No episódio #261 do AdamiCast, em 6 de outubro de 2023, a empresária Maria Neli Vieira Kato, de Dracena, SP (dona da Ótica Visão Dracena, da Casa Bella Presentes e Decoração, e atual presidente da Associação Comercial de Dracena, a 1ª mulher em quase 60 anos de história da entidade, e os Instagrams são @kasabella.dracena, @oticavisaodracena, @nelikato), veio ao podcast contar a trajetória que começa em 1989, quando ela tinha 17 anos e entrou como vendedora na rede de óticas Iguatemi, a maior da América Latina na época, e a matriz era em Marília, no Distrito Industrial, e lá tinha fábrica de lentes, fábrica de armação, treinamento, tudo que você imagina de uma indústria de uma grande empresa, e o patrão era visionário, e todos os cargos eram exercidos por mulheres, e a Neli ficou lá por 6 anos e meio, e nesse meio tempo ela fazia faculdade de ciências contábeis e administração em Tupã, e a rotina era pesada, e ela saía da loja um pouquinho antes das 6, pegava o ônibus na praça, e ia até Tupã todos os dias, isso durante 4 anos, sem jantar, e o cérebro chegou a dar uma esquecida, e em paralelo o namorado dela (descendente de japonês) foi pro Japão, e ficou mais de 1 ano fora, e quando voltou eles casaram, e ela teve o Gabriel, e nesse intervalo a ótica Iguatemi foi vendida pra uma rede internacional, a Fotótica, e a empresa ia fechar a loja dela em Dracena, e ela não quis mudar da cidade porque tinha um bebê de 7 meses no colo, e aí veio um cara de Presidente Epitácio que tinha aberto uma ótica pertinho do novolar, e o negócio não ia bem, e ele ofereceu a loja pra ela, e ela aceitou o risco, e com 24 anos, com um Gol quadrado de entrada e o resto em 8 promissórias, ela virou empresária, e a trajetória seguiu com a abertura de uma filial em Lucélia, sem conhecer ninguém na cidade, e a sócia no banco do carona, e os dois perdidos no centro, e a afrição de não achar lugar, e a sorte de o oftalmologista local ter acabado de chegar, e hoje a loja continua firme lá, e depois de uns anos ela vendeu a parte da sócia e comprou a loja da Sida Barone, que era a Bela Flor Presentes, uma floricultura onde as pessoas ligavam pedindo buquê de flores e coroa de funeral, e ela demorou pra mudar o nome, e quando mudou pra Casa Bella, com o Óder fazendo o desenho, deu outra cara pra loja, e hoje o Natal da Casa Bella é o momento mais forte do ano, e em paralelo ela aceitou ser a 1ª presidente mulher da Associação Comercial de Dracena em quase 60 anos, e a responsabilidade tirou o sono por 15 dias, e ela montou o Conselho da Mulher Empreendedora, e quer que outras mulheres venham depois dela, e ela conta a história mais marcante do bate-papo, que é a do pai que sumiu quando ela tinha 2 meses de vida, e ela cresceu sem saber o que tinha acontecido, e os amiguinhos perguntavam, e os professores perguntavam, e a mãe foi no fórum pedir a separação, e o juiz não achou paradeiro, e a vida seguiu sem resposta por 50 anos, até 1º de janeiro de 2021, quando a prima advogada Gabriela descobriu o último lugar onde o pai tinha votado, e o pai já tinha falecido, e no atestado de óbito tinha o nome da Isabel, e a prima procurou no Google blog de notícias da cidade, e o cara do blog conhecia a Isabel, e a Isabel era irmã do pai, e ela descobriu que o pai morou no Tocantins, e viajou 3.000 km com a família, e no cemitério ela falou “pai, muito obrigada pela vida, sei que você deve ter tido seus motivos, não quero julgar, quero só agradecer, porque sem você eu não estaria aqui”, e a frase que marca a vida dela, e que ela carrega desde 1989, é “quem faz ganha forças”, e essa frase ela aplica em tudo, e foi essa frase que a fez aceitar ser presidente da Associação, e foi essa frase que fez ela abrir a Casa Bella, e foi essa frase que fez ela viajar pro Tocantins conhecer a família do pai, e ela cita o Empretec, o curso de empreendedorismo reconhecido pela ONU que está vindo pra Dracena em novembro, e ela recomenda, e a ideia é não empreender por necessidade, e sim por escolha, e com estudo, e com a cultura de empreender desde criança, e ela termina com o conselho pra quem tá começando, “primeira coisa que ele tem que ter é fé, e fé é você acreditar numa coisa que você não vê, e fé é tipo pagar imposto, você tem que pagar e ir embora, e a gente não sabe se vai dar certo, mas a gente acredita, e espera que vá pro lugar certo”.
