Quando Diogo Silva decidiu que queria mudar de corpo, em 2015, ele não sabia nem o que era fisiculturismo. Achava que musculação era coisa de quem queria ficar forte para a praia. Seis anos depois, em 2021, ele estreou no palco da federação, em Ponta Porã, e em três semanas já estava competindo no Campeonato Brasileiro, no Anhembi, em São Paulo. A história, contada no episódio #175 do AdamiCast, em dezembro de 2022, é a de quem passou oito anos construindo não só o corpo, mas a cabeça que sustenta a maratona invisível que acontece entre o treino e o palco.
Ao longo de quase três horas de conversa, o Diogo mostrou o que é a preparação de verdade, a que não vira foto no Instagram, a que é feita de água controlada, viagem de ônibus noturno sem comer, balão comercial com a balança de pesagem, e uma hora de escada rolante no dia anterior ao palco, mesmo quando o cérebro já está avisando para parar. É um relato que começa no bodybuilder e termina no nutricionista, porque, para ele, não dá para competir uma vida sem o que ele aprendeu na faculdade de Nutrição, em 2018.
Oito anos para o primeiro dia no palco
Diogo começou a treinar em 2015, sem objetivo competitivo, por uma razão simples. “Eu queria mudar meu corpo, ir para a praia, para uma piscina, me sentir bem.” Ele procurou um nutricionista, começou a seguir a dieta e a orientação de treino com consistência, e em dois anos viu o que ele chama de “primeira mudança”, a passada de um cara magro para um cara com volume. Foi só em 2018, já dentro da faculdade de Nutrição, que ele pôs os pés no fisiculturismo, ao assistir um campeonato em São Paulo. “Eu me dedico, faço a dieta certinho, por que não competir?” A resposta veio com a maturidade: não estava pronto fisicamente, precisava de mais tempo de construção.
A estreia aconteceu em 2021, em Ponta Porã, no Mato Grosso do Sul, a federação que ainda tinha vaga para ele, já que as outras tinham passado da data limite. De manhã, estreou no palco como novato, e à tarde, no Estadual, na mesma cidade, fez a segunda apresentação. Três semanas depois, estava no Campeonato Brasileiro, em São Paulo, competindo com gente de 50 anos e 30 anos de carreira, e ficou em sétimo. “O cara que tem 50 e poucos anos compete há 30, eu nunca vou chegar lá. Eu tenho que estar feliz de estar ali, entre os melhores.” A frase resume a mentalidade dele: não compara com o outro, compara com ele de seis anos antes.
A semana do pique: água controlada, viagem sem comer e a escada rolante
A última semana antes do palco é chamada de “pique” ou “peak week”, e é onde o atleta ajusta a alimentação, a hidratação e o treino para chegar no palco com o máximo de definição muscular. Para Diogo, isso significa um litro e meio de água ao longo do dia inteiro, última refeição com 300 ml de espaço, e o início da desidratação. No Campeonato Brasileiro, em Vitória, ele viajou de ônibus a noite toda, sem comer e sem beber nada, porque tudo o que ele ingerisse seria contabilizado no dia seguinte. “Eu sei que o que eu ingerir, vai contar. Viajei a noite toda dormindo, e quando cheguei em São Paulo de manhã, fui direto para o mar, academia, treino, cardio, banho, aeroporto.”
O detalhe mais marcante, e que Diogo conta com um meio sorriso, é a hora de escada rolante que ele inventou de fazer no dia anterior à pesagem oficial. Uma hora seguida, no limite, rezando baixinho, mesmo sabendo que era capaz de desmaiar. “Eu tinha um propósito grande. Já tinha viajado, já tinha feito toda a preparação, não ia parar ali.” A cena é um retrato do que ele mais repete na conversa, que 99% da competição é mental, e que o resto é dieta e treino, mais ou menos nessa ordem. A próxima competição dele, depois do episódio, é o Campeonato Sul-Americano, que o Brasil sediou em 2022.
Os bastidores que não vão para o Instagram
Diogo tem uma frase que define o tom da conversa. “Rede social é um jogo de ilusão. Tá tudo lindo, maravilhoso, mas os bastidores a gente não relata.” Os bastidores que ele cita ao longo do episódio vão de bolhas no pé com pus, escondidas do Instagram, a viagens de 500 km em ônibus com balança de pesagem portátil, com parada em cada posto para subir na balança do banheiro do posto e mandar a foto do peso por WhatsApp para o nutricionista, que estava de longe, para autorizar a próxima refeição. É uma rotina de disciplina que começa no treino e termina na geladeira, com a marmita que viaja com ele para qualquer churrasco, qualquer reunião de família, qualquer data no calendário.
