#326

De uma loja veterinária sem fechadura a cinco negócios: a historia de Marcos Torquato | #326

26 de julho de 2024 • 7 min de leitura

Este texto vem do episódio #326 do AdamiCast

O convidado do episódio 326 do AdamiCast foi Marcos Torquato, empresário que hoje divide seu tempo entre lojas veterinárias, uma franquia de chocolates Cacau Show, loja de roupas, sorveteria e outros negócios espalhados por cidades como Pauliceia, Brasilândia, Panorama, Junqueirópolis e Lucélia. A conversa reconstituiu uma trajetória que começou aos 17 anos, quando ele deixou um emprego estável em Três Lagoas para assumir, sem experiência nenhuma, uma pequena loja veterinária que quase não faturava.

A proposta que ninguém apostaria

Marcos contou que estava trabalhando como caixa em Três Lagoas e cursando o primeiro ano de faculdade quando a família recebeu a proposta de assumir uma loja veterinária pequena, com apenas um funcionário e faturamento baixo. Segundo ele, todos ao redor desaconselhavam a decisão: “eu não tenho experiência de nada, eu não sei fazer nada, nunca… acostumado só a ir pra rodeio e tomar cerveja, né? 17, 18 anos”. Foi o conselho do seu patrão na época, Antônio Dourado Rocha, uma referência na cidade, que pesou na decisão. Ele disse que se Marcos não desse certo no negócio, o recolocaria em outra empresa. “Aí a gente foi. Puta tiro no escuro”, resumiu.

A partir dessa conversa, Marcos abandonou o emprego fixo e a faculdade para se dedicar à loja em Pauliceia. Ele destacou que, ao contrário do que muita gente pensa, dinheiro não é o principal recurso para empreender: “eu acho que o querer vale mais do que dinheiro. A determinação vale mais que o dinheiro.” Relembrou episódios de humilhação nos primeiros anos, como quando foi abrir uma segunda loja, em um prédio deteriorado sem fechadura na porta, e ouviu de moradores da região que ele “vai ficar seis meses e o dono do salão vai tomar um pó”.

Da loja isolada ao mix de tudo

Com o tempo, e sem dinheiro para investir em estoque diversificado, Marcos foi testando produtos dentro da própria loja veterinária de Brasilândia, que se tornou uma espécie de laboratório para todos os negócios seguintes. “Se vende, eu compro”, resumiu. Assim, ao lado de ração e medicamentos, passaram a conviver chinelos, bonés, ferramentas, liquidificadores, panetones, sabão em pó e até cerveja. “Se eu falar os produtos que eu vendi dentro da veterinária… eu já vendi cerveja dentro da veterinária”, contou, rindo da lembrança de negociar fardos e caixas fora do escopo tradicional do comércio.

Foi esse crescimento orgânico de mix de produtos que deu origem, mais tarde, a lojas específicas de utilidades domésticas e à loja de roupas em Brasilândia, hoje administrada em sociedade com Tereza, sua atual sócia. A reforma do salão para essa loja ficou pronta justamente na época em que a pandemia começou, um momento de incerteza que ele descreveu com humor: “e aí? E agora? Pandemia. Falei, não, vamos para cima.” O negócio de roupas seguiu adiante e, segundo ele, hoje funciona com sucesso sob a administração direta da sócia.

A conquista da franquia Cacau Show

A ligação com chocolates vem de mais longe, da infância em que a mãe de Marcos fazia ovos de Páscoa para complementar a renda familiar, acordando de madrugada para trabalhar o chocolate. Foi essa memória afetiva que o levou a buscar, por anos, uma franquia Cacau Show, processo que exigiu comprovar capital disponível mesmo sem tê-lo de fato. Ele relatou ter organizado uma “vaquinha” entre amigos só para mostrar saldo bancário à franqueadora por um dia, devolvendo o dinheiro no dia seguinte. “Aí eu mostrei a minha grana pra eles lá. Aí eu falei, não. Você é um cara que pode estar junto com a gente.”

Mesmo aprovado, faltava dinheiro para pagar a taxa de franquia à vista, o que levou a uma negociação de parcelamento direto com o antigo proprietário da loja de Lucélia, processo que se estendeu por cerca de seis meses. Marcos também descreveu um episódio marcante da primeira visita à fábrica da Cacau Show, quando decidiu não comer nenhum chocolate durante os três dias de treinamento, como forma pessoal de agradecimento e reconhecimento de que a oportunidade vinha de uma força maior do que ele mesmo: “eu não merecia estar aqui, por mim… eu não vou comer nada aqui pra fortalecer, pra ver que não saiu de mim isso aqui.”

Dívidas, orgulho e a lição da energia cortada

A entrevista trouxe também um momento de fragilidade na trajetória: um período em que Marcos, então também no ramo de transporte com carretas e caminhões, começou a acumular dívidas depois de, segundo ele mesmo avaliou, deixar de reconhecer a mão de Deus em suas conquistas e passar a atribuir o sucesso apenas ao próprio esforço. “Eu comecei a ter esse raciocínio… um pouco de ego, eu acho. Aí foi quando as coisas começou a mudar a história”, disse, relatando contas atrasadas, cheques devolvidos e até um corte de energia elétrica. “Cinco contas de energia. Bolado. Se enrolou completamente.”

Ele descreveu a vergonha de encontrar conhecidos numa padaria da cidade sabendo que cheques seus haviam sido devolvidos, e a necessidade de reconstruir a confiança negociando dívida por dívida, sem fugir de ninguém. O episódio, segundo ele, trouxe uma dose de humildade que mudou sua forma de encarar o negócio e as responsabilidades com funcionários e famílias que dependem direta ou indiretamente do seu trabalho, incluindo proprietários de imóveis alugados que usam aquele valor como fonte de renda.