Da origem em 1989 (vendedora na ótica Iguatemi, a maior da América Latina), do namorado que foi pro Japão, da faculdade em Tupã pegando ônibus todo dia, e da compra da 1ª loja aos 24 anos com um Gol quadrado de entrada e 8 promissórias
A origem de tudo é em 1989, lembra ela, e ela tinha 17 anos, e entrou como vendedora na rede de óticas Iguatemi, que era a maior rede de óticas da América Latina na época, e a matriz ficava em Marília, no Distrito Industrial, e lá tinha fábrica de lentes, fábrica de armação, treinamento, e tudo que você imagina de uma indústria de uma grande empresa, e o patrão dela era um cara visionário, e segundo ela “todos os cargos praticamente eram exercidos por mulheres, e ol só, as mulheres eram vendedoras, eram caixas, eram gerentes, eram supervisoras, enfim tudo que você imaginar que poderia ter um cargo, isso em 89, isso era exercido por mulheres, e era bom que você já via que podia subir de cargo, né, que existia essa possibilidade”, e ela ficou lá por 6 anos e meio, e nesse meio tempo ela fazia faculdade de ciências contábeis e administração em Tupã, e a rotina era pesada, e segundo ela “saía da loja um pouquinho antes das 6, pegava o ônibus ali na praça, e ia até Tupã todos os dias, isso durante 4 anos, sem jantar, né, foi uma vida muito puxada, uma época muito difícil mesmo que meu cérebro até deu uma esquecida”, e em paralelo o namorado dela (descendente de japonês) foi pro Japão, e ficou mais de 1 ano fora, e quando voltou, eles casaram, e ela teve o Gabriel, e nesse meio tempo a ótica Iguatemi foi vendida pra uma rede internacional (a Fotótica), e a empresa ia fechar a loja dela em Dracena, e ela não quis mudar da cidade (tinha bebê de 7 meses), e veio um cara de Presidente Epitácio que tinha aberto uma ótica pertinho do novolar, e o negócio não ia bem, e ele ofereceu a loja pra ela, e ela aceitou o risco, e segundo ela “chamei a moça, uma outra colega que trabalhava comigo, e falei vamos, você enfrenta comigo, vamos, eu tinha 24 anos, é, aí eu já fui empresária ali com 24 anos, é um bebezinho de 7 meses, nossa loucura, e o que eu tinha era um carro, um Golzinho daquele quadrado, e foi o que eu dei pro cara que eu vendi a loja, e assinei não sei quantas promissórias, dei o carro de entrada, dei o carro próprio, o resto é trabalho”, e o começo foi apertado, e segundo ela “muito sonho, pouca mercadoria, muita vontade”, e ela já foi pra São Paulo na feira de ótica comprar novidades, e a estratégia de divulgação era na feira de quarta, ela e a sócia andavam a feira inteira de cima a baixo convidando as pessoas, e segundo ela “boca a boca, ou seja, você não comprava nada na feira, safadinha, nada, só andava fazendo propaganda, isso foi muito legal, foi muito bom, então tudo começou aí, essa foi a nossa grande rede social aí, que era o boca a boca, naquela época era o que dava né”.
