#267

De SP com seguro maternidade e sem dinheiro à Trilogia em Dracena: a história de Amanda e Rafael | #267

21 de novembro de 2023 • 30 min de leitura

Este texto vem do episódio #267 do AdamiCast

No episódio #267 do AdamiCast, em 21 de novembro de 2023, o casal Amanda e Rafael (@trilogiadracena, @amandafranciele86 e @rafael.cout), donos da Trilogia em Dracena, contou a história que começa com os dois se conhecendo em São Paulo, ela na importadora da 25 de Março (e já montando uma feirinha na calçada da garagem de uma senhora aos sábados), ele na mesma empresa (e com veia de empreendedor desde moleque, com loja de moto e borracharia), e da decisão de vir pra Dracena quando a Isa nasceu, fugindo do trânsito pesado de SP, e da chegada sem dinheiro, sem família, sem emprego (seguro maternidade + seguro desemprego), e do 1º emprego do Rafael no Santa Helena como vendedor depois de entregar currículo em tudo, e do começo na feira de Dracena (que era à noite, modelo diferente de SP), e do pior ponto que alagava, e da Isa dentro da mala/carretinha com brinquedinhos de fita enquanto eles montavam a barraca, e das feirinhas da madrugada em outras cidades (Tupi, Panorama, Junqueirópolis, Irapuru, Pauliceia, Londrina a 700km, Mundo Novo do lado do Paraguai), e da 1ª loja em Monte Castelo (que era a Trilogia original, Amanda nunca tinha visto um cheque, sem mercadoria, Isa brincando atrás das roupas, comendo embaixo do caixa), e dos 2 anos conciliando loja e feira, e da virada depois do pastor da Batista de Junqueirópolis falar que aquele ia ser o ano da virada, e da fé sobrenatural, e do cartão da sogra antecipado na própria maquininha, e do sonho que era comer no Mochileiros uma vez (porque só comiam cachorro-quente 1x por mês), e da 2ª loja em Dracena no ponto que a Amanda namorava havia anos (o dono não queria alugar pra roupa, Reforma de 3 meses com a Fernanda que desenhou tudo de graça porque tava se formando), e da Isa crescendo junto, e do Otto que nasceu agora (perdeu um antes, gravidez de alto risco, engordou 23kg, última viagem de compras a SP com mala de maternidade por medo).

Da origem em SP (Amanda na importadora da 25 de março, com a feirinha na garagem da senhora aos sábados, Rafael na mesma empresa com veia de empreendedor desde moleque, loja de moto e borracharia), e da decisão de vir pra Dracena com a Isa recém-nascida pra ter qualidade de vida

Amanda e Rafael se conheceram em São Paulo, na mesma empresa (importadora na 25 de março), e a Amanda já tinha espírito empreendedor mesmo trabalhando CLT, e segundo ela, “eu trabalhava na importadora na 25 de março, e durante o sábado eu trabalhava de segunda a sexta, e no sábado eu montava uma barraca numa feira perto da minha casa, tinha uma rua que era muito movimento, e tinha uma garagem de uma senhora que morava ali, então na calçada dela era a única que não tinha loja, e aí eu ficava pensando, nossa, eu queria ganhar um dinheiro no sábado, eu não faço nada, podia ganhar um dinheiro trabalhando pouco, e aí eu falei, eu vou trazer umas coisas lá de onde eu trabalho e vou vender aqui, porque não tinha, e eu não preciso pagar aluguel, não preciso sair do meu serviço, e aí eu pedi pra senhora, batei lá, e ela falou, pode vir sim, e começou tudo com uma mesa, primeiro uma, e quando eu vi assim, eu não conseguia mais levar pra casa, eu tinha que alugar a garagem dela pra pôr as coisas, e eu também não sabia que ia dar certo, e aí eu montei lá e começou assim, e eu ia todo sábado, e o pessoal que trabalhava comigo, as meninas, falava assim, nossa, você é doida, em vez de descansar tudo a fazer, e eu falava assim, é, mas o fim do mês vocês estão dura, e eu tô com dinheiro no bolso, e pra mim era gostoso, eu gostava daquilo, e não tinha naquele ali, e eu não imaginava uma loja, eu não queria no momento assim, acho que ainda era muito matura pra isso, não tinha essa visão ainda, era só um acréscimo de salário pra completar a renda”, e o Rafael também já era empreendedor, e segundo ele, “o Rafa já teve uma loja de moto, uma borracharia, já sempre fui meio que empreendedor também, já tinha a veia”, e eles se envolveram no trabalho (a Amanda não queria envolver com ninguém de lá, mas rolou), e casaram, e veio a Isa, e decidiram vir pra Dracena pela qualidade de vida, e segundo ela, “a Amanda nunca tinha ouvido falar de Dracena, e aí um dia a gente veio passear, eu tive bebê, tive a Isa, a minha primeira filha, e eu não queria, a gente procurou Santos, a gente queria uma cidade mais tranquila do que São Paulo pra criar ela, porque a nossa rotina lá era muito pesada, a gente só trabalhava, quem vive em São Paulo ou quem já morou em São Paulo sabe como é a rotina, é trabalhar e casa, e a gente veio pra Dracena porque meu vô morava aqui, era de Dracena, tinha uns tios da minha mãe, e Dracena conquistou, eu falei gente aqui é muito bom, eu gostei da calmaria, da cidade tranquila, eu falei, aqui a Isa vai pra escola, a gente pega ela muito rápido, num minuto, e em São Paulo você perde muito tempo no trânsito, e aí a gente falou, trabalhar na nossa cabeça, gente, arrumar um emprego, a gente vai trabalhar, e vai pagar aluguel igual paga lá, só que a gente vai ter a qualidade de vida que lá a gente não tem”.

