No episódio #251 do AdamiCast, em 14 de setembro de 2023, Milena Davoli Nabas de Melo (Delegada de Polícia Titular da DIG de Tupã) e Flávio Delgado de Melo (Delegado de Polícia Titular da DISE de Tupã), contaram a história que começa com eles se conhecendo no 2º ano da Faculdade de Direito em Tupã (FADAP), namorando no 3º, ele já trabalhando como escrivão de polícia e ela indo pra São Paulo fazer cursinho, e que ela passou primeiro no concurso de delegada (e ela jura que era o único concurso que não ia prestar, e o Flávio sonhava em ser delegado desde que entrou como escrivão), e que foram pra Academia de Polícia em São Paulo (3 anos ela, 4 anos ele), e que casaram em dezembro e foram morar num apartamento longe das duas delegacias (plantões não coincidiam, “Lua de mel sem se ver”), e que ela engravidou de gêmeas, e que as meninas nasceram com síndrome genética metabólica, e que ficaram 6 meses internadas no Hospital de Base em Rio Preto, e que a Milena perdeu uma aos 1 ano e 11 meses, e a outra uma semana depois, e que decidiram sair de São Paulo por causa da situação, e que uma permuta com Andradina salvou a vida deles (uma delegada de Andradina queria ir pra SP, e o escrivão da Milena avisou escondido), e que ficaram 12 anos em Andradina (Título de Cidadão Andradinense pros dois), e que depois mudaram pra Tupã por causa de uma investigação de pedofilia (ameaça velada), e que hoje ela está na DIG (Delegacia de Investigações Gerais) e ele na DISE (Delegacia de Investigações sobre Entorpecentes), e a carreira tem 31 anos de polícia pra ela, com a Operação Rota Caipira (400kg de cocaína, R$30 milhões, quadrilha de 20 pessoas, 36 viagens em 1 ano), com o caso de Parapuã de 2013 (caseiro matou casal e carbonizou, condenado a 75 anos), e com a página de Instagram da Milena sobre relações abusivas, que segundo ela, “tem que ser multifatorial pra resgatar a mulher” (delegacia + psicólogo + capacitação profissional + mercado de trabalho), e a frase que o Flávio mais repete é que “polícia 24 horas, só fala em polícia, o lado bom é que um entende o outro, o ruim é que nunca desvincula”, e a frase que a Milena mais repete é que “o conhecimento que a gente adquire tem que ser compartilhado, tem que fazer a diferença, a gente não vem ao mundo a passeio”.
Da Faculdade de Direito em Tupã (FADAP), do Flávio que já era escrivão e da Milena que “nunca pensou em ser delegada”, e do “era o único concurso que eu não ia prestar”
A Milena, lembra ela, e o Flávio se conheceram no segundo ano da Faculdade de Direito em Tupã (a FADAP), e começaram a namorar no terceiro, e o detalhe é que o Flávio já era escrivão de polícia quando eles se formaram, e a Milena se mudou pra São Paulo pra fazer cursinho preparatório pra concursos, e ela conta que o Flávio ficava em Tupã e ela passava macete pra ele, e ela acabou sendo aprovada primeiro no concurso de delegada, e a frase dela é emblemática: “nunca pensei em ser delegada, era o único concurso que eu não ia prestar, eu dizia “esse não””, e ela lembra que o irmão (que é médico) falou que era bobagem ela não prestar, e aí ela prestou, e o detalhe é que o Flávio já tinha a paixão, ele entrou como escrivão com a mentalidade de chegar a delegado, e segundo ele, “a gente entra, ama, odeia, é uma coisa que entra na veia, e você depende dessa adrenalina, e tem muita dedicação, muito estresse, e a gente tá sempre lidando com problema de outros”, e o que os dois frisam é que a faculdade ensina a parte teórica, mas a parte operacional (enquadrar a conduta, prender em flagrante, tipificar) só se aprende na prática, e segundo a Milena, “a situação chega na delegacia e você tem que enquadrar, não é igualzinha ao que tá escrito no papel, cada situação tem a sua peculiaridade, e a gente tem que saber rebolar pra aplicar a lei”.
