O episodio 296 do AdamiCast recebeu os irmaos delegados Andre Luengo e Alexandre Luengo, ambos da Policia Civil do Estado de Sao Paulo, professores universitarios e figuras conhecidas na regiao de Dracena. A conversa passeou por como cada um deles chegou a carreira, as diferencas brutais entre trabalhar em cidades grandes e no interior, casos que marcaram a trajetoria de ambos, e a paixao pela docencia que os move junto com o trabalho policial.
Como tudo comecou
Andre contou que a vontade de ser policial surgiu quando ele tinha 14 anos, ao conhecer, atraves de um amigo, alguem que trabalhava na Policia Civil. “Esse meu amigo me apresentou duas coisas importantes pra mim, a Policia Civil e a minha esposa”, relembrou. A curiosidade nasceu ao descobrir que existia uma policia que “anda disfarcada”, sem farda nem viatura. Aos 18 anos ele prestou concurso para escrivao de policia, em 1985, e depois seguiu para delegado. Alexandre, o irmao mais novo, teve o proprio Andre como referencia e contou que na infancia os dois brincavam de ser policial, sempre disputando o papel, enquanto o irmao caçula, hoje advogado, ficava com o outro lado da brincadeira. Alexandre tentou o concurso de escrivao ainda na faculdade e foi reprovado na fase oral, algo que ele hoje entende como parte do caminho. “Talvez nao fosse o momento, nao teria o psicologico preparado”, disse. Anos depois, aos 26 anos, foi aprovado para delegado de policia.
A dureza de comecar em Diadema e Sao Bernardo
Andre iniciou a carreira em Diadema, cidade que segundo ele “ensinou muito”, ainda que o inicio tenha sido assustador pelo historico da regiao, marcada pelo episodio da chamada favela naval anos antes. Ele relatou a diferenca de ritmo, com varias prisoes em flagrante por plantao, numero que impressionou o proprio Alexandre quando ouviu o relato por telefone. Foi tambem em Diadema que Andre conheceu a esposa, que registrou um boletim de ocorrencia de roubo justamente na delegacia dele. “Foi assim, vamos dizer, amor a primeira vista. Amor ao primeiro B.O.”, brincou. Em poucos meses estavam noivos e morando juntos, e o padrinho do casamento acabou sendo o proprio jovem que cometeu o roubo. Alexandre teve experiencias parecidas em Jaboticabal e depois em Capao Bonito, onde chegou a ser eleito provedor da Santa Casa da cidade aos 27 anos. Os dois destacaram como a vida em grandes centros muda o comportamento das pessoas, com mais anonimato e menos vinculo afetivo, algo bem diferente do que vivem hoje no interior.
Casos que marcaram a carreira
Entre as historias mais fortes contadas no programa esta o caso conhecido em Dracena como “Cida Picadinho”, em que uma mulher matou o marido, esquartejou o corpo e guardou partes dentro de um freezer, dizendo aos filhos que fazia uma experiencia. Alexandre descreveu a investigacao desde a descoberta dos restos mortais em zona rural at� a confissao da autora. Andre, por sua vez, relembrou um caso em Diadema, o assassinato de um policial militar dentro de casa durante uma tentativa de assalto encomendada pelo dono de um bar vizinho, motivado por uma desavenca com a sogra da vitima. Ele contou como passou semanas pesquisando manualmente em bancos de dados policiais até identificar o segundo suspeito, apenas pelo primeiro nome e um apelido comum. Outro caso citado por Andre foi um homicidio em Panorama, de extrema crueldade, em que a vitima foi decapitada e teve o coracao retirado pelo autor, que o carregava para intimidar outras pessoas.
Tecnologia, ciencia e o trabalho de investigar
Os dois explicaram como a investigacao mudou nas ultimas decadas, com o uso de perfil genetico, biometria facial, cameras de monitoramento e sistemas de identificacao por digital. Andre citou o proprio caso Cida Picadinho para mostrar os limites da tecnologia da epoca, quando uma coleta de digital nao trouxe o resultado esperado no primeiro reconhecimento. Ambos destacaram que provar a autoria de um crime e um caminho “bem mais tortuoso e lento” do que simplesmente presumir quem é o responsavel, e que um dos momentos mais gratificantes do trabalho é justamente livrar alguém inocente de uma acusacao. A dupla tambem comentou os riscos das novas formas de crime digital, como golpes por telefone e extorsao envolvendo imagens intimas, reforcando a importancia de cuidado com dados pessoais e exposicao nas redes sociais.