Da chegada em Dracena sem dinheiro, sem família e sem emprego (seguro maternidade + seguro desemprego), da casa suja de forro sem ar-condicionado, e do 1o emprego do Rafael no Santa Helena como vendedor depois de entregar currículo em tudo

A chegada em Dracena foi dura, e segundo a Amanda, “a gente veio com a mão na frente, mão atrás, coragem, com seguro maternidade, desemprego, contados, sem emprego, o Rafa tinha o seguro, e eu tinha, e a gente não tinha nem o dinheiro da volta, porque foi muito cara a mudança, a gente não tinha atravessar, a gente não tinha nem o dinheiro da passagem de volta, e a nossa família foi muito contra, era a primeira neta da parte dele principalmente, e todo mundo lá, a gente veio sozinho”, e segundo ela, “a gente veio passear, e aí a gente alugou uma casa, eu ainda tinha um emprego, tava registrado, tava em licença maternidade, e eu consegui alugar a casa no nosso nome, e a gente quando chegou lá e falou, olha, a gente vai se mudar, e tinha um parente da minha mãe que tinha um negócio aqui, e aí ele falou, Rafa, você pode vir, você trabalha aqui comigo, e aí a gente, ah, pelo menos a gente já tem uma, e eu tava em licença maternidade, tinha um dinheiro, dava pra pagar o aluguel, e aí a gente veio, e a gente demorou um mês mais ou menos pra arrumar, a casa tava suja, a nenê era de peito ainda, uma casa de forro toda suja, parecia de obra, então a gente não conseguiu, a gente não conseguia sem ar-condicionado, São Paulo pra vir pra Dracena sem ar-condicionado, e o nosso primeiro ar aqui em Dracena foi depois de uns 5 anos, e aqui é necessidade, cara, caraca, lá é mais fresco, quando você muito de calor, janela aberta, toalha molhada assim pendurada, todo mundo fala, pendura toalha no ventilador molhada, então era aquele bacia de água, se fala, é mais F, dormir na bacia da água, é muito quente aqui”, e quando acabou o trabalho com o parente, o Rafael saiu sem renda, e segundo ela, “daí ele falou, Rafa, agora eu passei o negócio pro meu filho, e não tem mais a vaga, e aí eu fui procurar, e aqui é muito conhece fulano, ah então chama pra ir trabalhar, é tipo Rafael da do quê, da onde, qual que é seu sobrenome, não sei, não tem, tipo indicação de algum, e aí o Rafa foi, todas as usinas, entregar currículo, fui nas empresas de vidro que tem na rodovia, tudo que é lugar eu entreguei currículo aqui em Dracena, e nada, e nada, e nada, e o primeiro emprego meu que eu tive aqui, eu a Amanda desesperado, e eu sempre, vai dar certo, vai dar certo, e eu falava, eu não via uma luz no fundo no fim do túnel, eu ficava pensando, gente, eu não tenho dinheiro nem pra voltar, e a Isa tinha 2 pra 3 meses quando a gente veio, ela era muito pequena, não conhecia ninguém, pra deixar também, sem rede de apoio nenhuma, nenhuma, e o meu primeiro emprego aqui em Dracena foi no Santa Helena, foi vendedor, eu fiquei, a gente ficou um tempo lá, e aí a gente começou a ver a feira com outros olhos”.