Da filial em Lucélia (sem conhecer ninguém, com medo, e o oftalmologista novo que atraiu a loja), da mudança pra Casa Bella (que era floricultura, e as pessoas ligavam pedindo buquê e coroa de funeral), e do Natal cheio de decoração que virou marca da casa
A trajetória seguiu com a abertura de uma filial em Lucélia, lembra ela, e a expansão foi meio acidental, e segundo ela “um vendedor chegou pra mim e falou assim, Neli, você quer comprar minha loja, ele tinha uma loja em Garça, aí eu falei assim, ah não, Garça não, muito longe, enfim, eu falei assim, olha, eu abriria uma loja numa cidade que fosse só eu e o médico, entendeu, só eu e o oftalmologista, tava ótimo, que que ele falou, em Lucélia, Lucélia tem um oftalmologista lá que tá bombando, um cara novo, e não tem ótica lá, falei é verdade”, e ela e a sócia Solange foram pra Lucélia sem conhecer ninguém, e entraram na cidade perdidas, e segundo ela “nunca tinha entrado em Lucélia, malemá passado no trevo, é verdade, e em Tupã tinha que passar lá na frente, você nem sabe, eu entrei lá, o centro da cidade era pra esquerda, foi pro dire, eu peguei e virei pra direita, aí não achava nada, nossa, falei gente, até com medo de comer de abrir uma loja, não tô achando nada aqui, foi exatamente assim, daquela assustada, né, não conhecia nada”, e deu certo, e a loja continua lá, e depois de uns anos a sócia Solange mudou pra Lucélia de vez (filha estudando em Adamantina), e a Maria Neli quis sair da estrada (perigoso, com criança pequena, a Bárbara com 3 anos), e aí pintou a oportunidade de comprar a loja da Sida Barone, que era a Bela Flor Presentes (era uma floricultura, e as pessoas ligavam pedindo buquê de flores e coroa de funeral, e ela demorou pra mudar o nome), e segundo ela “as pessoas sempre imaginavam que era floricultura, o pessoal pedia buquê de flores, pessoas pediam coroa né de funeral, e quando você entra na internet procurando enfim não precisava mudar, aí eu pensei casa flor, aí fiquei pensando em outros nomes, até que ficamos no Casa Bela porque tinha o bela né, e deu muito certo, a aceitação foi muito boa, e pedi pro Óder fazer o desenho, ficou muito legal”, e a Maria Neli tem a loja há 13 anos, e segundo ela “todo ano consigo trazer um Natal diferenciado, e o pessoal gasta dinheiro com isso, e a pessoa gosta de enfeitar, de achar a casa bonita, e é legal porque você faz uma venda pra pessoa, uma venda que a pessoa compra feliz, é diferente de você comprar uma coisa que você compra por obrigação, né, não, você compra com gosto pra decorar sua casa, pra receber as pessoas, é muito legal”, e a pandemia deu um up no segmento, e segundo ela “no começo foi difícil, mas depois teve um bum, as pessoas começaram a olhar pra casa, decorar, e as mesas postas bonitas, e acho que o começo foi de muita incerteza, né, o comércio, mas muita gente ficou de home office, muita coisa foi voltando devagarzinho, mas muita gente ficou dentro de casa, e às vezes você fica olhando pra aquela parede branca, você passa todo dia, ah beleza, mas você nem fica dentro de casa, agora você fica o dia inteiro olhando pra aquela mesma parede, preciso de alguma coisa ali”.
Da frase que carrega desde 1989 (“quem faz ganha forças”, de um livrinho da Seane na esquina da Rua 15 com São Paulo), e do conselho pra quem tá começando (“primeira coisa: ter fé, e fé é acreditar no que você não vê”)
A frase que marca a vida dela vem de 1989, lembra ela, e ela ganhou de uma pessoa na rua, e segundo ela “eu estava na Rua 15 de Novembro esquina com a Rua São Paulo, naquela época a gente ia almoçar a pé, Jesus que memória é, e eu encontrei uma pessoa, ela falou assim, você aceita uma revistinha, e tinha o acendedor Pomba Branca da Seane, né, e aí eu falei aceito, e eu peguei o livrinho, e eu sempre gostei de ler, gente, isso é uma coisa da minha vida, e aí peguei o livrinho e fui lendo, e tinha uma frase lá embaixo que dizia assim, quem faz ganha forças, essa é a frase da minha vida”, e ela aplica essa frase em tudo, e segundo ela “se eu estou trabalhando, o que eu estiver fazendo, se eu fizer, eu sou mais forte que você que não fez, entendeu, eu sempre falo isso até pros meus funcionários, você vê um negócio bagunçado, um papel no chão, aí você fala assim, ah não foi eu que derrubei, né, não foi, não é minha obrigação, não é meu trabalho, isso aí você não faz, né, só que quem passa e faz, e pega aquele papel e joga no lixo, aquele que passa ali e organiza, aquele que vai lá e resolve um problema, esse é mais forte, quem vai lá e faz ganha forças, então essa é a frase que eu coloco como sucesso na minha vida”, e o conselho dela pra quem tá começando é sobre fé, e segundo ela “primeira coisa que ele tem que ter é fé, por você não sabe se o cliente vai comprar, você