Tem histórias que começam longe de onde terminam, e a de Moisés Oliveira e Juliana Kazumi é dessas. Nascidos e criados em Pacaembu, o casal se conheceu em 2006, casou no mesmo ano e, em menos de um ano, já estava embarcando para o Japão com a mala nas costas e uma meta clara: trabalhar, guardar dinheiro e voltar com uma vida diferente. O que ninguém imaginava é que o ponto de chegada seria uma sorveteria de açaí com produção própria no coração do Oeste Paulista.
No episódio 370 do AdamiCast, Moisés e Juliana contam tudo: as noites de fábrica no Japão durante a crise de 2008, a tentativa frustrada no ramo de cimento em Araçatuba, o momento em que o pequeno sobrinho-primo apareceu com um copo roxo de açaí e mudou o rumo da história, e como tudo isso desembocou na Suaçaí, hoje com unidades em Dracena e Presidente Prudente, além de uma linha de produção própria que abastece a região.
Do interior paulista ao Japão: os primeiros anos
Moisés e Juliana moravam em Pacaembu quando decidiram trocar o Brasil pelo Japão. Ele tinha acabado de se formar em Ciências Econômicas pela FAI e trabalhava há sete anos numa fábrica de calçados. Ela já conhecia o país: tinha vivido lá quando criança com os pais e estudado em escola japonesa, o que lhe rendeu fluência total no idioma. Quando chegaram ao Japão, no final de 2007, Juliana virou o maior ativo do casal dentro e fora da fábrica.
Os cinco anos que passaram lá, de 2007 a 2012, foram de trabalho intenso em turnos noturnos, hora extra e pouco descanso. Mas também foram anos de disciplina financeira e viagens por todo o país. A crise de 2008 abalou muitos brasileiros que voltaram embora. Eles ficaram. Juliana chegou a trabalhar como intérprete num curso de soldagem para brasileiros, e Moisés criou uma espécie de consultoria paralela para ajudar colegas a tirar habilitação no Japão. Empreendedores antes mesmo de saber que um dia teriam loja.
A volta, o cimento e o sobrinho com o copo roxo
De volta ao Brasil em 2012, o casal foi para Araçatuba, onde os primos de Moisés tocavam um negócio de padaria. Uma oportunidade no ramo de distribuição de cimento surgiu, e eles embarcaram. Em sete meses, foram de 10 mil para 20 mil sacos por mês. Parecia promissor. Mas a margem era apertada, os prazos de pagamento dos clientes dilatavam, e um cliente grande deu um calote. A conta não fechou.
Foi quando Juliana já estava grávida da primeira filha, Carol, que o pequeno Léo apareceu com um copo de 700 ml de açaí e a boca roxa, dizendo que era uma delícia. Juliana foi experimentar. No dia seguinte foi de novo. E no outro dia também. “Vicia”, ela diz no podcast. Aí Moisés percebeu: em Dracena, cidade que o casal sempre admirou e onde tinham amigos e parentes, não havia nenhum lugar especializado em açaí. O restante das economias foi para montar a Suaçaí.
Inauguração em Dracena e os dez anos de loja
A Suaçaí abriu em 1° de maio de 2015, o Dia do Trabalhador, numa escolha que Moisés descreve com a lógica de quem prefere começar com calma a estrear no caos de um feriado. O estouro foi imediato. Dracena não tinha nada parecido, e a novidade lotou a loja desde o início. Moisés conta que até quem não gostava de açaí acabava pedindo porque a companhia pedia, e muita gente acabou virando fã na base de experimentar.
Em maio de 2025, a loja completa dez anos, e Moisés afirma que, nesses dez anos, a Suaçaí fechou menos de dez dias ao todo. A loja funciona das 14h às 23h, todos os dias, com exceção de 24 e 25 de dezembro e 31 de dezembro e 1° de janeiro. Em cidades do interior, onde feriado é sinônimo de movimento, fechar não é opção.
Cardápio, produção própria e o açaí de máquina
O cardápio da Suaçaí é um universo à parte. São mais de 50 combinações só no copo de açaí, com cremes que vão de pistache a pipoca crocante, além de 27 sabores de sorvete no self-service por quilo. Moisés explica que o açaí deles não é pote: chega do Pará em forma líquida pastosa, é processado numa produção própria separada da loja e vai para a máquina soft na hora do atendimento. Cada copo é montado na hora, camada por camada.
A produção própria foi o passo que transformou a Suaçaí num fornecedor regional. Hoje eles vendem caixas de 2 litros, 5 litros e 10 litros para sorveterias e estabelecimentos de Dracena, Junqueiropolis, Tupi Paulista e região. A caixa de 10 litros foi desenvolvida especialmente para atender sorveteiros que querem trabalhar com açaí sem precisar produzir. Chegam a receber carretas de açaí do Pará, descarregam, processam e distribuem.