Do começo na feira (Amanda viu que a feira de Dracena era à noite, modelo diferente de SP), da barraca comprada em SP e trazida pra cá, do pior ponto que alagava, e da Isa dentro da mala/carretinha com brinquedinhos de fita

Quando viram a feira de Dracena com outros olhos, decidiram voltar pra SP buscar o que tinham, e segundo a Amanda, “a gente começou a ver a feira com outros olhos, porque em São Paulo é de manhã, a feira é de dia, é só fruta, não tem tanta coisa igual aqui, à noite, e eu acho muito legal o modelo da feira aqui, com alimentação e tal, e aquilo encheu nossos olhos, e a gente viu uma oportunidade ali de resgatar o que a gente tinha em São Paulo pra vir pra cá, que nem ela já fazia na garagem, e você vê como Deus prepara a gente, e aí a gente decidiu ir pra São Paulo, compramos uma barraca, e trouxe as coisas pra cá, e começamos a ir de quarta-feira a pedir ponto lá na feira, então eu saía do meu, eu saí do Santa pra trabalhar normal, de quarta-feira se encontrava na feira, arrumava um ponto lá, e a gente fazia feira só em Dracena por ex, e a gente nem sabia que tinha feira em Tupi, e tinha a galera que ela roda a região aqui, eles começaram, e os vizinhos, a gente não sabia nenhuma cidade, não sabia que existia Junqueirópolis, não sabia que existia Tupi Paulista, não sabia, a gente só sabia de Dracena, e aí o trabalho era pertinho, 15km, aí os vizinhos começou a falar, vocês não fazem Junqueira de sexta, é muito boa feira, e Tupi, e a feira foi assim o negócio, a feira foi que a gente não tinha pra onde ir, porque querendo ou não, em São Paulo a gente tem acesso a shopping, a ruas mais movimentadas, a coisas, então o nosso passeio, nosso lazer, era feira, então quando chegava quarta-feira eu ficava esperando loucamente pra gente pegar a nenê e sair, sem família nenhuma, que era só nós dois, então o sábado e o domingo era muito triste, era muito sozinho, era muito vazio, e eu falava, era um domingo longo, e aí quando chegava quarta-feira falava, nossa, amanhã quarta, vamos pra feira, e aí foi nessa que eu falei, será que funciona, e aí a gente falou, meu, a gente tem tudo ainda, tinha umas cois, da feira, a gente tinha ainda umas grades, umas coisas assim, eu falei, Rafa, eu pego lá com a minha mãe que deixou na mãe dele, e a gente compra uma banca que desmonta, uma barraquinha, e vamos, vamos tentar, e vou conversar, e ele conversou com o fiscal, e ele falou, tem um ponto aqui, você pode montar, e assim é sempre o pior ponto que eles jogam, mas de quarta a gente começou a ir, no meio, porque ali alagava, e já pegar, já peguei enchente lá, peguei, e aí o nosso ponto era de frente com o lanche do Laércio, no meio mesmo, então a gente ficou ali, e não sabia que alagava, descobri da pior maneira, e fazia assim, eu ficava em casa, hoje dá pra dar risada, eu morava no saia com água no joelho dali, é de verdade, e quando estourou ali a Vox, ali cabou tudo, fundo al, nossa, ali ficou com água no joelho, e as bancas tudo boiando, e aí foi juntou toda a água da Vox ali, foi de uma vez, a Vox derrubou, eu tirei a Isa no colo ali com água no joelho, e aí a gente perdeu muita coisa, e o Rafa tirou a gente, depois foi ajudar o pessoal, e daí a gente começou a ir nas outras cidades, foi indo, foi indo, e a Isa ficava com a Dona Lourdes, e a gente pegou assim, eu conheci esse pessoal aí e falou, vamos, cara, você no fim de semana você tira um dinheiro, você vai vender 10.000 num dia, eu falei, nossa, cara, não acredito, eu vendia R$300, eu falava, vendi 10.000 no dia, eu falei, não, eu vou, vamos nessa feirinha, e aí a gente foi, e tal, pagava propina, pagava isso, pagava aquilo, chegava no final das contas, não vendia nada, e aí a gente foi indo, foi indo, e aí a Isa ficava dentro da mala, ficava, a gente abria a carretinha, a mala em Junqueira ficava na sombra, a barraca, e aí a gente colocava ela dentro da mala dentro da carretinha, dava as coisas, fazia um brinquedo de fita, e ela ficava, e as outras vizinhas de feira sempre ajudando também, sabe, o pessoal muito bacana, é uma família mesmo, e a feira é pra quem precisa, porque não é pra quem quer, é porque é muito sofrido”.