Da Academia de Polícia em São Paulo, do “Lua de mel sem se ver” (plantões em delegacias diferentes), e do casamento em dezembro logo depois da aprovação
Depois da aprovação, lembra o Flávio, eles foram pra Academia de Polícia em São Paulo (a Escola Preparatória de Delegado, que ele lembra como “grande”), e a Milena ficou 3 anos e ele 4 (ele passou no concurso um ano depois dela), e o detalhe é que em SP eles moravam num apartamento que ficasse equidistante das duas delegacias (as unidades deles eram diferentes, e os plantões não coincidiam, e segundo a Milena, “as vezes ela tava saindo do plantão e ele tava chegando”), e ela conta que o primeiro ano de casados foi assim: “todo mundo falava assim vocês estão na lua de mel, não, a gente não tava nem se encontrando”, e a piada é que eles casaram em dezembro, e o Flávio já era delegado em Tupã (ele ficou em Tupã depois que ela foi pra SP), e segundo a Milena, “uma semana depois eu casei”, e a lembrança dela é que eles buscaram o apartamento justamente pra ficar longe das duas delegacias (e mesmo assim não se viam), e o lado bom de ser dois delegados é que um entende o outro, e o lado ruim, segundo o Flávio, é que “polícia 24 horas, só fala em polícia, é difícil, a gente não desvincula, e o pior é que às vezes os dois tão ausentes em casa ao mesmo tempo, e a família não entende”.
Das gêmeas com síndrome genética metabólica, dos 6 meses no Hospital de Base em Rio Preto, e da despedida das duas filhas (1 ano e 11 meses, e 2 anos e 10 meses)
Em São Paulo, lembra a Milena, ela engravidou de gêmeas (com ultrassom mostrando dois, e a surpresa grande), e a gestação correu tranquila, e ela trabalhou até o finalzinho, e quando as meninas nasceram os médicos falaram que “parecia que tinha alguma coisa errada”, e a batalha começou, e as meninas tinham síndrome genética metabólica (uma síndrome homeopática, segundo ela), e os sintomas foram aparecendo aos poucos (não enxergavam direito, depois não ouviam), e eles ficaram 6 meses com as meninas internadas no Hospital de Base em Rio Preto, e a Milena lembra que “a nossa casa virou uma UTI, era uma loucura, e tipo assim, você perdeu uma filha e você sabe que vai perder a outra, então a gente vivia com dois anos de sofrimento, porque você sabe que vai chegar, mas não sabe como”, e o detalhe é que o ser humano sempre tem esperança (“sabia que elas iam morrer, mas você fica sempre com um negocinho assim, “de repente a medicina muda””), e quando a primeira foi a falecer, o médico ligou e perguntou “vocês têm condições de manter a menina em casa?”, e a Milena fala: “falei vamos comprar o que precisar, plano de saúde cobre o que, a gente consegue, o que a gente não tem a gente dá um jeito”, e trouxeram uma pra casa com UTI em casa (duas babás e aparelhos), e uma semana depois a outra faleceu, e a Milena explica que não foi um “caso agudo”, foi um “caso paulatado” (cada mês ia assustando), e a frase dela sobre essa fase é: “foi uma fase de muito aprendizado, de muito sofrimento, de muitas e muita alegria, não no sentido de você conhecer pessoas que te deram lições, e a gente nunca deixou de ter alegria e amor pelo trabalho, o trabalho acabou sendo a nossa válvula de escape”.
Da decisão de sair de São Paulo, da permuta com Andradina (que o escrivão avisou escondido da delegada titular), e dos 12 anos como Cidadãos Andradinenses
Depois da perda das gêmeas, lembra a Milena, eles decidiram que precisavam ir embora de São Paulo, e segundo ela, “a gente ficou sabendo da permuta porque a delegada de Andradina queria vir pra SP, e a nossa delegada titular mandou esconder da gente, mas graças a Deus o escrivão que trabalhava comigo me telefonou e falou “olha, chegou uma consulta de permuta, a delegada titular mandou esconder””, e a Milena conta que esse escrivão era de confiança, e a delegada de Andradina foi pra SP e ela foi pra Andradina, e o Flávio ficou mais um tempo em SP, e depois foram juntos pra Andradina, e lá ficaram 12 anos, e segundo o Flávio, “nós temos Título de Cidadão Andradinense, eu e ela, então assim a gente deixou portas abertas, se conversar com as pessoas que conhecem a gente até hoje lá, a gente tem amizade até hoje, a gente vai lá todo ano”, e o detalhe é que foi em Andradina que eles adotaram a caçulinha (a Manu, nascida em 2005, dois anos depois da perda), e segundo a Milena, “minha segunda filha faleceu em 2003 e a Manu nasceu em 2005, então foi rápido, a gente não parava muito pra pensar nas consequências, e eu falava assim “ah, se vier com problema eu tô pronta””, e a Manu tem uma história espírita por trás: uma amiga espírita deles falou que “vocês podem ter filho, já passou, seus filhos vão ser normais”, e a Manu entrou com 17 anos na faculdade de medicina (passou em dois vestibulares), e a caçulinha tá fazendo medicina também.