Rotina, equipe e o olhar do empreendedor

Hoje à frente de múltiplos negócios em cidades diferentes, Marcos falou sobre a importância de formar equipes de confiança e dar autonomia a funcionários que conhecem o dia a dia de cada loja melhor do que ele mesmo. “Eles estão dentro das lojas, eles têm muito tempo de chão de loja. Eles entendem muitas vezes necessidade”, afirmou, destacando que alguns colaboradores estão com ele há mais de quinze anos. Sobre a rotina, comentou que trabalha desde muito cedo até tarde da noite, incluindo fins de semana, mas de um jeito que considera diferente do trabalho assalariado: “quando você trabalha pra você, é realmente assim, você trabalha com um gás totalmente diferente.”

Ao longo da conversa, ele reconheceu ter passado por diversos setores, do posto de combustíveis ao transporte de carga, da veterinária às franquias de chocolate e moda, e afirmou que hoje mantém um olhar sempre atento a oportunidades, analisando lojas e produtos em qualquer cidade que visita. Por ora, disse estar segurando novos empreendimentos para reorganizar a parte administrativa dos negócios já existentes e para se dedicar mais à família, já que aguarda o nascimento de um novo filho. Encerrando a participação, agradeceu o convite e disse ter se sentido à vontade para contar, sem filtros, os altos e baixos de uma trajetória que começou com uma porta sem fechadura em Pauliceia.

Onde encontrar

Você encontra quem participou deste episódio no Instagram: @marcos_torquato_.

Resumo do episódio

O episodio traz Marcos Torquato, empresario de Pauliceia e regiao, contando como comecou em 2003 assumindo uma loja veterinaria pequena em vez de manter um emprego estavel em Tres Lagoas. A partir dessa decisao ele expandiu para varias cidades, diversificou o mix de produtos dentro das proprias lojas veterinarias, adquiriu uma franquia Cacau Show sem capital inicial disponivel e enfrentou um periodo de dividas e cortes de energia antes de reorganizar os negocios. A conversa detalha os bastidores de abrir e manter comercios no interior, os testes e negociacoes com franqueadoras, e a relacao com funcionarios e familia ao longo de mais de duas decadas empreendendo.

Principais aprendizados

  • Comecar um negocio pode depender mais de determinacao e coragem do que de capital disponivel no momento da decisao.
  • Testar produtos variados dentro de uma loja existente pode indicar a viabilidade de abrir um comercio especializado depois.
  • Aceitar repasses de lojas ja estabelecidas por outros empreendedores desanimados pode ser mais viavel do que abrir um ponto do zero.
  • Perder o equilibrio financeiro e acumular dividas pode acontecer mesmo apos anos de crescimento, exigindo reorganizacao e humildade para resolver.
  • Negociar prazos e formas de pagamento com fornecedores ou franqueadoras pode viabilizar uma aquisicao mesmo sem o valor total disponivel.

Perguntas respondidas neste episódio

Como comecar um negocio sem ter dinheiro disponivel?

E possivel comecar mesmo sem capital acumulado, desde que exista determinacao, coragem e disposicao para enfrentar recusas e dificuldades iniciais. Um empresario relatou ter assumido uma loja pequena pagando de forma parcelada, sem experiencia no ramo, e enfrentou anos de dificuldade antes de o negocio engrenar. A decisao de comecar dependeu mais da vontade de arriscar do que de ter uma quantia inicial guardada.

O que fazer quando faltam recursos para comprovar capacidade financeira em uma negociacao de franquia?

Uma solucao encontrada foi reunir dinheiro emprestado de amigos e conhecidos apenas para comprovar saldo em conta no momento exigido pela franqueadora, devolvendo o valor no dia seguinte. Essa manobra permitiu avancar na negociacao mesmo sem ter o montante de fato disponivel de forma permanente. Depois, ainda foi necessario negociar parcelamento da taxa de franquia diretamente com a empresa.

Quanto tempo leva para um negocio comecar a dar resultado?

Segundo relato baseado em experiencia propria e em estatisticas do mercado, um negocio comecava a dar frutos a partir de dois anos, mas atualmente esse prazo passou para cerca de tres anos devido ao mercado mais competitivo. Empresas ja consolidadas ou com nome forte no mercado podem ter resultado mais rapido. Quem abre um negocio esperando lucro em menos de um ano tende a se frustrar e desistir precocemente.

Vale a pena diversificar os produtos vendidos em uma loja pequena?

Sim, a diversificacao gradual de produtos dentro de uma loja pequena pode revelar novas oportunidades de negocio. Em uma loja veterinaria foram incluidos itens como chinelos, bonés, liquidificador, panetones e sabao em po, sempre avaliando se o produto era acessivel, desejado e cabia na margem de lucro. Quando um segmento cresceu o suficiente dentro da loja original, foi aberta uma loja separada especializada apenas naquele nicho.

O que fazer quando o negocio acumula muitas dividas ao mesmo tempo?

Quando as dividas se acumularam a ponto de a energia ser cortada, a solucao foi reconhecer a necessidade de ajuda, engolir o orgulho e negociar diretamente com cada credor, sem fugir das cobrancas. O processo envolveu atender ligacoes, resolver situacao por situacao e aceitar passar por constrangimento publico, como ter cheques devolvidos comentados na cidade, ate conseguir reverter o quadro aos poucos.

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Este texto foi gerado por Inteligência Artificial com base na transcrição do episódio do AdamiCast.