Das feirinhas da madrugada em outras cidades (Tupi, Panorama, Junqueirópolis, Irapuru, Pauliceia, Londrina a 700km, Mundo Novo do lado do Paraguai), das 1h às 6h da manhã com a sogra vindo ajudar a montar barraca, e do dia que mais vendeu em Londrina quando ia embora com a Isa doente

Eles rodaram várias feirinhas pela região e longe, e segundo a Amanda, “a gente foi fazendo as feiras, de toda semana, de segunda a segunda, conheceu Tupi Paulista, Junqueirópolis, Panorama, eu ia de domingo, eu ia fazer todas as feiras, daqui de Dracena, Junqueira, e a E sábado como sábado era noite, e domingo de manhã às vezes eu dormia em posto de gasolina dentro do carro, e eu não ia, ele dormia quando eu ia, e era difícil, e Irapuru, Pacaembu, e a gente fez de Irapuru até Panorama, todas as feiras, e Irapuru é terça, aqui é quarta, quinta Tupi Paulista, Irapuru como era mais tranquilo, o Rafa ia sozinho, era bem raro eu ir com a nenê, e a gente brigava por ponto, obrigava passar com o carro em cima de barraco, falava, não tira que eu passo por cima, gente, a gente tinha que chegar tipo duas 3 horas da tarde, e se na feira os cara pega o ponto seu, e às vezes você chegava um pouco mais tarde, e o povo tava no seu ponto, e colocava bem junto que não cabia a sua barraca, a gente chegava muito, 2 horas, tinha gente 2 horas, e a gente tava, e assim a feira é pra quem precisa, não é pra quem quer, porque é muito sofrido, e a gente trabalhava de manga longa, chapéu de palha, e por mais que agora olhando foi bem puxado, nunca foi um sacrifício, é a nossa base, é a nossa Fortaleza, e é a Dona Lourdes, a senhora que cuidou da Isa a infância inteira, ela tem um amor enorme, a gente não tinha nem dinheiro pra pagar ela, e ela falava, não manda, fica tranquila, e ela dava comida pra Isa, e ela criou a Isa de bebezinha, foi a mãe que a gente não tinha aqui, e a gente ficou uns 7 anos sem família só eu e ela”, e as viagens pra outras cidades eram puxadas, e segundo a Amanda, “feirinha da madrugada, a gente fez de tudo, teve um dia de quinta-feira que a gente tava em Tupi Paulista, acho que era 9 horas, e me ligaram, falou, vai ter uma feirinha de madrugada lá em Mundo Novo, que é do lado do Paraguai, é 700km daqui, amanhã 5 horas da manhã, aqui eu falei, tá bom, daqui a pouco eu tô aí, então desmontei minhas coisas, coloquei na carretinha, passei em casa, peguei uma muda de roupa, e foi noite inteira viajando de carro, a Isa de carro, cheguei lá, deixei a Isa lá, e pra montar a barraca, cara, longe pra vender, e aí chegava, passava a noite virada dirigindo, chegava lá, passava o dia acordado, vendendo, e tinha que voltar depois, valia a pena nessas, rendeu alguma coisa, e tem que ir uma pela outra, nem todas valia, e às vezes você pagava pra trabalhar, tiro no escuro, você só vai saber mesmo no final do mês se valeu a pena, e a gente tava em Londrina uma vez, a Isa tava doente, minha mãe tinha vindo pra passar uns dias com a gente, a Isabela tava com febre, e o Rafa falou, agora eu vou embora, pode ser que aqui ainda dê alguma coisa, e aí eu peguei o ônibus e vim, e ele ficou lá, e no domingo à tarde ia acabar, eu falei, ah, vou embora, comecei a tirar a barraca, desmontar as bolsas, e fiz aquele bolo em cima da, eu não sei se o povo pensou que era promoção, começou a vir um, vim outro, todo mundo viu cheio, começou a vir, e acabei que vendeu, vendi tudo que eu tinha, e foi o dia que mais vendeu, acho que foi a melhor que a gente foi, e eles falaram, Rafa, não acredita, não ganhei os 10.000 que o pessoal falou, até hoje, mas foi, acho que foi a melhor, e a gente não vendeu 10.000, vendeu menos, mas foi o dia que mais saiu, e isso foi antes da pandemia”.

Da 1a loja em Monte Castelo (a Trilogia original, Amanda nunca tinha visto um cheque, sem mercadoria, Isa brincando atrás das roupas, comendo embaixo do caixa), e dos 2 anos conciliando loja e feira