não sabe se aquilo vai dar certo, né, mas se você colocar fé naquilo, acreditar naquilo, eu acho que o grande diferencial é esse, você ter fé, e fé o que que é, gente, fé é você acreditar numa coisa que você não vê, né, você não vê, que você não tem certeza, então você vai vai na fé, é tipo pagar imposto, você tem que pagar e vai embora, vai pra onde vai, não sabemos, né, nem tudo a gente vê, mas a gente acredita, e espera que vá pro lugar certo, fé é isso”, e ela também fala que a gente tem que parar de achar que prosperar é errado, e segundo ela “não é errado gente, você ser próspero, imagina, de maneira alguma, e tu foram colocadas tantas crenças na nossa cabeça, né, sobre dinheiro, sobre prosperidade, enfim, e nós estamos aqui, se a gente trabalha honestamente, porque a gente não pode se prosperar, não é verdade, pelo contrário, você tá trabalhando, você tem que ter um porquê, né, é só pra pagar conta, não, né, tem que, vamos curtir um pouco a vida, de repente dá uma condição melhor de vida pra família, pros filhos, pros pais, alguma coisa, tem que ter um porquê, não tem nada errado em ganhar dinheiro, quantas pessoas você não vai poder estar ajudando, sim, empregando também, no caso, no meu caso, né, ou no caso de vocês também”.
Da 1ª presidente mulher da Associação Comercial de Dracena em quase 60 anos, do Conselho da Mulher Empreendedora (reunião mensal só com mulher), e do curso Empretec (reconhecido pela ONU) que vem pra Dracena em novembro
O convite pra ser presidente da Associação Comercial veio em dezembro, lembra ela, e foi uma surpresa, e segundo ela “chegaram lá dois arrumadinhos lá da Associação, e eu opa, vou vender uma árvore de natal pra Associação Comercial, né, aham, aí não, a gente veio aqui com uma missão, né, e eu falei assim, nossa o quê, aí meu deus, é aí foi assim que aí me convidaram pra ser presidente da Associação Comercial, e pra ser a primeira mulher, né, e isso mexeu muito comigo, eu fiquei uns 15 dias sem dormir, uma responsabilidade, porque é uma responsabilidade, é você pegar uma Associação Comercial, você representar um grupo, né, querendo ou não, né, tava sendo a primeira mulher”, e ela aceitou, e segundo ela “a gente acaba pesando, pedindo apoio da minha família, dos meus amigos, e as pessoas falam não imagina, você vai tirar de letra, porque antes eu já tive uma outra posição também, que eu sou rotariana, então há uns anos atrás eu já fui presidente do meu clube, né, é uma outra proporção, porque a da Associação é muito mais visível, né, diante da cidade toda, mas você também já tem um pouquinho de ideia do que é você tá à frente de um grupo, né”, e a primeira missão dela foi montar o Conselho da Mulher Empreendedora, e segundo ela “o mundo ainda é muito comandado por homens em questão de liderança, e tudo mais, a mulher tá se destacando muito nos últimos anos, enfim, mas ainda não tem muita voz, né, e aí eu nessas reuniões a gente troca ideias, fala das nossas dificuldades, eu trago palestrantes, e a gente pede novas ideias do que elas estão precisando, né, e tá sendo muito legal, muito legal mesmo, e tem uma coisa diferente, já existe em outras cidades, tá, dentro da FAESP existe outros grupos, né, que nós então estamos incorporando uma ideia que já existe em outros lugares, mas cada lugar faz do seu jeito, né”, e ela também puxou pra Dracena o Empretec, o curso de empreendedorismo reconhecido pela ONU, e segundo ela “a gente tem o nosso posto do SEBRAE, e nós vamos fazer agora no mês de novembro, um curso de empreendedorismo que tem no mundo, ele é reconhecido pela ONU, que chama Empretec, todo mundo fala bem do curso, e a gente está com preço legal, é uma semana inteirinha intensiva, e quem fez, todo mundo que fez elogia o curso, eu conheço várias pessoas que fizeram, muitos empresários, e todo mundo elogia muito, bom mesmo, e o resultado vem depois, é muito legal mesmo, porque você é obrigado a aprender, senão você não sai dali, tem que fazer, não tem escolha”, e a cultura de empreender no Brasil ainda é fraca, e segundo ela “muitas vezes a pessoa empreende não porque ela quer, ela começa muitas vezes empreender por necessidade, e aí ela não tá preparada, e a gente não tem uma cultura de incentivar a pessoa ser empresária, né, e se você olhar pros Estados Unidos, várias empresas gigantescas surgiram de garagens, a molecada vendendo limonada na porta de casa, então é costume apoiar isso, né, aqui se você abrir uma barraquinha de limonada e começar a vender, vão fazer piada de você, e isso é uma pena, porque é bonito você estudar e passar num concurso, nada contra, mas a gente tem um leque de opções muito maior do que os concursos, e tem tantas pessoas talentosas que podem exercer esse talento através do empreendedorismo”.
