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Digital influencer no interior: a historia de Hariane Bueno | #304

26 de abril de 2024 • 6 min de leitura

Este texto vem do episódio #304 do AdamiCast

O episódio 304 do AdamiCast recebeu Hariane Bueno, digital influencer de Panorama que construiu, ao longo de quatro anos, um trabalho de divulgação comercial que hoje movimenta lojas de toda a região de Dracena. Na conversa, ela contou como tudo começou de forma improvisada durante a pandemia, os bastidores de um trabalho que a maioria das pessoas enxerga apenas pela tela do celular, e os desafios de empreender numa profissão ainda pouco compreendida no interior.

O começo nas costuras de máscara e nas fotos com o celular da mãe

Hariane contou que sua trajetória começou por necessidade, em 2020. Ela trabalhava em áreas sem nenhuma relação com o digital, mas sempre gostou de celular. “Eu comecei então na pandemia por uma necessidade mesmo, estava até costurando máscara na pandemia para tentar vender”, relembrou. Foi ajudando a mãe, que tinha uma loja de acessórios, que percebeu um caminho possível: fazer fotos dos produtos e perceber que as pessoas se interessavam pelas peças mostradas nela. “Eu comecei a oferecer gratuitamente para as lojas”, contou, destacando que ia até os estabelecimentos de Panorama, sua cidade, sem cobrar nada, apenas pela divulgação.

O trabalho, feito sem tripé e sem qualquer estrutura, contou com a ajuda de uma amiga que a filmava e de sua mãe, que insistia para que ela cobrasse pelo serviço. Um nome citado com carinho na entrevista foi o de Carlinhos Ortega, de Irapuru, que administrava um blog e insistia em chamá-la de blogueira antes mesmo de ela se enxergar assim. “Ele via primeiro que você”, brincou o casal Adami. Foi um concurso promovido por ele, no qual Hariane venceu nas categorias revelação e divulgação comercial, que marcou a virada de chave: as lojas passaram a procurá-la, e não o contrário.

A rotina de estrada e o trabalho que ninguém vê

Passado o período inicial, que durou cerca de um ano e meio até os primeiros resultados mais consistentes, Hariane hoje roda diariamente por cidades como Dracena, Junqueirópolis, Tupi Paulista, Irapuru e Pacaembu, sempre no mesmo carro, um Uno que ela trata com carinho e humor. “Se tivesse um carro gasto, eu já estava ferrada”, disse, explicando que para compensar o deslocamento tenta agregar várias lojas parceiras num mesmo dia e assim equilibrar os valores cobrados.

Ela detalhou que o trabalho vai muito além de aparecer nas fotos: exige pesquisa prévia sobre a loja ou empresa, estudo do assunto a ser divulgado, gravação e, depois, horas de edição. “Pra editar é duas horas”, disse sobre um vídeo que leva uma hora para ser gravado. Segundo ela, muita gente ainda enxerga a profissão como algo simples. “Muita gente fala pra mim assim: Ariane, é só tirar foto? Cara, não é só tirar foto.”

O papel da filha, da família e a rotina puxada

Um dos momentos mais emocionantes da conversa foi quando Hariane falou sobre a filha, Isadora, e o apoio da própria mãe, que fica com a menina enquanto ela trabalha ou viaja. “Se não fosse ela para me dar esse suporte, saber que a gente tem alguém para confiar, para deixar, porque é o nosso bem mais precioso, que é o nosso filho”, declarou. A filha, inclusive, já participa de alguns trabalhos em lojas infantis, mas cobra o próprio cachê, geralmente em açaí, e reclama que a mãe até já a chamou de “tripé humano” quando precisa de ajuda para segurar a câmera.

A rotina inclui ainda a parceria recente com a empresa Vaqueiros, que a levou a cobrir rodeios da região representando a marca, uma experiência que ela descreveu como muito gratificante, unindo trabalho e algo que gosta de fazer. Segundo Hariane, esse tipo de reconhecimento, receber convites de marcas mais estruturadas, é uma forma importante de validação da profissão: “Se ela está investindo nela, eu também posso.”

Comparação, crítica e os bastidores da autocrítica

Questionada sobre o que considera mais difícil na profissão, Hariane foi direta: a comparação constante estimulada pelas redes sociais. “O Instagram, ele parece uma máquina de comparação”, afirmou, citando como exemplo a sensação de que todo mundo está sempre viajando ou fazendo mais sucesso que ela. Ela também comentou sobre a concorrência desleal de quem oferece o trabalho de graça só para ganhar espaço, o que dificulta a consolidação de um mercado mais justo para quem já cobra pelo serviço.

Sobre lidar com críticas, disse que ainda não recebeu muitas, mas relatou um episódio em que um comentário sobre seu jeito de falar a fez repensar sua postura em diferentes contextos, adaptando a linguagem conforme o público e o tipo de divulgação, seja para uma faculdade, uma loja de roupas ou um evento de rodeio. Quanto à autocrítica, admitiu ser um processo pesado: “Eu me cobro muito, muito, muito, muito.” Para ela, esse traço tanto ajuda a evoluir quanto gera ansiedade desnecessária.