Da mudança pra Tupã por causa da investigação de pedofilia, da DIG e da DISE, e da Operação Rota Caipira com 400kg de cocaína (R$30 milhões, 20 pessoas, 36 viagens)
A mudança pra Tupã, lembra a Milena, veio depois de uma investigação de pedofilia que eles fizeram em Andradina, que segundo ela “foi um marco na minha vida em muitos sentidos”, e a investigação começou em Andradina e foi até São Caetano do Sul (apreensão de computadores), e quando abriram as máquinas, eles tiveram “um encontro de coisas horrorosas” (abuso sexual contra bebês, contra crianças pequenas, e envolvimento de policiais e de pessoas públicas), e segundo a Milena, “você acaba ficando amordaçado numa investigação dessa, porque não pode expor, é muito vexatório pra vítima, e aí a gente veio embora pra Tupã por conta dessa investigação, de tantas consequências que estava tendo pra nossa vida, da gente tá sofrendo ameaça velada, e as pessoas acabavam falando “ah, eles foram embora porque eles estavam errados”, e a gente não podia se defender por conta do sigilo”, e em Tupã eles ficaram: a Milena na DIG (Delegacia de Investigações Gerais, investigando furto, roubo, homicídio, extorsão, sequestro, estelionato), e o Flávio na DISE (Delegacia de Investigações sobre Entorpecentes, com tudo que é droga na região de Tupã), e a grande operação que eles fizeram juntos foi a da Rota Caipira, com 400kg de cocaína apreendidos (avaliados em R$30 milhões), com 20 integrantes (de Dracena, Herculândia, Tupã, Prudente, São Paulo), com 36 viagens em 1 ano transportando 500kg, com avião adaptado (aumenta autonomia de 4h pra 10h, e quando despeja a droga o avião perde peso e às vezes bate a asa e cai), e a droga saía da Bolívia por R$800/kg e chegava na Europa por R$50.000/kg, e segundo o Flávio, “a droga hoje é muito democrática, branco, preto, pobre, rico, evangélico, católico, espírita, hétero, homo, ela não escolhe”, e o caso de Parapuã (28 de dezembro de 2013) foi outro que marcou: o caseiro matou um casal de Adamantina, colocou os corpos carbonizados na Saveiro, e em 3 dias eles pegaram os dois, e foram condenados a 75 anos cada.
Das novas drogas (K2, K9, LSD microponto, maconha com THC 32%), da investigação tecnológica que muda ano a ano, e da frase “eles estão muito na frente, tem que correr atrás”
Um dos grandes desafios da polícia hoje, segundo o Flávio, é a investigação tecnológica, e segundo ele, “você corre atrás ou fica pra trás, e o cara que tá começando tem que entender porque com a tecnologia mudou os crimes, e a gente fala em computador, como é que você faz investigação tecnológica, como é que você investiga pedofilia, como é que você investiga estelionato, você tem que entender”, e a Milena lembra que em 2018 foram identificadas 32 novas drogas na fronteira SP/MS (num ano), e segundo ela, “a maconha hoje em dia, antigamente o THC era 4%, hoje já se achou maconha com THC 32%, potencializando, potencializando, e vai forçada, vira zumbi”, e o LSD virou microponto (R$50 a dose, em folha A4 que dá 300 micropontos), e tem droga na tinta de impressora (cartas que viram droga no papel), e segundo o Flávio, “droga na balada é um perigo, a balada com tampa, leva tampa, dificulta, e tem que ser honesto com o filho, chegar e falar “ó, droga é boa, o efeito dela é bom, só que a prisão que você vive, a droga é uma substância química comandando tuas condutas””, e o detalhe é que existe a página de Instagram da Milena (@delegada_milena_davoli e @milenadavoli) voltada exclusivamente pra orientação de pessoas vítimas de relações abusivas, e segundo a Milena, “às vezes a pessoa vira pra mim e fala “ah, eu tô com uma pessoa da minha família mas ela não enxerga”, aí eu falo “me dá o Instagram dela”, e a gente planta a sementinha, e o estranho falar é mais fácil, e a gente vem recebendo feedbacks de pessoas que a gente nunca viu na vida, e isso não tem preço, é ajudar pelo prazer de ver a pessoa se resgatar”.
