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De motoboy a sócio na pandemia: a história de Rafaela e Éctor, do Piracaia Hamburgueria | #187

23 de janeiro de 2023 • 10 min de leitura

Este texto vem do episódio #187 do AdamiCast

Quando Éctor começou a fazer entrega de moto para o Piracaia Hamburgueria, em Dracena, há quase dez anos, ele não era sócio, não era chapeiro, não era funcionário fixo. Era o cara que pegava a pizza do amigo e entregava. Foi assim que a história começou, com um amigo que comprou uma moto, não gostou, vendeu, e o Éctor virou o piloto oficial da entrega. Depois, ele cobriu outro amigo no balcão, ficou fixo, virou chapeiro, aprendeu a fazer o lanche, virou sócio, e, no começo da pandemia, virou administrador. A história, contada no episódio #187 do AdamiCast, em janeiro de 2023, é a de um casal de Dracena, junto há mais de 13 anos, que toca um dos hamburguerias mais concorridas da região, divide o tempo entre o emprego de dia e o lanche à noite, e que descobre, em meio a uma rotina de 24 horas, que o polo gastronômico em que eles estão inseridos atende quase 250 mil pessoas, em um raio de poucas dezenas de quilômetros.

Ao longo do episódio, Éctor e Rafaela mostraram que a diferença entre tocar um negócio de comida em cidade pequena e tocar em capital, não é o tamanho da clientela, é o tipo de relação que se constrói com ela. Eles descreveram, sem rodeio, o que é abrir um lanche no começo da pandemia, e o que é manter o mesmo padrão de receita que o ex-sócio deixou, para não perder a clientela que ele construiu. Também contaram, com a franqueza de quem toca duas jornadas, o que é acordar cedo, trabalhar o dia inteiro em outra empresa, e voltar à noite para tocar a chapa, com a equipe já preparada, porque o segredo é montar a casa para funcionar sem o dono. É a história de um negócio que nasceu em 1991, em Piracaia, no interior de São Paulo, e que, trinta anos depois, segue vivo em outra cidade, com a mesma receita, e com um casal que decidiu fazer do trabalho a vida inteira.

De motoboy a chapeiro, e a história do nome que não é o que parece

O Piracaia Hamburgueria não nasceu em Dracena, e nem é o que o nome sugere. O lanchonete foi aberto em 1991, em Piracaia, no interior de São Paulo, pelo pai do ex-dono, que passou o ponto para o filho. Quando esse filho, chamado Rafael, resolveu voltar para a cidade dele, há uns anos, o Piracaia de Piracaia virou Piracaia de Dracena, com a administração passada adiante. O Rafael abriu, em seguida, outra hamburgueria na cidade vizinha, em Joanópolis, com o mesmo cardápio, e até hoje as duas operações trocam receitas, dicas e ajustes, com a naturalidade de quem toca o mesmo negócio a 700 km de distância. É daí que vem o 1991 que estampa a logo do Piracaia de Dracena.

O Éctor entrou no Piracaia de Dracena, há quase dez anos, sem saber que ia virar administrador. Ele e a Rafaela namoravam desde adolescentes, e há 13 anos dividem a vida, o que inclui a decisão de tocar o negócio junto, em um ritmo que começou com entrega de moto, passou pelo chapeiro, foi para a chapa, e terminou na sociedade. “Pegou o buquê”, ela diz, rindo, referindo-se ao casamento do ex-sócio, no qual ela, no fundo do salão, sem querer, acabou pegando o buquê. É o tipo de história que mostra o que é a vida dupla de casal e sócio, e o que é o tipo de coincidência que, no caso deles, virou símbolo.