Do maior desafio (lidar com as Finanças, impostos, obrigações), e do maior orgulho (Bárbara em São Caetano, Gabriel de volta em Dracena tocando as lojas com a mãe, a sucessão familiar)
O maior desafio de ser empresário, segundo ela, é financeiro, e segundo ela “o maior desafio realmente é você lidar com as Finanças, gente, não é brincadeira, são impostos, são obrigações, né, são muitas coisas, e se você não levar bem certinho, tantas empresas quebram rapidamente, né, e o financeiro é o cérebro, tá, a gente fala muito aqui que às vezes a gente sai muito despreparado, seja da faculdade, da escola, em relação à parte financeira, e o pessoal às vezes não sabe precificar, não sabe qual que é o custo, não sabe diferenciar o que que é lucro do que que não é, então é muito perigoso, se não pôr tudo na ponta do lápis, entender o que que é teu produto, quanto ele custa, e quanto custa pra repor, a parte de imposto, e realmente identificar o que que é lucro”, e o maior orgulho da vida pessoal dela são os filhos, e segundo ela “criei meus filhos bem independentes, mesmo, eu acho que a gente desde pequenininho você tem que ensinar pra ir poder fazer, que aí a pessoa ganha a confiança, né, e a Bárbara tá lá morando sozinha em São Caetano, já tá no final da faculdade, e o Gabriel também foi sozinho morar em Bauru, estudar, se virar, e tudo isso daí faz eles crescerem, e graças a Deus todo mundo fala assim que eles, qualquer lugar que você encontra eles, eles cumprimentam, eles são bacanas, então isso é orgulho da mamãe, né, o berço”, e o Gabriel hoje tá com ela nas lojas, e segundo ela “o Gabriel tem um, eu falo que ele é muito parecido comigo, né, ele é muito meu jeito, e eu acho legal porque é uma visão hoje moderna, você pega uma pessoa bem mais nova, ele já tem uma visão moderna das coisas, domina a parte aí da internet, a gente até se acomoda, né, porque aí você fala ah faz aí, e ele acaba trazendo isso daí também pra dentro da loja, um pouco mais daquela coisa assim, um frescor, né, da juventude, e isso é, e cria conexão com os clientes mais novos, né, porque eu vou estar sempre falando com pessoas mais ou menos assim da minha idade, e ele cria essa conexão, e isso é fantástico, e por isso que tem que se diversificar, sozinho não dá, pra não ir muito longe, tem que ter alguém do lado pra apoiar”, e a sucessão familiar é uma questão que ela pensa, e segundo ela “você constrói um negócio, e se você não tem pra quem deixar ali na frente, você vai ter que vender, né, pra alguém, ou fechar, sim, é um pouco triste, porque tem uma trajetória, uma história toda ali por trás, a empresa tem três destinos, né, ou você vende, ou ela fecha, ou você herda, né, então você tem que pensar muito no que vai fazer, não é porque você vendeu que às vezes não tava dando certo, é porque você não vai conseguir trabalhar pra sempre, e não, um dia você não vai estar mais aqui, né, e aí fala e entra muito em conflito eu e o Gabriel, não é, porque a gente sempre se deu muito bem, e ele é o cara que vai tocando”.
