mudanças. O primeiro passo foi chamar uma agência para redesenhar a fachada. Depois veio o projeto arquitetônico: três versões até encaixar tudo dentro do espaço disponível, sem poder expandir lateralmente.
A reforma foi feita com o restaurante funcionando. A equipe de obras chegava às 14h30, assim que a turma do almoço saía. Resultado: climatização completa, banheiros na frente, churrasqueira reorganizada, iluminação nova, aparadores maiores com mais variedade de saladas e aquela sensação de que o lugar cresceu mesmo sem ter aumentado o número de mesas. Os clientes de longa data perceberam na hora. A segunda etapa, a reforma da cozinha, começa em breve.
O que não pode faltar no Rools
Churrasco é o queridinho, com Gilberto cortando na hora, ao ponto que o cliente quiser, com pasta de alho e mussa rela. Mas o torresmo, a batata chips feita ali mesmo e a banana frita de sábado já viraram marca registrada do salão. A feijoada é tradição às quartas, sábados e domingos. E quando o público pediu em pesquisa de WhatsApp por arroz, feijão, bife e batata frita, Marina criou o Brasileirinho, um prato executivo que saiu bem tanto no salão quanto no delivery. Os planos para 2025 incluem reintroduzir o filé à parmegiana e o yakissoba no almoço de final de semana, após a reforma da cozinha.
O cardápio de segunda é mais leve, o de fim de semana sobe de nível. E tem coisas que o cliente espera encontrar todo dia: se a batata chips não está no aparador, alguém já pergunta. O Rools tem clientes que almoçam lá todos os dias do ano, que levam os filhos, depois os netos, que chegam em Dracena no fim de ano e vão direto para lá como parte do ritual.
A memória que uma refeição guarda
Mais de trinta anos de história resultam em vínculos que vão além do cardápio. Marina pensa nisso quando prepara uma mesa para casamento civil numa quinta-feira, coloca tacinhas e guardanapos de pano e ajusta cada detalhe para que a data fique guardada da melhor forma possível. Para ela, a comida proporciona memórias, e cuidar bem de cada momento que alguém escolhe dividir no Rools é o propósito que fica por baixo de tudo.
O casal recebe eventos como batizados, aniversários e confraternizações de empresa, bastando fazer reserva com antecedência. E o slogan que eles escolheram diz tudo: a melhor hora do seu dia. Não é marketing. É o compromisso que Marina e Everton renovam toda manhã, quando as meninas já estão sentadas na porta às 6h30 esperando para entrar e começar a preparar o que vai chegar no prato de quem escolheu o Rools para almoçar.
Onde encontrar
Marina e Everton comandam o Rools Restaurante em Dracena, SP. Acompanhe o casal e o restaurante no Instagram: @marinapbgoncalves, @evertonjoseg e @rools.restaurante.
Resumo do episódio
Marina, ex-vendedora de calçados com paixão por cozinhar desde criança, assumiu o Rools com o marido Everton em março de 2020, seis dias antes da pandemia fechar tudo. O casal enfrentou a crise com delivery e cursos online, depois reformou o restaurante tradicional de Dracena mantendo sua essência, criando um ambiente climatizado onde churrasco, torresmo e pratos executivos geram memórias para clientes que voltam há três décadas.
Principais aprendizados
- Assumir um negócio estabelecido exige mês de aprendizado prático antes de bater o martelo na decisão.
- A pandemia obrigou o casal a reduzir equipe drasticamente e inovar com delivery enquanto o proprietário estudava gestão online.
- Reformar um ícone de 30 anos sem expandir o espaço físico demandou três versões de projeto arquitetônico.
- Dividir tarefas conforme habilidades naturais, como ela nas compras gerais e ele na carne, reduz atritos na gestão em casal.
- Manter itens tradicionais como batata chips e feijoada no cardápio é tão importante quanto renovar a infraestrutura do salão.
Perguntas respondidas neste episódio
Como Marina e Everton se prepararam para assumir o Rools sem experiência no ramo?
Passaram um mês inteiro dentro do restaurante antes de fechar a compra para entender como tudo funcionava. Durante a pandemia, Marina fez seis cursos online focados em gestão, precificação e administração de cozinha. A cozinheira que já estava no Rools ensinou o casal a fazer todos os pratos da carta noturna.
Como o Rools funcionou durante o lockdown de 2020?
Dispensaram a maior parte dos funcionários e ficaram com duas colaboradoras, operando em esquema de delivery vendendo marmitas executivas na porta. Essa operação de emergência durou enquanto o salão permanecia fechado.
Qual foi a estratégia de reforma do Rools sem parar o funcionamento?
A equipe de obras chegava às 14h30, assim que a turma do almoço saía. A reforma incluiu climatização completa, banheiros na frente, churrasqueira reorganizada, iluminação nova e aparadores maiores com mais variedade de saladas.
Por que o Rools não abre à noite mais?
Marina e Everton fecharam o turno noturno porque os dois filhos, na época com dois e sete anos, precisavam de pai e mãe presentes. A segunda jornada exigiria uma equipe nova entrando às 16h enquanto o salão ainda estaria fechando. O plano é retomar o período noturno quando os meninos forem para a faculdade.
Este texto foi gerado por Inteligência Artificial com base na transcrição do episódio do AdamiCast.