A Trilogia original era uma loja de bijuteria em Monte Castelo, que a dona vendeu quando foi pra Três Lagoas montar uma farmácia, e a Amanda já vendia brinco pra ela, e segundo a Amanda, “a Trilogia já tinha esse nome, e aí uma vez que eu fui vender os brincos pra ela lá, ela falou, vou vender a loja, e eu falei, não foi na feira, lembra, foi na feira, a gente ela foi numa feira de quinta-feira e falou pra gente, lembra, ela falou, ela passou lá na feira de quinta-feira, e a gente perguntando, e a loja, lembra, e foi alguma coisa assim, ela perguntou se a gente queria, se a gente tinha interesse, e a gente falou que tinha, só que a gente não tinha dinheiro, e ela perguntou do interesse, perguntou assim, e a loja Sandra, e aí ela falou, não, pera aí, eu lembrei, foi o Rafa, tá certo, a gente foi vender brinco lá e ela falou assim, ai, eu não vou comprar mais de vocês, aí eu pensei, minha melhor cliente, o que será que aconteceu, e ela falou assim, eu tô vendendo a loja, o meu marido vai montar uma farmácia em Três Lagoas, e aí eu vou embora, e a gente não, ah, aí a gente vai se mudar de cidade, e aí passou, e depois de um tempo ela tava andando em Tupi, na feira de Tupi, e aí ela foi lá na barraca, oi, não sei o quê, e aí a loja, você já vendeu, e ela falou, não, e ela falou, vocês não querem comprar, e o Rafa falou, eu quero, e aí eu pensei, meu Deus, como, e aí eu fui, acho que eu fui na loja falar com o marido dela e tudo, e aí a gente negociou, e eu falei, beleza, então eu vou te dar um tanto em dinheiro, um tanto em cheque, e ela falou, pode, mas só que eu não tinha nem dinheiro nem cheque, eu nunca tinha trabalhado com cheque, nunca peguei um cheque, nunca trabalhei com, sabia como era, sabia nem preencher, e eu preenchi errado, lembro preencher errado, então aí eu fechei um negócio, ó, você me dá tanto em dinheiro tanto em cheque, falei, beleza, a loja é minha, saí de lá direto pro banco, moça, preciso de um cheque de uns quatro, como que faz, e consegui, e eu fiz um empréstimo e peguei o cheque, e dei tudo lá, e aí a loja só que a loja tinha meia, ela levou a mercadoria, e a gente ficou, e eu não quer mercadoria, ela saiu tudo, a gente ficou sem, deu todo o dinheiro, o cheque ficou uma loja com os móveis que a gente comprou os móveis dela, e sem roupa nenhuma pra vender, falei, e agora, agora tem um cartão né, ah, vamos torrar o cartão, vamos torrar o cartão a loja, e aí a gente ralou assim, tudo que dava pra gente fazer a gente fazia pra tentar juntar o dinheiro, e a gente tinha que entregar pra ela em janeiro, e a gente ralou, e o Rafa pegou um pouco no banco, e conseguiu, entregou, e ficou com as paredes, a loja e os móveis, e porque eu não queria a mercadoria dela, que é uma mercadoria passada, que com certeza ela já fez uma liquidação, e eu tinha essa noção, não quero a sobra, e é uma, vai ser, na verdade só vai mudar o dono, mas é a mesma loja, mesmas coisas, mesmas, então eu falei, não quero esse resto que sobrou, vamos, do zero, do zero começar, e aí e aí a gente reformou a fachada, e pintou com spray, e ficou vermelho atrás, e voltou uma antes, e essa foi depois, foi outra barraca, e a Isa pequenininha brincava dentro da loja, sumia atrás das roupas, e os clientes falavam, ai, que susto, e ela tinha um provador, e a gente almoçava aí dentro, e a Isa quando era pequenininha ela brincava aqui embaixo, onde fica as roupas, todo cliente que é raiz da Trilogia sabe disso, falava assim, ai, que susto quando a filha tá aqui embaixo brincando com os brinquedinhos, com as bonecas dela, ela ficava ali, e essa menina fica aqui, e a gente tinha alugado do lado, era só aquele a primeira porta, e a gente alugou esse do lado direito, estavam abrindo, e quebrou pra ampliar, e o pessoal era tão velho, meu medo era cair isso, e aí a gente ficou com a Isa brincando ali, e nessa época ali que abriu a gente vendia masculino, e aí eu comprei eu já comprei na loja Trilogia sem saber que um dia ia ser minha, eu admirava a loja, as roupas, os acessórios, e eu ficava de olho nesse ponto, sempre namorei, e o meu sonho é ter a loja ali, e o Rafa falava assim, a Amanda, esse ponto nem tá pra alugar, como que você quer, você quer roubar o ponto, e aí o ponto ficou vago, e ligamos, e o dono falou, ah, você quer alugar o ponto, e ele falou, roupa não paga o aluguel aqui, e eu falei, eu não tô começando agora, eu já tenho uma loja, e eu sei o que eu tô fazendo, e ele não queria alugar, e nessa época os chineses montaram capinha de celular, fraco, e fechou, e aí a gente pegou, e aí pegou três meses de reforma ali, eu fiquei de dia e de noite, e nessa loja eu virava a noite, e a gente construiu uma parede ali pra embaixo preto, e fez essa parede pra tirar o acesso ali pra cozinha, e o espelho deixou a loja maior, e a fachada reformou, e o chinês tirou tudo, ele deixou nada na loja, nem a luz, não dava nem pra trabalhar de noite, e a gente construiu, e olha aquele espelho do fundo, a gente construiu uma parede ali, e parece que é maior ainda, e a gente pintou, e o Rafa ficava medindo, e a Fernanda ajudou a gente, ela tava se formando, desenhou, e a gente fez com fita crepe no chão, e o piso foi tudo a gente que trocou, e três vezes maior do que a outra loja, e tinha um outro arquiteto que ficou absurdo, e a gente falou, a gente não tem como pagar, e aí eu mandei mensagem pra Fê, e ela ajudou, e o projeto ficou exatamente como a gente queria”.