A vida entre a farda invisivel e a sala de aula
Alem da funcao de delegados, os irmaos dividem o trabalho com a docencia, ministrando aulas na policia e em faculdade de direito. Para ambos, dar aula é uma fonte de energia distinta do salario. “Voce entra na sala de aula cansado e sai com as baterias carregadas”, resumiu Andre. Alexandre contou que foi inspirado pelo irmao caçula, que comecou primeiro na carreira academica, e hoje sente a mesma satisfacao ao ouvir de ex-alunos que desejam seguir os passos dele. Os dois tambem falaram sobre o peso emocional da profissao policial, o treinamento voltado a controlar razao e emocao em situacoes extremas, e a importancia do acompanhamento psicologico oferecido pela instituicao em casos mais graves. Encerraram o bate papo reforcando que a persistencia, e nao qualquer privilegio, foi o que os levou a carreira que hoje exercem com orgulho.
Onde encontrar
Você encontra quem participou deste episódio no Instagram: @alexandreluengo_oficial e @andre.luengo.
Resumo do episódio
Dois irmãos delegados de policia civil, atuantes em Dracena e Presidente Prudente, contam como escolheram a carreira, a diferenca entre trabalhar em grandes centros como Diadema e no interior, e casos criminais marcantes que investigaram, incluindo o episodio conhecido como Cida Picadinho. A conversa aborda ainda a estrutura hierarquica da policia civil, o uso de tecnologia nas investigacoes, cuidados de seguranca digital contra golpes e a rotina emocional de quem trabalha lidando com violencia diariamente. Tambem falam sobre a docencia como atividade complementar que exercem junto ao trabalho policial.
Principais aprendizados
- A policia civil no interior tende a ter contato mais pessoal e proximo com a populacao, enquanto em grandes centros o policial se torna mais anonimo.
- A legitima defesa se caracteriza apenas no momento da agressao injusta; o que ocorre depois, como ocultar um corpo, configura outro crime.
- Hoje nao existe mais idade limite para prestar concurso de delegado de policia, apenas idade minima.
- Tecnologias como reconhecimento facial, leitura de digitais e bancos de perfil genetico aceleraram muito as investigacoes em comparacao ao passado.
- Golpes por telefone e redes sociais costumam combinar dados pessoais vazados com pressao psicologica, por isso recomenda-se nunca fornecer codigos verificadores de cartao e checar informacoes direto com a instituicao financeira.
Perguntas respondidas neste episódio
Como funciona a hierarquia da policia civil no interior de Sao Paulo?
Cada cidade tem um delegado titular. Cidades maiores, chamadas seccionais, coordenam administrativamente as delegacias das cidades vizinhas. Acima das seccionais existe um departamento regional, que reune varias seccionais, comandado por um diretor. Esse diretor participa de um conselho estadual da policia civil, presidido pelo delegado geral, que mantem contato direto com secretario e governador.
Como um delegado sobe de classe dentro da carreira?
A progressao ocorre por antiguidade, ou seja, tempo de servico, ou por merecimento, quando o profissional realiza um trabalho de destaque que e avaliado e votado, permitindo avancar para uma classe imediatamente superior. Somente ao chegar na classe especial e possivel ocupar cargos de gestao, sendo necessario ainda concluir um curso superior de policia em Sao Paulo, que dura um ano.
A legitima defesa deixa de valer se a pessoa esconder o corpo depois?
Nao. Se a acao inicial ocorreu durante uma agressao injusta e foi proporcional para cessa-la, a legitima defesa se mantem valida para aquele momento. O que a pessoa faz depois, como ocultar o corpo, e analisado separadamente como outro crime, sem anular o reconhecimento da legitima defesa no momento do fato.
Por que criminosos aplicam mais golpes em cidades do interior?
Porque nessas cidades as pessoas tendem a confiar mais nos outros e nao percebem malicia com facilidade, um comportamento que antigamente incluia deixar casas abertas e veiculos com chave no contato. Essa confianca maior torna os moradores mais vulneraveis a golpistas, que exploram justamente essa falta de desconfianca tipica de centros urbanos maiores.
Quais cuidados devo ter para nao cair em golpes por telefone envolvendo dados bancarios?
E recomendado nunca informar o codigo verificador do cartao por telefone, mesmo que o golpista ja tenha outros dados como nome, CPF e parte do numero do cartao, pois essas informacoes podem ter sido obtidas de vazamentos anteriores. Em caso de duvida sobre qualquer contato, o ideal e procurar diretamente o gerente da instituicao financeira em vez de continuar a conversa por telefone.
Este texto foi gerado por Inteligência Artificial com base na transcrição do episódio do AdamiCast.