Do 25º aniversário de casamento, do Flávio com 63 pontos na carteira, da Milena que fala o que pensa, e da frase “o conhecimento que a gente adquire tem que ser compartilhado”
Do lado pessoal, segundo a própria Milena, eles vão fazer 25 anos de casados, e o Flávio é péssimo de direção (63 pontos na carteira, já perdeu a carta da esposa e da sogra, e segundo ele, “radar me persegue”), e o detalhe é que o carro tá no nome da Milena, então as multas vêm pra ela (e ela briga, “eu nunca fiz nada de errado, você acabou com meu sonho da estrelinha dourada”), e a Milena é aquela pessoa que fala o que pensa (a Manu, a filha mais nova, puxou o estilo, e segundo a Milena, “se ela falar “esse copo é feio”, ela não vai pensar, ela vai falar, e as pessoas acham que ela é grossa e chata, mas eu adoro ela, é reta e direta, e é muito mais fácil lidar com pessoas assim”), e a Manu mais velha (que tá fazendo medicina) é a mais grudada com o pai (senta com ele pra assistir Corinthians, sabe escalação, vai pro estádio), e a caçulinha é a mais grudada com a mãe, e o Flávio brinca que “fui criado no sítio, e não sei por que menina é mais apegada com o pai, eu não sei explicar, mas geralmente menina é mais tranquila, mais apegada, e menino bate de frente, e eu bati muito de frente com meu pai, mas hoje é meu grude”, e a educação que eles deram pras filhas, segundo a Milena, é baseada no diálogo (“cheguei pra elas e falei “tá vendo isso aqui na Cracolândia, quem usa droga fica assim, morando na rua, sem dono, e você quer ser dona da tua vida ou a droga comandar tudo que você faz?””), e quando a Manu começou a querer sair com 13-14 anos, o Flávio virou pra ela e falou “eu não quero que você vá onde tem droga”, e ela respondeu “pai, se você não quiser que eu vá onde tem droga, me tranca em casa, porque não existe lugar onde não tem droga”, e a frase que a Milena mais repete sobre a carreira é que “o conhecimento que a gente adquire tem que ser compartilhado, tem que fazer a diferença, a gente não vem ao mundo a passeio, e tem que ter vocação pro trabalho, tem que amar o que faz”, e a frase que o Flávio mais repete é que “polícia 24 horas, só fala em polícia, o lado bom é que um entende o outro, o lado ruim é que nunca desvincula”, e o detalhe é que a Milena também é professora da Academia de Polícia (formação de novos policiais), e o que os dois frisam é que “vocês não sabem realmente quem é, principalmente pedófilo, ele tá muito próximo, ele não se regenera, e o caso que a gente teve em Andradina mudou nossa vida completamente”.
Onde encontrar
Os delegados Milena Davoli Nabas de Melo e Flávio Delgado de Melo atendem como Delegados de Polícia em Tupã, SP, com a Milena na DIG (Delegacia de Investigações Gerais, investigando furto, roubo, homicídio, extorsão, sequestro, estelionato) e o Flávio na DISE (Delegacia de Investigações sobre Entorpecentes, com tudo que é droga na região de Tupã), e a história da carreira começa com o Flávio entrando como escrivão e sonhando em ser delegado, com a Milena passando primeiro no concurso de delegada (e ela jurando que era o único que não ia prestar), com a Academia de Polícia em São Paulo, com o casamento em dezembro, com as gêmeas (síndrome genética metabólica, 6 meses no Hospital de Base em Rio Preto, falecidas com 1a11m e 2a10m), com a decisão de sair de SP, com a permuta pra Andradina (que o escrivão da Milena avisou escondido da delegada titular), com os 12 anos em Andradina (Título de Cidadão Andradinense pros dois), com a Manu nascida em 2005, com a mudança pra Tupã por causa da investigação de pedofilia em Andradina, e com as grandes operações: a Operação Rota Caipira (400kg de cocaína, R$30 milhões, quadrilha de 20 pessoas, 36 viagens em 1 ano, avião adaptado da Bolívia pousando em canaviais da região), o caso de Parapuã de 2013 (caseiro matou casal e carbonizou, condenado a 75 anos), e a investigação de pedofilia que os fez mudar de cidade, e a Milena também é professora da Academia de Polícia e mantém página de Instagram sobre relações abusivas, e o Flávio tem 31 anos de polícia, e a carreira dos dois começou com a paixão pela profissão (“entra na veia, vicia”), e eles vão fazer 25 anos de casados, e a frase que a Milena mais repete é que “o conhecimento que a gente adquire tem que ser compartilhado, a