Da virada depois do pastor da Batista de Junqueirópolis falar que aquele ia ser o ano da virada, da fé sobrenatural, do cartão da sogra antecipado na própria maquininha, do sonho que era comer no Mochileiros uma vez, e da 2a loja em Dracena no ponto que a Amanda namorava havia anos

A virada de chave veio com a fé e com uma palavra do pastor, e segundo a Amanda, “a gente tava na igreja, um dia, a gente vai na Batista de Junqueirópolis, e o pastor, era uma quarta-feira, e o pastor falou, falou que aquele ano ia ser o ano da virada, que a gente não ia mais passar as necessidades que a gente passava, ele não falou direto pra nós, ele tava pregando, e eu peguei aquilo pra mim assim com muita força, eu falei, eu acredito que isso é pra mim, eu não aguento mais passar perrengue, e a gente trabalhava na feira, trabalhava na loja, e o Rafa ficava comigo na loja até a hora dele ir pra feira, ele pegava a Isa 4 horas, deixava a Isa na loja comigo, e ia pra Junqueira, e a gente fechava a loja, eu pegava um ônibus e eu ia com a Isa pra Junqueira de ônibus, e até chegar na feira, a gente ia de carrinho porque era perto, e depois em Tupi a mesma coisa, eu pegava um ônibus, fechava a loja, e ia pra Tupi, e aí a virada de chave, nesse ano, o pastor falou isso, eu peguei aquilo pra mim com muita fé, e falei, gente, eu tenho muita fé que algo realmente sobrenatural vai acontecer, e Deus foi mandando os clientes, e a gente começou, e eu não comecei mais dar conta sozinha, daí eu falei, Rafa, você vai ter que sair da feira pra você ficar aqui me ajudando, e tá muito movimento, e você fica no caixa e eu atendo, e a feira era um apego muito grande, o Rafa sofreu muito pra sair da feira, ele falava, nossa, ele não se via fora, e eu falava, Rafa, agora eu preciso de você, como que eu vou pagar uma funcionária sendo que eu tenho você, e aí ele falou, ai, meu Deus do céu, saiu, e aí a gente ficou nós dois, e a gente ficou muito tempo, e devia pra todo mundo, tinha vergonha, o meu sonho era ir no Mochileiros comer uma janta, eu falava, o meu sonho nesse restaurante, e a gente só comia um cachorro-quente uma vez no mês, e aí um dia os tios dele vieram passear, e falou, ai, não tem um lugar legal aqui pra gente, eu falei, tem, eu vou levar vocês pra jantar, e ele falou, eu pago, eu falei, pagar minha conta, tomara que eles pagam minha conta, e levou a gente lá no Mochileiro, e que delícia, e o meu primeiro encontro com a Mari foi, eu olhei pra ela, ó, eu tenho R$1 na bolsa, mano, e a água naquela época era 1,25, não dava nem água, e o Pedro falou, bom se eu entrar e pagar o dela, não sobra pra tomar uma água, e a gente tinha acabado de consumir, e o combustível do carro tava, e aí a sogra dele falou, eu te dou carona, e eu peguei e falei assim, beleza, me leva, e ela era tão bundão, e o duro, gente, que o carro já tinha 5 pessoas, e eu era a sexta, e o carro já tinha 5 pessoas, e pneu careca, e aí assim, a primeira conversa que eu tive com ele, então só tem R$1, e aí a gente passou por isso também, e aí os parentes vieram e pagaram a janta, e aí eu perguntei quando foi essa virada de chave, que saiu o ponto, que veio tudo, e aí o Rafa falou, tá, então eu vou comprar, e aí ele ligou pra dona do prédio, e ele falou, ah, você quer alugar o ponto, e é o que você vai montar, e ele falou, vou montar roupa, e ele falou, roupa não paga o aluguel aqui, não vou alugar, e eu falei, eu não tô começando agora, eu já tenho uma loja, e eu sei o que eu tô fazendo, e eu já tenho uma história aqui, e não vou de gaiata, e aí Deus preparou exatamente como era pra ser perfeito, e o ponto veio pra mim, e o projeto ficou exatamente como a gente queria, e a gente fez com a Fernanda de graça, e tudo que tá escrito na cartolina do coaching com o Fernando, a loja com calçado, provador grande, cozinha, estoque grande, isso tudo virou realidade, e a gente nunca fez nada pensando, vamos montar essa loja que vai dar mais dinheiro, vamos montar isso, nunca, sempre foi que nem a gente tinha o sonho, e a gente foi pelo sonho, não porque ia dar mais renda, e nunca o nosso foco nunca foi ganhar dinheiro, isso foi o resultado, e foi o resultado do nosso trabalho, e a gente sempre focou nesse lado, e o que vocês trouxeram pra Dracena, o estilo de atendimento, vocês perceberam que vocês mexeram no mercado, vocês inovaram, e na segunda loja não tinha uma loja nesse padrão em Dracena, e o atendimento, que a gente sempre focou, a gente faz muita questão, e a gente preza muito, e eu não sou a Trilogia, o Rafa não é a Trilogia, a Trilogia é um time, e eu sozinha eu jamais, e sempre eu falo pras meninas, eu sozinha eu não consigo, e o Rafa sozinho ele não consegue, e hoje eu cuido das compras e o Rafa cuida da parte financeira, e todo mundo que trabalha comigo sabe que eu não sou do caixa, eu gosto de estar ali no meio das meninas, conversando, atendendo, vendendo, e até a mulherada gosta, e eu não me dou bem no caixa, eu sei cadastrar, sei fazer tudo, mas é uma coisa que eu não domino, e a gente fala que sozinho não dá certo, a gente precisa de pessoas”.