Da história do pai que sumiu quando ela tinha 2 meses, da busca de 50 anos sem resposta, do encontro no Tocantins (3.000 km de viagem, 30 parentes debaixo de um pé de manga), e da frase no cemitério (“pai, muito obrigada pela vida, não quero julgar, quero só agradecer”)
A história mais marcante do bate-papo, e a mais inesperada, é a do pai, lembra ela, e é uma história que ela gosta de contar porque pode ajudar outras pessoas, e segundo ela “eu nasci em Ouro Verde, numa fazenda, e a gente morava numa fazenda, e eu nasci, e dois meses depois que eu que eu nasci, meu pai desapareceu, desapareceu, é uma coisa assim, sabe, que ninguém nunca mais viu, ninguém nunca mais falou, e minha mãe ficou com esse problema, coitada, minha mãe era muito nova, e ninguém sabia ao certo o que que tinha acontecido com meu pai, tinha várias possibilidades, alguém podia ter matado ele, ele foi embora, arrumou outra família, podia muita coisa, e aí minha mãe, meus avós, minha mãe enfim ficou com esse problema, eu cresci, a gente veio pra Dracena com 5 anos, e aí quem é seu pai, que aconteceu com seu pai, sempre essa história, né, meu pai não sabia falar, a gente falava meu pai, a gente foi embora, né, a gente não sabe, desapareceu”, e a busca teve vários momentos, e a mãe foi no fórum pedir a separação, e o juiz procurou, não achou, e segundo ela “o juiz pegou, colocou pedindo pra ver se achava algum paradeiro dele, alguma coisa, e não achou, então o juiz mesmo assinou a separação, o divórcio da minha mãe, porque não achou ninguém, não tinha nada, ele mesmo assinou, minha mãe se divorciou sem ter a presença do meu pai”, e a vida seguiu sem resposta, e segundo ela “quando eu cresci, eu falei bom, vou procurar, tentar procurar, né, e aí minha mãe tinha o nome dele, casada com ele, aí ela veio no fórum pra pedir a separação, e eu comecei a procurar na internet, coloca nome, isso e aquilo, e nada, nada, nada, não aparecia nada, evaporou”, e a reviravolta veio em 1º de janeiro de 2021, e a prima advogada Gabriela descobriu o último lugar onde o pai votou, e o pai já tinha falecido, e segundo ela “minha prima Gabriela, que é advogada, eu pedi pra ela, e ela pegou e conseguiu através de um lugar pra saber o último lugar que ele poderia ter votado, gente, tinha procurado todo o jeito, procurou de um jeito onde ele poderia ter votado, caramba, e ela conseguiu achar um lugar que meu pai tinha votado, então quer dizer meu pai estava vivo, estava vivo, e aí veio a resposta, ele votou em tal cidade, mas ele tinha falecido fazia tanto tempo, aí eu nossa meu deus que dó, agora que eu consegui achar, fazia pouquinho tempo, tipo uns 4 anos que ele tinha falecido, aí eu pedi, ela pediu pro cartório que mandasse uma cópia do atestado de óbito, eu como filha tinha direito, e aí pegamos esse atestado de óbito, e eu li lá naquele atestado de óbito, e lá embaixo tinha um nome assim, e requerente declarante, um nome, Isabel Vieira de Lima, eu falei gente, essa Isabel deve ser minha irmã, tem meu sobrenome, né, Vieira, sim, falei gente, deve ser minha irmã, aí agora não procurava mais meu pai, porque meu pai já tinha morrido, agora queria achar Isabel, sim, aí não achava, não achava”, e a prima Nica achou a Isabel por um blog de notícias, e segundo ela “no dia primeiro de janeiro de 2021, com as minhas primas lá em casa, minha prima falou, Ni, pega lá o atestado de óbito, quero ver, deixa eu ver se eu procuro, aí ela colocou lá, procurou, não achou, aí ela falou assim, vamos ver se nessa cidade que tá escrito o nome dessa Isabel, se não tem um blog de notícia, e ela escreveu assim, família do interior de São Paulo procura Isabel Vieira de Lima, gente, não deu 15 minutos, e bendito o cara do blog