A expansão, as quatro lojas e a escolha pela saúde
Um ano depois de abrir em Dracena, veio a unidade de Presidente Prudente, num bairro que Moisés observava há tempo. A abertura foi em 2016, num prazo de 45 dias depois de fechar o ponto. A fase com quatro unidades simultâneas, que incluiu uma parceria na Mantina e uma segunda loja em Prudente, foi onde a saúde mental começou a pesar. Muitos funcionários, compras, escritório, logística. Moisés diz que não conseguia parar, não sabia deixar para amanhã, e quando chegava em casa já estava esgotado.
A decisão foi reduzir. Saíram da sociedade na Mantina, venderam a segunda loja de Prudente para dois amigos que estão lá até hoje. Ficaram com Dracena, Prudente e a produção. “A gente preferiu saúde”, resume Juliana. E com a estrutura atual, a demanda por produto é maior do que conseguem atender. Segurar o crescimento com cuidado virou o próximo desafio.
O beach tennis e a família dentro da quadra
Fora das lojas, o que uniu o casal nos últimos meses foi o beach tennis. Moisés havia parado de jogar futebol porque o corpo já não reagia bem, e acabou engordando. Juliana sempre gostou de esporte e jogou vôlei por anos. Quando a filha Carol quis fazer aula na Aquabit, os pais foram junto para a aula experimental. Os dois nunca mais saíram.
Moisés conta que chegou a jogar num torneio em Tupi Paulista onde os adversários eram 20 anos mais novos. Foram até a final e perderam no tie-break. Juliana brinca que ele fica nervoso na quadra mas tenta disfarçar. Hoje o Davi, o filho mais novo, de três anos, já segura a raquete e manda o professor bater bolinha com ele. A família inteira caiu na areia.
Onde encontrar
Moisés e Juliana estão em Dracena, SP. Acompanhe a Suaçaí e o casal nas redes: @sucaidracena | @sucaiprudente.cecap | @juliana.kazumi19
Resumo do episódio
Moisés e Juliana saíram de Pacaembu rumo ao Japão em 2007 para trabalhar e guardar dinheiro, passaram por uma tentativa frustrada no ramo de cimento em Araçatuba e encontraram na venda de açaí especializado o caminho para empreender. A Suaçaí nasceu em 2015 em Dracena e hoje opera com produção própria que abastece a região, com unidades em Dracena e Presidente Prudente, resultado de uma escolha deliberada de priorizar saúde e sustentabilidade sobre crescimento acelerado.
Principais aprendizados
- A vivência no exterior durante a crise econômica de 2008 foi essencial para desenvolver mentalidade empreendedora e disciplina financeira antes mesmo de abrir um negócio formal.
- Às vezes uma ideia de negócio surge não de um plano elaborado, mas da observação cotidiana de uma demanda local não atendida.
- A produção própria de um produto transformou uma sorveteria em fornecedor regional capaz de atender múltiplas cidades e estabelecimentos.
- A escolha deliberada de reduzir o tamanho de um negócio em expansão pode ser um ato de inteligência empresarial quando a saúde fica comprometida.
- Em cidades do interior, manter a loja aberta durante feriados é estratégia comercial fundamental, pois são períodos de maior movimento.
Perguntas respondidas neste episódio
Como funciona a produção de açaí na Suaçaí?
O açaí chega do Pará em forma líquida pastosa, é processado em uma linha de produção separada da loja e segue para a máquina soft na hora do atendimento. Cada copo é montado na hora, camada por camada, com mais de 50 combinações possíveis.
Como a Suaçaí se tornou fornecedora de açaí para outras sorvetarias?
Através da produção própria, começaram a vender açaí em caixas de 2, 5 e 10 litros para sorveterias e estabelecimentos de Dracena, Junqueiropolis, Tupi Paulista e região. A caixa de 10 litros foi desenvolvida especialmente para sorveteiros que queriam trabalhar com açaí sem precisar produzir.
Por que Moisés e Juliana decidiram reduzir o número de lojas?
Durante a fase com quatro unidades simultâneas, a saúde mental começou a sofrer. Moisés não conseguia parar, não sabia deixar tarefas para depois e chegava em casa esgotado. Decidiram então sair da sociedade na Mantina e vender a segunda loja em Presidente Prudente para focar em saúde.
Qual era a experiência de Juliana que a tornou valiosa quando chegaram ao Japão?
Juliana tinha vivido no Japão quando criança com os pais e estudado em escola japonesa, o que lhe rendeu fluência total no idioma. Essa experiência a tornou o maior ativo do casal, tanto dentro quanto fora da fábrica onde trabalhavam.
Qual era a formação profissional de Moisés antes de ir para o Japão?
Moisés tinha acabado de se formar em Ciências Econômicas pela FAI e trabalhava há sete anos em uma fábrica de calçados quando decidiu ir para o Japão com Juliana.
Este texto foi gerado por Inteligência Artificial com base na transcrição do episódio do AdamiCast.