Conselhos para quem quer contratar ou se tornar influenciador

Ao ser perguntada sobre o que uma marca deve observar antes de contratar uma influenciadora, Hariane destacou a importância da autenticidade e do entendimento sobre o próprio nicho, mais do que o número de seguidores. “Se você vê que a pessoa tem um conteúdo além de beleza, acho que vai valer super a pena”, disse, reforçando que investir em quem está próximo, na própria região, costuma trazer resultados mais concretos do que apostar em nomes distantes e sem conexão com o público local.

Encerrando a conversa, Hariane reforçou o quanto se sente honrada por dividir essa trajetória com os ouvintes do AdamiCast, reconhecendo que muita gente acompanha seu trabalho sem saber da rotina intensa por trás das publicações. Falou também sobre a expectativa de crescer profissionalmente, formar uma equipe e melhorar ainda mais a qualidade do conteúdo que entrega às lojas parceiras da região.

Onde encontrar

Você encontra quem participou deste episódio no Instagram: @rarianebuenotino.

Resumo do episódio

O episódio traz Hariane Bueno, digital influencer da região de Dracena, contando como começou o trabalho de divulgação comercial durante a pandemia, os desafios de crescer no interior, a rotina de atender lojas em várias cidades e a relação entre autenticidade e resultado no trabalho de influenciadora. Ela explica como negocia parcerias, lida com comparação e críticas nas redes sociais, e como orienta comerciantes sobre o que observar antes de contratar uma influenciadora. O relato mostra a construção gradual da carreira, do trabalho gratuito inicial até a consolidação de parcerias fixas com lojas da região.

Principais aprendizados

  • O trabalho de divulgação comercial começou de forma gratuita e levou cerca de um ano e meio a dois anos para gerar retorno financeiro consistente.
  • No interior, a persistência é fundamental porque muitos comerciantes ainda têm receio de investir em divulgação digital sem garantia de retorno imediato.
  • Uma influenciadora deve ser vista como parte de uma engrenagem de vendas, não como responsável isolada pelo resultado comercial de uma loja.
  • A comparação constante entre criadores de conteúdo nas redes sociais é apontada como um dos aspectos mais difíceis da profissão.
  • Para contratar uma influenciadora, é mais relevante avaliar autenticidade, conhecimento do assunto e engajamento local do que o número total de seguidores.

Perguntas respondidas neste episódio

Como uma digital influencer do interior conseguiu começar a trabalhar com divulgação comercial?

O trabalho começou na pandemia, oferecendo o serviço de forma gratuita para lojas locais, fazendo fotos e vídeos de roupas e acessórios. Aos poucos, lojistas passaram a indicar o trabalho uns aos outros e a pagar por ele. A virada aconteceu depois de ganhar um concurso local de influenciadores em categorias de revelação e divulgação comercial, o que trouxe mais visibilidade e fez lojas passarem a procurá-la em vez do contrário.

Vale a pena para uma loja contratar uma influenciadora digital?

Sim, mas o investimento só compensa quando existe um conjunto de fatores, incluindo bom atendimento na loja e estratégia de vendas, já que a influenciadora funciona como uma vitrine que agrega valor à marca, não como uma vendedora garantida. É importante observar se a pessoa tem autenticidade e conhecimento sobre o produto, além de dar preferência a quem atua na própria região, pois isso garante conexão com o público local.

Como funciona o dia a dia de uma influenciadora que atende várias cidades do interior?

A rotina envolve visitar várias lojas em diferentes cidades no mesmo dia para otimizar deslocamento e custos, já que viajar para atender apenas uma loja distante torna o valor cobrado muito mais alto. Depois das gravações, ainda é necessário editar os vídeos, o que costuma levar mais tempo do que a própria gravação. O trabalho também exige pesquisa prévia sobre o assunto ou produto antes de cada divulgação.

Quais são as principais dificuldades enfrentadas por quem trabalha como influenciadora digital?

Um dos maiores desafios é lidar com a comparação constante entre criadores de conteúdo, o que pode gerar insegurança e autossabotagem. Também existe a concorrência desleal de pessoas que oferecem o trabalho de graça ou por valores muito baixos, dificultando a valorização justa da profissão. Além disso, a incerteza sobre o desempenho de cada publicação, sem saber se vai gerar engajamento, é apontada como algo desgastante.

Como se diferenciar em meio a tantos criadores de conteúdo fazendo o mesmo tipo de trabalho?

A autenticidade é considerada o fator mais importante para se destacar, já que tentar copiar o estilo de outra pessoa não costuma funcionar. Mesmo ao participar de tendências que todo mundo reproduz, cada criador acaba imprimindo um resultado diferente por causa do próprio jeito de ser. Manter constância no nicho em que se tem afinidade é apontado como mais eficaz do que mudar de estilo só porque outro perfil está se destacando.

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Este texto foi gerado por Inteligência Artificial com base na transcrição do episódio do AdamiCast.