Onde encontrar

O casal Amanda e Rafael é dono da Trilogia em Dracena, SP, e a história deles começa com os dois se conhecendo em São Paulo, ela na importadora da 25 de março (já montando uma feirinha na calçada da garagem de uma senhora aos sábados), ele na mesma empresa (e com veia de empreendedor desde moleque, com loja de moto e borracharia), e da decisão de vir pra Dracena com a Isa recém-nascida pra ter qualidade de vida, e da chegada sem dinheiro, sem família e sem emprego (seguro maternidade + seguro desemprego, a Isa com 2-3 meses), e da casa suja de forro sem ar-condicionado (5 anos até conseguirem o primeiro ar), e do 1º emprego do Rafael no Santa Helena como vendedor depois de entregar currículo em tudo, e do começo na feira de Dracena (que era à noite, modelo diferente de SP), e da barraca comprada em SP e trazida pra cá, e do pior ponto que alagava, e da Isa dentro da mala/carretinha com brinquedinhos de fita enquanto eles montavam a barraca, e das feirinhas da madrugada em outras cidades (Tupi, Panorama, Junqueirópolis, Irapuru, Pauliceia, Londrina a 700km, Mundo Novo do lado do Paraguai, 5h da manhã), e da sogra vindo ajudar a montar barraca, e da Dona Lourdes (a “avó” da Isa) que cuidava dela sem ganhar quando eles não tinham dinheiro, e do dia que mais vendeu em Londrina quando a Amanda ia embora com a Isa doente (fez um bolo em cima das bolsas, parecia promoção, e o pessoal veio correndo, vendeu tudo), e da 1ª loja em Monte Castelo (a Trilogia original, Amanda nunca tinha visto um cheque, sem mercadoria, Isa brincando atrás das roupas, comendo embaixo do caixa, eles reformaram a fachada pintando com spray vermelho), e dos 2 anos conciliando loja e feira, e da virada depois do pastor da Batista de Junqueirópolis falar que aquele ia ser o ano da virada, e da fé sobrenatural, e do cartão da sogra antecipado na própria maquininha, e do sonho que era comer no Mochileiros uma vez (porque só comiam cachorro-quente 1x por mês), e da 2ª loja em Dracena no ponto que a Amanda namorava havia anos (o dono não queria alugar pra roupa, Reforma de 3 meses com a Fernanda que desenhou tudo de graça porque tava se formando, 3x maior que a 1ª loja, espelho, cozinha, janelões, 33 spots de luz), e do coaching com Fernando Tin (a cartolina com tudo que queriam virou realidade), e da Isa crescendo junto (empreendedora também, põe ganchinhos), e do Otto que nasceu agora (perdeu um antes, gravidez de alto risco, trombofilia, diabetes gestacional, pré-eclâmpsia, engordou 23kg, insulina 2x/dia, última viagem de compras a SP com 8 meses com mala de maternidade por medo, da 1h às 6h da manhã), e da Amanda cuidando de compras e o Rafael da parte financeira, e da equipe e da gestão (Amanda aprendeu a delegar, tinha bloqueio, a 1ª funcionária sem experiência, treinou todas, feedback sempre em particular, nunca na frente do cliente porque ela teve uma chefia turca muito cruel quando era adolescente e nunca quis ser assim), e da frase dela “vocês são uma luz na vida das pessoas, vocês podem mudar o dia de alguém”, e do foco nunca ter sido ganhar dinheiro (foi o resultado), e da Trilogia ser um time (não é só Amanda, não é só Rafael). Contato: Instagram @trilogiadracena, @amandafranciele86 e @rafael.cout.