lá de notícia falou, conheço a dona Isabel, e aí já veio naquele mesmo dia eu consegui falar com essa Isabel, que é minha tia, irmã do meu pai, através da filha dela, e eu conheci toda a família do meu pai, caramba, todo mundo, eu achei, em 2021 eu completei 50 anos de idade, eu faço aniversário em janeiro, em janeiro eu desvendei a história da minha vida, caramba, e isso assim marcou demais, isso foi muito emocionante, porque você consegue imaginar, você procurar seu pai por 50 anos, sem resposta, sem notícia, sem paradeiro, e aí ele não teve outra família, e o que aconteceu, gente, olha onde que meu pai foi parar, no Tocantins, eu viajei 3.000 km pra ir conhecer toda a família do meu pai, pra eu ir no cemitério, porque eu queria enterrar toda essa história, sabe, dar um fim, sim, aquela coisa que você não sabe, se morreu, se tá vivo, se tem alguém, se não, e aí fui até lá, inclusive, aí conheci toda a história, gente, depois vocês procuram no meu Facebook tem uma foto debaixo de um pé de manga, tinha 30 pessoas me esperando, eram meus tios, meus primos, todo mundo se reuniu, todo o mundo da família se reuniu pra me conhecer, todos sabiam da minha existência, só eu que não sabia, caramba, eles sabiam que eu existia, porque o meu pai no final da vida dele, que ele foi morar com essa minha tia, ele falava, eu tenho uma filha, ela chama Maria Neli, e eu não pude mais voltar naquela cidade porque eu estava jurado de morte, ele tinha feito uma dívida, naquela época pagava-se com a vida, entendi, e aí ele fugiu, por isso que ele sumiu, por isso que ele não teve outra família, porque no fundo no fundo ele meio que protegeu vocês, é, era uma coisa que foi muito triste pra ninguém atrás delas, tudo mais, muito triste assim, mas ele foi um cara bem sucedido, ele morou bastante tempo no Mato Grosso, ele teve comércio, gente, tá no sangue, e no fim da vida dele, ele morreu lá na casa da minha tia, já com problemas, e aí ele tinha lá guardado o atestado, a certidão de casamento com a minha mãe, que a minha tia entregou, caramba, tinha, todos sabiam do meu nome, gente”, e no cemitério ela falou com o pai, e segundo ela “eu cheguei lá naquele cemitério, e eu falei, eu vou eu vim aqui, e aí nossa, eu falei pra ele, pai, muito obrigada pela vida, eu sei que você deve ter tido seus motivos, não quero, não tô aqui pra julgar, quero só agradecer, porque se eu tô aqui é porque teve a condição divina dele, nem que ele tenha vindo aqui só pra ficar com a mãe, casar com a minha mãe, eu nascer, né, mas sem ele eu não estaria aqui, sem ele eu não estaria aqui, e quando você encara a vida dessa maneira, você para de ficar julgando pai e mãe, sabe, tem que agradecer, eles têm os defeitos deles, ah sim, muitas vezes assim erram querendo acertar, né, ninguém quer o mal, quer um melhor, né, quer um melhor, né, mas nem sempre sabem o que é o melhor, fazem o que podem, fazem o que aprenderam, também tem muito essa questão, né, você aprende de uma maneira e vai passando isso pra frente”, e a lição que ela tira, e que pode ajudar outras pessoas, é que toda história tem resposta, e segundo ela “eu gosto de falar porque às vezes tem muita gente que pode tá passando por isso, e ela pode procurar, talvez essa ideia que eu acabei de dar serve pra outras pessoas, uma maneira de procurar, uma resposta, perder as esperanças também, né, não é, tudo tem resposta, né, pode até não gostar dela, mas existe, né, existe, tem que correr atrás, e se era uma coisa que realmente tava ali, não digo atormentando, mas tava ali, né, por 50 anos sem saber, essa história a gente tinha que correr atrás mesmo, e descobriu, e pôr um ponto final nela, sim, imagina pra minha mãe também, exato, é, e é isso gente”.