A pandemia, o sócio que voltou, e a vez deles

O ponto que mudou tudo foi o começo da pandemia, em março de 2020. O Rafael, ex-sócio, decidiu voltar para a cidade dele, e quem estava dentro do Piracaia, naquele caso, o Éctor e o amigo Roger, que já era sócio, acabou herdando a administração. A conversa, segundo Éctor conta, foi de funcionário para patrão em poucos dias, e foi seguida de uma decisão que o próprio Éctor define como a de “pegar de sócio” da casa, com medo e com sorte, ao mesmo tempo. “Empreender no Brasil sempre dá medo, é difícil, é meio que nada contra a maré, mas é legal.” Foi o que ele disse no episódio, e é a frase que define a pegada da casa.

Foi a pandemia, também, que transformou a rotina em algo que precisava ser reinventado. O lanchonete só podia funcionar por delivery, com horários sendo abertos e fechados de uma hora para outra, e o desafio era manter o mesmo padrão de atendimento e a mesma receita que o Rafael tinha deixado, sem perder a clientela que ele construiu. É o que Éctor chama de ter sorte, e é o que o time dele chama de manter o padrão. Os funcionários que estavam lá no começo da transição continuam até hoje, e fazem parte do que Éctor considera o maior ativo da casa, que é a equipe que já sabia como rodar, e que tirou dele e da Rafaela a preocupação de começar do zero. Foi o que permitiu a eles chegarem todos os dias, às 7 da noite, com a casa já pronta, e com o que é o lanche rodando sem o dono.

Dracena, 250 mil pessoas e 150 deliveries: o polo gastronômico que eles descobriram

Dracena, segundo Éctor e Rafaela, é um polo gastronômico que muita gente de fora não enxerga. O município tem cerca de 50 mil habitantes, mas, se você somar Junqueirópolis, que fica a 15 km, e Tupi Paulista, que fica a pouco mais, dá para contar com 100 mil pessoas, e, se você ampliar para a área de atendimento comercial, que vai de Panorama a Pacaembu, e até um pouco mais além, dá para falar em 250 mil pessoas. É o número que um consultor de marketing digital já usou, no episódio, para dizer que nunca viu cidade daquele porte com tanta oferta de restaurantes e lanchonetes juntos. E o que faz, segundo Éctor, com que o Piracaia receba cliente de outras cidades para comer, e que um cliente tenha ido, em uma ocasião, de Presidente Prudente, só para comer o lanche e voltar.

Foi o número de deliveries, e a constatação de que Dracena virou um polo de comida, que fez Éctor e Rafaela entenderem o tamanho do que estavam tocando. No episódio, eles estimam que há cerca de 150 deliveries ativos na região, sem contar os restaurantes físicos, e a tendência, segundo o consultor que eles contrataram, é de crescimento. Foi aí que começaram a entender que, mais do que administrar um lanchonete, eles estavam administrando uma marca, com nome, história, e a obrigação de manter o padrão que a receita de 1991 trouxe. É a diferença, segundo eles, entre tocar um negócio local e tocar uma referência, mesmo em cidade pequena.

Dois empregos, duas jornadas, e o ritmo que eles montaram

O que talvez chame mais a atenção, no episódio, é a rotina que Éctor e Rafaela montaram para dar conta do lanche sem largar o emprego de dia. Eles entram às 8h no trabalho principal, saem às 11:30 para o almoço, resolvem o que precisa, voltam, e são liberados às 18h. Em casa, tomam banho, e estão no Piracaia às 19h, com a equipe já posicionada desde as 17h, e o lanche já organizado. É o que eles chamam de casa que funciona sem o dono, e que é o motivo de conseguirem tocar o negócio sem deixar o emprego principal. É também o motivo de a Rafaela assumir, no período em que está no lanche, o caixa e a parte administrativa, enquanto o Éctor toca a operação. Foi assim que, com paciência, eles foram entendendo o ritmo do negócio, de mês em mês, e o que esperar de cada período do ano.