Resumo do episódio

Amanda e Rafael saíram de São Paulo sem dinheiro, sem família e apenas com seguro maternidade e desemprego para buscar qualidade de vida em Dracena com a filha recém-nascida. Começaram vendendo em feiras da região, enfrentando pontos que alagavam e viagens de madrugada por cidades do interior, depois abriram a primeira loja em Monte Castelo sem mercadoria e com a filha brincando entre as roupas, e após uma palavra de fé do pastor sobre o ano ser de virada, expandiram para a segunda loja na região central de Dracena, que se tornou referência de atendimento e design na cidade.

Principais aprendizados

  • Começar sem dinheiro é possível quando se tem fé e disposição para trabalhar em feiras e múltiplas cidades simultaneamente, mesmo que signifique deixar a filha pequena em cuidado de terceiros.
  • A mudança de São Paulo para o interior foi uma decisão de qualidade de vida familiar, aceitando ganhar menos mensalmente mas tendo mais tempo com a filha.
  • O fracasso inicial com pontos alagados e vendas baixas em feirinhas de madrugada foi etapa necessária antes de conseguir estabilidade em lojas físicas.
  • Uma palavra profética do pastor sobre virada de ano, combinada com fé sobrenatural, foi o ponto de inflexão que gerou confiança para expandir da primeira para a segunda loja.
  • O negócio nunca foi construído com foco em ganhar dinheiro, mas no sonho e no atendimento de qualidade, e o lucro veio como resultado natural do trabalho.

Perguntas respondidas neste episódio

Como começar um negócio sem ter dinheiro?

Amanda e Rafael começaram vendendo em feiras de madrugada em várias cidades da região, compartilhando custos e reinvestindo lucros pequenos. Compraram uma barraca simples em São Paulo, viajavam toda semana entre Dracena, Tupi, Junqueirópolis e cidades distantes, dormindo em carros e postos de gasolina. A primeira loja veio quando uma cliente ofereceu vender o negócio, negociaram pagamento metade em dinheiro metade em cheque, fizeram empréstimo e conseguiram entregar a dívida trabalhando loja e feira simultaneamente.

O que fazer quando o ponto comercial é ruim e alagável?

Amanda e Rafael pegaram o pior ponto que a feira de Dracena oferecia, que alagava e já encharcou com água no joelho. Em vez de desistir, começaram a rodar outras cidades nas noites de quarta a domingo, buscando feirinhas em Tupi, Panorama, Junqueirópolis, Irapuru, Pauliceia e até Londrina a 700km de distância. Essa movimentação les permitiu conhecer novos mercados e expandir as possibilidades de renda.

Como não desistir quando a situação é muito difícil?

Rafael mantinha esperança mesmo sem renda e morando sem ar-condicionado em cidade desconhecida. Amanda e ele iam à Batista de Junqueirópolis onde um pastor pregou que aquele seria o ano da virada. Amanda absorveu a mensagem com muita fé e passou a acreditar que algo sobrenatural aconteceria. Meses depois, os clientes começaram a chegar na loja, validando aquela palavra profética e dando força para expandir.

Como expandir do primeiro negócio para o segundo?

Depois de dois anos conciliando a primeira loja em Monte Castelo com as feiras, Amanda conseguiu um ponto que namorava há anos no centro de Dracena. O dono inicialmente recusou alugar porque acreditava que roupa não pagaria aluguel, mas Amanda provou que já tinha loja funcionando. Fizeram reforma de três meses com desenhos grátis da Fernanda (que estava se formando) e abriram a segunda loja três vezes maior, com espelho, cozinha e 33 spots de luz.

Qual é o segredo para que a loja dê certo?

Amanda e Rafael afirmam que nunca focaram em ganhar dinheiro, mas no sonho de ter uma loja bonita e no atendimento de qualidade. O foco sempre foi no sonho escrito em uma cartolina do coaching, não na renda. Também reconhecem que trabalham como time, delegando responsabilidades: Amanda cuida de compras e relacionamento no piso, Rafael da parte financeira, e todas as funcionárias são valorizadas e treinadas. O lucro virou resultado natural dessa filosofia.

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Este texto foi gerado por Inteligência Artificial com base na transcrição do episódio do AdamiCast.