gente não vem ao mundo a passeio”, e a frase que o Flávio mais repete é que “polícia 24 horas, o lado bom é que um entende o outro, o lado ruim é que nunca desvincula”, e a Manu mais velha tá fazendo medicina (entrou com 17 anos, passou em dois vestibulares), e a caçulinha é a mais grudada com a mãe, e o Flávio é péssimo de direção (63 pontos na carteira), e a Milena é direta e reta (fala o que pensa, “a gente tem que ser honesto com o filho”). Acompanhe a Milena pelo Instagram @delegada_milena_davoli e pelo @milenadavoli (página de orientação a vítimas de relações abusivas), e o Flávio pelo @flavio_d_melo. Se você pensa em seguir carreira pública, segundo a Milena e o Flávio, o que vale é não desistir na primeira dificuldade, lembrar que a faculdade dá a base teórica mas a parte operacional se aprende na prática, montar uma equipe especializada e estudar sempre (porque os criminosos estão sempre na frente), e segundo eles, é o que o Pedro e a Mariana, segundo eles, mais admiram no AdamiCast, de que “a gente precisa ser honesto com o filho, falar que droga é boa (o efeito), mas a prisão que você vive é uma substância química comandando tuas condutas”.
Resumo do episódio
Milena e Flávio são delegados de polícia em Tupã que se conheceram na faculdade de direito, passaram pela Academia de Polícia em São Paulo, enfrentaram a perda de gêmeas com síndrome genética, se mudaram para Andradina e depois para Tupã após investigação de pedofilia. Ao longo de suas carreiras, coordenaram operações como a Rota Caipira (400kg de cocaína apreendidos) e atuam na investigação de crimes que vão desde homicídios até entorpecentes, enfatizando que o conhecimento adquirido deve ser compartilhado para fazer diferença.
Principais aprendizados
- A formação acadêmica ensina a parte teórica, mas a aplicação prática da lei só se aprende investigando situações reais nas delegacias, onde cada caso tem sua peculiaridade
- A maconha atualmente apresenta THC de até 32%, muito maior que os 4% de décadas atrás, aumentando significativamente seus efeitos
- A investigação tecnológica evolui constantemente e os policiais precisam estar sempre atualizados, caso contrário ficam para trás
- As novas drogas surgem frequentemente, como o LSD em microponto (R$50 a dose em papel) e substâncias como K2, K9 e droga na tinta de impressora
- O atendimento a vítimas de relações abusivas requer abordagem multifatorial: delegacia, psicólogo, capacitação profissional e inserção no mercado de trabalho
Perguntas respondidas neste episódio
Como funciona a investigação de crimes de drogas na região?
A Delegacia de Investigações sobre Entorpecentes (DISE) atua em toda a região de Tupã cobrindo qualquer tipo de entorpecente. A droga sai da Bolívia por R$800/kg e chega à Europa por R$50.000/kg. Operações recentes como a Rota Caipira apreenderam 400kg de cocaína avaliados em R$30 milhões, envolvendo 20 integrantes e 36 viagens de transporte em 1 ano usando aviões adaptados.
Qual é o desafio principal da polícia investigativa nos dias de hoje?
A investigação tecnológica é um dos maiores desafios, pois os criminosos estão sempre na frente. Os policiais precisam entender como investigar crimes que usam tecnologia, como pedofilia e estelionato online, caso contrário ficam para trás. Além disso, surgem novas drogas constantemente que precisam ser identificadas e investigadas.
Como funcionam as novas formas de distribuição de drogas atualmente?
O LSD virou microponto em folha A4 que contém 300 doses a R$50 cada. Existem drogas na tinta de impressora (cartas que viram droga no papel). A maconha alcançou THC de 32%, muito maior que antes. Essas formas dificultam a detecção e aumentam os riscos, especialmente em baladas onde circulam sem controle.
O que é importante saber sobre atendimento a vítimas de relações abusivas?
O conhecimento sobre relações abusivas deve ser compartilhado de forma multifatorial para resgatar a mulher. Além do atendimento na delegacia, é necessário envolvimento de psicólogo, capacitação profissional e inserção no mercado de trabalho. Às vezes, a informação passada por estranhos tem maior impacto, e há relatos de pessoas que se resgataram após orientação recebida.
Este texto foi gerado por Inteligência Artificial com base na transcrição do episódio do AdamiCast.