A sazonalidade, segundo eles, é o que mais pega no início do ano. Final do ano vende bem, janeiro é fraco, fevereiro é o pior, por causa do IPVA, do Carnaval, do material escolar, e do consumidor que ainda não se refez das despesas de dezembro. É o período em que é preciso entrar com promoção e propaganda, e em que o famoso ditado, “o Brasil só começa depois do Carnaval”, se confirma. Foi o que o Éctor contou, e o que justifica a índole do que o casal faz. É o tipo de trabalho, no fim das contas, que o Pedro Adami, no episódio, descreve como sendo o mais bonito do negócio, que é a hora em que o consumidor volta, o fluxo se restabelece, e o casal respira fundo antes de começar o ciclo de novo. É a vida dupla, com dois empregos e duas jornadas, que eles escolheram, e que tem, no fim do dia, o sabor de casa.

Onde encontrar

O Piracaia Hamburgueria funciona em Dracena, com atendimento no balcão e delivery, e mantém receitas originadas da matriz de Piracaia, no interior de São Paulo. Éctor e Rafaela tocam a casa com a equipe que entrou com eles, e atendem cliente de Dracena, Junqueirópolis, Tupi Paulista, e de uma área comercial que vai de Panorama a Pacaembu. Para acompanhar a rotina, o cardápio e as promoções, siga a Hamburgueria no @piracaiahamburgueria, a Rafaela no @rafaelamazzarin e o Éctor no @ectormarcos.

Resumo do episódio

Éctor e Rafaela transformaram uma entrega ocasional de motoboy em uma sociedade administradora do Piracaia Hamburgueria durante a pandemia de 2020. A história revela como montaram um negócio de 30 anos de tradição em Dracena, mantendo os padrões da receita original enquanto conciliam empregos diurnos com a operação noturna do lanche. Descobriram que trabalham em um polo gastronômico que atende 250 mil pessoas e compete com cerca de 150 deliveries na região.

Principais aprendizados

  • A transição de funcionário para sócio exigiu manter o padrão e a clientela deixados pelo antecessor, não começar do zero com receita própria.
  • Uma equipe preparada que conhece os processos é o maior ativo do negócio e permite que os donos não precisem estar presentes para a casa funcionar.
  • A sazonalidade do consumo é forte nos primeiros meses do ano, quando IPVA, Carnaval e despesas escolares reduzem o fluxo de clientes.
  • Tocar um negócio em cidade pequena depende mais do tipo de relação construída com a clientela do que do tamanho da população.
  • Dracena funciona como polo gastronômico com alcance comercial de 250 mil pessoas, integrando cidades vizinhas em um raio de dezenas de quilômetros.

Perguntas respondidas neste episódio

Como Éctor saiu de motoboy para sócio do Piracaia Hamburgueria?

Éctor começou como entregador ocasional há quase dez anos, depois cobriu um amigo no balcão e ficou fixo, virou chapeiro, aprendeu a fazer o lanche e tornou-se sócio. No início da pandemia, quando o ex-sócio Rafael decidiu sair, Éctor herdou a administração junto com o colega Roger.

Como Éctor e Rafaela conseguem trabalhar em outro lugar durante o dia e tocar o lanche à noite?

Eles trabalham das 8h até as 18h em outro emprego, com pausa para almoço. Chegam ao Piracaia às 19h quando a equipe já está posicionada desde as 17h e o lanche organizado. A Rafaela cuida do caixa e administrativo enquanto Éctor toca a operação.

Qual é a área de atendimento do Piracaia Hamburgueria?

O lanche atende clientes de Dracena, Junqueirópolis, Tupi Paulista e de uma área comercial que se estende de Panorama a Pacaembu, alcançando aproximadamente 250 mil pessoas quando se soma a população dos municípios envolvidos.

Qual é o maior desafio do negócio em relação ao fluxo de clientes ao longo do ano?

A sazonalidade pega forte no início do ano. Janeiro é fraco, fevereiro é o pior mês por causa de IPVA, Carnaval, material escolar e recuperação das despesas de dezembro, exigindo promoções e propaganda nesse período.

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Este texto foi gerado por Inteligência Artificial com base na transcrição do episódio do AdamiCast.