A infecção de garganta a quatro semanas da primeira competição é o caso mais marcante. Diogo não podia treinar, não podia fazer cardio, mal conseguia engolir. O médico passou medicação, e ele decidiu que a única coisa que estava no alcance dele era a dieta. “Engoli a comida chorando de dor, mas era a única coisa que eu podia fazer.” Em sete dias, voltou. Competeu. É o tipo de episódio que, segundo ele, é parte do que o competidor não mostra quando o palco está aceso e a música está tocando.
Nutrição como ofício, não como modinha
Para Diogo, a faculdade de Nutrição foi o que deu sustentação ao corpo de competidor. Ele entrou em 2018, sem saber ainda se a carreira de nutricionista ia vingar, e se formou entendendo que a área é muito mais complexa do que parece, e muito mais séria. “A vida do paciente está nas minhas mãos. Se eu prescrever errado, eu posso prejudicar a vida dele.” A frase aparece como princípio, e ele a aplica no consultório, onde atende pessoas que querem emagrecer, ganhar massa, ou tratar doenças como diabetes e hipertensão, com o mesmo rigor com que planejou a própria semana do pique.
A experiência de competidor virou, assim, uma ferramenta de trabalho. Quem compete, sabe o que o corpo aguenta, e onde está o limite, e isso muda a forma de prescrever. “Quem compete não faz besteira na dieta, sabe a diferença entre cortar carboidrato e cortar nutriente.” Para ele, o atleta amador que quer melhorar a saúde e o desempenho não precisa passar por tudo isso, mas se beneficia de quem já passou. É o tipo de retorno que a maratona de seis anos de construção devolve, em forma de conhecimento clínico, para os pacientes que vão ao consultório dele em busca de uma transformação, mas sem precisar do palco para conseguir.
Onde encontrar
Diogo Silva atende como nutricionista clínico e esportivo na região de Presidente Prudente, e continua competindo fisiculturismo na categoria clássico, representando a federação paulista. Para acompanhar a rotina de treino, a preparação de competição e os bastidores que ele cita no episódio, siga o Instagram @diogosilvanutri.
Resumo do episódio
Diogo Silva conta sua trajetória de oito anos até a estreia no palco do fisiculturismo em 2021, desvendando os bastidores invisíveis da preparação que ninguém vê no Instagram: a semana do pique com água controlada, viagens de ônibus sem comer, e a disciplina mental que sustenta a competição. Formado em Nutrição desde 2018, ele aplica no consultório o conhecimento adquirido como atleta para orientar pacientes em transformações corporais e tratamento de doenças.
Principais aprendizados
- A preparação para competir em fisiculturismo vai muito além do treino, envolvendo controle extremo de água, alimentação e desidratação na semana anterior ao palco.
- A mentalidade do competidor é comparar a si mesmo em diferentes momentos, não com outros atletas, o que determina a satisfação com o resultado.
- A semana do pique inclui práticas intensas como fazer uma hora de escada rolante antes da pesagem oficial para atingir o máximo de definição muscular.
- Nutrição é uma ciência séria e complexa onde a prescrição incorreta pode prejudicar a vida do paciente, não uma modinha ou conhecimento superficial.
- A experiência como competidor oferece compreensão profunda dos limites do corpo humano que permite prescrever orientações mais adequadas para pacientes que buscam transformação.
Perguntas respondidas neste episódio
O que é a semana do pique no fisiculturismo?
A semana anterior ao palco onde o atleta ajusta alimentação, hidratação e treino para chegar com máximo de definição muscular. Inclui redução severa de água, última refeição controlada e desidratação progressiva para deixar os músculos mais aparentes.
Quanto tempo de preparação é necessário antes da primeira competição em fisiculturismo?
Diogo Silva treinou por oito anos antes de sua estreia no palco. Começou em 2015 querendo apenas mudar o corpo, descobriu o fisiculturismo em 2018 ao assistir um campeonato, mas considerou que não estava fisicamente pronto e só competiu em 2021.
Por que a nutrição é importante para quem compete em fisiculturismo?
A nutrição oferece a base científica para sustentar a maratona do treino e competição. Quem compete sabe a diferença entre cortar carboidrato e cortar nutriente, e consegue prescrever com rigor para si mesmo e para pacientes, evitando prejudicar a saúde.
Este texto foi gerado por Inteligência Artificial com base na transcrição do episódio do AdamiCast.