Onde encontrar
A Maria Neli Vieira Kato é empresária em Dracena, SP, com a Ótica Visão Dracena (@oticavisaodracena) e a Casa Bella Presentes e Decoração (@kasabella.dracena), e a conta pessoal dela é @nelikato, e ela é a atual presidente da Associação Comercial de Dracena, a 1ª mulher em quase 60 anos de história da entidade, e a Associação fica na área central da cidade, e tem o posto do SEBRAE dentro, e vai sediar o Empretec em novembro, o curso de empreendedorismo reconhecido pela ONU, e ela também é rotariana do clube local, e a frase que marca a vida dela, e que ela carrega desde 1989, é “quem faz ganha forças”, e o conselho final pra quem quer empreender, e que resume tudo o que ela viveu, é “primeira coisa: ter fé, e fé é acreditar no que você não vê”, e a história completa do pai, que sumiu quando ela tinha 2 meses e ela só descobriu o paradeiro 50 anos depois, no Tocantins, é uma das mais emocionantes que já passou pelo AdamiCast, e a Neli deixou o convite aberto pra todo mundo que quiser passar lá na Associação, ou nas lojas, ou no podcast quando pintar a próxima pauta, e o bate-papo inteiro com a Maria Neli tá no YouTube e no Spotify do AdamiCast, e o link tá na descrição.
Resumo do episódio
Maria Neli Vieira Kato conta sua trajetória de vendedora na Ótica Iguatemi (maior da América Latina em 1989) aos 24 anos como empresária com um Gol quadrado de entrada, passando pela abertura de filial em Lucélia, compra da Casa Bella e eleição como 1ª presidente mulher da Associação Comercial de Dracena em quase 60 anos. Além disso, revela a história de 50 anos procurando pelo pai desaparecido, encontrado apenas após sua morte no Tocantins, e compartilha a frase que guia sua vida desde 1989: quem faz ganha forças.
Principais aprendizados
- Começar como empresária aos 24 anos com um Gol quadrado de entrada e promissórias é possível quando se aceita o risco calculado e trabalha sem parar.
- A estratégia de divulgação boca a boca na feira de quarta foi a grande rede social para conquistar clientes no início do negócio.
- Gerenciar finanças, impostos e obrigações é o maior desafio do empreendedor e muitas empresas quebram rapidamente quando não levam isso a sério.
- Montar um Conselho da Mulher Empreendedora cria espaço para trocas de ideias, dificuldades e apoio entre mulheres que ainda têm pouca voz em cargos de liderança.
- A frase quem faz ganha forças, apreendida em 1989, resume a filosofia de vida que a levou a aceitar desafios, abrir negócios e viajar 3 mil quilômetros para resolver questões pessoais.
Perguntas respondidas neste episódio
Como Maria Neli começou a ser empresária aos 24 anos?
Ela recebeu a oportunidade de comprar uma ótica em Dracena de um cara de Presidente Epitácio cujo negócio não ia bem. Com 24 anos, um bebê de 7 meses e pouco capital, usou um Gol quadrado como entrada e assinou múltiplas promissórias para completar o pagamento, iniciando sua jornada como empresária.
Como a Ótica Visão Dracena começou a conquistar clientes?
A estratégia inicial era o boca a boca. Maria Neli e sua sócia andavam pela feira de quarta inteira convidando as pessoas, sem comprar nada, apenas fazendo propaganda. Essa divulgação de pessoas para pessoas foi a grande rede social da época para atrair clientes.
Qual foi o maior desafio enfrentado como empresária?
O maior desafio é lidar com as finanças, impostos e obrigações. Muitas empresas quebram rapidamente se não cuidarem bem disso. O financeiro é o cérebro do negócio e requer conhecimento de custos, precificação e diferenciação entre lucro e despesa.
Como surgiu a Casa Bella Presentes e Decoração?
Maria Neli comprou a loja que era Bela Flor Presentes, uma floricultura onde as pessoas pediam buquês de flores e coroas de funeral. Ela mudou o nome para Casa Bella com ajuda do Óder no design, conseguindo nova aceitação e transformando o Natal no momento mais forte do ano da loja.
Qual a importância do Empretec para empreendedores em Dracena?
O Empretec é um curso de empreendedorismo reconhecido pela ONU que vem para Dracena em novembro. Todos que fizeram elogiam muito o curso porque é uma semana inteiramente intensiva onde você é obrigado a aprender e não tem escolha. Ele incentiva a cultura de empreender por escolha e com estudo, não por necessidade.
Este texto foi gerado por Inteligência Artificial com base na transcrição do episódio do AdamiCast.